Os mercados estão em vibração marleyiana (com
haxixe e tudo) por mor da nova estratégia de reanimação cultural das bolsas de
valores: os saldos de acções. Ideia inovadora sugerida por um até agora ignoto
economista nabês mas que desde a sua implementação experimental já recebeu
convites para ir para o governo local, para a Assembleia Internacional das
Frutas, Hortaliças, Secos e Molhados que congrega todos os países do mundo, e
até, honra suprema!, para o Fundo de Agiotagem Internacional. Esta campanha
está aberta apenas por alguns dias e tem havido uma corrida às acções em
promoção, o que fez disparar todos os indicadores das bolsas de valores (e por
acaso também os revólveres, bestas, fundas e fisgas dos corretores, pela
premente necessidade de se verem livres da concorrência). Basicamente a
campanha funciona assim: se se pertencer à direcção de uma grande empresa
cotada em bolsa, ou se for administrador de um banco local ou fundação de
utilidade desconhecida, pode adquirir por metade do preço de mercado acções de
empresas que falirão daqui a 6 meses ou ainda antes mas que até à altura da
falência oferecerão chorudos negócios, além de cofres secretos no Cantão dos
Queijos para receberem os lucros dos chorudos sem que fisco algum ou jornalista
metediço os descubra. Assim, caso seja por exemplo, director-fundador da
Fundação para a Fotografia dos Calos (que recebe subvenções estatais), pode usar
essas subvenções para comprar a título pessoal acções a 1 conquilha, ao passo
que a referida Fundação de que é presidente as comprará a preço de mercado ou
seja, ao fim do dia de hoje, a 3,5 conquilhas. Adiram desde já a esta
espectacular campanha, o Cantão dos Queijos agradece. Além dos aderentes
poderem enriquecer que nem chouriços, esta campanha tem o patriótico resultado
de ajudar à fuga de divisas, ao definhamento da colheita de impostos e por
consequência ao abate dos inúteis serviços públicos, como escolas, hospitais,
colónias de férias, serviços de reintegração de desempregados, minorias
étnicas, etc. e que como se sabe beneficiam os pobres, criando-lhes vícios e
pondo-lhes nas cabeças absurdas ideias de que são como os outros, com os mesmos
direitos e tudo, em vez de aguentarem todos os abusos sem piarem, que é para o
que os pobres servem (e deveriam sentir-se felizes por isso, cambada de
piegas). Sejam patriotas e adiram! É com o dinheiro dos impostos dos outros que
podem participar, do que é que estão à espera? Vamos lá a enriquecer, não custa
nada!
Prémio
Nobel dos Cábulas Nomeado para a Presidência Olímpica da Língua Nabense
Foi nomeado para a Presidência do Comité Olímpico
Nabense, o senhor Nabo-com-Rama, ex-Ministro da Conversa, e que se veio a
descobrir ter apenas a 4ª classe e mesmo esta cabulada em todas as provas de
avaliação, trabalhos de casa e exames, sendo o liceu e os vários graus
académicos obtidos por equivalências compradas ali na Feira do Relógio. Isto
valeu-lhe a atribuição do Prémio Nobel do Cabulanço por parte da Academia da
Soneca e da Sorna, pois nunca se conhecera alguém que com uma 4ª classe mal
atamancada tivesse no seu currículo, e comprovado com diplomas oficiais, quatro
doutoramentos em quatro diferentes áreas científicas, 3 pós-docs, todos com
classificação de Magnum cum Laudae,
se é que é assim que se escreve (o articulista também cabulou no Latim) e que
quer dizer Muito Bom com Distinção e Louvor. Na altura a atribuição do prémio
causara grande celeuma na República Democrática dos Nabos, em especial por
parte da invejosa classe dos marrões, que se fartam de estudar, não compram
equivalências e acabam sempre graduados com notas inferiores pois as
universidades têm uma rígida quota de classificações máximas e se um tipo surge
com as correctas equivalências, conhecimentos pessoais (e dinheiro por debaixo
da mesa, segundo as más-línguas mais viperinas) naturalmente terá a
correspondente nota máxima. A celeuma levara o nosso Ministro-Chefe a concluir
que o senhor Nabo-com-Rama e doutor honoris causa por 300 universidades, tinha
habilitações a mais para o cargo de ministro e pedira-lhe que metesse umas
férias prolongadas até descobrirem a colocação ideal para as suas habilitações.
Este jornal está agora em condições de noticiar que foi por fim, e após
incomensuráveis dificuldades, descoberto o cargo apropriado para o nosso
Cábula-Nobel: o de Presidente do Comité Olímpico da República dos Nabos, pois é
necessária uma olímpica lata para ter conseguido um tal currículo sem mexer um
neurónio. As autoridades da República dos Nabos têm ido aos arames por
sistematicamente no Comité Olímpico Internacional, famoso pelos seus
campeonatos de jogatina de bisca lambida e outras batotas, se falarem todas as
línguas menos o nabês. Justamente quanto os nabenses são dos mais aficionados
jogadores de batota do mundo, basta ver as contas dos vários departamentos do
estado e empresas, em especial dos bancos. Isto tem todo o ar, convenhamos, de
descarada discriminação. Assim, o nosso caro Nabo-de-Rama e agora Cábula-Nobel
vai para o comité com o objectivo declarado (os outros não se declaram, é
claro) de promover o uso do nabês no Comité Olímpico Internacional e aí para o
seu vigésimo terceiro mandato, guindá-lo a uma das seis línguas oficiais. Temos
a certeza absoluta que um intelecto tão genial que conseguia acumular 30 erros
num ditado do primeiro ciclo só com 20 palavras será o defensor ideal para a
promoção do nosso sacro e antigo idioma. Falta agora realizar um novo acordo
ortográfico que torne mais simples para estrangeiros e criancinhas a escrita do
nabês, alterando a língua a tal ponto que fique irreconhecível mas torne a
escrita do nosso querido Nabo-de-Rama imaculadamente sem erros. Para bem dos
olímpicos da bisca, um novo acordo ortográfico precisa-se com urgência!
