No Principado do Não Sei Para
Onde Vou apresentou-se a nova moda Outono-Inverno escolar em celebradas passagens de modelos que contaram com os mirones habituais, os paparazzi do costume e as top-models mais escaldantes da saison (quanto mais não seja nos cachets que exigem). Um lindo
saia-casaco longo, em versão saia ou calça, com cores outonais, chamado Avaliação
de Desempenho abriu a passagem de modelos, mas estava ainda na fase dos alinhavos
e o costureiro assegurou que seriam introduzidas diversas alterações até ao
modelo final. No entanto, mesmo nesta fase inacabada já deu grandes comoções
aos professores presentes no público, causando desmaios e colapsos por
exaustão. Seguiu-se um vestido bordeux
de folhos subidos no pescoço e envolventes da cabeça do manequim, chamado
Exames Obrigatórios. O cinto Critérios de Classificação não estava ainda sequer
na prancha do criador, tendo sido substituído por um cordel encontrado num
canto dos bastidores mas mesmo assim causou sensação, dando ao conjunto um ar
retro que muito animou os avós das criancinhas e foi de imediato encomendado
pelo Ministério da Educação, para servir de ornamento para os próximos
cinquenta anos. Seguiu-se o conjunto de Inverno, designado por Professores em
Falta nos Agrupamentos Problemáticos, com cachecol negro, capa castanho-escura
de burel com berloques, enfeitada com Assistentes Insuficientes, tendo os
berloques bordado a branco e negro a cara do Ministro Educativo, vestido de lã
tufada até aos pés, com saia de roda, trabalhada com padrões de Turmas King Size. Rematava o conjunto um par de
botas modelo Turmas com Vários Níveis de Ensino na Mesma Sala e que causaram o
espanto generalizado na assistência. Trata-se de um modelo económico, em
material elástico e couro rasca que o criativo da casa Aguentem-se à Bronca
garante ir manter-se em voga durante pelo menos os próximos 30 anos e este
vosso humilde cronista de moda concorda. Mas o furor da noite revelou ser o
curioso conjunto vestido de noite feminino, casaco de gala masculino chamado
Aulas de Inglês no 1º Ciclo. Numa primeira passagem o vestido, comprido, de
tons rosa-cereja e branco neve, debruado a pele de coelho branco no decote e
falsa pele de raposa nas mangas, bordado com petizes com livros nas mãos, chamado
Inglês Como Actividade de Enriquecimento Curricular, recebeu numerosos aplausos
e várias encomendas por parte de casas de ensino de prestígio mundial. Mas as
emoções estavam apenas a começar. Com um golpe da bonita écharpe estampada com bandeiras francesas, espanholas, chinesas e
alemãs a manequim virou o vestido do avesso e surgiu um fato de homem completo,
incluindo chapéu à anos 30 do século passado e capa para a chuva, em sóbrio
preto, cachecol em tartan escocês,
botas de elástico de cano curto com polainas brancas, sendo o conjunto chamado
Inglês Só Para Quem Paga. Chegado ao fim da passerele
o modelo masculino volteou a capa para a chuva, surgindo como que por magia um
vestido de noite estampado com bandeirinhas inglesas em padrões
caleidoscópicos, muito elegante, de cintura apertada com espartilho e saia
longa travada, com sensual racha em viés subida até meio da coxa, chamado pelo
seu criador de Exame Obrigatório de Inglês. Neste momento já havia grande
confusão no público que não sabia bem se ainda estava a ver o Inglês
Obrigatório ou o Exame ou o Inglês para Alguns. A confusão foi total quando
mais uma vez o manequim se sacudiu todo e abrindo a racha até ao pescoço
volteou novamente o vestido, surgindo agora um mui sóbrio casaco preto
masculino em legítima fazenda inglesa, chapéu de coco negro de feltro, camisa
branca e gravata escura de seda, calças negras bem vincadas e sapatos de couro
negro brilhante, sendo o conjunto rematado pelo bonito acessório de bengala de
ébano encastoada com cabeça de prata com um leão e um grifo. O conjunto foi
designado pelo criador como Inglês Obrigatório a Partir do Primeiro Ciclo e o
conjunto de sucessivos modelos que se transmutam uns nos outros dependendo do
sexo ou preferência do cliente, foi chamado de Lotaria do Inglês, nome evocativo
das belas tradições desportivas da insular Albion. Infelizmente a sucessão de
modelos transmutáveis foi excessivamente original para o público, que acabou a
vaiar e a fazer pateada, em demonstração da sua frustração. Na causa de tão
invulgar comportamento em passagens de modelos esteve o facto de que os
potenciais clientes, quando tentaram fazer as respectivas encomendas foram
informados que não poderiam escolher o modelo pois este seria atribuído por
lotaria, embora os modelos que fossem atribuídos após sorteio – e que ainda
precisavam de numerosas alterações secretas a serem criadas no momento da
entrega – seriam devidamente dimensionados à medida de cada freguês. A empresa
responsável pelo espaço onde decorreu a exibição veio já anunciar que fechava
para obras pois o caos na sala após a intervenção da Polícia de Choque e
subsequente expulsão de todos os presentes, manequins meio despidos incluídos,
era indescritível e ninguém se acusava para pagar as despesas.Número total de visualizações de páginas
sábado, 28 de setembro de 2013
No Principado do Não Sei Para
Onde Vou apresentou-se a nova moda Outono-Inverno escolar em celebradas passagens de modelos que contaram com os mirones habituais, os paparazzi do costume e as top-models mais escaldantes da saison (quanto mais não seja nos cachets que exigem). Um lindo
saia-casaco longo, em versão saia ou calça, com cores outonais, chamado Avaliação
de Desempenho abriu a passagem de modelos, mas estava ainda na fase dos alinhavos
e o costureiro assegurou que seriam introduzidas diversas alterações até ao
modelo final. No entanto, mesmo nesta fase inacabada já deu grandes comoções
aos professores presentes no público, causando desmaios e colapsos por
exaustão. Seguiu-se um vestido bordeux
de folhos subidos no pescoço e envolventes da cabeça do manequim, chamado
Exames Obrigatórios. O cinto Critérios de Classificação não estava ainda sequer
na prancha do criador, tendo sido substituído por um cordel encontrado num
canto dos bastidores mas mesmo assim causou sensação, dando ao conjunto um ar
retro que muito animou os avós das criancinhas e foi de imediato encomendado
pelo Ministério da Educação, para servir de ornamento para os próximos
cinquenta anos. Seguiu-se o conjunto de Inverno, designado por Professores em
Falta nos Agrupamentos Problemáticos, com cachecol negro, capa castanho-escura
de burel com berloques, enfeitada com Assistentes Insuficientes, tendo os
berloques bordado a branco e negro a cara do Ministro Educativo, vestido de lã
tufada até aos pés, com saia de roda, trabalhada com padrões de Turmas King Size. Rematava o conjunto um par de
botas modelo Turmas com Vários Níveis de Ensino na Mesma Sala e que causaram o
espanto generalizado na assistência. Trata-se de um modelo económico, em
material elástico e couro rasca que o criativo da casa Aguentem-se à Bronca
garante ir manter-se em voga durante pelo menos os próximos 30 anos e este
vosso humilde cronista de moda concorda. Mas o furor da noite revelou ser o
curioso conjunto vestido de noite feminino, casaco de gala masculino chamado
Aulas de Inglês no 1º Ciclo. Numa primeira passagem o vestido, comprido, de
tons rosa-cereja e branco neve, debruado a pele de coelho branco no decote e
falsa pele de raposa nas mangas, bordado com petizes com livros nas mãos, chamado
Inglês Como Actividade de Enriquecimento Curricular, recebeu numerosos aplausos
e várias encomendas por parte de casas de ensino de prestígio mundial. Mas as
emoções estavam apenas a começar. Com um golpe da bonita écharpe estampada com bandeiras francesas, espanholas, chinesas e
alemãs a manequim virou o vestido do avesso e surgiu um fato de homem completo,
incluindo chapéu à anos 30 do século passado e capa para a chuva, em sóbrio
preto, cachecol em tartan escocês,
botas de elástico de cano curto com polainas brancas, sendo o conjunto chamado
Inglês Só Para Quem Paga. Chegado ao fim da passerele
o modelo masculino volteou a capa para a chuva, surgindo como que por magia um
vestido de noite estampado com bandeirinhas inglesas em padrões
caleidoscópicos, muito elegante, de cintura apertada com espartilho e saia
longa travada, com sensual racha em viés subida até meio da coxa, chamado pelo
seu criador de Exame Obrigatório de Inglês. Neste momento já havia grande
confusão no público que não sabia bem se ainda estava a ver o Inglês
Obrigatório ou o Exame ou o Inglês para Alguns. A confusão foi total quando
mais uma vez o manequim se sacudiu todo e abrindo a racha até ao pescoço
volteou novamente o vestido, surgindo agora um mui sóbrio casaco preto
masculino em legítima fazenda inglesa, chapéu de coco negro de feltro, camisa
branca e gravata escura de seda, calças negras bem vincadas e sapatos de couro
negro brilhante, sendo o conjunto rematado pelo bonito acessório de bengala de
ébano encastoada com cabeça de prata com um leão e um grifo. O conjunto foi
designado pelo criador como Inglês Obrigatório a Partir do Primeiro Ciclo e o
conjunto de sucessivos modelos que se transmutam uns nos outros dependendo do
sexo ou preferência do cliente, foi chamado de Lotaria do Inglês, nome evocativo
das belas tradições desportivas da insular Albion. Infelizmente a sucessão de
modelos transmutáveis foi excessivamente original para o público, que acabou a
vaiar e a fazer pateada, em demonstração da sua frustração. Na causa de tão
invulgar comportamento em passagens de modelos esteve o facto de que os
potenciais clientes, quando tentaram fazer as respectivas encomendas foram
informados que não poderiam escolher o modelo pois este seria atribuído por
lotaria, embora os modelos que fossem atribuídos após sorteio – e que ainda
precisavam de numerosas alterações secretas a serem criadas no momento da
entrega – seriam devidamente dimensionados à medida de cada freguês. A empresa
responsável pelo espaço onde decorreu a exibição veio já anunciar que fechava
para obras pois o caos na sala após a intervenção da Polícia de Choque e
subsequente expulsão de todos os presentes, manequins meio despidos incluídos,
era indescritível e ninguém se acusava para pagar as despesas.sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Aos nossos caros raparigos e raparigas a redacção pede desculpa mas nem todas saíram bem...
