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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Eu Não Sou Despesista, Só Comprei 5 Lamborguinis! (com o dinheiro dos outros)
Onde é que isso é despesa? interroga, muito justamente zangado, o rei da Ilha das Bananas aos meios de comunicação social, os quais tiveram dificuldades em publicitar o facto por se estarem a rir a bandeiras despregadas, como aliás acontece sempre que o Sr. Jardineiro, rei da Ilha das Bananas, faz qualquer intervenção pública. Pois Sua Alteza real, o sr. Jardineiro decidiu provar às irritantes colónias continentais que não era despesista, para calar de uma vez por todas as más-línguas que queriam metê-lo em tribunal (imagine-se!) por gestão danosa do erário público. As colónias continentais, sendo dominadas por um bando de horríveis trotskistas ignorantes, precisavam de uma boa lição de História e de Economia, pensou Sua Alteza. E deste modo ordenou ao escrivão da corte que calculasse ou arranjasse quem calculasse por ele, tudo o que a Ilha das Bananas havia dado às colónias continentais desde o tempo em que as bananas lá foram plantadas, provando assim que se agora pedia às colónias mundos e fundos, não estava a pedir mais do que o seu de volta, dado que ao longo destes séculos as Bananas haviam enchido os cofres dos continentais e ainda está longe de equilibrar as contas. O relato remonta até aos tempos em que o seu antepassado Jardim d’Ervas combatera nas cruzadas com um cavalo partilhado a meias com o amigo pois a ordem monástica a que pertencia era muito frugal nestas coisas de sinais exteriores de riqueza. O escândalo rebentou contudo não por causa do avô que partilhava selas e talvez outras coisas com camaradas templários, nem com o estudo em si (ninguém se deu ao trabalho de ler as 2794 páginas em letra Garamond formato 8) mas com a factura do consultor, somada com a comissão de acompanhamento do escrivão da corte, e onde constava, entre outros itens sugestivos, o da compra de 5 Lamborguinis novinhos em folha e topo dos topos dos topos de gama. Perante a geral comoção e descontentamento, dado que a crise está a encurtar as bananas de toda a gente, há pessoal que já só come a rama das bananeiras, Sua Alteza, o sr. Jardineiro explicou que gastar tanto dinheiro numa ocmissão de avaliação de histórica de deves e haveres não era despesismo pois o seu estudo seria um interessante documento histórico e além disso, o que eram 5 Lamborguinis nas contas públicas quando o seu estatuto real exigia que ele e a sua família mais próxima viajassem em estado, conforto e velocidade, e além disso eram os continentais que estavam a entrar com o guito, onde é que querer um Lamborguini só para si e pago pelos outros era despesismo? 
De maneira nenhuma dado que eram os outros que alargavam os cordões à bolsa. Estas declarações foram devidamente publicadas no Diário das Cortes, tornando-se letra de lei, mas tão feliz desfecho teve inesperadas consequências: de repente os tribunais foram inundados por processos de caloteiros que afirmam não deverem nada aos queixosos, dado que o seu tetra-tetra-tetra-avô, ou o seu ilustre antepassado do tempo dos romanos se fartara de dar dinheiro ou correlativos aos antepassados desconhecidos do actual credor e que por este conjunto de razões exigem do credor uma reparação monetária por perdas e danos. Se esta jurisprudência for por diante, o país estará salvo: basta invocar o facto de que tudo o que teve de seu no passado, o deu aos actuais credores, desde as rotas e feitorias das especiarias, ao dinheiro dos ovos, salsichas, batatas, vinhos, sardinhas e atum em posta, ouro e pedras preciosas, sem contar já com as bonitas praias, sol sorridente e acolhimento caloroso dos nativos aos estrangeiros que por cá vêm avermelhar os alvos corpinhos. Basta apenas fazer remontar as contas ao tempo da Maria-Cachuca.



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