Acordo de
Entendimento da Tripeça Afinal é Plágio
Na distribuição de notas do primeiro semestre às
economias da União das Hortaliças sob baraço de forca, perdão, Assistência
Corporativa e Consolidadora, que é como se chama o acordo de agiotagem com a
Tripeça – constituída pelo enforcado, ou República dos Nabos, enforcador e juiz
– ocorreu um incidente muito desagradável e com profundas repercussões no
futuro próximo e longínquo. Acontece que a pasta do senhor Ai-É-É e líder da
Tripeça para o nabal foi roubada e numerosos documentos comprometedores vieram
a público ao melhor estilo dos espiões que dão de frosques da República dos
Hambúrgueres e revelam ao mundo os seus segredos cabeludos, sendo de seguida
acusados de traição pelo senado dos Hambúrgueres, passando a correr mundo,
sempre em fuga como se andassem a escapar ao fisco. O senhor A-É-É ficou verde
de ira, embora com a sua complexão castanho-escura não se desse por isso, e deu
mau-menos-menos à economia da República Democrática dos Nabos, porque não se
admitia, disse, que não existissem seguranças no bengaleiro, para evitar estes
e outros roubos. O Ministro-Chefe bem se tentou defender, dizendo que no acordo
de entendimento assinado com a Tripeça estabelecia-se que tinha de mandar para
o desemprego 1 milhão e 399 mil nabos, com vista a recuperar a economia, porque
o desemprego é, como se sabe, o principal motor que faz a economia andar p’rá
frente. Ora entre os nabos a despedir estavam cerca de 90% de todos os
seguranças do país e ele não entendia que lhe dessem uma nota tão má pois até
fora além do acordo e despedira 2 milhões de nabos, que ainda julgam que a
crise acaba amanhã e estão prontinhos a votar nos presentes ministros, não pode
haver maior confiança do que esta para os mercados! Mas o senhor Ai-É-É não foi
na cantiga e manteve a nota, o que significa um chumbo de todo o tamanho e uma
segunda Assistência Corporativa e Consolidadora está já a caminho, anunciando
um afundanço ainda maior da economia mas um espectacular novo aumento de
desempregados e velhos sem esmolas, perdão, reformas, e mulheres a parir
debaixo das figueiras pois as maternidades já fecharam quase todas e nesta nova
Assistência fechará a última. Claro que a azar de uns é a sorte de outros e
neste momento, perante um segundo resgate, os bancos da República Federal das
Batatas, que estão quase todos na falência mas ninguém sabe e por isso
emprestam aos nabos o que têm e o que não têm, pois os juros que estes têm e
terão que pagar são mais do que bastantes para lhes salvar os activos e os
passivos e ainda forrar a ouro os cofres-fortes. No entanto o piro, como
dissemos no início, estava ainda por chegar. O ladrão, ao abrir a mala do
senhor Ai-É-É, à espera talvez de palmar uns relógios de ouro falso, deu-se com
papelada. Felizmente o filho desistira no ano anterior da Universidade por
causa do preço das propinas e consegui ler os documentos, percebendo que, bem
divulgadinhos, poderia não só acabar o curso mas até comprar três universidades
e o furo caiu como uma bomba nas redacções dos jornais. É que o tratado de
Assistência Corporativa e Consolidadora é um descarado plágio à telenovela do
Pais do Vale de Lágrimas e Cocaína a Granel, “Era Assim que se Matava
Antigamente” e que é uma reprodução fidedigna – mas com muitas cenas de emoção
para despertar a lágrima nos olhos dos espectadores – do Assistência
Corporativa e Consolidadora que há 10 anos foi aplicado a esse país agora
exportador de telenovelas, dinheiro lavado e cocaína. Está lá tudo! Até os
nomes dos serviços públicos a fechar, as taxas de gente a mandar para o olho da
rua, s leis que são impostas aos países “assistidos” mesmo que violem as
respectivas constituições e até os truques para passar a rasteira aos tribunais
constitucionais e os levar a aprovar o que é ilegal! E o mesmo guião tem sido
aplicado a todos os países assistidos, só muda o nome do país porque até a
língua em que é escrito é sempre a mesma: o dialecto Só Um Bêbado É que Entende
Isto, e que é das línguas mais difíceis do mundo. Mais ainda, o mesmo acordo
está já elaborado para mais dez países cujas economias irão ser afundadas pelas
agências de ratings, e que não sonham sequer o que lhes vai acontecer. Estamos
em condições de divulgar os nomes, vejam a nossa edição de amanhã. Isto é que é
um excelente exemplo de poupança! Nem é necessário usar papel novo, basta
passar com o corrector por cima do nome do país e pôr-se lá o que for
apropriado para o momento. Aprendam, esbanjadores com a mania de gastarem
dinheiro em hospitais, escolas, cantinas p’rá sopa dos pobres e outras
mordomias dos estados perdulários! Viva o exemplo da Tripeça! Viva!
Reportagem especial do nosso enviado na
Península das Areias:
Revolucionário
e Comprovado Método de Eliminar Adversários: O Vudu é do Melhor que Há!
Os cientistas da República do Cuscuz com Caril
acabam de realizar uma prodigiosa descoberta que irá revolucionar os anais do
crime e da eliminação de adversários políticos, económicos, desportivos ou
somente amorosos. A sensacional descoberta deu-se por carolice e, porque não
dizê-lo, um imenso tefe-tefe dos cientistas do Instituto Pancada na Bola, sito
numa das mais desérticas e belas paisagens da planície oriental da República do
Cuscuz com Caril, onde por acaso também decorre há anos uma guerra com os
Caravaneiros da Culatra Curta, que lutam pela independência ou ao menos, como
prémio de aproximação, uma autonomia a sério, como a que goza por exemplo, a
nossa Ilha do Guano. O medo e a curiosidade dos cientistas, que para esta
descoberta trabalharam fora de horas e ofereceram-se até como cobaias, começou
a surgir quando vários colegas foram sucessivamente aparecendo mortos em
circunstâncias misteriosas. Porque, como fez questão de informar o porta-voz da
equipa, não morriam com cancros nem epidemias nem intoxicações por tálio e
essas coisas que surgem nos filmes, não. Morriam simplesmente… de morte macaca:
quedas de varandas, explosões dos fogões a gás (especialmente no caso das
colegas femininas, embora as más línguas dissessem durante muito tempo que eram
os maridos a fazê-las morrer assim para lhes palmarem os dotes de casamento),
dentro dos carros no meio de monumentais engarrafamentos que ninguém sabia de
onde surgiam, enfim, com garrafas partidas espetadas nas costas e na cabeça
durante rixas em bares, estão a ver… embora este repórter possa afiançar que
não viu nada senão uma parede branca com um letreiro “Proibida a entrada a
coscuvilheiros”.As pesquisas, muito demoradas, sofreram ontem uma reviravolta
quando um dos chefes dos cientistas surgiu morto em casa com uma faca espetada
nas costas. Todos pensaram que o culpado fosse o seu orientando de tese de
doutoramento, furioso com o facto do seu orientador não lhe responder aos
emails, recusar atender-lhe os telefonemas e mesmo, quando lhe fazia esperas à
entrada de casa, vir num lindo estado de bebedeira, o que aliás é proibido pela
religião oficial do pais. Segundo a lei anti-álcool qualquer cuscuzense pode
cair de bêbado e até entrar em coma mas deverá fazer o favor de o fazer em casa
e esconder as bebidas todas antes de vir a ambulância ou será severamente
multado pela Guarda dos Bons Costumes. Assim, o pobre doutorando nunca
conseguia ajuda para resolver as suas dúvidas e já dissera na cantina da
Universidade que “um destes dias ele vai saber como elas lhe mordem”, ameaça
que na altura o levara a ter dura entrevista com os tais Guardas dos Bons
Costumes pois é também punido por lei dizer mal ou ameaçar os seus superiores
hierárquicos, democracia cuscuzense é assim. Como o cadáver cheirasse
fortemente a álcool e a haxixe (que nesta república não é crime fumar, mas já é
plantar e vender), concluíram na altura os polícias, maqueiros e colegas do
defunto, que este se pedrara outra vez. Contudo, investigações posteriores na
casa da vizinha, vendedora de cerâmica da treta para turistas no pitoresco
mercado local, e amante do morto, revelaram a presença de bonequinhas com
alfinetes espetados exactamente nos mesmo pontos onde se situavam os golpes de
facas. Diga-se a propósito que o adultério é crime neste país, no caso das
prevaricadoras femininas, podendo os seus parceiros masculinos adulterarem com
quem quiserem que ninguém tem nada a haver com isso, o que levantará um
interessante problema no dia em que as mulheres disserem todas “não, não, é
pecado”, dado que a homossexualidade é também proibida como pecado-crime
capital. Instada pelas autoridades a explicar a posse de tão curioso objecto, a
senhora começou a cantar a maravilhosa trova de amor: “Afinal havia outra…”
Porém, e amores à parte, a descoberta da boneca-vudu levou os colegas do
falecido a encararem pela primeira vez uma nova hipótese para as mortes
misteriosas, a qual poderia explicar muitos factos. Após alguns testes
concluíram que sim, de facto o vudu
funciona! E não só para criar zombies, os quais têm carreira garantida no
parlamento local, como se pode confirmar pelas reportagens televisivas e teores
das leis aprovadas (fica assim explicado o misterioso sono permanente dos
deputados e o facto de votarem todos ao mesmo tempo e do mesmo modo, a
disciplina partidária não passa afinal de um mito urbano). Os dedicados
cientistas puderam até constatar a eficácia e limpeza do processo, tendo morto
à distância o Presidente do Instituto, o qual se voluntariara para a
experiência. O governo da República do Cuscuz com Caril está profundamente
interessado na descoberta e promulgou já uma proibição de viajar para fora do
país a todos os praticantes de vudu e artes mágica correlativas, estando a
acantoná-los em bases militares para aí explicarem os métodos das suas feitiçarias.
