Número total de visualizações de páginas

sábado, 7 de setembro de 2013

Borlas nos Mercados de Acções, Aproveitem os Últimos Dias
Os mercados estão em vibração marleyiana (com haxixe e tudo) por mor da nova estratégia de reanimação cultural das bolsas de valores: os saldos de acções. Ideia inovadora sugerida por um até agora ignoto economista nabês mas que desde a sua implementação experimental já recebeu convites para ir para o governo local, para a Assembleia Internacional das Frutas, Hortaliças, Secos e Molhados que congrega todos os países do mundo, e até, honra suprema!, para o Fundo de Agiotagem Internacional. Esta campanha está aberta apenas por alguns dias e tem havido uma corrida às acções em promoção, o que fez disparar todos os indicadores das bolsas de valores (e por acaso também os revólveres, bestas, fundas e fisgas dos corretores, pela premente necessidade de se verem livres da concorrência). Basicamente a campanha funciona assim: se se pertencer à direcção de uma grande empresa cotada em bolsa, ou se for administrador de um banco local ou fundação de utilidade desconhecida, pode adquirir por metade do preço de mercado acções de empresas que falirão daqui a 6 meses ou ainda antes mas que até à altura da falência oferecerão chorudos negócios, além de cofres secretos no Cantão dos Queijos para receberem os lucros dos chorudos sem que fisco algum ou jornalista metediço os descubra. Assim, caso seja por exemplo, director-fundador da Fundação para a Fotografia dos Calos (que recebe subvenções estatais), pode usar essas subvenções para comprar a título pessoal acções a 1 conquilha, ao passo que a referida Fundação de que é presidente as comprará a preço de mercado ou seja, ao fim do dia de hoje, a 3,5 conquilhas. Adiram desde já a esta espectacular campanha, o Cantão dos Queijos agradece. Além dos aderentes poderem enriquecer que nem chouriços, esta campanha tem o patriótico resultado de ajudar à fuga de divisas, ao definhamento da colheita de impostos e por consequência ao abate dos inúteis serviços públicos, como escolas, hospitais, colónias de férias, serviços de reintegração de desempregados, minorias étnicas, etc. e que como se sabe beneficiam os pobres, criando-lhes vícios e pondo-lhes nas cabeças absurdas ideias de que são como os outros, com os mesmos direitos e tudo, em vez de aguentarem todos os abusos sem piarem, que é para o que os pobres servem (e deveriam sentir-se felizes por isso, cambada de piegas). Sejam patriotas e adiram! É com o dinheiro dos impostos dos outros que podem participar, do que é que estão à espera? Vamos lá a enriquecer, não custa nada!

Prémio Nobel dos Cábulas Nomeado para a Presidência Olímpica da Língua Nabense
Foi nomeado para a Presidência do Comité Olímpico Nabense, o senhor Nabo-com-Rama, ex-Ministro da Conversa, e que se veio a descobrir ter apenas a 4ª classe e mesmo esta cabulada em todas as provas de avaliação, trabalhos de casa e exames, sendo o liceu e os vários graus académicos obtidos por equivalências compradas ali na Feira do Relógio. Isto valeu-lhe a atribuição do Prémio Nobel do Cabulanço por parte da Academia da Soneca e da Sorna, pois nunca se conhecera alguém que com uma 4ª classe mal atamancada tivesse no seu currículo, e comprovado com diplomas oficiais, quatro doutoramentos em quatro diferentes áreas científicas, 3 pós-docs, todos com classificação de Magnum cum Laudae, se é que é assim que se escreve (o articulista também cabulou no Latim) e que quer dizer Muito Bom com Distinção e Louvor. Na altura a atribuição do prémio causara grande celeuma na República Democrática dos Nabos, em especial por parte da invejosa classe dos marrões, que se fartam de estudar, não compram equivalências e acabam sempre graduados com notas inferiores pois as universidades têm uma rígida quota de classificações máximas e se um tipo surge com as correctas equivalências, conhecimentos pessoais (e dinheiro por debaixo da mesa, segundo as más-línguas mais viperinas) naturalmente terá a correspondente nota máxima. A celeuma levara o nosso Ministro-Chefe a concluir que o senhor Nabo-com-Rama e doutor honoris causa por 300 universidades, tinha habilitações a mais para o cargo de ministro e pedira-lhe que metesse umas férias prolongadas até descobrirem a colocação ideal para as suas habilitações. Este jornal está agora em condições de noticiar que foi por fim, e após incomensuráveis dificuldades, descoberto o cargo apropriado para o nosso Cábula-Nobel: o de Presidente do Comité Olímpico da República dos Nabos, pois é necessária uma olímpica lata para ter conseguido um tal currículo sem mexer um neurónio. As autoridades da República dos Nabos têm ido aos arames por sistematicamente no Comité Olímpico Internacional, famoso pelos seus campeonatos de jogatina de bisca lambida e outras batotas, se falarem todas as línguas menos o nabês. Justamente quanto os nabenses são dos mais aficionados jogadores de batota do mundo, basta ver as contas dos vários departamentos do estado e empresas, em especial dos bancos. Isto tem todo o ar, convenhamos, de descarada discriminação. Assim, o nosso caro Nabo-de-Rama e agora Cábula-Nobel vai para o comité com o objectivo declarado (os outros não se declaram, é claro) de promover o uso do nabês no Comité Olímpico Internacional e aí para o seu vigésimo terceiro mandato, guindá-lo a uma das seis línguas oficiais. Temos a certeza absoluta que um intelecto tão genial que conseguia acumular 30 erros num ditado do primeiro ciclo só com 20 palavras será o defensor ideal para a promoção do nosso sacro e antigo idioma. Falta agora realizar um novo acordo ortográfico que torne mais simples para estrangeiros e criancinhas a escrita do nabês, alterando a língua a tal ponto que fique irreconhecível mas torne a escrita do nosso querido Nabo-de-Rama imaculadamente sem erros. Para bem dos olímpicos da bisca, um novo acordo ortográfico precisa-se com urgência!

