Um novo sobressalto ocorreu ontem na corrida dos
5000 m,
quando o senhor Ponte-de-Pedra apareceu em pista vestido de palhaço, para
consternação dos seus colegas de equipa. Na verdade não foi exactamente uma
surpresa, atendendo às figuras que ele já fizera durante as provas anteriores
deste campeonato atlético. Com efeito, na primeira eliminatória, apareceu
vestido com um fato Armani confecção exclusiva, contrastando com os colegas que
vinham com modestos e caseiros fatos de treino para mostrar a sua solidariedade
aos eleitores em crise. Quando interrogado sobre o estranho atavio, disse estar
a celebrar os vários milhões ganhos a dar conferências de auto-promoção onde
contava como salvara a República das Batatas da bancarrota. Os colegas ficaram
muito confundidos e os eleitores ainda mais porque este ministro não fizera
assim nada de tão
messiânico. Mas a
seguir fez ainda melhor. Ou pior, dependendo do ponto de vista: declarou que não
compreendia porque era necessário aumentar as reformas das batatas em dez
conquilhas por mês, pois no que iriam os batatenses engelhados gastar essas
conquilhas todas? Quando lhe disseram que 10 conquilhas davam para pagar 2
copos de vinho, escandalizou-se e declarou que, pela sua parte, nunca compraria
vinho que fosse a menos de 5 conquilhas a garrafa! Alguns dias mais tarde surgiu
em estádio vestido de parteiro, declarando ser necessário puxar a taxa de
natalidade para cima; uma jornalista perguntou como ele sugeria que tal se
alcançasse e ele apalpou-lhe as redondas formas, dizendo que não ia explicar
mas se ela desejasse saber pormenores técnicos, lhe fazia uma demonstração
pessoal. Na semana seguinte vestiu-se de electricista e declarou que iniciara um
negócio de cigarros de mentol e lâmpadas, pois o que se ganhava como chanceler
era manifestamente pouco e tinha de acautelar o futuro, já que as pensões de
reforma seriam espécie extinta em menos de dois anos. Hoje, definitivamente foi
o caos no estádio. Quando a sua palhaça figura pisou a pista com os sapatões de
cinco palmos, os juízes caíram-lhe em cima, havendo troca de estaladas,
esguichos de flores na lapela e também um dedo em riste que fez capas de
revista. Por fim o juiz-mor apareceu em cena exigindo saber qual era a ideia do
Ponte-de-Pedra, a chancelaria da República não era caso para palhaçadas. O
Senhor Ponte-de-Pedra ficou de repente muito desiludido e desfez-se em desculpas,
ele pensara desde sempre que a competição fosse para palhaço. É que ele dera o
seu melhor para garantir que a sua eleição para comediante no cabaré mais
badalado da cidade fosse incontestável, nunca quisera ofender os concorrentes à
chancelaria. Aliás, não conseguia compreender que ainda existissem doidos a
desejarem ser chanceleres, o salário era tão miserável! Já palhaço era
profissão de maior prestígio, só na Monarquia dos Raviolis dois acabavam de ser
eleitos para chefiar o país e distrair o velho rei. Depois saiu do estádio,
cabisbaixo, mas não chegou a despir o fato pois de imediato recebeu convite
para palhaço residente no Parlamento da União das Hortaliças, sedeado na
Capital do Tacho e que precisa de animação palhaçal em todas as sessões, para
que o que lá é aprovado faça finalmente rir os cidadãos da União.
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