Fez também já publicar na Rede-de-Pesca anúncios para praticantes de artes
mágicas do resto do mundo, com salários chorudos e alojamento a condizer, tendo
até ao momento recebido numerosas candidaturas por parte de cidadãos da União
das Hortaliças que, como se sabe, tem uma crise que dura, dura, dura… Cuidado,
inimigos da República do Cuscuz com Caril!, pois em breve poderão estar a
morrer de morte macaca mal se aperfeiçoem os processos até agora artesanais do
vudu. Aliás, o Presidente desta República, o Senhor Merengue-Na-Tola veio já
afirmar aos adversários do País dos Ovos Estrelados que “desta é que vos vamos
escalfar a todos, não perdem pela demora!” É claro que o presidente e a
assembleia do País dos Ovos Estrelados, já para não referir os seus habitantes
mais extremistas (que saíram à rua aos berros), começou logo a contar aviões e
a avisar “É desta! É desta que vos arrumamos as botas! É desta que vos damos
cabo do Instituto”, declarando ainda para quem os quis ouvir (e havia muita
gente a querer ouvi-los) que não estavam para ser fritos ou escalfados,
estariam preparados para dar cabo de quem lhes pisasse as claras e não queriam
saber do que dissessem os aliados da República dos Hambúrgueres. Espera-se
assim a eclosão de novo conflito na Península das Areias, o que aliás não é
notícia, excepto se a guerra for declarada em dia santo ou feriado.
Amnésia Epidémica na Equipa do Ministro dos
Carcanhóis: o Efeito dos Sapos Tóxicos
A saga da
amnésia do agora Co-Ministro dos Carcanhóis, Nabo-de-Bruxelas, teve novos e
dramáticos desenvolvimentos. Embora ainda se ande a investigar a eventual
falsificação dos documentos de venda dos sapos ao anterior governo, novas
declarações dos nabos demitidos nas últimas eleições, vêm confirmar que foram
efectivamente contactados pelo banco do senhor Nabo-de-Bruxelas para comprarem
sapos. O nosso caro Co-Ministro continua a repetir que não se lembra de nada, o
que está a causar grandes preocupações no governo pois dar as chaves do Tesouro
a quem sofre de amnésia patológica é um enorme risco. O que acontecerá, por
exemplo, quando se tiver de pagar as prestações dos televisores LCD King-size
que o governo mandou instalar em todos os estádios de futebol para transmitirem
via LSD o canal do Governo e o nosso caro Co-Ministro não se recordar do código
do cofre? E se o mesmo acontecer, situação muito mais gravosa, quando os
mercados vierem cobrar as taxas de venda dos sapos? Por aqui se vêm já alguns
efeitos tóxicos dos sapos nos nabos e que parecem afectar toda a gente que
trabalha com eles. Quem tem muito boa memória é o anterior Co-Ministro dos
Carcanhóis, que na altura tinha à sua guarda as chaves do cofre-forte e que ao
ler a proposta dos seus superiores governativos de comprar sapos, bateu com o
pé e disse que não senhor, enquanto ele tivesse as chaves do caso, nenhum sapo
entrava no cofre e acabou-se! Com efeito, foi por causa desta teimosia que a
venda de sapos por parte do banco do senhor Nabo-de-Bruxelas não se realizou na
altura. O facto dos anteriores governantes nunca terem antes falado do caso,
resulta mais uma vez da exposição tóxica aos sapos, que provocam as tais
amnésias, sendo necessário um período de pelo menos três anos de desabituação
para a memória ser, mesmo que só parcialmente, recuperada. Há no entanto grande
preocupação actual com o tesouro pois alguns guarda-nocturnos reportaram uma
grande coaxada dentro do cofre. Se lá estiverem sapos, colocados à pressa pelo
nosso Nabo-de-Bruxelas para recuperar os activos tóxicos do seu banco, os
fundos do governo já eram... Entretanto, e indiferentes aos dramas governativos
(para verem a falta de patriotismo e solidariedade dos nossos cidadãos, e
depois queixam-se que isto está mal), o povo desunha-se nas praias e nos
arraiais de sardinha assada, pois as discotecas pedem couro e cabelo para se lá
entrar, a dançar o grande sucesso do Verão “Não vendas esse sapo ‘Toinho, olha
qu’o sapo, ‘Toinho, ai, ai, ai”.Com tanto bailarico e ainda falam em crise! Uns
alarmistas, é o que é!