Para fazer o que é necessário. É favor no final puxar o autoclismo. Quem vem a seguir não tem a obrigação de limpar por si.
Sintrenses com Marco Almeida. E com o Marco Paulo, e o Tó Zé Vinhas, e a Ágata… para bilhetes à borla é favor estar atento aos novos concursos.
Fazer o Essencial. E não mais que isso ou o princípio do trabalho mínimo.
Confiança na CDU para Mudar Queluz e Belas. Empresa de Mudanças Confiança: não nos responsabilizamos pela sua mercadoria.
Lisboa Vai Ser Capital Ecológica. Deve ser por isso que Lisboa quase desapareceu do cartaz: já não há ecologia que lhe valha.
Roliça Sempre. Porque delas redondinhas é que a gente gosta.
Unidos por Panque. Quanto mais não seja, à pancada.
Infias tem Futuro. Por isso estamos todos aqui d’infiada[1].
Vamos Meter Cascais na Linha. Ou de como a bezana é tão grande que já nem sei onde ‘tou.
MimcoNisa. Ou de como até já poupamos nos espaços e nas letras.
Emanuel Pereira. Primeiro
Candidato a Canelas. Para quem temer pelas canelas também
vendemos caneleiras.
Acredita em Ti. Juntos Vamos Vencer. Respiramos Independência. E também snifamos tubos de cola. Deve ser por isso que não atinamos com a diferença entre tu e nós.
Penha e São João Merecem Mais. Pelo menos arraiais, alho-porro, arquinhos e balão.Para Libertar Lisboa. Vamos já lá assaltar a esquadra! Trazer mocas, soqueiras e outras armas contundentes pois a organização não fornece o material (somos nazis mas borlas foi c’os outros).Acredita em Ti. Juntos Vamos Vencer. Respiramos Independência. E também snifamos tubos de cola. Deve ser por isso que não atinamos com a diferença entre tu e nós.
Juntos por Todos. Porque antes só nos juntávamos p’ró bacalhau.
Segurança de Proximidade. Pois quanto mais juntinhos, melhor.
Um Presidente de Confiança. De Confiança, da Aliança e dos Chocolates Regina.
Idalina Flora. Avenidas Novas Sempre. Com um nome assim as Avenidas estarão sempre em flor… Também fazemos ramos de noiva, decorações de mesas de congressos, arranjos para baptizados, coroas e palmas funerárias.
Para Fazer Ainda Mais, Com as Pessoas em Primeiro Lugar. Movimento Independente do Bico. Somos estritamente independentes: bicamos quem quer que se chegue ao pódium.
A Diferença Que Faz Falta. Não nos perguntem porquê. Isto são umas eleições, não um exame de filosofia.
Lisboa Vai Ser uma Cidade Solidária. Em especial para mim, se vocês forem tansos ao ponto de nos darem os vossos votos.
Areeiro, a Sua Nova Freguesia. Só agora cá chegámos, até ontem vivíamos na estranja.
Pelo Areeiro Primeiro. Os outros, é favor esperar no fim da fila.
Connosco 1+ 1 = 1. Junta-te a nós. Vimos. Pois vimos… que a matemática não é o vosso forte.
Apoiar o Comércio Local. Com umas muletazinhas para ele não cair de vez.
Abdicamos do Nosso Vencimento em Prólogo da População da Nossa Freguesia. E isto é só o prólogo. Esperem pelos próximos capítulos e irão ver como é.
Lisboa Vai Ganhar. Manuais Escolares Para Todos. Porque a minha editora também precisa de Novas Oportunidades.
Vota CDU com Toda a Confiança. Porque a gente só faz batota depois.
João Cordeiro. O Líder Que Falta a Cascais. O único com sex shop na vizinhança. Garantimos a alegria das senhoras e o sucesso dos senhores. Descontos de 30% em quem votar em mim.
Desenhar Um Novo Futuro. Porque o projecto anterior sofreu alterações.
Joaquim Jorge. Gestor Competente a Presidente. Está na Hora de Mudar. Por isso vou primar pela incompetência durante o meu mandato. Também tenho direito a férias!
Mais Saúde. E hip, hip, hurra! Mas não me esvaziem a adega, por favor.
Juntos Avançar na Mudança. Se quando formos em 5ª nos estamparmos em grande não nos digam que metemos a mudança errada.
Fazer Pelas Famílias. Pois alguém tem de aumentar a taxa de natalidade.
Já nos Conhece, Somos de Confiança. Freguesia do Pó. Ou de como a nossa confiança se reduziu a pó. Se ao menos não os conhecêssemos…
PS. E Porque Não… Ora pois… pode lá haver argumento melhor?
Tudo e Todos por Braga. Ricardo Rio. Para bem de Braga é proibido meter água.
Preciso do Seu Voto. E de seguida do seu dinheiro, da sua camisa, dos seus sapatos e do que ainda por aí houver.
Emanuel Pereira. Primeiro Candidato a Canelas. E chegou a hora dos caloiros.
Vota.Palavras para quê se já conhecem o produto?
Construir a União. Com o Augusto e o João. P’ra concluir a equipa já só faltam nove.
Sim, mais CDU em Campo. Eles acreditam, e tu? Atã nã acredito?! Ê inté acredito que vamos ganhar o Mundial!
Mais Segurança e Pleno Emprego. Procuram-se espias, vizinhas coscuvilheiras, bufos e outros queixinhas. Entrada imediata ao serviço, salário a ser estabelecido lá mais pr’ó Verão.
R. R. R. Reabilitar. Rigor. Romantismo. Consulte Mãe Oxum dos Búzios: faz rigorosas avaliações mensais ao namorico e reabilita corações partidos.
Somos Mais Venteira. Mais uma forcinha e passamos a ser um tornado.
Lazer e Desporto. Estão abertas as inscrições para os maratonistas da soneca na rede.
Apoiar o Emprego. Incentivar as Pessoas. Procuramos pielas certificados. O garrafão de tinto é distribuído só ao fim do dia.
Uma Cidade Para Todos, Um Presidente Para Todos. Não sou sectário: a partir de hoje camiões de mercadorias, carroças de burros, carros de bois, trotinetes, locomotivas e triciclos podem circular na cidade às horas de ponta.