Acordo de Entendimento da Tripeça Afinal é Plágio
Na distribuição de notas do primeiro semestre às economias da União das Hortaliças sob baraço de forca, perdão, Assistência Corporativa e Consolidadora, que é como se chama o acordo de agiotagem com a Tripeça – constituída pelo enforcado, ou República dos Nabos, enforcador e juiz – ocorreu um incidente muito desagradável e com profundas repercussões no futuro próximo e longínquo. Acontece que a pasta do senhor Ai-É-É e líder da Tripeça para o nabal foi roubada e numerosos documentos comprometedores vieram a público ao melhor estilo dos espiões que dão de frosques da República dos Hambúrgueres e revelam ao mundo os seus segredos cabeludos, sendo de seguida acusados de traição pelo senado dos Hambúrgueres, passando a correr mundo, sempre em fuga como se andassem a escapar ao fisco. O senhor A-É-É ficou verde de ira, embora com a sua complexão castanho-escura não se desse por isso, e deu mau-menos-menos à economia da República Democrática dos Nabos, porque não se admitia, disse, que não existissem seguranças no bengaleiro, para evitar estes e outros roubos. O Ministro-Chefe bem se tentou defender, dizendo que no acordo de entendimento assinado com a Tripeça estabelecia-se que tinha de mandar para o desemprego 1 milhão e 399 mil nabos, com vista a recuperar a economia, porque o desemprego é, como se sabe, o principal motor que faz a economia andar p’rá frente. Ora entre os nabos a despedir estavam cerca de 90% de todos os seguranças do país e ele não entendia que lhe dessem uma nota tão má pois até fora além do acordo e despedira 2 milhões de nabos, que ainda julgam que a crise acaba amanhã e estão prontinhos a votar nos presentes ministros, não pode haver maior confiança do que esta para os mercados! Mas o senhor Ai-É-É não foi na cantiga e manteve a nota, o que significa um chumbo de todo o tamanho e uma segunda Assistência Corporativa e Consolidadora está já a caminho, anunciando um afundanço ainda maior da economia mas um espectacular novo aumento de desempregados e velhos sem esmolas, perdão, reformas, e mulheres a parir debaixo das figueiras pois as maternidades já fecharam quase todas e nesta nova Assistência fechará a última. Claro que a azar de uns é a sorte de outros e neste momento, perante um segundo resgate, os bancos da República Federal das Batatas, que estão quase todos na falência mas ninguém sabe e por isso emprestam aos nabos o que têm e o que não têm, pois os juros que estes têm e terão que pagar são mais do que bastantes para lhes salvar os activos e os passivos e ainda forrar a ouro os cofres-fortes. No entanto o piro, como dissemos no início, estava ainda por chegar. O ladrão, ao abrir a mala do senhor Ai-É-É, à espera talvez de palmar uns relógios de ouro falso, deu-se com papelada. Felizmente o filho desistira no ano anterior da Universidade por causa do preço das propinas e consegui ler os documentos, percebendo que, bem divulgadinhos, poderia não só acabar o curso mas até comprar três universidades e o furo caiu como uma bomba nas redacções dos jornais. É que o tratado de Assistência Corporativa e Consolidadora é um descarado plágio à telenovela do Pais do Vale de Lágrimas e Cocaína a Granel, “Era Assim que se Matava Antigamente” e que é uma reprodução fidedigna – mas com muitas cenas de emoção para despertar a lágrima nos olhos dos espectadores – do Assistência Corporativa e Consolidadora que há 10 anos foi aplicado a esse país agora exportador de telenovelas, dinheiro lavado e cocaína. Está lá tudo! Até os nomes dos serviços públicos a fechar, as taxas de gente a mandar para o olho da rua, s leis que são impostas aos países “assistidos” mesmo que violem as respectivas constituições e até os truques para passar a rasteira aos tribunais constitucionais e os levar a aprovar o que é ilegal! E o mesmo guião tem sido aplicado a todos os países assistidos, só muda o nome do país porque até a língua em que é escrito é sempre a mesma: o dialecto Só Um Bêbado É que Entende Isto, e que é das línguas mais difíceis do mundo. Mais ainda, o mesmo acordo está já elaborado para mais dez países cujas economias irão ser afundadas pelas agências de ratings, e que não sonham sequer o que lhes vai acontecer. Estamos em condições de divulgar os nomes, vejam a nossa edição de amanhã. Isto é que é um excelente exemplo de poupança! Nem é necessário usar papel novo, basta passar com o corrector por cima do nome do país e pôr-se lá o que for apropriado para o momento. Aprendam, esbanjadores com a mania de gastarem dinheiro em hospitais, escolas, cantinas p’rá sopa dos pobres e outras mordomias dos estados perdulários! Viva o exemplo da Tripeça! Viva!

Reportagem especial do nosso enviado na Península das Areias:
Revolucionário e Comprovado Método de Eliminar Adversários: O Vudu é do Melhor que Há!
Os cientistas da República do Cuscuz com Caril acabam de realizar uma prodigiosa descoberta que irá revolucionar os anais do crime e da eliminação de adversários políticos, económicos, desportivos ou somente amorosos. A sensacional descoberta deu-se por carolice e, porque não dizê-lo, um imenso tefe-tefe dos cientistas do Instituto Pancada na Bola, sito numa das mais desérticas e belas paisagens da planície oriental da República do Cuscuz com Caril, onde por acaso também decorre há anos uma guerra com os Caravaneiros da Culatra Curta, que lutam pela independência ou ao menos, como prémio de aproximação, uma autonomia a sério, como a que goza por exemplo, a nossa Ilha do Guano. O medo e a curiosidade dos cientistas, que para esta descoberta trabalharam fora de horas e ofereceram-se até como cobaias, começou a surgir quando vários colegas foram sucessivamente aparecendo mortos em circunstâncias misteriosas. Porque, como fez questão de informar o porta-voz da equipa, não morriam com cancros nem epidemias nem intoxicações por tálio e essas coisas que surgem nos filmes, não. Morriam simplesmente… de morte macaca: quedas de varandas, explosões dos fogões a gás (especialmente no caso das colegas femininas, embora as más línguas dissessem durante muito tempo que eram os maridos a fazê-las morrer assim para lhes palmarem os dotes de casamento), dentro dos carros no meio de monumentais engarrafamentos que ninguém sabia de onde surgiam, enfim, com garrafas partidas espetadas nas costas e na cabeça durante rixas em bares, estão a ver… embora este repórter possa afiançar que não viu nada senão uma parede branca com um letreiro “Proibida a entrada a coscuvilheiros”.As pesquisas, muito demoradas, sofreram ontem uma reviravolta quando um dos chefes dos cientistas surgiu morto em casa com uma faca espetada nas costas. Todos pensaram que o culpado fosse o seu orientando de tese de doutoramento, furioso com o facto do seu orientador não lhe responder aos emails, recusar atender-lhe os telefonemas e mesmo, quando lhe fazia esperas à entrada de casa, vir num lindo estado de bebedeira, o que aliás é proibido pela religião oficial do pais. Segundo a lei anti-álcool qualquer cuscuzense pode cair de bêbado e até entrar em coma mas deverá fazer o favor de o fazer em casa e esconder as bebidas todas antes de vir a ambulância ou será severamente multado pela Guarda dos Bons Costumes. Assim, o pobre doutorando nunca conseguia ajuda para resolver as suas dúvidas e já dissera na cantina da Universidade que “um destes dias ele vai saber como elas lhe mordem”, ameaça que na altura o levara a ter dura entrevista com os tais Guardas dos Bons Costumes pois é também punido por lei dizer mal ou ameaçar os seus superiores hierárquicos, democracia cuscuzense é assim. Como o cadáver cheirasse fortemente a álcool e a haxixe (que nesta república não é crime fumar, mas já é plantar e vender), concluíram na altura os polícias, maqueiros e colegas do defunto, que este se pedrara outra vez. Contudo, investigações posteriores na casa da vizinha, vendedora de cerâmica da treta para turistas no pitoresco mercado local, e amante do morto, revelaram a presença de bonequinhas com alfinetes espetados exactamente nos mesmo pontos onde se situavam os golpes de facas. Diga-se a propósito que o adultério é crime neste país, no caso das prevaricadoras femininas, podendo os seus parceiros masculinos adulterarem com quem quiserem que ninguém tem nada a haver com isso, o que levantará um interessante problema no dia em que as mulheres disserem todas “não, não, é pecado”, dado que a homossexualidade é também proibida como pecado-crime capital. Instada pelas autoridades a explicar a posse de tão curioso objecto, a senhora começou a cantar a maravilhosa trova de amor: “Afinal havia outra…” Porém, e amores à parte, a descoberta da boneca-vudu levou os colegas do falecido a encararem pela primeira vez uma nova hipótese para as mortes misteriosas, a qual poderia explicar muitos factos. Após alguns testes concluíram que sim, de facto o vudu funciona! E não só para criar zombies, os quais têm carreira garantida no parlamento local, como se pode confirmar pelas reportagens televisivas e teores das leis aprovadas (fica assim explicado o misterioso sono permanente dos deputados e o facto de votarem todos ao mesmo tempo e do mesmo modo, a disciplina partidária não passa afinal de um mito urbano). Os dedicados cientistas puderam até constatar a eficácia e limpeza do processo, tendo morto à distância o Presidente do Instituto, o qual se voluntariara para a experiência. O governo da República do Cuscuz com Caril está profundamente interessado na descoberta e promulgou já uma proibição de viajar para fora do país a todos os praticantes de vudu e artes mágica correlativas, estando a acantoná-los em bases militares para aí explicarem os métodos das suas feitiçarias. Fez também já publicar na Rede-de-Pesca anúncios para praticantes de artes mágicas do resto do mundo, com salários chorudos e alojamento a condizer, tendo até ao momento recebido numerosas candidaturas por parte de cidadãos da União das Hortaliças que, como se sabe, tem uma crise que dura, dura, dura… Cuidado, inimigos da República do Cuscuz com Caril!, pois em breve poderão estar a morrer de morte macaca mal se aperfeiçoem os processos até agora artesanais do vudu. Aliás, o Presidente desta República, o Senhor Merengue-Na-Tola veio já afirmar aos adversários do País dos Ovos Estrelados que “desta é que vos vamos escalfar a todos, não perdem pela demora!” É claro que o presidente e a assembleia do País dos Ovos Estrelados, já para não referir os seus habitantes mais extremistas (que saíram à rua aos berros), começou logo a contar aviões e a avisar “É desta! É desta que vos arrumamos as botas! É desta que vos damos cabo do Instituto”, declarando ainda para quem os quis ouvir (e havia muita gente a querer ouvi-los) que não estavam para ser fritos ou escalfados, estariam preparados para dar cabo de quem lhes pisasse as claras e não queriam saber do que dissessem os aliados da República dos Hambúrgueres. Espera-se assim a eclosão de novo conflito na Península das Areias, o que aliás não é notícia, excepto se a guerra for declarada em dia santo ou feriado.