Chilique Ministerial na República
Democrática dos Nabos: Parte VI ou Dou o Dito Por Não Dito
Regressado
dos cagarros, e das doces férias na praia em são convívio com turistas e
vendedores de gelados, batatas fritas e pipocas, o estimado Presidente da
República dos Nabos, Nabo-Maior, confrontado com a casmurrice do clube da
Couve-Lombarda – na verdade mais dos sub-directores e adeptos do clube do que
propriamente da digna Couve, que sonhava já em mandar no nabal – torceu o nariz
(havia uma poia de cagarro agarrada ao sapato) e perguntou “afinal mas que
porcaria vem a ser esta?” O Ministro-Chefe e o MQQSPM olharam um para o outro e
não responderam pois ficaram sem saber se o Presidente se referia à lista de
indigitados para o novo governo se à poia em questão. O Presidente não gostou
do silêncio e mandou chamar a Couve-Lombarda, arrancando-lhe em público duas
folhas velhas e roídas do bicho mas que muito diminuíram o seu volume e
importância. De seguida expulsou todos do Palácio e disse que ia pensar sobre o
assunto. No entanto o nosso enviado está em condições de afirmar que o estimado
Presidente foi sim bater uma soneca e contemplar os presentes de pau carunchoso
que os altos dignitários da Ilha do Guano lhe ofereceram, como mandam os
salamaleques de qualquer visita imperial… ups, presidencial, mesmo que a um
sítio que só tenha turistas, cagarros e poias. Depois de devidamente
reconfortado pela soneca e por uns cocktails de secreta receita das ilhas
Curaçau, o Presidente olhou de lado para a lista de nomeáveis e para de uma vez
por todas o deixarem em paz com a dança das cadeiras, fechou os olhos e assinou
de cruz, dando posse ao novo elenco ministerial. Não pôde contudo esconder o
seu espanto, nem já agora o dos nomeados e também o de todo o país, ao
constatar na tomada de posse que o nosso amado
Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro (MQQSPM para os amigos) se tornava no
braço direito do Ministro-Chefe, mantinha-se como Ministro dos Carcanhóis o
filho do “Telefone” e praticamente todos os outros, acrescidos de mais uns
quantos priminhos e netinhos que têm de começar a ganhar traquejo nestas lides,
para saberem o que a vida custa. A oposição nem queria acreditar e desatou a
gritar “mas que remodelação vem a ser esta?” tendo sido posta na rua pelos
seguranças. A excepção foi a Couve-Lombarda que, muda de espanto, recebeu
beijos e abraços dos antigos-novos ministros, os quais lhe prometiam que “agora
vamos ouvir-te”. Couve-Lombarda não conseguiu explicar aos jornalistas se o seu
pasmo resultava de ver o novo-velho governo em funções, sendo impossível
definir onde acabava o velho e começava o novo, se da promessa de diálogo, já
que foi notória a cera nos ouvidos dos velhos-novos ministros durante estes
três anos de calvário público. O nosso querido e estimado MQQSPM também não
podia acreditar e quase teve uma apoplexia (“tão perto do alvo e falhei”, diria
mais tarde aos amigos) mas conseguiu enfiar cara de miúdo que foi às filhós e
sorria para todo o lado, embora com a mão no peito, não para agradecer à
Providência como a minha devota tia pensou, mas para não dar parte fraca, que a
dor de peito era grande. Logo a seguir à tomada de posse foi a vez do
Presidente ter um chilique – decentemente em privado, como convém à dignidade
da sua pessoa – tendo sido transportado de emergência ao hospital, onde só
chegou no dia seguinte, e porque foi em serviço estafeta pois um cidadão normal
só entra agora nos hospitais três anos após ficar doente, no geral para se
proceder à autópsia. Apertados pelos abelhudos dos jornalistas, que mais
parecem carraças famintas no Verão, os médicos declararam que o presidente
sofria de uma insolação e síndroma de separação dos cagarros, o que poderá
explicar muita coisa… Quem não esteve para explicações foi a oposição
marginalizada desta semana de férias do Presidente, e que ficará conhecida para
a História como “A Semana da Ronda do Chá ou o Efeito Cagarro”, a qual se
manifestou debaixo da janela do quarto do Presidente, numa grandiosa
concentração de cinco gatos encharcados, que de patas erguidas bramiam: “Isto
não fica assim!” O que promete um verão muuuito quente
(vejam as previsões dos meteorologistas e digam lá se não tenho razão?).
Chilique Ministerial na República
Democrática dos Nabos: Parte V ou Não Há Nada P’ra Ninguém
Como foi há
uns dias noticiado, o senhor Presidente Nabo-Maior, antes de ir aos cagarros,
ordenara que o governo-que-está-em-funções-mas-não-sabe-se-está-ou-deixa-de-estar
fosse à fala com a
Descoberta Nova Doença Profissional: A
Amnésia dos Vendedores
O pânico
espalhou-se aos mercados de futuros após a divulgação dum comunicado da Agência
Internacional de Controlo de Pragas nas Hortaliças. Esta Agência lançou um
alerta laranja após ter analisado os dados referentes ao novo caso com sapos
ocorrido na República Democrática dos Nabos e que é em tudo muito semelhante a
outros espalhados um pouco por toda a União das Hortaliças e até em alguns
estados da Federação dos Hamburguers, sita do outro lado do oceano. O evento
que levou ao alerta desta Agência envolve o senhor Nabo-de-Bruxelas, um bem-sucedido
financeiro que se especializou em selecção, criação, reprodução e venda de
sapos. No albergue dos alcoviteiros corria ontem a notícia de que este digno
financeiro tentou vender sapos ao anterior governo da República dos Nabos, com
vista a maquilhar o visual do mesmo. A ser verdade, esta seria uma operação
arriscada, senão mesmo algo fora-da-lei, dado que os sapos, embora benéficos
para as Couves, são manifestamente tóxicos para os Nabos, podendo causar
reacções anafiláticas, com inchaços nos passivos e pruridos nas taxas de
câmbio. À saída de uma reunião do banco, os jornalistas interrogaram o senhor
Nabo-de-Bruxelas sobre esta tentativa de venda ao governo ido (com tantas
remodelações, confusões e eleições, onde é que ele já vai) mas o Nabo declarou que
não se recordava e por mais que lhe tentassem puxar a rama, não conseguiu
recordar-se de qualquer sessão de vendas, dos eventuais locais onde estas
poderiam ter ocorrido nem sequer quem poderia ter estado presente às mesmas.
Ora este esquecimento é muito preocupante pois quem tenha assistido a uma
destas sessões jamais as esquece porque, como se sabe, são ao melhor estilo das
excursões à Quinta dos Caracóis do reino vizinho, nas quais não se visita nada
mas apenas se espera, numa sala fechada e após horas a ouvir os vendedores de
banha-da-cobra, pelo bendito e prometido cabrito, gostosa paelha ou presunto de
pata preta. A ser verdadeira esta falta de memória, trata-se de mais um caso de
amnésia patológica e, dada a distribuição mundial das sucessivas ocorrências, a
Agência Internacional de Controlo de Pragas nas Hortaliças concluiu estar-se
perante uma pandemia. Pode porém e apenas tratar-se de mais um triste caso de
alarmismo da Agência. Com efeito, no albergue dos alcoviteiros circula agora a
notícia de que calhando nunca houve sapos e os recibos de venda são grosseiras
falsificações. Este jornal está em condições de afiançar que os alcoviteiros
também exageram: a falsificação, a existir, não será grosseira pois os recibos–
como este repórter pôde confirmar – são da mesma exacta grossura dos que
recebemos das Finanças a exigir a entrega de todos os nossos trocos. Aguarda-se
ansiosamente a evolução deste caso.