Todos por Chaves. E também pelos nossos cabeleireiros.
Cidade do Lordelo Apoia a Nelinha. Como não somos esquisitos, também apoiamos a Tita, a Pituxa e a Tátá.
Um Mandato Popular. Se fosse impopular nem nós cá estávamos…
Sem… Futuro. Não se cansem a votar, nós já desistimos!
Ao Serviço das Pessoas. Banco do Medicamento. Empréstimos de aspirinas a 5% ao mês. TAEG a 0,5%.
Connosco uma Palhaça de Futuro. Vamos Apoiar as Pessoas. O nosso próximo futuro é na Unidade de Traumatismos. Descontos em Óculos e Armações. Óptica Central Lousada. 25% em todos os serviços. Viver mais e melhor com o apoio de Ricardo Martins. Também oferecemos óculos de sol e bengalas, peça a rifa à saída.
Sentir Lisboa. Há outros que sentem comichões, suores frios e calores, em especial quando vêm a conta do IMI.
Todos pela Mudança. Construção de Casa Mortuária. Apresentamos os 39 candidatos p’rá inauguração.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Como foi noticiado há algum
tempo, o meliante Camaleão da Naifa e cabeça de lista proposto pelo grupo de
amigos ‘Tá-se Aqui Tão Bem, para as
eleições à câmara municipal de Chatilly de Cima acabou de sofrer um grande
desgosto. Não, não foi a esposa que o desertou e fugiu com a
Lagartixa-do-Rabo-Pintado, o nosso estimado da Naifa até deu uma festa quando
soube que a esposa deu à sola, “livrei-me duma pior qu’ó Soprano da Ilha do
Esparguete”, disse para os amigos que vieram festejar à cela, contando-se entre
estes o director da prisão, esposa e queridos filhos menores. Não, o desgosto
prendeu-se com a reviravolta no tribunal das eleições que, depois de ter dito
sim à sua candidatura e até já ter colocado uns votos nas urnas ainda antes
destas terem ido para as mesas de voto, veio agora com a palavra atrás e disse
que o nosso Camaleão da Naifa não podia concorrer porque não podia conduzir as
assembleias e assinar os despachos da câmara na sua cela. O visado ficou muito
surpreendido, pois se podia dar festas e até ter convidadas nocturnas, o que o
impedia de mandar vir os vereadores e chefes de serviços virem ali à prisão
reunirem-se com ele? As condições de reunião até eram muito melhores, muito
mais confortáveis do que as da sala dos Paços do Concelho no velho edifício da
câmara que tem os canos á mostra, a pingar do tecto e a pinta a pelar pois a
crise não permite obras no edifício. Quem já disse que vai recorrer da sentença
foi o seu amigo Ás-das-Fechaduras, que ainda anda à solta em parte incerta, os
bolsos cheios com o produto do arrombamento do último cofre-forte, e segundo
cabeça de lista para a Câmara do Chantilly pois “se nem juristas que fizeram a
lei, nem os juízes, se entendem, então como podemos nós entender-nos? O que a
gente entende é que o Camaleão da Naifa tem sido o melhor presidente de que há
memória e tenho dito!” O facto da memória não registar outro presidente talvez
resida no facto de que o Camaleão já estava no cargo desde que há eleições p’ró
dito. Veremos como acabará o acórdão do Tribunal de Última Instância… se é que
não acaba num desacórdão em pleno bar da Sardoa-Palma-Tudo, com facas de
ponta-e-mola, garrafas partidas, tacos de golfe e outras alfaias de arremesso.
Os desacórdãos no bar da Sardoa ocorrem, como programado, todas as sextas
feiras podendo sempre achegar-se mais um ao arraial.quarta-feira, 25 de setembro de 2013
![]() |
| http://www.pilulapop.com.br/2011/10/o-palhaco/ |
Um novo sobressalto ocorreu ontem na corrida dos
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Dopping na Corrida Eleitoral da
República Federal das Batatas: Ministro Desclassificado Para a Final?

Rebentou novo escândalo na
corrida eleitoral para chanceler da República das Batatas, desta durante os 1500 m barreiras com
estafetas e protagonizado pelo ministro batatense das Finanças ao não passar o
testemunho ao colega seguinte de equipa. Com efeito as emoções têm-se sucedido
no estádio olímpico da Bola com Creme, capital da República Federal, tendo
inclusive levado público e juízes a perguntar-se se um dos candidatos estará ou
não a correr na corrida adequada, mas isso será alvo de próxima notícia quando
tivermos mais informações do nosso correspondente desportivo na Bola com Creme.
O actual escândalo ocorreu quando o ministro em vez de passar o testemunho,
continuou a correr e a discursar para um dos jornalistas eleitorais,
desobedecendo a todas as normas da corrida e irritando todos os colegas de
equipa e atletas adversários. Pior foi quando por fim os juízes da prova,
começando a correr atrás dele finalmente o agarraram pelos fundilhos do equipamento.
Nessa altura declarava ele ao jornalista que a Repúlica federal das Batatas era
a responsável pelo tremendo sucesso económico da União das Hortaliças, que era
a determinação batatense que estava a consertar a União, ignorassem os profetas
da desgraça pois já era tempo dos eleitores darem ouvidos a quem sabe”. O
jornalista também estava a dar ouvidos, pois iniciara a entrevista a correr ao
lado do ministro e com o microfone bem junto deste mas à data do faltoso ser
filado pelos juízes encontrava-se já a mais de meio metro de distância e olhava
assustadamente para o seu entrevistado. O ministro, no entanto, estava eufórico
e alheio aos esforços dos juízes para o imobilizarem. E declarava convicto que
“a receita está a funcionar, a União está a ser consertada, e isto para
desgosto da avalanche de críticos dos jornais, universidades e organizações
políticas. É claro que o ajustamento era doloroso mas a sua aplicação é
flexível e adaptável e as redes de segurança da União garantiram uma mistura
bem calibrada de incentivos e solidariedade para amortecer o sofrimento”,
momento em que o jornalista se afastou um metro e os juízes enfiaram de vez o
ministro no colete de forças. Porque bem sabemos dos vários, talvez milhares de
moussakenses, por exemplo, que têm morrido de fome, falta de assistência médica
e medicamentosa ou atacados pelos adeptos dos partidos “os únicos com direito a
viver somos nós”. Nesta altura o ministro, sem dar fé do colete de forças ou
qualquer restrição de movimentos, declarou que “bem podem as universidades e
organizações internacionais produzir estudos sobre os riscos da política
económica seguida na União, porque a verdade é que em apenas 3 anos os custos
unitários do trabalho e a competitividade estão a ajustar-se e os défices a
desaparecer. A recessão na União das Hortaliças acabou”. O que aumentou a já
grande confusão entre os colegas de equipa pois a economia da União está em
coma e com crescimento quase zero, as taxas de desemprego sobem nos vários
países, nalguns deles até aos 30%, os preços unitários do trabalho descem
porque os cidadãos são agora obrigados a pagar para trabalharem e é só por
bocadinhos, o que torna muito difícil que estes cidadãos comprem as batatas de
que precisam para se manterem vivos. E quanto à competição no mercado
internacional… mas ele talvez só estivesse a falar da República das Batatas,
justificaram os colegas. Para se calarem de imediato pois o batata rematava a
sua arenga com “os sistemas adaptam-se, as tendências mudam. Por outras
palavras, o que foi partido pode ser reparado. A União de hoje é a prova”. Altura
em que todos concluíram estar a acontecer algo muito estranho ao colega. E estava.