Amnésia Epidémica na Equipa do Ministro dos Carcanhóis: o Efeito dos Sapos Tóxicos
A saga da amnésia do agora Co-Ministro dos Carcanhóis, Nabo-de-Bruxelas, teve novos e dramáticos desenvolvimentos. Embora ainda se ande a investigar a eventual falsificação dos documentos de venda dos sapos ao anterior governo, novas declarações dos nabos demitidos nas últimas eleições, vêm confirmar que foram efectivamente contactados pelo banco do senhor Nabo-de-Bruxelas para comprarem sapos. O nosso caro Co-Ministro continua a repetir que não se lembra de nada, o que está a causar grandes preocupações no governo pois dar as chaves do Tesouro a quem sofre de amnésia patológica é um enorme risco. O que acontecerá, por exemplo, quando se tiver de pagar as prestações dos televisores LCD King-size que o governo mandou instalar em todos os estádios de futebol para transmitirem via LSD o canal do Governo e o nosso caro Co-Ministro não se recordar do código do cofre? E se o mesmo acontecer, situação muito mais gravosa, quando os mercados vierem cobrar as taxas de venda dos sapos? Por aqui se vêm já alguns efeitos tóxicos dos sapos nos nabos e que parecem afectar toda a gente que trabalha com eles. Quem tem muito boa memória é o anterior Co-Ministro dos Carcanhóis, que na altura tinha à sua guarda as chaves do cofre-forte e que ao ler a proposta dos seus superiores governativos de comprar sapos, bateu com o pé e disse que não senhor, enquanto ele tivesse as chaves do caso, nenhum sapo entrava no cofre e acabou-se! Com efeito, foi por causa desta teimosia que a venda de sapos por parte do banco do senhor Nabo-de-Bruxelas não se realizou na altura. O facto dos anteriores governantes nunca terem antes falado do caso, resulta mais uma vez da exposição tóxica aos sapos, que provocam as tais amnésias, sendo necessário um período de pelo menos três anos de desabituação para a memória ser, mesmo que só parcialmente, recuperada. Há no entanto grande preocupação actual com o tesouro pois alguns guarda-nocturnos reportaram uma grande coaxada dentro do cofre. Se lá estiverem sapos, colocados à pressa pelo nosso Nabo-de-Bruxelas para recuperar os activos tóxicos do seu banco, os fundos do governo já eram... Entretanto, e indiferentes aos dramas governativos (para verem a falta de patriotismo e solidariedade dos nossos cidadãos, e depois queixam-se que isto está mal), o povo desunha-se nas praias e nos arraiais de sardinha assada, pois as discotecas pedem couro e cabelo para se lá entrar, a dançar o grande sucesso do Verão “Não vendas esse sapo ‘Toinho, olha qu’o sapo, ‘Toinho, ai, ai, ai”.Com tanto bailarico e ainda falam em crise! Uns alarmistas, é o que é!

Chilique Ministerial na República Democrática dos Nabos: Parte VI ou Dou o Dito Por Não Dito
Regressado dos cagarros, e das doces férias na praia em são convívio com turistas e vendedores de gelados, batatas fritas e pipocas, o estimado Presidente da República dos Nabos, Nabo-Maior, confrontado com a casmurrice do clube da Couve-Lombarda – na verdade mais dos sub-directores e adeptos do clube do que propriamente da digna Couve, que sonhava já em mandar no nabal – torceu o nariz (havia uma poia de cagarro agarrada ao sapato) e perguntou “afinal mas que porcaria vem a ser esta?” O Ministro-Chefe e o MQQSPM olharam um para o outro e não responderam pois ficaram sem saber se o Presidente se referia à lista de indigitados para o novo governo se à poia em questão. O Presidente não gostou do silêncio e mandou chamar a Couve-Lombarda, arrancando-lhe em público duas folhas velhas e roídas do bicho mas que muito diminuíram o seu volume e importância. De seguida expulsou todos do Palácio e disse que ia pensar sobre o assunto. No entanto o nosso enviado está em condições de afirmar que o estimado Presidente foi sim bater uma soneca e contemplar os presentes de pau carunchoso que os altos dignitários da Ilha do Guano lhe ofereceram, como mandam os salamaleques de qualquer visita imperial… ups, presidencial, mesmo que a um sítio que só tenha turistas, cagarros e poias. Depois de devidamente reconfortado pela soneca e por uns cocktails de secreta receita das ilhas Curaçau, o Presidente olhou de lado para a lista de nomeáveis e para de uma vez por todas o deixarem em paz com a dança das cadeiras, fechou os olhos e assinou de cruz, dando posse ao novo elenco ministerial. Não pôde contudo esconder o seu espanto, nem já agora o dos nomeados e também o de todo o país, ao constatar na tomada de posse que o nosso amado Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro (MQQSPM para os amigos) se tornava no braço direito do Ministro-Chefe, mantinha-se como Ministro dos Carcanhóis o filho do “Telefone” e praticamente todos os outros, acrescidos de mais uns quantos priminhos e netinhos que têm de começar a ganhar traquejo nestas lides, para saberem o que a vida custa. A oposição nem queria acreditar e desatou a gritar “mas que remodelação vem a ser esta?” tendo sido posta na rua pelos seguranças. A excepção foi a Couve-Lombarda que, muda de espanto, recebeu beijos e abraços dos antigos-novos ministros, os quais lhe prometiam que “agora vamos ouvir-te”. Couve-Lombarda não conseguiu explicar aos jornalistas se o seu pasmo resultava de ver o novo-velho governo em funções, sendo impossível definir onde acabava o velho e começava o novo, se da promessa de diálogo, já que foi notória a cera nos ouvidos dos velhos-novos ministros durante estes três anos de calvário público. O nosso querido e estimado MQQSPM também não podia acreditar e quase teve uma apoplexia (“tão perto do alvo e falhei”, diria mais tarde aos amigos) mas conseguiu enfiar cara de miúdo que foi às filhós e sorria para todo o lado, embora com a mão no peito, não para agradecer à Providência como a minha devota tia pensou, mas para não dar parte fraca, que a dor de peito era grande. Logo a seguir à tomada de posse foi a vez do Presidente ter um chilique – decentemente em privado, como convém à dignidade da sua pessoa – tendo sido transportado de emergência ao hospital, onde só chegou no dia seguinte, e porque foi em serviço estafeta pois um cidadão normal só entra agora nos hospitais três anos após ficar doente, no geral para se proceder à autópsia. Apertados pelos abelhudos dos jornalistas, que mais parecem carraças famintas no Verão, os médicos declararam que o presidente sofria de uma insolação e síndroma de separação dos cagarros, o que poderá explicar muita coisa… Quem não esteve para explicações foi a oposição marginalizada desta semana de férias do Presidente, e que ficará conhecida para a História como “A Semana da Ronda do Chá ou o Efeito Cagarro”, a qual se manifestou debaixo da janela do quarto do Presidente, numa grandiosa concentração de cinco gatos encharcados, que de patas erguidas bramiam: “Isto não fica assim!” O que promete um verão muuuito quente (vejam as previsões dos meteorologistas e digam lá se não tenho razão?).