Cheira a Esturro na Monarquia dos Raviolis
O rei dos
Raviolis, que tem estado envolvido em vários escândalos e processos judiciais
mas apesar da sua ocupada agenda ainda arranja tempo para deitar abaixo
sucessivos governos, viu ontem o seu recheio ser grelhado em tribunal, quando
foi dado como culpado de sedução e orgíacos apalpanços a tortellinis em idade
menor, pecadilho que na puritana Monarquia dos Raviolis é crime. O rei dos Raviolis, D. Cannelloni II, tinha ameaçado retirar

a sua base de apoio ao
actual governo se fosse condenado, o que levaria a uma redução da classificação
do Reino no campeonato das apostas dos mercados de dívida, empurraria a
Monarquia para um caos ainda maior do que o que habitualmente a domina e
provocaria o corte do adubo por parte da União das Hortaliças. O partido de D.
Cannelloni II avançou de esparguetes em punho para o Parlamento, onde começou a
cozinhar uma moção pepperoni, que é o equivalente nos demais países a uma moção
de censura, usando os esparguetes para afastar mirones e jornalistas mais
metediços. Ao mesmo tempo os jornais e televisões, todos pertença do império
empresarial de D. Cannelloni II, iniciaram uma campanha de promoção do rei,
apresentando reportagens onde este entregava lenços de papel a raviolis
velhinhas e com recheio fora do prazo, beijava tortellinis bebés e prometia
mundos e fundos a esforçados esparguetes-operários. O facto destas promessas
nunca terem passado disso mesmo não pareceu incomodar as televisões nem acordou
as memórias dos que ainda esperam pelos tais fundos e mundos, donde se conclui
quer na Monarquia dos Raviolis existe uma santa e dulcífera amnésia geral, que
deverá estar na origem da exuberância e alegria contagiante pelas quais são
conhecidos estes maravilhosos súbditos. As ruas encheram-se de raviolis e
esparguetes em manifestações de apoio ao rei e os sinos das igrejas tocaram a
rebate. Porém, e inexplicavelmente, os juízes decidiram pelo veredicto de
culpado e grelharam o recheio do rei. Este veio mais tarde a público afirmar
que era uma “cabala montada pelos estrangeiros e forças obscuras que querem
destruir o nosso grandioso país” e que fizessem o que fizessem, ele continuaria
a mandar, mesmo a partir da cadeia. Negociações secretas foram apressadamente
conduzidas entre o governo prestes a ir ao fundo e o rei, já então preso e
grelhado, e há poucos minutos D. Cannelloni II veio fazer uma proclamação ao
país a partir do refeitório da prisão, transmitida por um dos reality-shows
mais populares da sua rede de televisões, informando que daria o seu apoio ao
governo, apesar deste o ter grelhado em público. Em rodapé e quase fora do alcance
das câmaras, D. Cannellonni II mostrava um papel em que estava escrito com a
sua letra: “não se esqueçam de me transferir a fortuna toda para o Cantão dos
Queijos ou eu dou com a língua nos dentes”. Este inesperado apoio do rei
grelhado ao governo, quando todos esperavam que o metesse ao fundo, descoroçou
os manifestantes que já esperavam pelo rega-bofe de churrascos e concertos de
música à borla da campanha eleitoral. O nosso infiltrado na corte dos Raviolis
revelou que D. Cannelloni II vai continuar a mandar no governo, apesar de
preso, e tem já em calha uma proposta de lei para amnistia geral de todos os
presos com vários milhões depositados no Cantão dos Queijos, mas somente para
estes. Esperam-se a todo o momento mais revelações bombásticas por parte do
nosso infiltrado, em especial as declarações da neta de D. Cannelloni I e
principal organizadora das recentes manifestações de rua e rebates de sinos,
que defende, entre outras ideias do século passado, a segregação racial entre
raviolis, tortellinis, risotos, esparguetes e cannellonis.
Chilique Ministerial na República
Democrática dos Nabos: Parte IV ou Olh’ó P’ssarinho
Possesso com
a entrudada de ter feito tomar posse ao novo Ministro dos Carcanhóis quando o
Ministro-Chefe estava à frente da casa do MQQSPM com a orelha deste nas unhas,
e ainda mais furioso com o facto do Batata-de-Semente ter metido as ventas no
trombone e dito que o novo governo da República do Nabos era agora o melhor do
mundo e quaisquer fumos de crise política tinham terminado, o Presidente desta
República, Sr. Engenheiro Nabo-Maior, decidiu mostrar que quem manda no nabal é
ele e fez uma comunicação ao país, informando que não ia em arraiais de Buraka
SomSistema nem exibições de kuduro. Portanto ou o Ministro-Chefe deixava a
orelha do Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro e lhe apresentava um governo
em condições ou ia tudo corrido à vassourada. Esta declaração fez o rechonchudo
Batata-de-Semente ficar de grelo à banda e os decisores políticos da República
Federal das Batatas em estado de choque e a ameaçarem cortar a torneira do
adubo. Mas o Presidente não quis saber de ameaças e disse que ou os dois
ministros iam à fala com a Couve-Lombarda ou nada feito. Decidido isto, o caro
Presidente Nabo-Maior foi a banhos, aproveitando para visitar a famosa Ilha do
Guano, que calha também de ser um off-shore e onde se pode ver grande variedade
de aves de arribação, entre elas a ameaçada Guincha-Guincha, que alguns
maldosos chamam “Cagarros”porque fazem um cagaçal nocturno de todo o tamanho,
em especial quando se descobrem os segredos dos cofres-fortes e se topam com
documentos que indiciam lavagem de dinheiro. Convenhamos que, no actual estado
da economia, o dinheiro precisa mesmo de ser todo limpo, preferencialmente a
seco para não encolher mais e não ganhar rugas, ou não chegará à idade da
reforma. O Presidente, embora esteja em cima do acontecimento da remodelação
n.º 3 do governo (e por acaso também em cima duma poia), tem-se divertido
imenso a ver passarões pelos binóculos, a tomar anotações no livro de campo, a
agarrar nos passarinhos que não tiveram tempo de dar às de vila-diogo e a fazer
fotografias. Nas praias da Ilha do Guano pode-se ouvir agora, além das vozes
roufenhas dos vendedores de “Oláaaa, fresquinho! É frut’ó chicolaaate…”, o
mavioso “Olh’ó P’ssarinho…” do senhor Presidente, para gáudio dos turistas.
Espera-se que esta animação balnear contribua para trazer mais turistas ao
nabal, muito necessitado de divisas externas e das receitas do imposto de 30%
cobrado a todos os que se armam em lagartos e se deitam a bronzear na praia,
pois o sol também é mercadoria sujeita a IVA. Porque… quando o IVA nasce, é
para todos.
Mercados Reagem à Crise na República
Democrática dos Nabos
Chilique Ministerial na República
Democrática dos Nabos: Parte III ou Daqui Não Saio, Daqui Ninguém me Tira!