Análises à urina e ao sangue comprovaram que quando proferiu este discurso
estava com uma trip de LSD e Estasy que batia todos os recordes dos livros dos
recordes. Neste momento a grande dúvida que atormenta o estádio é: pode um
viciado em drogas pesadas continuar a fazer parte da equipa? Espera-se que a
Tripeça, que nada sabe de regras de atletismo, decida.
domingo, 22 de setembro de 2013
No Reino das Colheres de Pau
abriu a época de caça ao tacho, a qual tem muito variáveis tempos de abertura e
fecho consoante a catadura dos legisladores do momento. Desta feita a época
venatória vai até 2014, altura em que talvez os legisladores decidam qualquer
outra coisa ou renovem as cédulas de caça a apenas alguns caçadores, atribuam
cédulas a caçadores novos, retirando para esse efeito as de caçadores de cuja
pinta não apreciem, os quais passarão a ter de ir caçar para outro lado. A caça
ao tacho é um desporto nacional deste reino, e que acende fortes e ferozes
paixões entre a população local, do avô ao menino e à menina, da mamã à tia,
prima e primo. Ninguém fica de fora e todos tentam deitar a unha a um tacho,
que é ave d’arribação de mui difícil apanha pois é muito arguta e bate a asa ao
menor ruído. Na verdade, os melhores tachos são apanhados pela calada, longe
dos mirones dos populares e das coscuvilhices dos jornalistas. Embora todos
tentem ir aos tachos, a sua caça é estritamente regulamentada e só os cidadãos
abastados têm direito a cédula de caçador e autorização de caça em espera, em
batida e com cães de fila. Os populares tentam apanhar tachos mas essas
capturas são ilegais e no geral acabam por dar cadeia. Já quem tem cédulas de
caça tem garantia de que pode apanhar todos os tachos que quiser,
inclusivamente as crias recém-nascidas. Existe aliás uma profunda discussão no
Reino das Colheres de Pau sobre quem será o culpado das continuadas reduções
dos efectivos venatórios, que de ano para ano se registam. Os ricaços e donos
dos direitos de caça dizem que são os populares que invadem as coutadas e
dispersam os tachos, assustando-os ou abatendo-os ilegalmente e é necessária
maior repressão desta actividade furtiva. Para esse efeito o governo fez já
aprovar um decreto que força à expulsão dos seus empregos, e em consequência do
direito de cidadania, a pelo menos ¼ da população, com especial destaque para
os trafulhas que fingem trabalhar nos serviços do Estado e são responsáveis, no
ver dos grandes caçadores, por falsificações grosseiras das cédulas de caça ou
então, como maus couteiros, fecham os olhos quando os furtivos famintos tentam
invadir as coutadas e apanhar um tachinho mesmo que esquelético e com furos no
fundo. Por outro lado o povo refila e reclama nas paragens das carroças, os
poucos felizardos que ainda têm emprego (trabalhos têm-nos cada vez mais, empregados
e desempregados), que a razão da extinção progressiva dos tachos se deve aos
senhores ricos e com direitos de caça, que açambarcam tudo para eles, não
permitindo que os dinheiros investidos na sua reprodução aumentem os efectivos
venatórios. O governo, naturalmente, concorda com a tese dos caçadores
encartados e promoveu já o despedimento de 30 000 professores, de modo a que, tendo
estes assim perdido a cidadania, os possa expulsar do país. A posição
governativa deve com efeito ser a correcta – ao contrário do que acusa o
ignorante povo – pois após estes despedimentos em massa verificou-se um aumento
de tachos na coutada particular do governo, com especial destaque para os
efectivos das espécies Tacho-Subsecretário, Tacho-Acessor, Tacho-Especialista,
além de várias outras sub-espécies mais raras e ainda não devidamente
identificadas. Espera-se assim que este ano a época de caça no Reino das Colheres
de Pau seja uma das melhores da década.sábado, 21 de setembro de 2013
Estão novamente a decorrer as
garraiadas eleitorais para os cargos de rega dos canteiros dos nabos, ou seja
os cargos de Mão na Mangueira que tanto têem dado que falar nos últimos tempos.
Ao ver os cartazes anunciadores das garraiadas compreende-se finalmente a briga
que se tem travado em tribunais e ruas para decidir quais dos forcados se
achegam ou não às mangueiras, indo primeiro a votos. É tudo um pouco confuso
para o eleitor nabense pois uma garraiada pode estar a decorrer com enorme
brilho e até o pessoal estar todo a pensar em no dia da garraiada final votar
no forcado mais velho mas se o juiz decidir que não senhor, o forcado em causa
é demasiado velho para aparar os golpes das chocas e tem é de arrumar o barrete
e ir p’rá reforma… como é que o nabense vai decidir assim em cima da hora em
quem vai votar? Muito confuso. Excepto para os serviços ilegais de apostas que
têm tido umas semanas em cheio a vender rifas “vai ser posto fora” em
verde-folha e “não, não vai” em azul-bebé, a cinco conquilhas a rifa, com as
probabilidades colocadas com frequência na casa dos 10:1. os juízes têm afinado
com o assunto e já mandaram a polícia atrás dos corretores de apostas, mas
estes fintam as forças da ordem (?), metendo-se dentro dos curros ou saltando
para a arena se as coisas ficam apertadas, em especial do lado de dentro das
tábuas quando a choca pensa que está nos olímpicos de salto em altura e decide
ir cumprimentar forcados e público. A confusão é tanto mais difícil de suportar
porquanto nunca como agora foram os cartazes de anúncio das garraiadas tão
esclarecedores no programa de acção dos forcados-candidatos-à-mangueira. Assim
veja-se o candidato amarelo-canário que declara: “na capital ao pé coxinho”, o
que convenhamos exigirá um equilíbrio sobre-humano quando se estiver a aguentar
a investida duma manada de chocas. Por seu lado o rebelde amarelo-e-vermelho
(ou vermelho-a-fugir-para-o-amarelo) declara sem papas na língua “vamos
libertar a nossa querida cidade refém… nem que seja à bomba”. Por seu lado o
clube do barrete verde deu para a poesia e diz afinadinho: “todos juntos
fazemos uma linda capital”; o facto da maior parte dos cidadãos viver fora
dela, nos bairros de barracas ou barracas up-graded dos arredores da dita coloca-nos
a dúvida de quem poderão ser os tais “todos juntos”; será que são os candeeiros
da rua que não se podem mudar para a periferia, ou serão as ratazanas que,
finalmente em paz, podem reclamar as ruas e vielas? Evidentemente outro
candidato, o do barrete vermelho-branco, declara no seu cartaz que “queremos a
capital”; o que lança a dúvida se esta era propriedade privada e alguém lha
roubou ou… também nos deixa parte delas cair na sarjeta ou rebolarem rua abaixo
– e enquanto esperam, vai o arraial decorrendo. Com tão fabulosos programas
anunciados e desconhecendo até à boca das urnas quem vai ter direito a pegar a
bicha, como pode um confuso eleitor escolher o forcado da sua alma? E se
escolhermos um que já depois das pegas e dos votos os senhores juízes decidirem
que não, não senhora, não tinha direito a concorrer? Por favor, dêem com
urgência umas moedinhas aos senhores juízes!