Chilique Ministerial na República Democrática dos Nabos: Parte V ou Não Há Nada P’ra Ninguém
Como foi há uns dias noticiado, o senhor Presidente Nabo-Maior, antes de ir aos cagarros, ordenara que o governo-que-está-em-funções-mas-não-sabe-se-está-ou-deixa-de-estar fosse à fala com a 7 adeitar abaixo a equipa do seu convidado. Irritado com esta falta de coerência (para não chamar algo pior), o Ministro-Chefe agarrou a Couve-Lombarda pelo repolho quando esta ia a sair do hemiciclo e perguntou-lhe: “afinal que fandango vem a ser este?” Inquirição que muito espantou a Couve pois, como se sabe, para dançar o fandango são precisos dois pés e a Couve-Lombarda só tem um. Ofendida nos seus brios, e sobretudo sentindo-se discriminada por ter apenas uma perna, Couve-Lombarda arrancou a rosa do peito do Ministro-Chefe dos nabos, que lhe oferecera duas horas antes, e declarou solenemente, convocando testemunhas e tudo que “Está tudo acabado entre nós, espero-te atrás da igreja para um duelo logo depois das férias”. E pronto, os chiliques ministeriais continuam e a batata quente, perdão a sopa de couve (pois o Batata-de-Semente tem andado a atirar para os tribunais todos os escrevedores que se descuidam e insinuam coisas sobre a sua barriga e depois ainda se espanta de ninguém gostar dele) está agora nas mãos do senhor Presidente Nabo-Maior, que ainda não saiu de pé dos cagarros, para tristeza destes últimos. Com efeito, os cagarros já puseram a correr na Rede-de-Pesca uma petição para despejarem o Nabo-Maior da ilha e se continuarem a ter de aturar tão ilustre visitante, irão queixar-se à Greenbaleia e à WWFigas. Couve-Lombarda e amigos, para ver se decidiam de uma vez por todas quem seria o galo no galinheiro, perdão, no governo. Assim, enquanto os apoiantes do MQQSPM lhe davam na cabeça por ser mais indeciso do que um cata-vento e ora diz que é, ora que não é Ministro, o Ministro-Chefe Não-Estou-A-Ouvir e a Couve-Lombarda iniciaram os seus encontros para mostrarem as casas e os jardins um do outro, testarem a qualidade dos respectivos jacuzzis, oferecerem presentes topo de gama aos pirralhos dos anfitriões – os pirralhos em causa fizeram as birras da praxe por as visitas lhes darem presentes com a cor errada– e certificarem com diploma e condecoração os pratos dos respectivos cozinheiros. Diariamente andam agora a visitar-se como boas e queridas comadres, trocando beijinhos e abraços enquanto pela sorrelfa espalham escutas ilegais para descobrirem os segredos conjugais mais cabeludos do adversário. As reuniões decorrem sempre à hora do chá, servido em porcelana casca-de-ovo, e foi já escolhida a cor e o padrão do papel de parede e dos estofos dos cadeirões da sala oval. Mas como negócios são negócios e os clubes do Grão-de-Bico, do Feijão-Verde e do Pepino Torto, danados por terem sido excluídos das rondas do chá, ofereceram grandes cargas de adubo à Couve-Lombarda se votasse contra o actual governo (e como sabemos, o adubo está pela hora da morte), deu-se o interessante caso de estar a Couve-Lombarda às 5 da tarde a beber chá e a alinhavar um acordo sobre os tapetes que deverão ser postos no hall de entrada com o Ministro-Chefe e às e às 7 a deitar abaixo a equipa do seu convidado. Irritado com esta falta de coerência (para não chamar algo pior), o Ministro-Chefe agarrou a Couve-Lombarda pelo repolho quando esta ia a sair do hemiciclo e perguntou-lhe: “afinal que fandango vem a ser este?” Inquirição que muito espantou a Couve pois, como se sabe, para dançar o fandango são precisos dois pés e a Couve-Lombarda só tem um. Ofendida nos seus brios, e sobretudo sentindo-se discriminada por ter apenas uma perna, Couve-Lombarda arrancou a rosa do peito do Ministro-Chefe dos nabos, que lhe oferecera duas horas antes, e declarou solenemente, convocando testemunhas e tudo que “Está tudo acabado entre nós, espero-te atrás da igreja para um duelo logo depois das férias”. E pronto, os chiliques ministeriais continuam e a batata quente, perdão a sopa de couve (pois o Batata-de-Semente tem andado a atirar para os tribunais todos os escrevedores que se descuidam e insinuam coisas sobre a sua barriga e depois ainda se espanta de ninguém gostar dele) está agora nas mãos do senhor Presidente Nabo-Maior, que ainda não saiu de pé dos cagarros, para tristeza destes últimos. Com efeito, os cagarros já puseram a correr na Rede-de-Pesca uma petição para despejarem o Nabo-Maior da ilha e se continuarem a ter de aturar tão ilustre visitante, irão queixar-se à Greenbaleia e à WWFigas.

Descoberta Nova Doença Profissional: A Amnésia dos Vendedores
O pânico espalhou-se aos mercados de futuros após a divulgação dum comunicado da Agência Internacional de Controlo de Pragas nas Hortaliças. Esta Agência lançou um alerta laranja após ter analisado os dados referentes ao novo caso com sapos ocorrido na República Democrática dos Nabos e que é em tudo muito semelhante a outros espalhados um pouco por toda a União das Hortaliças e até em alguns estados da Federação dos Hamburguers, sita do outro lado do oceano. O evento que levou ao alerta desta Agência envolve o senhor Nabo-de-Bruxelas, um bem-sucedido financeiro que se especializou em selecção, criação, reprodução e venda de sapos. No albergue dos alcoviteiros corria ontem a notícia de que este digno financeiro tentou vender sapos ao anterior governo da República dos Nabos, com vista a maquilhar o visual do mesmo. A ser verdade, esta seria uma operação arriscada, senão mesmo algo fora-da-lei, dado que os sapos, embora benéficos para as Couves, são manifestamente tóxicos para os Nabos, podendo causar reacções anafiláticas, com inchaços nos passivos e pruridos nas taxas de câmbio. À saída de uma reunião do banco, os jornalistas interrogaram o senhor Nabo-de-Bruxelas sobre esta tentativa de venda ao governo ido (com tantas remodelações, confusões e eleições, onde é que ele já vai) mas o Nabo declarou que não se recordava e por mais que lhe tentassem puxar a rama, não conseguiu recordar-se de qualquer sessão de vendas, dos eventuais locais onde estas poderiam ter ocorrido nem sequer quem poderia ter estado presente às mesmas. Ora este esquecimento é muito preocupante pois quem tenha assistido a uma destas sessões jamais as esquece porque, como se sabe, são ao melhor estilo das excursões à Quinta dos Caracóis do reino vizinho, nas quais não se visita nada mas apenas se espera, numa sala fechada e após horas a ouvir os vendedores de banha-da-cobra, pelo bendito e prometido cabrito, gostosa paelha ou presunto de pata preta. A ser verdadeira esta falta de memória, trata-se de mais um caso de amnésia patológica e, dada a distribuição mundial das sucessivas ocorrências, a Agência Internacional de Controlo de Pragas nas Hortaliças concluiu estar-se perante uma pandemia. Pode porém e apenas tratar-se de mais um triste caso de alarmismo da Agência. Com efeito, no albergue dos alcoviteiros circula agora a notícia de que calhando nunca houve sapos e os recibos de venda são grosseiras falsificações. Este jornal está em condições de afiançar que os alcoviteiros também exageram: a falsificação, a existir, não será grosseira pois os recibos– como este repórter pôde confirmar – são da mesma exacta grossura dos que recebemos das Finanças a exigir a entrega de todos os nossos trocos. Aguarda-se ansiosamente a evolução deste caso.

