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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Estamos Falidos Mas Financeiramente Seremos Sempre uma Robusta Instituição
O Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade está falido e tanto a família como todas as holdings do grupo financeiro de tão sacra pessoa pediram já protecção contra os credores. Não aconselhamos a que faça o mesmo lá em casa mesmo que o seu credor seja apenas o padeiro, pois esta actividade é apenas para profissionais. Se você tem os credores ou o homem do fraque à perna, mesmo que seja só por 10 euros, o melhor é desembolsar o guito e caso o não tenha, dar de frosques p’ró estrangeiro com passaporte e nome falso para os cobradores de dívidas difíceis não darem consigo ou a polícia o não vir meter no xilindró. No entanto tenham todos muita calma, não entrem em pânico. Com efeito o censor celestial veio a público dizer que o banco da terceira Pessoa da Sagrada família estava seguríssimo, financeiramente ultra-robusto, apesar de apresentar o maior buraco de que há memória (nada mais do que 3000 milhões de hóstias), e ter tido o maior prejuízo de toda a História do Paraíso – talvez só suplantado pela queda de Constantinopla ou a batalha de Alcácer Quibir – mas que o céu se mantenha em paz e tranquilidade, e sobretudo os depositantes do banco, pois no reino do Altíssimo os milagres são casos do dia-a-dia. Entretanto nos bastidores o censor celestial anda a ver se consegue vender o falido banco ou encaminhar para ele os dinheiros que a Tripeça andou a emprestar ao Paraíso com juros de palmo que têm transformado o dito cujo numa sucursal do Inferno, razão porque as hostes celestiais estão já a ser mobilizadas contra a OPA hostil lançada por Satã, dado os infernos serem a sua especialidade. Contudo as coisas não estão a correr lá muito bem para a Santíssima Trindade, em especial para a Primeira Pessoa, isto é, o Pai. Isto porque os serafins, a hoste superior na hierarquia dos anjos começou a amuar e a fazer perguntas incómodas e equaciona até a entrada em greve às armas e ao uso do fogo celeste se as hostes do Diabo atacarem, se não lhes forem devidamente esclarecidas diversas dúvidas e questões que entregaram em manifesto sindical ao patrão do Céu, isto é, ao Pai, Filho e Espírito Santo (não se admirem de 3 pessoas serem apenas um patrão, mas sucede que até na república dos Hambúrgueres as empresas familiares, como é o caso da dos chefes do Paraíso, foram recentemente consideradas pelo Supremo Tribunal como “pessoa”). De acordo com o nosso diabinho espião, que aproveitou o descontentamento angelical e foi à fala com o serafim-chefe Mikael, obtendo permissão para ler o questionário dos anjos a ser entregue no próximo concílio celeste, as perguntas que estes pretendem pôr ao Pai, Filho e Espírito Santo são as seguintes:

1. Se a Tripeça andou por cá a espiolhar quanto se gastava onde, para onde iam os dinheiros disto e daquilo, quanto se pagava de salários, pensões de reforma e contribuições de saúde aos anjos e santos, quanto se gastava no ensino, ciência, saúde PPPs e cera para engraxar as núvens, tendo concluído que os habitantes do Éden tinham andado todos a vier acima das suas possibilidades, porque razão nunca deu pelo buraco financeiro do banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade? Não será esse buraco uma ainda mais óbvia “andar a viver acima das possibilidades” da Terceira Pessoa?
2. Assim sendo, e se nunca deu pelo buraco apesar de ter andado a esquadrinhar todos os cantinhos do Céu, qual a competência ou idoneidade dessa Tripeça? E a quem afinal se poderá pedir contas à falta de rigor analítico e contabilístico dessa Tripeça? Ou esta será mais uma para culpar o Diabo que até estava lá em baixo no Reino Inferior a tratar da provisão de lenha para os fogos de Inferno, e nunca se viu metido nem achado em todo este imbróglio?
3. Quem foi que ganhou com tamanha incompetência da Tripeça? Os bancos do Purgatório, que tem estado à beira da falência por mor dos negócios de empréstimos ao céu e operações em shadow banking? É que nós, os anjinhos de certeza não ganhámos nada, excepto experiência a pagar as contas das falências dos outros.
4. Porque foi que a Tripeça afinal não viu que o problema da economia celestial eram não os habitantes locais e os seus salários mas as estranhas contabilidades e balanços financeiros onde nunca apareciam certos movimentos de caixa e de financeirização? Será que o pessoal da tripeça sabe mesmo de economia e análise de activos e passivos?
5. Ou o objectivo do programa de ajustamento da Tripeça nunca foi para salvar a economia celestial mas sim os bancos das Pessoas da Santíssima Trindade, isto é, do patrão, familiares e amigos?
6. E se assim é, queremos saber qual a rede de influências internacionais de tais bancos para todos terem fechado os olhos e assobiarem para o lado. Se não formos esclarecidos fazemos greve de asas caídas e deixamos Satã entrar por aqui dentro e tomar conta desta chafarica pois que para ladrões, provavelmente os do Inferno serão menos gananciosos.

Assinado: o comité dos guerreiros e servidores alados de Deus.

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