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quinta-feira, 12 de setembro de 2013


Cada vez que o Concílio dos Malucos se reúne no nabal é certo e sabido que vem ai troca de beijinhos e piropos entre malucos e governo e por vezes os jogos florais transbordam até aos redactores-chefe se estiverem todos muito bem-dispostos (em regra umas rodadas de copinhos de Madeira ou Riesling ajudam). Desta vez decidiu-se enviar para o Concílio dos Malucos a caterva de propostas de lei aprovadas na recordista sessão parlamentar pré-féria, decorrida à taxa de 1 votação por cada 3 minutos. Como depressa e bem só o Diabo, e temendo tanto repercussões infernais como os previsíveis sarrabulhos que os nabos levantassem perante as mesmas, o Nabo-Maior achou por bem que o Concílio dos Malucos deliberasse sobre a legalidade das leis. O Concílio mede a legalidade das leis com uma fita métrica de tamanho variável e afere-a a partir da Lei Base, que é a que está no rodapé do Parlamento a decorá-lo ao estilo trompe l’oeil, preto e branco com suaves degradés de cinzento. A 1ª lei medida mexia com as contribuições do Serviço Nacional das Esmolas, o que convenhamos não dá jeito nenhum quando se pensa no futuro dos malucos, e com a forma de despedir os nabos, o que também é assunto complicado para muita gente, em especial para o Estado, que deixaria de poder cobrar impostos aos despedidos, e todos sabemos como andam as contas do nabal. O Concílio atirou a matar e o Maluco-Chefe veio explicar às câmaras porque razão a lei não é legal. O Ministro-Chefe declarou-se mui agradavelmente surpreso com tal decisão e apressou-se a elogiar a falta de bom senso dos malucos, o que não é de surpreender pois é o que se espera dum maluco. Depois revelou que a Lei Base não servia nem para limpar aquele… não tinha o tamanho regulamentar de jornal-telhado para sem-abrigo nem conseguia entreter desempregados e demais preguiçosos com palavras cruzadas ou o sudoku, logo era uma perfeita inutilidade. Como até agora a República dos Nabos conseguiu sobreviver com uma Lei Básica inútil é mistério que nem as mais brilhantes mentes conseguem desvendar. Mas crise é crise e o Ministro-Chefe disse ter chegado a altura de pôr a Lei Básica ao gosto de quem manda, isto é, sem estorvos humanitários ou afins, os malucos são uns amores mas têm de pensar em mudá-la, talvez para um laranja-pêssego ou amarelo-canário, que são cores mais em voga. Os malucos, por sua vez, reiteram que o Ministro-Chefe é um doce mas preferem antes rosa-choque ou quiçá um azul-cobalto. Enquanto a senhora dos cafés e empregada da limpeza full-time, em acumulação de funções de programadora SIG não remunerada, foi buscar o catálogo de cores Tintas Borra-Paredes, os malucos e o governo deram beijinhos, trocaram piropos, dentearam petits-fours e éclaires, devagarinho até juntarem os lábios em doce carícia que fez corar as mais atrevidas actrizes da TV Brasa Descascada Global. Malucos e governo encontram-se neste momento debruçados sobre o catálogo de tintas enquanto o estafeta não chega como novo carrego de leis para avaliação. A saison dos galanteios está assim para durar, tal como as obras de remodelação no Parlamento, pois mal haja sido mudada a cor da Lei Básica, todo o hemiciclo terá de ser redecorado para que as cores dos móveis, estofos, passadeiras, jarrões, frisos e latões, já para não falar de quadros e molduras, combinem adequadamente com as da nova Lei Básica.

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