Cheira a Esturro na Monarquia dos Raviolis
O rei dos Raviolis, que tem estado envolvido em vários escândalos e processos judiciais mas apesar da sua ocupada agenda ainda arranja tempo para deitar abaixo sucessivos governos, viu ontem o seu recheio ser grelhado em tribunal, quando foi dado como culpado de sedução e orgíacos apalpanços a tortellinis em idade menor, pecadilho que na puritana Monarquia dos Raviolis é crime. O rei dos Raviolis, D. Cannelloni II, tinha ameaçado retirar
a sua base de apoio ao actual governo se fosse condenado, o que levaria a uma redução da classificação do Reino no campeonato das apostas dos mercados de dívida, empurraria a Monarquia para um caos ainda maior do que o que habitualmente a domina e provocaria o corte do adubo por parte da União das Hortaliças. O partido de D. Cannelloni II avançou de esparguetes em punho para o Parlamento, onde começou a cozinhar uma moção pepperoni, que é o equivalente nos demais países a uma moção de censura, usando os esparguetes para afastar mirones e jornalistas mais metediços. Ao mesmo tempo os jornais e televisões, todos pertença do império empresarial de D. Cannelloni II, iniciaram uma campanha de promoção do rei, apresentando reportagens onde este entregava lenços de papel a raviolis velhinhas e com recheio fora do prazo, beijava tortellinis bebés e prometia mundos e fundos a esforçados esparguetes-operários. O facto destas promessas nunca terem passado disso mesmo não pareceu incomodar as televisões nem acordou as memórias dos que ainda esperam pelos tais fundos e mundos, donde se conclui quer na Monarquia dos Raviolis existe uma santa e dulcífera amnésia geral, que deverá estar na origem da exuberância e alegria contagiante pelas quais são conhecidos estes maravilhosos súbditos. As ruas encheram-se de raviolis e esparguetes em manifestações de apoio ao rei e os sinos das igrejas tocaram a rebate. Porém, e inexplicavelmente, os juízes decidiram pelo veredicto de culpado e grelharam o recheio do rei. Este veio mais tarde a público afirmar que era uma “cabala montada pelos estrangeiros e forças obscuras que querem destruir o nosso grandioso país” e que fizessem o que fizessem, ele continuaria a mandar, mesmo a partir da cadeia. Negociações secretas foram apressadamente conduzidas entre o governo prestes a ir ao fundo e o rei, já então preso e grelhado, e há poucos minutos D. Cannelloni II veio fazer uma proclamação ao país a partir do refeitório da prisão, transmitida por um dos reality-shows mais populares da sua rede de televisões, informando que daria o seu apoio ao governo, apesar deste o ter grelhado em público. Em rodapé e quase fora do alcance das câmaras, D. Cannellonni II mostrava um papel em que estava escrito com a sua letra: “não se esqueçam de me transferir a fortuna toda para o Cantão dos Queijos ou eu dou com a língua nos dentes”. Este inesperado apoio do rei grelhado ao governo, quando todos esperavam que o metesse ao fundo, descoroçou os manifestantes que já esperavam pelo rega-bofe de churrascos e concertos de música à borla da campanha eleitoral. O nosso infiltrado na corte dos Raviolis revelou que D. Cannelloni II vai continuar a mandar no governo, apesar de preso, e tem já em calha uma proposta de lei para amnistia geral de todos os presos com vários milhões depositados no Cantão dos Queijos, mas somente para estes. Esperam-se a todo o momento mais revelações bombásticas por parte do nosso infiltrado, em especial as declarações da neta de D. Cannelloni I e principal organizadora das recentes manifestações de rua e rebates de sinos, que defende, entre outras ideias do século passado, a segregação racial entre raviolis, tortellinis, risotos, esparguetes e cannellonis.

Chilique Ministerial na República Democrática dos Nabos: Parte IV ou Olh’ó P’ssarinho
Possesso com a entrudada de ter feito tomar posse ao novo Ministro dos Carcanhóis quando o Ministro-Chefe estava à frente da casa do MQQSPM com a orelha deste nas unhas, e ainda mais furioso com o facto do Batata-de-Semente ter metido as ventas no trombone e dito que o novo governo da República do Nabos era agora o melhor do mundo e quaisquer fumos de crise política tinham terminado, o Presidente desta República, Sr. Engenheiro Nabo-Maior, decidiu mostrar que quem manda no nabal é ele e fez uma comunicação ao país, informando que não ia em arraiais de Buraka SomSistema nem exibições de kuduro. Portanto ou o Ministro-Chefe deixava a orelha do Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro e lhe apresentava um governo em condições ou ia tudo corrido à vassourada. Esta declaração fez o rechonchudo Batata-de-Semente ficar de grelo à banda e os decisores políticos da República Federal das Batatas em estado de choque e a ameaçarem cortar a torneira do adubo. Mas o Presidente não quis saber de ameaças e disse que ou os dois ministros iam à fala com a Couve-Lombarda ou nada feito. Decidido isto, o caro Presidente Nabo-Maior foi a banhos, aproveitando para visitar a famosa Ilha do Guano, que calha também de ser um off-shore e onde se pode ver grande variedade de aves de arribação, entre elas a ameaçada Guincha-Guincha, que alguns maldosos chamam “Cagarros”porque fazem um cagaçal nocturno de todo o tamanho, em especial quando se descobrem os segredos dos cofres-fortes e se topam com documentos que indiciam lavagem de dinheiro. Convenhamos que, no actual estado da economia, o dinheiro precisa mesmo de ser todo limpo, preferencialmente a seco para não encolher mais e não ganhar rugas, ou não chegará à idade da reforma. O Presidente, embora esteja em cima do acontecimento da remodelação n.º 3 do governo (e por acaso também em cima duma poia), tem-se divertido imenso a ver passarões pelos binóculos, a tomar anotações no livro de campo, a agarrar nos passarinhos que não tiveram tempo de dar às de vila-diogo e a fazer fotografias. Nas praias da Ilha do Guano pode-se ouvir agora, além das vozes roufenhas dos vendedores de “Oláaaa, fresquinho! É frut’ó chicolaaate…”, o mavioso “Olh’ó P’ssarinho…” do senhor Presidente, para gáudio dos turistas. Espera-se que esta animação balnear contribua para trazer mais turistas ao nabal, muito necessitado de divisas externas e das receitas do imposto de 30% cobrado a todos os que se armam em lagartos e se deitam a bronzear na praia, pois o sol também é mercadoria sujeita a IVA. Porque… quando o IVA nasce, é para todos.

