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domingo, 15 de setembro de 2013

O Gesto Diz Tudo...



Na República Federal das Batatas a corrida para chefe da banda teve hoje um incidente que promete modificar as regras da concorrência entre candidatos. Agora, além de serem testados nas suas capacidades de corredores de fundo e salto de obstáculos, assim como de prestidigitadores, devendo demonstrar quem mais eficazmente faz desaparecer os problemas durante a competição eleitoral, passarão também a ser avaliados nas suas capacidades de mimos. Com efeito, o candidato Ponte-de-Pedra ao ser interrogado sobre pequenos faits divers políticos, estando com pressa para apanhar o comboio (que neste país andam sempre à tabela com 5 minutos de atraso), optou por responder com bonito gesto de dedo em riste e manguito, que foi mais explícito do que mil palavras. E por ser tão explícito, mal ele partira no comboio, a gare inteira comentou o gesto e daí todos os jornais, depois a cidade, de seguida o país e agora até nas chancelarias do resto da União das Hortaliças as suas expressivas declarações, que correspondem de facto a todo um programa governativo, estão a ser alvo de pormenorizada análise. Não é para menos dado que a República das Batatas é a chefe monetária das Hortaliças e quem entra com o guito é quem manda. Aliás, o senhor Ponte-de-Pedra tem-se distinguido na política local pelas suas capacidades mímicas e língua solta, o que é uma bem-vinda lufada de ar fresco numa escol política normalmente muito sisuda, e poderá vir a tornar-se no novo modo de estar dos políticos batatenses. Ainda no início do ano, quando interrogado sobre o que pensava dos novos príncipes-herdeiros da Monarquia dos Raviolis, apontou para um chapéu de palhaço que tinha na cabeça, pois que andara a fazer de palhaço na festa de aniversário do neto. Para bom entendedor… meio gesto basta. Aliás o candidato tem um forte leque de apoiantes que começam a estar fartos das hortaliças do sul, declarando que “nós não nos manifestávamos violentamente e queríamos liberdade e não apenas dinheiro”, em referência a um passado onde não se podiam de todo manifestar quisessem dinheiro ou liberdade porque pura e simplesmente eram presos e enviados para os campos de férias nos gelos do norte, para saberem o que era bom. Temos também de perdoar aos lídimos batatenses estas pequenas confusões que lhes acontecem no que toca às hortaliças do sul. Porque as hortaliças do sul precisam do guito para ver se não morrem de vez de fome e entre a fome e a liberdade é natural que os famintos sejam um bocadinho de nada mais violentos. Afinal “casa onde não há pão, todos ralham e…” Mas os ilustres batatenses já se devem ter esquecido da guerra do Batata Podre e de toda a ajuda que receberam para se reconstruírem, apesar de terem andado a exterminar meio mundo e a bater no outro meio, que mesmo assim os ajudou. O que não é de espantar, pois como é sabido as batatas são d’olhão mas possuem uma péssima memória. Espera-se agora que todos os candidatos demonstrem as suas fluentes capacidades de linguagem gestual, prevendo-se já uma chuva de manguitos nas próximas reuniões magnas da União das Hortaliças, a ser convenientemente respondida pelos países que levarem na peúga com insinuações relativas aos adornos cranianos ou à proficiência sexual da ancestralidade dos nossos caros comissários batatenses.

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