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sábado, 14 de setembro de 2013

Novo Êxito Editorial: “Como Rebentar com a Economia de um País em 300 Dias”
Foi já editado na República Democrática dos Nabos, o sucesso internacional “Como Rebentar com a Economia de um País em 300 Dias”. Esta obra de grande erudição foi coligida pelo Fundo de Agiotagem Internacional, a afamada agência de apoio a países em dificuldades financeiras, e cuja ajuda normalmente se traduz por um enriquecimento de quem já o é e a morte macaca da economia dos países intervencionados. O facto de ter sido realizada pelos mais destacados especialistas do Fundo confere-lhe um cunho de séria e robusta qualidade científica, não sendo necessário, se se seguirem religiosamente as instruções apresentadas, usar o mais do que obsoleto método da observação-construção de hipótese-teste de hipótese no mundo real-abandono da hipótese se os resultados a invalidam, num moroso processo iterativo até à descoberta das estratégias que verdadeiramente funcionam para recuperar ou manter uma economia em excelente estado. Com este livro, e uma vez abraçada a teoria por ele defendida, aplicam-se os programas dele constantes e, se por alguma imprevisível bizarria da realidade, os resultados derem o oposto do desejado – como por exemplo levar ao colapso da economia e à emigração em massa dos cidadãos, por não ser possível viver em tais condições – ah, bem, a culpa não é da teoria nem dos programas de reestruturação mas dos subversivos dos mortos, das crianças, dos que foram parar ao desemprego e dos velhos, que são todos uma cambada de calinas. A culpa, verifica-se, nunca é de quem aplica os programas, nem sequer destes ignorarem olimpicamente a realidade do país em sarilhos, mas dos cidadãos sabotadores que ou não trabalham de graça e a seco ou vão-se embora para outros países. Algumas das mais revolucionárias técnicas apresentadas no livro são: 1. Reduzir os salários a zero, para incentivar a reciclagem de beatas, raspas de hambúrgueres, lixo vário nos contentores gerais e promover o assalto a postos de recolha de lixo para reciclagem assim como a implementação novas redes de economia informal como as que operam nas áreas do desaparecimento de carros, tampas de esgoto e sarjetas, fechaduras de portas e mais tarde as próprias portas, rodas de locomotivas e gruas dos terminais de contentores (devidamente desmontadas às peças), etc. Este muito flexível mercado tem condições para aguentar qualquer sobressalto financeiro internacional; 2. Fechar todas as fábricas, serviços públicos e privados e aguardar que o pessoal se desenrasque pelos seus próprios meios; 3. Deixar de pagar reformas, pensões e subsídios de desemprego, de invalidez, etc., para obrigar todos os calaceiros que vivem à mama destes dinheiros, mesmo os doentes que estão em coma, a abraçarem o flexível mercado de trabalho delineado em 1; 4. Se mesmo assim houver alguns espertalhaços (ou patriotas chanfrados) que se recusem a emigrar e até se consigam ir amanhando, subir em flecha os impostos sobre o consumo para obrigar as pessoas a perderem os maus hábitos, o que até contribuirá para a implantação da agora tão falada economia verde (não se sabe é se o verde resultará da condição moribunda em que tudo estará nessa altura). Estas e outras revolucionárias medidas são explicadas em detalhado pormenor e com exemplos práticos, o que tornou já a edição inglesa manual obrigatório e único nos institutos e faculdades de economia do mundo inteiro. Dado o seu profundo suporte científico, a sua linguagem acessível e noções inovadoras de condução da política mas sobretudo o abraçar da nova estratégia conhecida noutras áreas sociais como “o bode expiatório”, este livro tem sido leitura de cabeceira de todos os estadistas e ministros, em particular os da União das Hortaliças, com especial destaque para o chanceler da República Federal das Batatas. Finalmente disponível em nabês, exortamos todos os nossos leitores a adquiri-lo e a estudá-lo como os nossos concidadãos batatenses estudam a Bíblia, para compreenderem para onde vai a nossa economia e o que nos espera, em vez de andarem pelas ruas em ajuntamentos ruidosos, a exigir que os ministros vão de férias… permanentes.


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