Mercados Reagem à Crise na República Democrática dos Nabos
Nas principais praças de hortaliças do mundo dominou hoje a confusão na cotação dos nabos, com alguns investidores a venderem toda a safra deste ano, do ano passado e dos anos futuros a cinco anos, e outros a açambarcarem todos os nabos que podiam. Deste modo, aquando do fecho dos mercados das hortaliças era impossível estabelecer uma taxa de cotação do nabo. Isto impediu o estabelecimento do valor da dívida da República dos Nabos e deste modo a concessão do novo empréstimo de agiotagem, o que por sua vez provocou ainda maior confusão nos mercados, o que levou a nova não concessão, o que… já estão a ver o filme. Para obviar ao mergulho no descalabro, a nova equipa ministerial desta República escolheu para Ministro dos Carcanhóis o filho mais novo do“Telefone”, que se especializou na venda de sapos à República dos Nabos e a todos os outros países sob ajuda (?) financeira da União das Hortaliças. Apesar dos sapos serem reconhecidamente uma mais-valia tóxica para qualquer nabal, o jovem economista está nas boas graças dos bancos e dos mercados, pois a venda de sapos é altamente lucrativa para quem vende. Por este motivo foi a escolha do jovem euforicamente aclamada pelos mercados, com particular destaque para os bancos de madeira (os de pedra, dada a natureza do seu material, demoram mais tempo a reagir) e autoridades da República Federal das Batatas. Com efeito, a República Federal das Batatas tem os seus bancos todos à beirinha de irem fazer cinza para a lareira e só os empréstimos que tem concedido a vários países da União das Hortaliças impediu até agora os referidos bancos de irem alimentar o fogo, dado que os países endividados só podem escolher entre passar fome e pagar as dívidas ou… passar fome e pagar as dívidas. O Presidente da República dos Nabos não gostou porém que a República Federal das Batatas aprovasse o novo ministro da economia ainda antes deste ter sido por ele empossado e fez uma valente birra, com bater de pé e tudo, na cerimónia que devia de ser de tomada de posse mas acabou por não ser, pois o Presidente, zangado com o Rábano e o Rabanete, ainda mais furioso com Batata-de-Semente, enviado da República Federal das Batatas e quem efectivamente manda no nabal, decidiu dar um violento carolo seguido duma espectacular cabeçada na Couve-Lombarda, que não tinha nada a haver com o assunto e só estava ali porque fora convidada. No presente estado de coisas, com a Couve-Lombarda a queixar-se no Parlamento da União das Hortaliças, e sem Ministro dos Carcanhóis, os mercados voltaram outra vez a entrar em ebulição e espera-se a todo o momento que deitem por fora. Esta balbúrdia teve no entanto um inesperado efeito positivo para a debilitada economia do nabal. É que, dados os últimos desenvolvimentos, foi necessário reformular os dicionários para incluir os novos significados das palavras“linha vermelha”, “ultrapassagem”, “definitivamente”, “de pedra e cal” e“irrevogavelmente”. Estando a maior parte dos professores no desemprego pois ir-se-ão fechar dois terços das escolas no próximo ano para equilibrar as contas – não é importante que as gerações sejam letradas, quem precisa duns abelhudos a corrigirem as contas dos senhores doutores e a darem palpites nos jornais? – foram alguns destes chamados para participarem nesta revisão, o que originou importante redução da taxa de desemprego: cerca de 0,000001%. Crises assim precisam-se, pois fica demonstrado que fazem bem à economia!

Chilique Ministerial na República Democrática dos Nabos: Parte III ou Daqui Não Saio, Daqui Ninguém me Tira!
Na continuação da saga governativa da República dos Nabos, desencadeada pelo enlouquecimento súbito do Ministro dos Carcanhóis, o Ministro-Chefe, mais conhecido por o Jamais-Desistente e Não-Estou-A-Ouvir (para os inimigos) decidiu tomar uma atitude de força e pôr ordem no “galinheiro” (expressão do próprio) em que se transformara a sua equipa, prestes a ser desclassificada para a 2ª divisão por falhar todas as bolas. Enquanto no Parlamento toda a oposição exigia a cabeça, perdão, a demissão do Ministro-Chefe, este, num arrojo a que nos tem habituado, enfrentou as críticas e apupos e, numa apaixonada demonstração de kuduro, dançou e cantou o hit “Daqui Não Saio, Daqui Ninguém Me Tira!” A Oposição levantou-se em peso a aplaudir e a gritar “Bis! Bis!” enquanto as bancadas do governos tentavam dar o seu melhor para secundar a exibição do chefe, que ainda a dançar e a cantar foi à casa do Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro, arrastou-o por uma orelha até à rua onde o esperavam os jornalistas e todo o parlamento em arraial ao melhor estilo Buraka SomSistema. Ainda com a orelha do nosso estimado MQQSPM, firmemente agarrada na mão, declarou aos microfones “eu não saio e tu também não!” Instado a prestar declarações, o nosso MQQSPM, de cabeça caída e pescoço torcido para ver se libertava a orelha refém, confirmou que não, não saía, pois tinha de olhar às necessidades urgentes do país, mais do que às da sua orelha, perdão, da sua pessoa. No meio do bailarico, sardinhas assadas, bjecas e copos de três, decidiu-se por unanimidade apresentar o novo ministério à aprovação do Presidente, que poderá ter alguma dificuldade em ler as assinaturas dos ministros, dado que estes estavam já c’os copos quando rabiscaram o documento de “Reforço e Consolidação Governativa”. Isso talvez explique algumas das novas linhas programáticas, como por exemplo a de cortar os salários a 100%, pelo que agora se terá de trabalhar de graça, a seco e levar na lancheira a comida para o coitado do patrão.

Explosivo Avanço Científico: Serviço Nacional de Doença dos Pepinos Descobriu a Cura para Todas as Doenças
O Ducado dos Pepinos adoptou uma fórmula radical de tratar doenças crónicas. Devido à chuva de medicamentos no mercado e à bancarrota nas suas contas – excluem-se da mesma as jóias das famílias reinantes na desbunda deste pepinal – os hospitais adoptaram uma técnica inovadora no tratamento destas doenças. Quando um doente é agora diagnosticado com fungos na ponta, emurchecimentos no pícaro, mossas no pé, roedelas nas folhas, etc., o médico envia em rede para todos os hospitais do Ducado um pedido de verificação de outras doenças do paciente e também qual a medicação mais antiga existente em arquivo. Se o doente padecer de mais alguma doença, a recém-descoberta é anulada pois por decreto, no Ducado dos Pepinos só se pode agora ser possuidor de uma única enfermidade (temporária ou crónica), lei que foi promulgada com vista à contenção orçamental na área da saúde. Assim, um doente crónico não pode adoecer com gripe ou outras mazelas sazonais e se adoecer é desclassificado, ou seja, não tem direito a receber receitas no espaço de 3 anos. Por seu lado, a busca aos arquivos pelos medicamentos mais antigos, além de ter a vantagem de utilizar os caducados e com teias de aranha nas drageias e nos supositórios, fez já diversificar o mercado farmacêutico que se dedica agora a vender aos clientes banha da cobra, cocó de sapo, pêlo de salamandra, baba de paquiderme (sendo de especial procura a baba quando estes estão no cio) e outras mistelas do receituário das bruxas. Diversos doentes, perante o aspecto das novas posologias dão-se imediatamente como curados e vão calmamente morrer para o serviço, o que muito tem contribuído para o equilíbrio das finanças públicas. Tem havido contudo alguma contestação por parte de grupos extremistas, que reclamam audivelmente dos hospitais não lhes passarem os medicamentos inovadores para as suas doenças mas os hospitais dizem que a culpa não é deles mas do Ministério. O Ministério por sua vez diz que não é sua a culpa pois não é ao Ministro que compete passar as receitas e sim aos calões dos médicos que pelos vistos não querem fazer o seu trabalho. Os médicos foram aos arames e declararam, enquanto partiam as fuças ao ministro, apanhado de emboscada quando saía do seu condomínio fechado avaliado em vários milhares de folhas de couve, que eles passam as receitas mas os hospitais recusam-se a dar o que lá vem escrito e atiram os doentes para os consultórios das bruxas. O Ministro declarou, enquanto fugia aos socos, que esses “medicamentos inovadores” não constavam das listas do ministério, portanto é porque não existem, tratando-se de invenções subversivas dos calões que se fazem passar por doentes. Num desenvolvimento inesperado, descobriu-se que a baba de sapo misturada com ranho de caracol é tão potente que não há doente que, ao ver-se com um copo daquilo à frente não se cure de imediato, mesmo sem engolir a dose. Quem diria que as bruxas de Endor tinham afinal para cura para todas as doenças?

