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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Época de Saldos dos Armazéns Populares da Ameijoa: Compre e Receba Integralmente o Dinheiro do que Comprou (com a possibilidade de receber ainda mais do dobro, caso lhe calhe a vaquinha na lotaria)

Não, não se trata de publicidade mas de seriíssima estratégia económica para atrair capitais estrangeiros à perna-esticante economia do Principado do Mexilhoal. Como se sabe, o Mexilhoal tem levado com todas as marés adversas da economia mundial – os crashes, as emergências, os sapos tóxicos, etc. – e como acontece de cada vez que o mar bate na rocha… Pois bem, os mexilhões decidiram em assembleia geral, regada a bom regar com vinho verde e branco do melhor, colocar os falidos Armazéns da Ameijoa à venda. Os Armazéns Populares da Ameijoa são um dos grandes motores da economia do Mexilhoal, pois por decreto de uma das últimas assembleias-gerais de Mexilhões-Graúdos todos onde os mexilhões, em especial os mais pequenos, foram obrigados a colocar lá todas as suas economias. Não será difícil imaginar o efeito que causou a descoberta de que os Armazéns estavam falidos. Também se descobriu que tinham minhocas por todos os lados e até ao momento ninguém conseguiu ainda apurar de onde vieram as sabotadoras ou quem lá as terá posto. Mistérios da Economia… Talvez fosse efeito do vinho verde e branco (ou do tinto de contrabando), a assembleia deliberou pôr os Armazéns à venda, com generosas contrapartidas para os investidores internacionais. Assim, o Tesouro dos mexilhões irá pagar todas as dívidas e custos da falência dos Armazéns, assim como as compensações por despedimento que os novos donos dos Armazéns venham a realizar (não precisando estes de pagar coisa alguma). Serão ainda pagos incentivos aos compradores pela aquisição e assegura-se um desconto especial caso estes se interessem também pela eminente venda ao desbarato (não precisam de comprar de facto, basta só mostrar interesse) dos Correios do Mexilhoal, que actualmente são muito pouco lucrativos pois dependem das marés. Além disso assegura-se que os compradores poderão ainda solicitar o pagamento de diversas mais-valias, alcavalas e comissões diversas, não sendo necessário estabelecê-las no acto da venda pois o papel de espuma de alga dissolve-se no ar, sendo inútil assinar qualquer contrato. Estes pagamentos serão duplicados caso os investidores apostem na lotaria especial de Lua Cheia do Mexilhoal e ganhem a sempre desejada vaquinha (assegura-se manipulação das máquinas para a vaquinha sair aos investidores que, como o nome indica, tendo necessidade de investir, precisam de vacas). A nossa repórter de investigação está em condições de nos indicar que a compra já foi efectuada, embora os mexilhões-depositantes ainda não o saibam nem venham a saber pelos 3 anos mais próximos, altura em que o banco decretará nova falência, a ocorrer logo a seguir a todo o dinheiro dos depositantes ter sido transferido para o Cantão dos Queijos, sem o conhecimento destes e com os seus nomes devidamente eliminados das contas transferidas. A nossa repórter pode também assegurar – com fotografias e imagens de satélite – que o Principado do Mexilhoal recebeu o cheque de 20 milhões de conquilhas pelos Armazéns, pagando de seguida aos compradores 20 milhões de conquilhas, como estava previsto no contrato. O Mexilhão-Chefe recebeu ainda dois outros cheques, mas a nossa repórter não conseguiu apurar porque foram entregues, quem os passou, quais seriam os montantes envolvidos nem onde seriam depositados, mas confirmou que não entraram nas contas públicas. Seria por trabalho de assessoria aos compradores da República Popular da Mandioca, com vista a estes se entenderem nos complicados e intermináveis procedimentos legais das vendas no Principado do Mexilhoal? O Ministro-Chefe dos Mexilhões declarou enfastiada e enfaticamente, quando aberto pelas perguntas da nossa repórter, que “esses cheques são inexistentes, resultam da visão dupla da repórter que se deve ter metido no tinto carrascão atamancado produzido pelo meu tio Mexilhão-Estriado”. Como se sabe, este desmentido prova que os cheques existem, pois a etiqueta dos mexilhões ordena que se diga o oposto da realidade em tudo o que se relacione com negócios. Espera-se agora que sejam postos à venda, por similares condições, a Caixa Nacional das Anémonas, o Armazém Popular das Algas e o Armazém Rocha dos Investimentos, que também acabaram de falir. Conta-se em breve acrescentar novas Caixas e Armazéns à lista de falências e vendas a preço de saldo no Principado do Mexilhoal.

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