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
A Divina Providência Também Foi a Votos
A febre das eleições também já chegou ao Paraíso e os residentes nem esperaram pelo Olam Ha-Bav (ou seja, o Reino Que Há-de Vir, trocado em miúdos),
exigindo em plenário e após vários dias de greve que se fizessem eleições. Desta
não serão apenas os anjos chamados às urnas pois que, estando dependentes do
patrão votam em quem ele manda, mas também os habitantes Terra. A base da
reivindicação (extraordinariamente) aprovada em geral assembleia angelical foi
a de que os actuais residentes terrenos
virão um dia para cá, donde convém que adquiram experiência prévia dos assuntos
celestiais e decidam desde já sobre o futuro do Paraíso que irão ocupar. Aprovada
a alteração ao regime eleitoral, o anjo-assessor do gabinete de imprensa do Céu
telegrafou de imediato para todas as câmaras municipais, igrejas, santuários, líderes
religiosos e videntes, marianos ou outros, para mobilizarem os seus fiéis ao
voto. Infelizmente o telégrafo celestial não é dos mais avançados (na verdade
ficou-se pelo modelo de Morse) e houve interferências na mensagem, devido não tanto
aos adeptos de Satã o Opositor-Mor, mas às trovoadas, raios gama, anti-matéria e
outros explosivos eventos atmosféricos. Assim, os receptores não captaram a
palavra final (celestial) e supuseram que o Altíssimo ordenara a mobilização dos
seus seguidores para as eleições terrenas. Por essa razão, no mundo dos
turbantes, as eleições têm sistematicamente dado a vitória aos partidos religiosos
enquanto no outro lado se tem apelado ao voto eleitoral, a noites em família
sem TV e com oração e até, no caso dalguns candidatos mais zelosos, na
distribuição de terços a todos os paroquianos e passeios ao santuário mariano
mais próximo, que isto estamos nas encolhas e não dá para peregrinar até ao
estrangeiro nem mesmo a pé e de mochila às costas. O facto dos candidatos
estarem a oferecer estes mimos devocionais com dinheiros públicos em vez de
porem o deles à frente não deverá constituir pecado, visto que é por uma boa
causa. Outros mais empreendedores decidiram criar linhas de merchandising onde as imagens dos santos
e do candidato terreno surgem em parelha, sendo distribuídas em posters para o
quarto, toalhetes para mesas, tabuleiros, T-shirts, crachás, braceletes de
pano, porta-chaves, protectores solares para carros, imans para frigorífico,
auto-colantes e marcadores para livros, prevendo até ao final da campanha,
entre vendas e ofertas aos eleitores, arranjarem uma maquiazinha para irem de férias
até às ilhas dos cocos e curaçau, bastiões do socialismo mas apetecíveis refúgios
de férias para capitalistas. Os eleitores agradecem, pois poderão vender esta tralha
aos coleccionadores, nas estações de comboios e do Metro, à laia dos negociantes
de CDs marados e ervinhas aromáticas, pois todos os trocos fazem agora muita
falta. Espera-se que, apesar do equívoco na transmissão da celestial mensagem,
o Divino fique agradado com o entusiasmo dos candidatos e decida intervir neste
arraial porque no estado em que as coisas andam nem a Senhora nos salva.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
As provas de atletismo eleitoral
a decorrer na República Federal das Batatas acabam de incluir mais um
inesperado competidor. Trata-se do grande anel de ágata da candidata Toutiço
Despenteado que, cansado da “austeridade para os outros” e pensando que os
outros talvez o incluíssem, decidiu apresentar a sua candidatura à chefia da
República. O grande anel, “Cachucho” para os amigos, é um candidato
envergonhado e com graves handicaps nas
provas de corrida de obstáculos, salto, ginástica rítmica e contorcionismo ideológico
a que todos os candidatos se têm de submeter perante os eleitores. O Cachucho
descobriu a sua súbita e impressionante popularidade no último debate público
entre a sua dona, Toutiço Despenteado, e o seu mais directo adversário, o caro
Gaffes Na Boa. Para grande surpresa de todos, dado que entrou mudo no debate e
dele saiu calado, os eleitores expressaram mais intenções de voto na sua
humilde presença do que em qualquer candidato. Reflectindo sobre o fenómenos e
indo para casa pedir a opinião da esposa, a Sra. Solitário, decidiu
apresentar-se também às eleições. Isto causou grande alarido entre os
poltergeists, que são como se sabe uns rapazes muito irrequietos e barulhentos,
e a senhora Toutiço Despenteado protestou a sua repugnância por um “filho da
casa a trair tão ignobilmente, dividindo o eleitorado nesta difícil hora da
União das Hortaliças de que somos os senhores, perdão, motores”. A senhora
Toutiço Despenteado lá saberá do que fala… O Cachucho não fez comentários a
estas e outras declarações, ainda mais contundentes, por parte dos adversários.
Aliás será difícil o Cachucho dizer seja o que for dado que os anéis não têm
boca. Em contrapartida os seus fãs têm e muitas, tendo criado uma conta-beneficência
para suportar os gastos de campanha e até um hacker caridoso criou uma página na Rede-de-Pesca onde se vê o
Cachucho em várias fotos de família, com um formato e qualidade de imagem que
faz em muito lembrar o site oficial da Dior. Os fãs não têm parado de pipilar
mensagens no site, declarando o seu apoio e esperança na capacidade governativa
do candidato, com frases como “Se for eleito não precisaremos de deixar ir os
anéis? É que estou muito preocupada com os meus dedos” ou “Admiro a sua sobriedade
de discurso. Se for eleito, além de mudo também será mouco às pretensões dos
preguiçosos países do sul? É que eles só querem o nosso dinheiro e estou
cansado de pagar impostos para eles”. O site conta já com mais clicks, gostos e
pipilanços do que o do mais badalado ídolo pop do momento e grandes empresas de
publicidade ofereceram-se já para subsidiar o Cachucho se ele consentir que lá
publiquem os seus anúncios. Instado a responder sobre o seu programa eleitoral,
o candidato manteve-se em silêncio mas o seu manager de campanha esclareceu tratar-se duma demonstração de
fidelidade ao seu lema orientador: “O calado vence tudo”. As competições
desportivas e comícios em que a Toutiço Despenteado participa são agora
especialmente concorridas pois todos os eleitores querem saudar o candidato de
última hora, dançando kuduro-transe e oscilando cartazes em coreográficas
reprises da Ditadura Não Há Arroz, só que em vez de desenharem a face sempre
jovem do adorado líder de 60 e muitos anos, os cartazes dizem: “Queremos o
Cachucho! Queremos o Cachucho! Cachucho Frito com Francesas É Que É!”terça-feira, 17 de setembro de 2013
Achtung! Der Geist Ist Hier! (Atenção! O fantasma está
aqui!, para os amigos)
Na República Federal das Batatas
andam a correr para as eleições, pois que, como os batatenses adoram cerveja,
tendem a ficar redondinhos e nada como umas boas corridas eleitorais para os
pôr com físicos de fazer cair de chiliques as doces e louras eleitoras e garantir
mais votos. Mas este ano as corridas eleitorais têm um tour-de-force capaz de atirar para fora das suas pantufas até o
batatenese mais preguiçoso e baldas, o que aliás é crime nesta prodigiosa
República. É que pela primeira vez, os fantasmas também se apresentaram na
linha de partida. Sim, leram bem: fantasmas… dos reais, turbulentos e que
atiram objectos a todos os intrusos, muito típicos desta belicosa República,
que até receberam na arrevezada língua local o nome de poltergeists, não é
nenhum trocadilho de mau gosto com a carantonha da Totiço Despenteado que já
corre pela terceira vez consecutiva, após ter metido numa pantufa todos os
machos batatas da República. Na verdade a Totiço Despenteado não achou graça à
concorrência, que a faz agora andar ainda mais despenteada, e ainda menos ao
facto desta concorrência ter surgido na linha de partida por causa da malandra
e preguicenta Democracia da Moussaka, que não há meio de atinar nem de acabar
de matar à fome os seus constituintes, como exige o Fundo Mundial da Agiotagem
e os credores da União das Hortaliças, isto é, os bancos semi-falidos das
Batatas. Os batatenses estão fartos de dar o seu guito aos estrangeiros e não
percebem porque os moussakenses, sem dinheiro sequer já para uma aspirina para
as dores de cabeça, dizem tão mal da generosidade da República Federal. Também
não percebem, pois ninguém lhes disse, que os moussakenses têm de pagar os
empréstimos com juros de 100% ao mês, o que nem no tempo do Batata Podre, responsável
por uma razia de Ovos Estrelados e de seguida de toda a União das Hortaliças, se
ousou fazer. Para as aspirações da Toutiço Despenteado, que nos últimos vinte
anos tem governado as batatas e acaba de bater mais um record nos segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Estamos agora em eleições – aqui,
ao invés da República das Batatas, os candidatos não correm, passeando antes de
carro – e a criatividade anda à solta. Senão veja-se:
Em Lisboa com os Dois Pés. Ou no caso de ser necessário economizar, ao
pé-coxinho.
Queremos Lisboa. Porque
alguém no’la tirou…
Juntos Fazemos Lisboa. Empresa
de construções Tudo em Família.
O Euro Afunda o País. Referendo
Nacional. Ou de como ninguém os informou
de que estas eleições são outras.
Lisboa Vai Ganhar. Um Túnel no
Saldanha. Se ainda houver espaço entre os
túneis do Metro. Mas calhando isto é apenas uma questão de campeonato.
Com os Mesmo de Sempre Não Espere
Nada de Diferente. E com as ideias destes
pelos vistos também não.
Resgatar uma Cidade Sequestrada. Regressámos ao tempo das Brigadas Vermelhas
e do Bader Meinhoff e eu não sabia! Ou isto é o título de outra telenovela?
Vida Nova nas Avenidas Novas. Sim, porque para velha, já basta o que
basta.
Por Lisboa, Uma Cidade Para Todos. Porque até agora, pelos vistos, tem sido
só para alguns.
Equipa para Ganhar. Só nos falta contratar o Ronaldo.
