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sábado, 21 de setembro de 2013


Estão novamente a decorrer as garraiadas eleitorais para os cargos de rega dos canteiros dos nabos, ou seja os cargos de Mão na Mangueira que tanto têem dado que falar nos últimos tempos. Ao ver os cartazes anunciadores das garraiadas compreende-se finalmente a briga que se tem travado em tribunais e ruas para decidir quais dos forcados se achegam ou não às mangueiras, indo primeiro a votos. É tudo um pouco confuso para o eleitor nabense pois uma garraiada pode estar a decorrer com enorme brilho e até o pessoal estar todo a pensar em no dia da garraiada final votar no forcado mais velho mas se o juiz decidir que não senhor, o forcado em causa é demasiado velho para aparar os golpes das chocas e tem é de arrumar o barrete e ir p’rá reforma… como é que o nabense vai decidir assim em cima da hora em quem vai votar? Muito confuso. Excepto para os serviços ilegais de apostas que têm tido umas semanas em cheio a vender rifas “vai ser posto fora” em verde-folha e “não, não vai” em azul-bebé, a cinco conquilhas a rifa, com as probabilidades colocadas com frequência na casa dos 10:1. os juízes têm afinado com o assunto e já mandaram a polícia atrás dos corretores de apostas, mas estes fintam as forças da ordem (?), metendo-se dentro dos curros ou saltando para a arena se as coisas ficam apertadas, em especial do lado de dentro das tábuas quando a choca pensa que está nos olímpicos de salto em altura e decide ir cumprimentar forcados e público. A confusão é tanto mais difícil de suportar porquanto nunca como agora foram os cartazes de anúncio das garraiadas tão esclarecedores no programa de acção dos forcados-candidatos-à-mangueira. Assim veja-se o candidato amarelo-canário que declara: “na capital ao pé coxinho”, o que convenhamos exigirá um equilíbrio sobre-humano quando se estiver a aguentar a investida duma manada de chocas. Por seu lado o rebelde amarelo-e-vermelho (ou vermelho-a-fugir-para-o-amarelo) declara sem papas na língua “vamos libertar a nossa querida cidade refém… nem que seja à bomba”. Por seu lado o clube do barrete verde deu para a poesia e diz afinadinho: “todos juntos fazemos uma linda capital”; o facto da maior parte dos cidadãos viver fora dela, nos bairros de barracas ou barracas up-graded dos arredores da dita coloca-nos a dúvida de quem poderão ser os tais “todos juntos”; será que são os candeeiros da rua que não se podem mudar para a periferia, ou serão as ratazanas que, finalmente em paz, podem reclamar as ruas e vielas? Evidentemente outro candidato, o do barrete vermelho-branco, declara no seu cartaz que “queremos a capital”; o que lança a dúvida se esta era propriedade privada e alguém lha roubou ou… também nos deixa parte delas cair na sarjeta ou rebolarem rua abaixo – e enquanto esperam, vai o arraial decorrendo. Com tão fabulosos programas anunciados e desconhecendo até à boca das urnas quem vai ter direito a pegar a bicha, como pode um confuso eleitor escolher o forcado da sua alma? E se escolhermos um que já depois das pegas e dos votos os senhores juízes decidirem que não, não senhora, não tinha direito a concorrer? Por favor, dêem com urgência umas moedinhas aos senhores juízes!

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