Na
continuação da saga governativa da República dos Nabos, desencadeada pelo
enlouquecimento súbito do Ministro dos Carcanhóis, o Ministro-Chefe, mais
conhecido por o Jamais-Desistente e Não-Estou-A-Ouvir (para os inimigos)
decidiu tomar uma atitude de força e pôr ordem no “galinheiro” (expressão do
próprio) em que se transformara a sua equipa, prestes a ser desclassificada
para a 2ª divisão por falhar todas as bolas. Enquanto no Parlamento toda a
oposição exigia a cabeça, perdão, a demissão do Ministro-Chefe, este, num
arrojo a que nos tem habituado, enfrentou as críticas e apupos e, numa
apaixonada demonstração de kuduro, dançou e cantou o hit “Daqui Não Saio, Daqui
Ninguém Me Tira!” A Oposição levantou-se em peso a aplaudir e a gritar “Bis!
Bis!” enquanto as bancadas do governos tentavam dar o seu melhor para secundar
a exibição do chefe, que ainda a dançar e a cantar foi à casa do
Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro, arrastou-o por uma orelha até à rua onde
o esperavam os jornalistas e todo o parlamento em arraial ao melhor estilo
Buraka SomSistema. Ainda com a orelha do nosso estimado MQQSPM, firmemente
agarrada na mão, declarou aos microfones “eu não saio e tu também não!” Instado
a prestar declarações, o nosso MQQSPM, de cabeça caída e pescoço torcido para
ver se libertava a orelha refém, confirmou que não, não saía, pois tinha de
olhar às necessidades urgentes do país, mais do que às da sua orelha, perdão,
da sua pessoa. No meio do bailarico, sardinhas assadas, bjecas e copos de três,
decidiu-se por unanimidade apresentar o novo ministério à aprovação do
Presidente, que poderá ter alguma dificuldade em ler as assinaturas dos
ministros, dado que estes estavam já c’os copos quando rabiscaram o documento de
“Reforço e Consolidação Governativa”. Isso talvez explique algumas das novas
linhas programáticas, como por exemplo a de cortar os salários a 100%, pelo que
agora se terá de trabalhar de graça, a seco e levar na lancheira a comida para
o coitado do patrão.
Explosivo Avanço Científico: Serviço
Nacional de Doença dos Pepinos Descobriu a Cura para Todas as Doenças
O Ducado dos Pepinos adoptou uma fórmula radical de tratar doenças crónicas. Devido à chuva de medicamentos no mercado e à bancarrota nas suas contas – excluem-se da mesma as jóias das famílias reinantes na desbunda deste pepinal – os hospitais adoptaram uma técnica inovadora no tratamento destas doenças. Quando um doente é agora diagnosticado com fungos na ponta, emurchecimentos no pícaro, mossas no pé, roedelas nas folhas, etc., o médico envia em rede para todos os hospitais do Ducado um pedido de verificação de outras doenças do paciente e também qual a medicação mais antiga existente em arquivo. Se o doente padecer de mais alguma doença, a recém-descoberta é anulada pois por decreto, no Ducado dos Pepinos só se pode agora ser possuidor de uma única enfermidade (temporária ou crónica), lei que foi promulgada com vista à contenção orçamental na área da saúde. Assim, um doente crónico não pode adoecer com gripe ou outras mazelas sazonais e se adoecer é desclassificado, ou seja, não tem direito a receber receitas no espaço de 3 anos. Por seu lado, a busca aos arquivos pelos medicamentos mais antigos, além de ter a vantagem de utilizar os caducados e com teias de aranha nas drageias e nos supositórios, fez já diversificar o mercado farmacêutico que se dedica agora a vender aos clientes banha da cobra, cocó de sapo, pêlo de salamandra, baba de paquiderme (sendo de especial procura a baba quando estes estão no cio) e outras mistelas do receituário das bruxas. Diversos doentes, perante o aspecto das novas posologias dão-se imediatamente como curados e vão calmamente morrer para o serviço, o que muito tem contribuído para o equilíbrio das finanças públicas. Tem havido contudo alguma contestação por parte de grupos extremistas, que reclamam audivelmente dos hospitais não lhes passarem os medicamentos inovadores para as suas doenças mas os hospitais dizem que a culpa não é deles mas do Ministério. O Ministério por sua vez diz que não é sua a culpa pois não é ao Ministro que compete passar as receitas e sim aos calões dos médicos que pelos vistos não querem fazer o seu trabalho. Os médicos foram aos arames e declararam, enquanto partiam as fuças ao ministro, apanhado de emboscada quando saía do seu condomínio fechado avaliado em vários milhares de folhas de couve, que eles passam as receitas mas os hospitais recusam-se a dar o que lá vem escrito e atiram os doentes para os consultórios das bruxas. O Ministro declarou, enquanto fugia aos socos, que esses “medicamentos inovadores” não constavam das listas do ministério, portanto é porque não existem, tratando-se de invenções subversivas dos calões que se fazem passar por doentes. Num desenvolvimento inesperado, descobriu-se que a baba de sapo misturada com ranho de caracol é tão potente que não há doente que, ao ver-se com um copo daquilo à frente não se cure de imediato, mesmo sem engolir a dose. Quem diria que as bruxas de Endor tinham afinal para cura para todas as doenças?

O Ducado dos Pepinos adoptou uma fórmula radical de tratar doenças crónicas. Devido à chuva de medicamentos no mercado e à bancarrota nas suas contas – excluem-se da mesma as jóias das famílias reinantes na desbunda deste pepinal – os hospitais adoptaram uma técnica inovadora no tratamento destas doenças. Quando um doente é agora diagnosticado com fungos na ponta, emurchecimentos no pícaro, mossas no pé, roedelas nas folhas, etc., o médico envia em rede para todos os hospitais do Ducado um pedido de verificação de outras doenças do paciente e também qual a medicação mais antiga existente em arquivo. Se o doente padecer de mais alguma doença, a recém-descoberta é anulada pois por decreto, no Ducado dos Pepinos só se pode agora ser possuidor de uma única enfermidade (temporária ou crónica), lei que foi promulgada com vista à contenção orçamental na área da saúde. Assim, um doente crónico não pode adoecer com gripe ou outras mazelas sazonais e se adoecer é desclassificado, ou seja, não tem direito a receber receitas no espaço de 3 anos. Por seu lado, a busca aos arquivos pelos medicamentos mais antigos, além de ter a vantagem de utilizar os caducados e com teias de aranha nas drageias e nos supositórios, fez já diversificar o mercado farmacêutico que se dedica agora a vender aos clientes banha da cobra, cocó de sapo, pêlo de salamandra, baba de paquiderme (sendo de especial procura a baba quando estes estão no cio) e outras mistelas do receituário das bruxas. Diversos doentes, perante o aspecto das novas posologias dão-se imediatamente como curados e vão calmamente morrer para o serviço, o que muito tem contribuído para o equilíbrio das finanças públicas. Tem havido contudo alguma contestação por parte de grupos extremistas, que reclamam audivelmente dos hospitais não lhes passarem os medicamentos inovadores para as suas doenças mas os hospitais dizem que a culpa não é deles mas do Ministério. O Ministério por sua vez diz que não é sua a culpa pois não é ao Ministro que compete passar as receitas e sim aos calões dos médicos que pelos vistos não querem fazer o seu trabalho. Os médicos foram aos arames e declararam, enquanto partiam as fuças ao ministro, apanhado de emboscada quando saía do seu condomínio fechado avaliado em vários milhares de folhas de couve, que eles passam as receitas mas os hospitais recusam-se a dar o que lá vem escrito e atiram os doentes para os consultórios das bruxas. O Ministro declarou, enquanto fugia aos socos, que esses “medicamentos inovadores” não constavam das listas do ministério, portanto é porque não existem, tratando-se de invenções subversivas dos calões que se fazem passar por doentes. Num desenvolvimento inesperado, descobriu-se que a baba de sapo misturada com ranho de caracol é tão potente que não há doente que, ao ver-se com um copo daquilo à frente não se cure de imediato, mesmo sem engolir a dose. Quem diria que as bruxas de Endor tinham afinal para cura para todas as doenças?