Em Bloco para Mudar o Seixal. Para a margem norte ou para o Sul do Sado?
Seixal com Futuro. Só não sabemos muito bem qual.
Somos Fernão Ferro. E Amora, e Barreiro e União da CUF.
Mais Amadora. Porque esta ainda não tem confusão que
chegue.
Medicamentos Comparticipados, Já!
Ou de como uma autarquia também é uma farmácia.
Vídeovigilância, Já! E a vocação número 2 ou de como uma
autarquia também pode ser polícia orweliana.
Virar à Esquerda. Também podemos ser polícias-sinaleiros…
Acreditamos no Futuro. Outros acreditam nos horóscopos da Maya…
Na Amadora Vota PTN. Simples e económico. Com ideias assim o
futuro não há-de cantar, há-de ser uma orquestra.
Em Queluz Vota PTN. Ou de como se muda o balde mas a ideia fica
na mesma.
CDU Com Confiança. Tanto na capital como no Cu-de-Judas. Esforçarmo-nos
nos slogans para quê, então não estamos em tempo de economias?
Tempo de Escolher CDU. Não adianta perguntar porquê, a gente também
não sabe.
Venteira Mais Próximos. Mas não tanto que se torne pornográfico.
Peste & Sida com a CDU. Só faltam mais 3 cavaleiros para o
Apocalipse.
É Hora de Mudar. De casa, de emprego, de concelho, de país…
Atreve-te a Mudar em Sintra. Mas por favor moderem nos decotes e nas
mini-saias.
Fazer por Sintra. Segunda porta à direita, é favor entregar a
chave no balcão.
Fazer a Diferença em Sintra. Sintra
é Diferença! Sintra a Diferença. Embora
seja um pouco difícil ver a diferença.
Para Mudar Sintra. Cobramos 3 €/hora. Grandes monos: 50€
à peça, fora combustível.
Sintra Mais Forte. É Sintra Mais
Forte. Sintra é Mais. E por mais um bocadinho estamos no concurso
Mister Músculo.
Todos por Queluz e Belas. E pelo Atlético Futebol Clube.
Todos por Sintra. E se possível com mais alguns, que isto assim
já não vai lá.
Mais Queluz. Mais Apoio
às Famílias. Mais Coesão Social. Estão enganados, não são eleições, é
campanha de promoções do supermercado.
Sintra Pode Mais. Como podem ver, este é
um concurso de halterofilia.
Entra no Porto Forte. E depois não te queixes se fores apanhado
pela Brigada de Trânsito.
Paixão com Independência! Eis uma nova forma de definir o amor.
O Melhor Partido para o Porto. Sim, porque há formas piores de o pôr em
cacos.
Gaia na Frente. Porque até agora tem vindo no banco de trás.
Confia na CDU. A CDU Faz Falta a
Gaia. Têm a certeza que a vocês também
não falta qualquer coisinha?
Venha Daí Comigo Pelo Sobral. Troque-se Sobral por Portugal e temos um
sucesso de estrondo entre os emigrantes.
Um Presidente, Um Amigo. Também para os copos de três e cravar uma
raspadinha.
Todos Teremos Que Fazer a Nossa
Parte. Porque pela nossa, não faremos
nada.
Isaltino, Oeiras Mais à Frente. Será à frente das grades do xilindró?
A Nova Catarina. Apostar Mais nos
Miolos e Menos nos Tijolos. Eis uma boa
aposta…
O Novo Pedro. O Novo Tio Carlos. E a nova Aninhas que acabou de nascer, tem
olhos azuis e pesa 2500
gramas com fralda molhada e tudo.
Serei um de Vós. Porque até agora nunca fui.
Paulo Vistas, o Novo Presidente. Porque este é d’Olhão.
Vivemos Juntos. Decidimos Juntos.
A nossa barraca é muit’a grande, ‘inda
cabe cá mais um.
Concelho da Chamusca. Paulo
Queimado. Aqui Há Futuro. Mesmo que seja
um futuro que cheire a esturro.
Ser Tripeiro É um Mundo. Então não é? A lagarta no rabanete também
pensa o mesmo (do seu rabanete).
Vote Gil Pinheiro. Vote Para a
Mudança. CDU, Soluções Para Uma Vida Melhor[1]. A começar no bailarico e a terminar nos
pezinhos de porco com coentros.
Seremos Fiéis ao Seu Voto. Uma vez votos contados, estaremos
divorciados.
Porque Te Conheço. E de ginjeira…
Bustos. Mamarrosa. Troviscal.
Unidos Vamos Construir um Futuro Melhor. Com
boas maminhas rosadas para os bustos.
José Aires. Gente Que Faz. Dá-se corda à imaginação… e não apenas para
ler as letras pequeninas do cartaz.
Cabeçudo, Por Ti Tudo! Não é um cartaz eleitoral, é uma declaração
de amor.
Caia com força. Porque se for com jeitinho é capaz de não aleijar.
1. Bem Comum 2. Verdade 3. Responsabilidade.
No cartaz de baixo temos: Summer Party
Fontanelas 30, 31 e 1 em Casais Monizes. E está tudo dito…
[1] No cartaz o rapaz aparece de
acordeão nas unhas.
domingo, 15 de setembro de 2013
O Gesto Diz Tudo...

Na República Federal das Batatas a corrida para chefe da banda teve hoje um incidente que promete modificar as regras da concorrência entre candidatos. Agora, além de serem testados nas suas capacidades de corredores de fundo e salto de obstáculos, assim como de prestidigitadores, devendo demonstrar quem mais eficazmente faz desaparecer os problemas durante a competição eleitoral, passarão também a ser avaliados nas suas capacidades de mimos. Com efeito, o candidato Ponte-de-Pedra ao ser interrogado sobre pequenos faits divers políticos, estando com pressa para apanhar o comboio (que neste país andam sempre à tabela com 5 minutos de atraso), optou por responder com bonito gesto de dedo em riste e manguito, que foi mais explícito do que mil palavras. E por ser tão explícito, mal ele partira no comboio, a gare inteira comentou o gesto e daí todos os jornais, depois a cidade, de seguida o país e agora até nas chancelarias do resto da União das Hortaliças as suas expressivas declarações, que correspondem de facto a todo um programa governativo, estão a ser alvo de pormenorizada análise. Não é para menos dado que a República das Batatas é a chefe monetária das Hortaliças e quem entra com o guito é quem manda. Aliás, o senhor Ponte-de-Pedra tem-se distinguido na política local pelas suas capacidades mímicas e língua solta, o que é uma bem-vinda lufada de ar fresco numa escol política normalmente muito sisuda, e poderá vir a tornar-se no novo modo de estar dos políticos batatenses. Ainda no início do ano, quando interrogado sobre o que pensava dos novos príncipes-herdeiros da Monarquia dos Raviolis, apontou para um chapéu de palhaço que tinha na cabeça, pois que andara a fazer de palhaço na festa de aniversário do neto. Para bom entendedor… meio gesto basta. Aliás o candidato tem um forte leque de apoiantes que começam a estar fartos das hortaliças do sul, declarando que “nós não nos manifestávamos violentamente e queríamos liberdade e não apenas dinheiro”, em referência a um passado onde não se podiam de todo manifestar quisessem dinheiro ou liberdade porque pura e simplesmente eram presos e enviados para os campos de férias nos gelos do norte, para saberem o que era bom. Temos também de perdoar aos lídimos batatenses estas pequenas confusões que lhes acontecem no que toca às hortaliças do sul. Porque as hortaliças do sul precisam do guito para ver se não morrem de vez de fome e entre a fome e a liberdade é natural que os famintos sejam um bocadinho de nada mais violentos. Afinal “casa onde não há pão, todos ralham e…” Mas os ilustres batatenses já se devem ter esquecido da guerra do Batata Podre e de toda a ajuda que receberam para se reconstruírem, apesar de terem andado a exterminar meio mundo e a bater no outro meio, que mesmo assim os ajudou. O que não é de espantar, pois como é sabido as batatas são d’olhão mas possuem uma péssima memória. Espera-se agora que todos os candidatos demonstrem as suas fluentes capacidades de linguagem gestual, prevendo-se já uma chuva de manguitos nas próximas reuniões magnas da União das Hortaliças, a ser convenientemente respondida pelos países que levarem na peúga com insinuações relativas aos adornos cranianos ou à proficiência sexual da ancestralidade dos nossos caros comissários batatenses.
O Sentido Adeus ao Serviço Nacional das Esmolas (mas nem todos estavam lá)
Foi ontem a enterrar o Serviço Nacional de Esmolas, como resultado da última medida promulgada pelo antigo Ministro dos Carcanhóis, antes do seu irrevogável (no sentido expresso nos dicionários antigos) enlouquecimento, embora o paciente brade aos céus que agora é que está lúcido. O funeral, que saiu da Igreja dos Mártires da Carteira, teve enorme comparência, enchendo-se todas as ruas da capital com cidadãos que queriam prestar as sentidas e últimas homenagens ao defunto. Não apenas os velhinhos, inválidos e outros pensionistas marcaram presença em massa para chorar e lamentarem a perda do seu benfeitor (amparados por almas caridosas pois a fome que passam não lhes permite aguentarem-se de pé), mas também os adultos e até os jovens e crianças de colo, que agora não mais terão esperança em que o ilustre benemérito lhes possa adoçar um pouco as agruras da velhice, quando lá chegarem. Com efeito, muito se falava nos últimos anos da diminuição da fortuna deste ilustre cidadão, havendo não poucos que murmuravam cada vez mais alto que o antigo multimilionário estava agora na mais absoluta ruína, murmuração que talvez não seja de todo verdadeira já que numerosos sobrinhos e afilhados estão já em acesa disputa para deitarem a unha ao património do defunto. Os pobrezinhos lamentavam a perda, o que significa que os seus rendimentos estão agora reduzidos a mais de 90% visto a ocupação de ir pedir para a porta das igrejas já não dá nem p’ró pitroil, como disse um reformado experiente em portas de igreja. Por seu lado os ainda trabalhadores (aceitam-se apostas sobre durante quanto tempo o serão) indignavam-se com o facto da fortuna para a qual contribuíam generosamente todos os meses, parecer agora desaparecida. E lançavam as culpas para cima dos sobrinhos e afilhados “esses bandidos que só sabiam viver às custas do tio”, segundo uma irada operária têxtil que apanhara do quintal todas as rosas e flores silvestres que lá cresciam e fizera com elas uma singela coroa que depositou aos pés do esquife. Aliás a morte do famoso benemérito está escondida em mistério e fumos de más aplicações de fundos e golpes baixos dos sobrinhos. Soube-se apenas que, ontem de manhã, quando a empregada chegou ao palacete para fazer a lida habitual da casa, como o patrão não lhe viesse abrir a porta e dar os sorridentes bons-dias (uma diferença como do dia para noite com os trombudos dos afilhados!, declarou a própria) meteu ela a chave na fechadura e deu com o patrão estendido na sala, com o jornal económico nas mãos e uma marretada no alto da peúga. Embora a empregada declare há 10 horas que está inocente, os sobrinhos e afilhados, conhecedores do meio, até porque são quase todos advogados e gestores, conseguiram que os autos do crime a culpassem a ela pela falência e posterior assassinato do patrão e emérito Serviço Nacional de Esmolas. Como nota de rodapé fica o reparo de que, embora o país em peso tenha comparecido ao funeral, e importantes dignitários, reis e chefes de estado da comunidade internacional tenham enviado os seus telegramas de pêsames e ramos de flores, estiveram notoriamente ausentes os parentes mais chegados do benemérito. De facto, à hora de saída do féretro para o cemitério, onde foi devidamente cremado com todas as honras, para não deixar vestígio da sua terrena existência, não se viam em lado algum os referidos sobrinhos e afilhados, que aliás marcaram pela ausência a missa de corpo presente. Tanto quanto a nossa equipa de reportagem pôde averiguar, os sobrinhos e afilhados estavam reunidos no escritório de advocacia onde será lido o testamento, fazendo já a divisão dos bens. Assim, foi acordado entre eles que continuarão a receber integralmente a mesada que o padrinho e tio lhes dava, ao passo que as obras de caridade, velhinhos, inválidos, desempregados e outros desvalidos verão as esmolas mensais reduzidas a 95%. Porque, justificam, a fortuna do excelso Serviço Nacional de Esmolas já não é o que era. Será?
Nova Intervenção Eminente na Democracia da Moussaka: Políticos em Campanha Eleitoral na República Federal das Batatas Recusam Falar Disso
O banco central Esburga até ao Osso, da República Federal das Batatas, reuniu um conjunto de apostadores que, após aplicarem diversas fórmulas matemáticas de alta complexidade, e tirando os resultados à sorte em função das saídas na roleta do casino, concluíram que se tinha de conceder urgentemente outro empréstimo de conquilhas à Democracia da Moussaka, sob pena dos seus cidadão se revoltarem e correrem com todos os economistas e empresas estrageiras do país, recusarem pagar a dívida sempre em crescimento exponencial como as bactérias (resultado, diz-se a meia voz, dos efeitos tóxicos dos sapos que foram amplamente vendidos a esta Democracia), e desatarem aos tiros a todos os emigrantes da República Unida do Goulash e da Liga do Couscuz mas também sobre turistas, sendo alvos preferidos os da República Federal das Batatas por serem gordos e altos. Esta política de violência é aliás defendida por um dos partidos locais que gosta de transformar o parlamento em parada militar, tendo especializado os seus deputados na entoação, em sentido e com bater de calcanhares, de slogans contra todos os estrangeiros, em especial goulashes, cuscuzes e sobreviventes das velhas comunidades de Ovos Estrelados que foram quase integralmente exterminadas na última guerra. Os Ovos Estrelados locais, contudo, sentem grande ofensa por lhes chamarem estrangeiros, já que vivem na Moussaka desde que as coisas na Península das Areias deram para o torto no tempo do Império do Esparguete, ou seja, desde a Maria-Cachucha. O que não foi dito mas é a real preocupação do banco central da República das Batatas é que sem esta nova dose de conquilhas a Moussaka não terá condições de pagar a totalidade dos juros às Batatas (consegue pagar só cerca de 70%) e os bancos desta República Federal, que também andam nas lonas mas é segredo, irão ao fundo. Para a sobrevivência destes bancos, que também se fartaram de fazer negócios indecifráveis e muito arriscados mas só os da Moussala é que são os “baldas”, é necessário que um balde de conquilhas seja pago com juros iguais a dois baldes cheios por mês. Assim, o banco central das Batatas empresta conquilhas para a Moussaka lhas devolver, acrescidas de outro tanto, tiradas aos bolsos dos seus cidadãos. Não é mau negócio, mas também estamos a lidar com profissionais, não é verdade? O grande problema foi o timing destas declarações sobre empréstimos. É que neste momento as Batatas estão em campanha eleitoral e as batatas-cidadãs (que sabem que os da Moussaka são uns g’andas perdulários e uns calinas de primeira, ou não existissem as praias, os monumentos antigos e os filósofos, cantores, dramaturgos e compositores antigos e actuais para o provar) não querem nem ouvir falar em dar “o seu dinheirinho” para os moussakenses, uns sornas trafulhas é o que os da Moussaka são! Qualquer político batatense que fale no assunto corre sério risco de ser cilindrado pelos eleitores que, como prova a história, são bons para a pancada. Para evitar sobressaltos e receios económicos por parte das batatas – que se são boas para a pancada, assustam-se e queixam-se à menor coisinha, fazendo de seguida rolar as cabeças dos dirigentes (sendo batatas é muito fácil) – o governo ainda em funcionamento, apoiado pelos votos dos políticos já em campanha eleitoral, decretou que era proibido falar nas novas conquilhas a agiotar à Democracia da Moussaka, que de tão faminta já pensa mudar o nome para Demo do Osso Esburgado, e avisaram dessa proibição com grandes Ist Verboten! (o que quer que isto queira dizer, ninguém sabe) a negrito e formato 70, que fizeram circular nas redes sociais da Rede-de-Pesca e em cartazes e spots publicitários indicando também, em mais um exemplo da eficiência desta República Federal, as multas a aplicar aos fala-baratos. Estas multas serão obviamente canalizadas para o futuro resgate à Moussaka, para não tirar dinheiro aos bancos locais que, como já se disse mas muito muito muito baixinho, estão também c’os pés p’rá cova. Ainda não foi decretado que é também proibido falar disto mas… não é necessário.
sábado, 14 de setembro de 2013
Novo Êxito Editorial: “Como Rebentar com a
Economia de um País em 300 Dias”
Foi já editado na República
Democrática dos Nabos, o sucesso internacional “Como Rebentar com a Economia de
um País em 300 Dias”. Esta obra de grande erudição foi coligida pelo Fundo de
Agiotagem Internacional, a afamada agência de apoio a países em dificuldades
financeiras, e cuja ajuda normalmente se traduz por um enriquecimento de quem
já o é e a morte macaca da economia dos países intervencionados. O facto de ter
sido realizada pelos mais destacados especialistas do Fundo confere-lhe um
cunho de séria e robusta qualidade científica, não sendo necessário, se se
seguirem religiosamente as instruções apresentadas, usar o mais do que obsoleto
método da observação-construção de hipótese-teste de hipótese no mundo
real-abandono da hipótese se os resultados a invalidam, num moroso processo
iterativo até à descoberta das estratégias que verdadeiramente funcionam para
recuperar ou manter uma economia em excelente estado. Com este livro, e uma vez
abraçada a teoria por ele defendida, aplicam-se os programas dele constantes e,
se por alguma imprevisível bizarria da realidade, os resultados derem o oposto
do desejado – como por exemplo levar ao colapso da economia e à emigração em
massa dos cidadãos, por não ser possível viver em tais condições – ah, bem, a
culpa não é da teoria nem dos programas de reestruturação mas dos subversivos
dos mortos, das crianças, dos que foram parar ao desemprego e dos velhos, que
são todos uma cambada de calinas. A culpa, verifica-se, nunca é de quem aplica
os programas, nem sequer destes ignorarem olimpicamente a realidade do país em
sarilhos, mas dos cidadãos sabotadores que ou não trabalham de graça e a seco
ou vão-se embora para outros países. Algumas das mais revolucionárias técnicas
apresentadas no livro são: 1. Reduzir os salários a zero, para incentivar a
reciclagem de beatas, raspas de hambúrgueres, lixo vário nos contentores gerais
e promover o assalto a postos de recolha de lixo para reciclagem assim como a
implementação novas redes de economia informal como as que operam nas áreas do
desaparecimento de carros, tampas de esgoto e sarjetas, fechaduras de portas e
mais tarde as próprias portas, rodas de locomotivas e gruas dos terminais de
contentores (devidamente desmontadas às peças), etc. Este muito flexível
mercado tem condições para aguentar qualquer sobressalto financeiro
internacional; 2. Fechar todas as fábricas, serviços públicos e privados e aguardar
que o pessoal se desenrasque pelos seus próprios meios; 3. Deixar de pagar
reformas, pensões e subsídios de desemprego, de invalidez, etc., para obrigar
todos os calaceiros que vivem à mama destes dinheiros, mesmo os doentes que
estão em coma, a abraçarem o flexível mercado de trabalho delineado em 1; 4. Se
mesmo assim houver alguns espertalhaços (ou patriotas chanfrados) que se
recusem a emigrar e até se consigam ir amanhando, subir em flecha os impostos
sobre o consumo para obrigar as pessoas a perderem os maus hábitos, o que até
contribuirá para a implantação da agora tão falada economia verde (não se sabe
é se o verde resultará da condição moribunda em que tudo estará nessa altura).
Estas e outras revolucionárias medidas são explicadas em detalhado pormenor e
com exemplos práticos, o que tornou já a edição inglesa manual obrigatório e
único nos institutos e faculdades de economia do mundo inteiro. Dado o seu
profundo suporte científico, a sua linguagem acessível e noções inovadoras de
condução da política mas sobretudo o abraçar da nova estratégia conhecida
noutras áreas sociais como “o bode expiatório”, este livro tem sido leitura de
cabeceira de todos os estadistas e ministros, em particular os da União das
Hortaliças, com especial destaque para o chanceler da República Federal das
Batatas. Finalmente disponível em nabês, exortamos todos os nossos leitores a
adquiri-lo e a estudá-lo como os nossos concidadãos batatenses estudam a
Bíblia, para compreenderem para onde vai a nossa economia e o que nos espera,
em vez de andarem pelas ruas em ajuntamentos ruidosos, a exigir que os
ministros vão de férias… permanentes.
Foi já editado na República
Democrática dos Nabos, o sucesso internacional “Como Rebentar com a Economia de
um País em 300 Dias”. Esta obra de grande erudição foi coligida pelo Fundo de
Agiotagem Internacional, a afamada agência de apoio a países em dificuldades
financeiras, e cuja ajuda normalmente se traduz por um enriquecimento de quem
já o é e a morte macaca da economia dos países intervencionados. O facto de ter
sido realizada pelos mais destacados especialistas do Fundo confere-lhe um
cunho de séria e robusta qualidade científica, não sendo necessário, se se
seguirem religiosamente as instruções apresentadas, usar o mais do que obsoleto
método da observação-construção de hipótese-teste de hipótese no mundo
real-abandono da hipótese se os resultados a invalidam, num moroso processo
iterativo até à descoberta das estratégias que verdadeiramente funcionam para
recuperar ou manter uma economia em excelente estado. Com este livro, e uma vez
abraçada a teoria por ele defendida, aplicam-se os programas dele constantes e,
se por alguma imprevisível bizarria da realidade, os resultados derem o oposto
do desejado – como por exemplo levar ao colapso da economia e à emigração em
massa dos cidadãos, por não ser possível viver em tais condições – ah, bem, a
culpa não é da teoria nem dos programas de reestruturação mas dos subversivos
dos mortos, das crianças, dos que foram parar ao desemprego e dos velhos, que
são todos uma cambada de calinas. A culpa, verifica-se, nunca é de quem aplica
os programas, nem sequer destes ignorarem olimpicamente a realidade do país em
sarilhos, mas dos cidadãos sabotadores que ou não trabalham de graça e a seco
ou vão-se embora para outros países. Algumas das mais revolucionárias técnicas
apresentadas no livro são: 1. Reduzir os salários a zero, para incentivar a
reciclagem de beatas, raspas de hambúrgueres, lixo vário nos contentores gerais
e promover o assalto a postos de recolha de lixo para reciclagem assim como a
implementação novas redes de economia informal como as que operam nas áreas do
desaparecimento de carros, tampas de esgoto e sarjetas, fechaduras de portas e
mais tarde as próprias portas, rodas de locomotivas e gruas dos terminais de
contentores (devidamente desmontadas às peças), etc. Este muito flexível
mercado tem condições para aguentar qualquer sobressalto financeiro
internacional; 2. Fechar todas as fábricas, serviços públicos e privados e aguardar
que o pessoal se desenrasque pelos seus próprios meios; 3. Deixar de pagar
reformas, pensões e subsídios de desemprego, de invalidez, etc., para obrigar
todos os calaceiros que vivem à mama destes dinheiros, mesmo os doentes que
estão em coma, a abraçarem o flexível mercado de trabalho delineado em 1; 4. Se
mesmo assim houver alguns espertalhaços (ou patriotas chanfrados) que se
recusem a emigrar e até se consigam ir amanhando, subir em flecha os impostos
sobre o consumo para obrigar as pessoas a perderem os maus hábitos, o que até
contribuirá para a implantação da agora tão falada economia verde (não se sabe
é se o verde resultará da condição moribunda em que tudo estará nessa altura).
Estas e outras revolucionárias medidas são explicadas em detalhado pormenor e
com exemplos práticos, o que tornou já a edição inglesa manual obrigatório e
único nos institutos e faculdades de economia do mundo inteiro. Dado o seu
profundo suporte científico, a sua linguagem acessível e noções inovadoras de
condução da política mas sobretudo o abraçar da nova estratégia conhecida
noutras áreas sociais como “o bode expiatório”, este livro tem sido leitura de
cabeceira de todos os estadistas e ministros, em particular os da União das
Hortaliças, com especial destaque para o chanceler da República Federal das
Batatas. Finalmente disponível em nabês, exortamos todos os nossos leitores a
adquiri-lo e a estudá-lo como os nossos concidadãos batatenses estudam a
Bíblia, para compreenderem para onde vai a nossa economia e o que nos espera,
em vez de andarem pelas ruas em ajuntamentos ruidosos, a exigir que os
ministros vão de férias… permanentes.
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