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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

http://www.pilulapop.com.br/2011/10/o-palhaco/


Um novo sobressalto ocorreu ontem na corrida dos 5000 m, quando o senhor Ponte-de-Pedra apareceu em pista vestido de palhaço, para consternação dos seus colegas de equipa. Na verdade não foi exactamente uma surpresa, atendendo às figuras que ele já fizera durante as provas anteriores deste campeonato atlético. Com efeito, na primeira eliminatória, apareceu vestido com um fato Armani confecção exclusiva, contrastando com os colegas que vinham com modestos e caseiros fatos de treino para mostrar a sua solidariedade aos eleitores em crise. Quando interrogado sobre o estranho atavio, disse estar a celebrar os vários milhões ganhos a dar conferências de auto-promoção onde contava como salvara a República das Batatas da bancarrota. Os colegas ficaram muito confundidos e os eleitores ainda mais porque este ministro não fizera assim nada de tão  messiânico. Mas a seguir fez ainda melhor. Ou pior, dependendo do ponto de vista: declarou que não compreendia porque era necessário aumentar as reformas das batatas em dez conquilhas por mês, pois no que iriam os batatenses engelhados gastar essas conquilhas todas? Quando lhe disseram que 10 conquilhas davam para pagar 2 copos de vinho, escandalizou-se e declarou que, pela sua parte, nunca compraria vinho que fosse a menos de 5 conquilhas a garrafa! Alguns dias mais tarde surgiu em estádio vestido de parteiro, declarando ser necessário puxar a taxa de natalidade para cima; uma jornalista perguntou como ele sugeria que tal se alcançasse e ele apalpou-lhe as redondas formas, dizendo que não ia explicar mas se ela desejasse saber pormenores técnicos, lhe fazia uma demonstração pessoal. Na semana seguinte vestiu-se de electricista e declarou que iniciara um negócio de cigarros de mentol e lâmpadas, pois o que se ganhava como chanceler era manifestamente pouco e tinha de acautelar o futuro, já que as pensões de reforma seriam espécie extinta em menos de dois anos. Hoje, definitivamente foi o caos no estádio. Quando a sua palhaça figura pisou a pista com os sapatões de cinco palmos, os juízes caíram-lhe em cima, havendo troca de estaladas, esguichos de flores na lapela e também um dedo em riste que fez capas de revista. Por fim o juiz-mor apareceu em cena exigindo saber qual era a ideia do Ponte-de-Pedra, a chancelaria da República não era caso para palhaçadas. O Senhor Ponte-de-Pedra ficou de repente muito desiludido e desfez-se em desculpas, ele pensara desde sempre que a competição fosse para palhaço. É que ele dera o seu melhor para garantir que a sua eleição para comediante no cabaré mais badalado da cidade fosse incontestável, nunca quisera ofender os concorrentes à chancelaria. Aliás, não conseguia compreender que ainda existissem doidos a desejarem ser chanceleres, o salário era tão miserável! Já palhaço era profissão de maior prestígio, só na Monarquia dos Raviolis dois acabavam de ser eleitos para chefiar o país e distrair o velho rei. Depois saiu do estádio, cabisbaixo, mas não chegou a despir o fato pois de imediato recebeu convite para palhaço residente no Parlamento da União das Hortaliças, sedeado na Capital do Tacho e que precisa de animação palhaçal em todas as sessões, para que o que lá é aprovado faça finalmente rir os cidadãos da União.
 

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