Chilique Ministerial na República
Democrática dos Nabos: Parte II
Novos
desenvolvimentos sobre a sequência do desmaio do Ministro dos Carcanhóis. Por
inexplicável falha no sistema de segurança do Hospital de Rilhafoles, o
ministro demitido, entrou hoje pela reunião do conselho dentro, aos murros e às
caneladas a dois seguranças, eliminando-os por ok tal como tem feito à Economia
da República Democrática dos Nabos, embora para a Economia não tenha usado
ganchos esquerdos nem joelhadas nas virilhas, simplesmente assinou decretos,
técnica muito menos suja mas bem mais eficaz, como demonstram os resultados e
indicadores todos do último semestre por comparação com o homólogo anterior.
Eliminados os seguranças, o Ministro empurrou para o lado o colega da Indústria
e, ainda vestido com a indumentária de maluco, anunciou que tinha uma
importante comunicação a pôr à apreciação de todos os presentes relativa à sua
demissão, ou melhor, à usurpação da sua demissão pois ele nunca fora demitido,
jamais no seu currículo constaria a palavra desempregado, não consentia tamanha
afronta, ele é que se demitia e DEFINITIVAMENTE porque os colegas não o
deixavam fazer o seu trabalho. E de seguida leu uma longa carta, onde elaborava
as suas estratégias para o futuro, que se podem resumir num “eu vou mas é dar
de frosques antes que isto azede mais” e as previsões para a economia nos
próximos anos e que são: 1. O desemprego vai acabar amanhã, 2.
A dívida afinal é fictícia e não devemos nada a ninguém a
partir de hoje, 3. O PIB vai subir 200% no próximo mês, 4. Saímos de dentro dos
PORCOS, damos cabo dos TIJOLOS, ultrapassamos os PRÓXIMOS 27 e tornamo-nos na
maior economia do mundo, 4. No espaço de seis meses teremos enfiado os mercados
no bolso e estaremos a emprestar dinheiro à República Federal das Batatas,
actual maior financiadora dos lobbies da União das Hortaliças que decidem tudo
(em vez de serem os deputados a fazê-lo, ao invés do que pensam os tolos). Ou
seja e resumindo: isto está a correr muuuito bem… Naturalmente ninguém ligou às
profecias, dado que estas têm sempre saído erradas, o que aliás já originou a
queixas da Associação de Videntes, Leitores de Cartas, Borras de Café, Búzios e
Folhas de Chá para o Tribunal Inter nacional dos Direitos dos Trafulhas, porque
o nosso caro Ministro de Rilhafoles é um free-lancer sem habilitações nem
carteira profissional ou inscrição no sindicato, ao contrário destes
especialistas do futuro que, conforme o regime geral da profissão são os únicos
autorizados a fazerem profecias sempre falsas. Os demais ministros, perante
esta situação de delírio, chamaram a equipa do Corpo de Intervenção, cujas
técnicas de imobilização de cidadãos perigosos são mais eficazes que todos os
enfermeiros e coletes-de-forças do Serviço Nacional de Espera para Aí e Chama o
Cangalheiro. Os garbosos heróis do Corpo de Intervenção entraram a matar, com
granadas lacrimogéneas, balas de borracha com aço na ponta, cacetada a tudo
quanto mexia e cães de fila assanhados tendo, numa demonstração do mais brioso
empenho profissional, deixado a sala do conste-lho de ministros em cacos e
todos os novos decretos mais desfiados do que se tivessem passado por uma
retalhadora. Na sequência destes acontecimentos, e duma cacetada no alto da
peúga, dada pelo comandante da brigada de intervenção, deu um chilique ao nosso
estimado Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro-Mas-Não-É e melhor sucedido
irmão do conhecido Iznogod, vizir do califa Harun El-Poussa de Bagdade. O nosso
respeitável Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro, mais conhecido por MQQSPM,
após ter sido reanimado com rum da Jamaica, legítimo, como se comprovou quando
lhe acenderam um fósforo para cozinhar bananas flambés na testa, atirou com as bananas para um canto, deu uma
galheta no improvisado cozinheiro, aplicou um soco na mesa e gritou: “Se o
maluco volta a ser Ministro, eu demito-me! IRREVOGAVELMENTE!” e saiu de cena.
Esperam-se novas profecias e comunicados presidenciais, perdão, presenciais, do
hóspede de Rilhafoles.
A Crise Também Chegou aos Ricos: Subscrição
Pública Solidária
A Quicas
Mal-Amanhada declarou navernissage da
Pipinhas que não percebia porque os pobrezinhos ficavam muito indispostos por
ela gostar de ir brincar a eles na sua herda dos Colhereiros de Pau. Com efeito
não se compreende, já não há pobrezinhos como dantes, que se punham em duas
filas ordenadas ao lado do portão, com os chapéus e boi nas na mão e lenços
pela cabeça, a criançada de volta das saias das mães a limpar-lhe os moncos aos
aventais, e que cantavam afinadinhos quando o Rolls do Sr. Dr. Passava: “bom
dia, senhor doutor, tenha muitos anos e venha cá muitas vezes”, ao que a criada
de quarto da Senhora lançava da janela de trás do carro algumas migalhas de pão
bolorento e seco. Era um regalo ver os pobrezinhos a atirarem-se para cima das
migalhas quando o Rolls do Senhor Doutor se esfumava por detrás da colina.
“Credo, Quiquinhas!” comentou a Cocó Cabeça-Gorda “Estes pobrezinhos agora são
tão possidónios! Temos de importar uns pobrezinhos dos Balcãs ou do
Afeganistão, sei lá…” “Oh, querida” aconselhou a Fufú Rachada “mas veja lá se
não são ciganos nem talibans, o meu primo francês disse-me, quando me ligou
para o meu novo Smartphone da Apple versão 2013 especial-para-gente-fina que
afinal aquele outro senhor do bigode, o Hilt… Hiton não-sei-quem, acho que tem
uma cadeia de hotéis na Ásia, afinal não tinha matado os suficientes naquela
coisa da IIªGuerra… a que deu os filmes do Casablanca, sei lá… Seria uma maçada
se importássemos pobrezinhos de refugo, somos pessoas finas.” E depois desta
profunda reflexão sobre os problemas sociais, o garçon passou com uma selecção dos melhores hors d’oeuvres servidos em ovos de Fabergé, regados em molho de
caviar do esturjão mais ameaçado dos lagos iranianos, uma delícia só igualada
pelo belo prato de golfinho beiji, preciosidade produzida pelo grande chef do Hilton de Paris, dado que era o
último golfinho beiji do mundo. Agradecemos do fundo do coração a dedicação das
senhoras das herdades dos Colhereiros em extinguirem mais uma espécie para
deliciarem os palatos dos seus excelsos convivas. Um bem-hajam e vamos envidar
todos os esforços para trazer pobrezinhos dos Balcãs, devidamente certificados
de não ciganicidade, pois para ciganos já bastam os nossos e que não pertencem
à etnia. Este jornal desde já se associa à meritória campanha de angariação de
fundos para Importação de Pobrezinhos. Cremos firmemente que estes novos
pobrezinhos serão capazes de ensinar o mister aos nossos de cá, que se
desleixaram nos seus deveres profissionais.