Chilique Ministerial na República Democrática dos Nabos: Parte II
Novos desenvolvimentos sobre a sequência do desmaio do Ministro dos Carcanhóis. Por inexplicável falha no sistema de segurança do Hospital de Rilhafoles, o ministro demitido, entrou hoje pela reunião do conselho dentro, aos murros e às caneladas a dois seguranças, eliminando-os por ok tal como tem feito à Economia da República Democrática dos Nabos, embora para a Economia não tenha usado ganchos esquerdos nem joelhadas nas virilhas, simplesmente assinou decretos, técnica muito menos suja mas bem mais eficaz, como demonstram os resultados e indicadores todos do último semestre por comparação com o homólogo anterior. Eliminados os seguranças, o Ministro empurrou para o lado o colega da Indústria e, ainda vestido com a indumentária de maluco, anunciou que tinha uma importante comunicação a pôr à apreciação de todos os presentes relativa à sua demissão, ou melhor, à usurpação da sua demissão pois ele nunca fora demitido, jamais no seu currículo constaria a palavra desempregado, não consentia tamanha afronta, ele é que se demitia e DEFINITIVAMENTE porque os colegas não o deixavam fazer o seu trabalho. E de seguida leu uma longa carta, onde elaborava as suas estratégias para o futuro, que se podem resumir num “eu vou mas é dar de frosques antes que isto azede mais” e as previsões para a economia nos próximos anos e que são: 1. O desemprego vai acabar amanhã, 2. Adívida afinal é fictícia e não devemos nada a ninguém a partir de hoje, 3. O PIB vai subir 200% no próximo mês, 4. Saímos de dentro dos PORCOS, damos cabo dos TIJOLOS, ultrapassamos os PRÓXIMOS 27 e tornamo-nos na maior economia do mundo, 4. No espaço de seis meses teremos enfiado os mercados no bolso e estaremos a emprestar dinheiro à República Federal das Batatas, actual maior financiadora dos lobbies da União das Hortaliças que decidem tudo (em vez de serem os deputados a fazê-lo, ao invés do que pensam os tolos). Ou seja e resumindo: isto está a correr muuuito bem… Naturalmente ninguém ligou às profecias, dado que estas têm sempre saído erradas, o que aliás já originou a queixas da Associação de Videntes, Leitores de Cartas, Borras de Café, Búzios e Folhas de Chá para o Tribunal Inter nacional dos Direitos dos Trafulhas, porque o nosso caro Ministro de Rilhafoles é um free-lancer sem habilitações nem carteira profissional ou inscrição no sindicato, ao contrário destes especialistas do futuro que, conforme o regime geral da profissão são os únicos autorizados a fazerem profecias sempre falsas. Os demais ministros, perante esta situação de delírio, chamaram a equipa do Corpo de Intervenção, cujas técnicas de imobilização de cidadãos perigosos são mais eficazes que todos os enfermeiros e coletes-de-forças do Serviço Nacional de Espera para Aí e Chama o Cangalheiro. Os garbosos heróis do Corpo de Intervenção entraram a matar, com granadas lacrimogéneas, balas de borracha com aço na ponta, cacetada a tudo quanto mexia e cães de fila assanhados tendo, numa demonstração do mais brioso empenho profissional, deixado a sala do conste-lho de ministros em cacos e todos os novos decretos mais desfiados do que se tivessem passado por uma retalhadora. Na sequência destes acontecimentos, e duma cacetada no alto da peúga, dada pelo comandante da brigada de intervenção, deu um chilique ao nosso estimado Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro-Mas-Não-É e melhor sucedido irmão do conhecido Iznogod, vizir do califa Harun El-Poussa de Bagdade. O nosso respeitável Ministro-Que-Quer-Ser-Primeiro-Ministro, mais conhecido por MQQSPM, após ter sido reanimado com rum da Jamaica, legítimo, como se comprovou quando lhe acenderam um fósforo para cozinhar bananas flambés na testa, atirou com as bananas para um canto, deu uma galheta no improvisado cozinheiro, aplicou um soco na mesa e gritou: “Se o maluco volta a ser Ministro, eu demito-me! IRREVOGAVELMENTE!” e saiu de cena. Esperam-se novas profecias e comunicados presidenciais, perdão, presenciais, do hóspede de Rilhafoles.

A Crise Também Chegou aos Ricos: Subscrição Pública Solidária
A Quicas Mal-Amanhada declarou navernissage da Pipinhas que não percebia porque os pobrezinhos ficavam muito indispostos por ela gostar de ir brincar a eles na sua herda dos Colhereiros de Pau. Com efeito não se compreende, já não há pobrezinhos como dantes, que se punham em duas filas ordenadas ao lado do portão, com os chapéus e boi nas na mão e lenços pela cabeça, a criançada de volta das saias das mães a limpar-lhe os moncos aos aventais, e que cantavam afinadinhos quando o Rolls do Sr. Dr. Passava: “bom dia, senhor doutor, tenha muitos anos e venha cá muitas vezes”, ao que a criada de quarto da Senhora lançava da janela de trás do carro algumas migalhas de pão bolorento e seco. Era um regalo ver os pobrezinhos a atirarem-se para cima das migalhas quando o Rolls do Senhor Doutor se esfumava por detrás da colina. “Credo, Quiquinhas!” comentou a Cocó Cabeça-Gorda “Estes pobrezinhos agora são tão possidónios! Temos de importar uns pobrezinhos dos Balcãs ou do Afeganistão, sei lá…” “Oh, querida” aconselhou a Fufú Rachada “mas veja lá se não são ciganos nem talibans, o meu primo francês disse-me, quando me ligou para o meu novo Smartphone da Apple versão 2013 especial-para-gente-fina que afinal aquele outro senhor do bigode, o Hilt… Hiton não-sei-quem, acho que tem uma cadeia de hotéis na Ásia, afinal não tinha matado os suficientes naquela coisa da IIªGuerra… a que deu os filmes do Casablanca, sei lá… Seria uma maçada se importássemos pobrezinhos de refugo, somos pessoas finas.” E depois desta profunda reflexão sobre os problemas sociais, o garçon passou com uma selecção dos melhores hors d’oeuvres servidos em ovos de Fabergé, regados em molho de caviar do esturjão mais ameaçado dos lagos iranianos, uma delícia só igualada pelo belo prato de golfinho beiji, preciosidade produzida pelo grande chef do Hilton de Paris, dado que era o último golfinho beiji do mundo. Agradecemos do fundo do coração a dedicação das senhoras das herdades dos Colhereiros em extinguirem mais uma espécie para deliciarem os palatos dos seus excelsos convivas. Um bem-hajam e vamos envidar todos os esforços para trazer pobrezinhos dos Balcãs, devidamente certificados de não ciganicidade, pois para ciganos já bastam os nossos e que não pertencem à etnia. Este jornal desde já se associa à meritória campanha de angariação de fundos para Importação de Pobrezinhos. Cremos firmemente que estes novos pobrezinhos serão capazes de ensinar o mister aos nossos de cá, que se desleixaram nos seus deveres profissionais.

Contribuição mínima obrigatória: o que sobrar do vosso salário após desconto dos impostos, meus g’andas tansos.

