Cada vez que o Concílio dos
Malucos se reúne no nabal é certo e sabido que vem ai troca de beijinhos e
piropos entre malucos e governo e por vezes os jogos florais transbordam até aos
redactores-chefe se estiverem todos muito bem-dispostos (em regra umas rodadas
de copinhos de Madeira ou Riesling ajudam). Desta vez decidiu-se enviar para o
Concílio dos Malucos a caterva de propostas de lei aprovadas na recordista sessão
parlamentar pré-féria, decorrida à taxa de 1 votação por cada 3 minutos. Como depressa
e bem só o Diabo, e temendo tanto repercussões infernais como os previsíveis
sarrabulhos que os nabos levantassem perante as mesmas, o Nabo-Maior achou por
bem que o Concílio dos Malucos deliberasse sobre a legalidade das leis. O
Concílio mede a legalidade das leis com uma fita métrica de tamanho variável e
afere-a a partir da Lei Base, que é a que está no rodapé do Parlamento a
decorá-lo ao estilo trompe l’oeil,
preto e branco com suaves degradés de
cinzento. A 1ª lei medida mexia com as contribuições do Serviço Nacional das
Esmolas, o que convenhamos não dá jeito nenhum quando se pensa no futuro dos
malucos, e com a forma de despedir os nabos, o que também é assunto complicado
para muita gente, em especial para o Estado, que deixaria de poder cobrar
impostos aos despedidos, e todos sabemos como andam as contas do nabal. O
Concílio atirou a matar e o Maluco-Chefe veio explicar às câmaras porque razão
a lei não é legal. O Ministro-Chefe declarou-se mui agradavelmente surpreso com
tal decisão e apressou-se a elogiar a falta de bom senso dos malucos, o que não
é de surpreender pois é o que se espera dum maluco. Depois revelou que a Lei Base
não servia nem para limpar aquele… não tinha o tamanho regulamentar de jornal-telhado
para sem-abrigo nem conseguia entreter desempregados e demais preguiçosos com palavras
cruzadas ou o sudoku, logo era uma perfeita inutilidade. Como até agora a
República dos Nabos conseguiu sobreviver com uma Lei Básica inútil é mistério
que nem as mais brilhantes mentes conseguem desvendar. Mas crise é crise e o Ministro-Chefe
disse ter chegado a altura de pôr a Lei Básica ao gosto de quem manda, isto é,
sem estorvos humanitários ou afins, os malucos são uns amores mas têm de pensar
em mudá-la, talvez para um laranja-pêssego ou amarelo-canário, que são cores
mais em voga. Os malucos, por sua vez, reiteram que o Ministro-Chefe é um doce
mas preferem antes rosa-choque ou quiçá um azul-cobalto. Enquanto a senhora dos
cafés e empregada da limpeza full-time,
em acumulação de funções de programadora SIG não remunerada, foi buscar o catálogo
de cores Tintas Borra-Paredes, os malucos e o governo deram beijinhos, trocaram
piropos, dentearam petits-fours e éclaires, devagarinho até juntarem os
lábios em doce carícia que fez corar as mais atrevidas actrizes da TV Brasa Descascada
Global. Malucos e governo encontram-se neste momento debruçados sobre o
catálogo de tintas enquanto o estafeta não chega como novo carrego de leis para
avaliação. A saison dos galanteios
está assim para durar, tal como as obras de remodelação no Parlamento, pois mal
haja sido mudada a cor da Lei Básica, todo o hemiciclo terá de ser redecorado
para que as cores dos móveis, estofos, passadeiras, jarrões, frisos e latões,
já para não falar de quadros e molduras, combinem adequadamente com as da nova
Lei Básica.
Sem comentários:
Enviar um comentário