Contribuição mínima
obrigatória: o que sobrar do vosso salário após desconto dos
impostos, meus g’andas tansos.
Rabaldaria
no Ducado das Cenouras: Ministra e Professores não se Entendem (onde é que isso é notícia?)
Na sequência
dos extraordinários resultados alcançados nos exames nacionais de língua
pátria, onde 99% dos alunos reprovaram, e que ultrapassam em larga margem o
objectivo de 80% de chumbos, definido pelas Directivas Educação -2020
a , b e c da
União das Hortaliças, o currículo de língua nacional e pátria será modificado
para incluir: Estratégias de Fuga ao Atiradores, Tecnologias Avançadas de
Cabulanço e Introdução à Arte da Soneca em Aulas. Do mesmo modo foram
adicionadas ao currículo escolar as disciplinas de Tiro aos Marrões, Caneladas
e Carolos nos Profs, Tecnologias de Espionagem NSD Aplicadas a Exames e Arte de
Demolir o Carro do Prof e Fanar-lhe o Rádio-CD em 30 Segundos. Saem da grelha
curricular as inúteis disciplinas de Matemática, Ciências do Meio e da
Natureza, Física e Química. Estão abertas as inscrições para o novo ano
lectivo, devendo os encarregados de educação, dadas as especificidades
pedagógicas de algumas das novas disciplinas, inscrever simultaneamente os seus
rebentos na escola prisional mais próxima da residência. Não se aceitam
inscrições com moradas aldrabadas com vista a beneficiarem das prisões com
melhores quadros profissionais; para a escola normal qualquer morada serve, mesmo
que declaradamente fictícia.
Chilique
Ministerial na República Democrática dos Nabos
Notícia de
última hora: na reunião de ministros de hoje, o Ministro dos Carcanhóis teve um
desmaio que exigiu a chamada do Serviço Nacional de Emergências e condução
apressada ao hospital onde só chegou cerca de 12 horas mais tarde, devido a
existir para todo o país uma única ambulância em funcionamento, e mesmo esta
com vários problemas de motor e sem serviço telefónico que indique onde se
localizam as urgências, devi do ao corte de verbas no Serviço Nacional de Bater
a Bota, antigamente chamado de Saúde. O desmaio ocorreu porque, devido à
contenção orçamental necessária para atingir os critérios definidos pela União
das Hortaliças para nos mantermos nesse selecto clube, não havia ar
condicionado e a reunião decorria à luz de petromaxes, no pico de uma onda de
calor que tem aliviado os cofres do Estado e deste modo ajudado à contenção
orçamental, dado que já morreram mais de 100 000 reformados, cujo interesse
produtivo era aliás nenhum, portanto não se perdeu nada. Desde já saudamos o
brio patriótico dos mortos, que decidiram morrer para aliviar as dores da
Pátria, vocês que ainda estão vivos, cambada de traidores, porque não lhe
seguem o exemplo?! Infelizmente, quando o Ministro dos Carcanhóis recuperou do
desmaio, recuperou também o juízo e, confrontado com as leis que promulgara nos
últimos anos – e em particular com a conta do hospital, que no actual regime do
Serviço Nacional de Bater a Bota exige que se paguem todos os eventuais
tratamentos até ao dia da morte, mesmo que esta seja daqui a muitos anos, para
o dito serviço ter dinheiro quando chegar a altura –arrancou os cabe-los, deu
dois gritos, desmaiou de novo, desta vez reanimando-se a si próprio e disse que
não podia ter sido ele a promulgar tão vasto chorrilho de disparates. Perante
estas declarações, enfiaram com o homem no asilo de Rilhafoles, encontrando-se
agora a República das Cebolas sem ministro mas com uma linda crise
governamental a vislumbrar-se no horizonte. Os enviados da União das Hortaliças
já fizeram saber que se não se encontrar um doido com atestado de suficiente
insanidade, devidamente certificado pelas normas da União, virá ocupar o cargo
um economista da República Federal das Batatas, que é quem agora manda na
União, para “pôr isto em pratos limpos”. O indigitado é famoso por nos seus
delírios dizer que Jesus Cristo fala pessoalmente com ele e dá aulas na mais
conceituada School of Economics da Ivy League. É de gente assim que precisamos
para guiar as nossas finanças, venha o“Telefone de Cristo”, como é o douto
economista conhecido entre os amigos. Circula já um abaixo-assinado para
empossar com urgência o “Telefone” na agora vaga ministeratura. Mexam-se a
assinar seus madraços, e não sejam piegas! É urgente salvar o país! Queremos o
“Telefone”, queremos ouvir Cristo pelos auscultadores!
Camaleão da Naifa Cabeça de Lista para a
Câmara de Chantilly de Cima
Camaleão da Naifa, conhecido meliante que andou
dois anos ao “fresco” antes de ser capturado pela Interpulgas, a polícia
internacional das pulgas com sede na Cidade dos Submarinos, e que neste momento
tem residência fixa na Prisão ‘Tá-se Bem, uma PPP que garante serviço resort
aos presos de maior peso financeiro, candidatou-se mais uma vez à câmara
municipal de Chantilly de Cima onde goza de largo apoio por parte dos
pasteleiros e outro pessoal habituado a meter as mãos na massa. Da sua suite
prisional com vista panorâmica para a Terra dos Anjinhos, Camaleão da Naifa
declarou que, sendo um cidadão como qualquer outro, tem o inalienável direito
de concorrer a eleições, posição que é defendida pelo seu advogado. A aprovação
da candidatura deu pancadaria no tribunal, com juízes a puxarem de naifas e a
agredirem-se com soqueiras. Um dos agressores declarou que, se for preso,
concorrerá às próximas eleições para a Desordem dos Advogados da Caracolândia
pois a vasta plataforma prisional garantirá a sua eleição. Espera-se agora com
ansiedade a candidatura do Lagarto das Bombas para a Presidência da República
dos Caracóis, a da Osga das Fateixas para assessora dos Negócios Estrangeiros e
a Salamadra Palma-Carteiras para Primeira-Ministra. A próxima campanha
eleitoral promete... um grande arraial de pancada. Estão abertas inscrições
para as urgências hospitalares de médicos especializados em traumatismos de
cornos de caracol.




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