Rabaldaria no Ducado das Cenouras: Ministra e Professores não se Entendem (onde é que isso é notícia?)
Instalou-se a confusão no Ducado das Cenouras a menos de dois meses da abertura do ano lectivo. A última bronca ocorreu ontem, quando os professores, após meses de aulas, correcção de provas, trabalhos de casa, exames, e em simultâneo respondiam diariamente às mais descabeladas perguntas do ministério, entre estas se incluindo as cores da sua roupa interior para posterior avaliação do desempenho dos seus donos, relatórios que ninguém sabe para que servem e acções de formação pagas pelos próprios mas que apenas davam grandes cargas de sono aos formandos, sem contar com as reuniões para escolha dos manuais escolares que voltaram a mudar todos este ano e finalmente, entre o breve sono das 2 e das 4 da manhã e a reunião para responder ao ministério sobre a cor dos quadros das escolas que tinha de ser entregue até às 5 da matina, conseguiram, deixando de dormir, fazer os quadros das turmas e horários para o novo ano lectivo. Submetidos os quadros das turmas ao ministério, este chumbou-os a todos, declarando que “são quadros feitos por bêbados de sono ou ganzados com speeds” que como se sabe, e por ordem do ministério, são fornecidos neste momento aos docentes para aguentarem a pedalada. Isto causou contestação generalizada pois os professores até se submeteram a testes para provarem que não estavam ganzados e as taxas de sono em atraso eram inferi ores às máximas permitidas por lei. Neste momento nem professores, nem alunos, nem muito menos o ministério consegue responder à pergunta: será que o nosso catraio vai ter aulas este ano? Nem à pergunta número dois: será que este ano haverá sequer turmas constituídas? Os professores concentraram-se em protesto junto das instalações do ministério, clamando a frase de ordem: Deixem-nos trabalhar, porra!, que temos de convir, não é muito educativa, embora esteja em absoluta conformidade com o Acordo Desnortográfico, dado que este se baseia na oralidade e nunca como hoje se ouvem tantos p… f… e outros mimos anatómicos. Confrontada com a impossibilidade de entrar no seu Mazzerati ultimo modelo, de vidros fumados, anti-bala, com refrigeração auto-regulável pelo pensamento e cinema 3D, a Ministra da Educação perdeu a paciência e respondeu: e se fossem todos para o c…? Instada a responder a estas e outras questões, ela garantiu que nenhum aluno ficará de fora… das propinas. Lá se ficarem de fora das turmas e não tiverem aulas durante o ano, ah, bom, isso é da (im)competência das escolas – com m, sublinhou a Ministra, pois fala já em conformidade com o novo Acordo Desnortográfico – e não da do Ministério pois “um Ministro Nunca Erra” (embora também raramente acerte).
 
Mudança nos Currículos Escolares
Na sequência dos extraordinários resultados alcançados nos exames nacionais de língua pátria, onde 99% dos alunos reprovaram, e que ultrapassam em larga margem o objectivo de 80% de chumbos, definido pelas Directivas Educação -2020 a, b e c da União das Hortaliças, o currículo de língua nacional e pátria será modificado para incluir: Estratégias de Fuga ao Atiradores, Tecnologias Avançadas de Cabulanço e Introdução à Arte da Soneca em Aulas. Do mesmo modo foram adicionadas ao currículo escolar as disciplinas de Tiro aos Marrões, Caneladas e Carolos nos Profs, Tecnologias de Espionagem NSD Aplicadas a Exames e Arte de Demolir o Carro do Prof e Fanar-lhe o Rádio-CD em 30 Segundos. Saem da grelha curricular as inúteis disciplinas de Matemática, Ciências do Meio e da Natureza, Física e Química. Estão abertas as inscrições para o novo ano lectivo, devendo os encarregados de educação, dadas as especificidades pedagógicas de algumas das novas disciplinas, inscrever simultaneamente os seus rebentos na escola prisional mais próxima da residência. Não se aceitam inscrições com moradas aldrabadas com vista a beneficiarem das prisões com melhores quadros profissionais; para a escola normal qualquer morada serve, mesmo que declaradamente fictícia.

Chilique Ministerial na República Democrática dos Nabos
Notícia de última hora: na reunião de ministros de hoje, o Ministro dos Carcanhóis teve um desmaio que exigiu a chamada do Serviço Nacional de Emergências e condução apressada ao hospital onde só chegou cerca de 12 horas mais tarde, devido a existir para todo o país uma única ambulância em funcionamento, e mesmo esta com vários problemas de motor e sem serviço telefónico que indique onde se localizam as urgências, devi do ao corte de verbas no Serviço Nacional de Bater a Bota, antigamente chamado de Saúde. O desmaio ocorreu porque, devido à contenção orçamental necessária para atingir os critérios definidos pela União das Hortaliças para nos mantermos nesse selecto clube, não havia ar condicionado e a reunião decorria à luz de petromaxes, no pico de uma onda de calor que tem aliviado os cofres do Estado e deste modo ajudado à contenção orçamental, dado que já morreram mais de 100 000 reformados, cujo interesse produtivo era aliás nenhum, portanto não se perdeu nada. Desde já saudamos o brio patriótico dos mortos, que decidiram morrer para aliviar as dores da Pátria, vocês que ainda estão vivos, cambada de traidores, porque não lhe seguem o exemplo?! Infelizmente, quando o Ministro dos Carcanhóis recuperou do desmaio, recuperou também o juízo e, confrontado com as leis que promulgara nos últimos anos – e em particular com a conta do hospital, que no actual regime do Serviço Nacional de Bater a Bota exige que se paguem todos os eventuais tratamentos até ao dia da morte, mesmo que esta seja daqui a muitos anos, para o dito serviço ter dinheiro quando chegar a altura –arrancou os cabe-los, deu dois gritos, desmaiou de novo, desta vez reanimando-se a si próprio e disse que não podia ter sido ele a promulgar tão vasto chorrilho de disparates. Perante estas declarações, enfiaram com o homem no asilo de Rilhafoles, encontrando-se agora a República das Cebolas sem ministro mas com uma linda crise governamental a vislumbrar-se no horizonte. Os enviados da União das Hortaliças já fizeram saber que se não se encontrar um doido com atestado de suficiente insanidade, devidamente certificado pelas normas da União, virá ocupar o cargo um economista da República Federal das Batatas, que é quem agora manda na União, para “pôr isto em pratos limpos”. O indigitado é famoso por nos seus delírios dizer que Jesus Cristo fala pessoalmente com ele e dá aulas na mais conceituada School of Economics da Ivy League. É de gente assim que precisamos para guiar as nossas finanças, venha o“Telefone de Cristo”, como é o douto economista conhecido entre os amigos. Circula já um abaixo-assinado para empossar com urgência o “Telefone” na agora vaga ministeratura. Mexam-se a assinar seus madraços, e não sejam piegas! É urgente salvar o país! Queremos o “Telefone”, queremos ouvir Cristo pelos auscultadores!

Camaleão da Naifa Cabeça de Lista para a Câmara de Chantilly de Cima
Camaleão da Naifa, conhecido meliante que andou dois anos ao “fresco” antes de ser capturado pela Interpulgas, a polícia internacional das pulgas com sede na Cidade dos Submarinos, e que neste momento tem residência fixa na Prisão ‘Tá-se Bem, uma PPP que garante serviço resort aos presos de maior peso financeiro, candidatou-se mais uma vez à câmara municipal de Chantilly de Cima onde goza de largo apoio por parte dos pasteleiros e outro pessoal habituado a meter as mãos na massa. Da sua suite prisional com vista panorâmica para a Terra dos Anjinhos, Camaleão da Naifa declarou que, sendo um cidadão como qualquer outro, tem o inalienável direito de concorrer a eleições, posição que é defendida pelo seu advogado. A aprovação da candidatura deu pancadaria no tribunal, com juízes a puxarem de naifas e a agredirem-se com soqueiras. Um dos agressores declarou que, se for preso, concorrerá às próximas eleições para a Desordem dos Advogados da Caracolândia pois a vasta plataforma prisional garantirá a sua eleição. Espera-se agora com ansiedade a candidatura do Lagarto das Bombas para a Presidência da República dos Caracóis, a da Osga das Fateixas para assessora dos Negócios Estrangeiros e a Salamadra Palma-Carteiras para Primeira-Ministra. A próxima campanha eleitoral promete... um grande arraial de pancada. Estão abertas inscrições para as urgências hospitalares de médicos especializados em traumatismos de cornos de caracol.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário