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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
A Divina Providência Também Foi a Votos
A febre das eleições também já chegou ao Paraíso e os residentes nem esperaram pelo Olam Ha-Bav (ou seja, o Reino Que Há-de Vir, trocado em miúdos),
exigindo em plenário e após vários dias de greve que se fizessem eleições. Desta
não serão apenas os anjos chamados às urnas pois que, estando dependentes do
patrão votam em quem ele manda, mas também os habitantes Terra. A base da
reivindicação (extraordinariamente) aprovada em geral assembleia angelical foi
a de que os actuais residentes terrenos
virão um dia para cá, donde convém que adquiram experiência prévia dos assuntos
celestiais e decidam desde já sobre o futuro do Paraíso que irão ocupar. Aprovada
a alteração ao regime eleitoral, o anjo-assessor do gabinete de imprensa do Céu
telegrafou de imediato para todas as câmaras municipais, igrejas, santuários, líderes
religiosos e videntes, marianos ou outros, para mobilizarem os seus fiéis ao
voto. Infelizmente o telégrafo celestial não é dos mais avançados (na verdade
ficou-se pelo modelo de Morse) e houve interferências na mensagem, devido não tanto
aos adeptos de Satã o Opositor-Mor, mas às trovoadas, raios gama, anti-matéria e
outros explosivos eventos atmosféricos. Assim, os receptores não captaram a
palavra final (celestial) e supuseram que o Altíssimo ordenara a mobilização dos
seus seguidores para as eleições terrenas. Por essa razão, no mundo dos
turbantes, as eleições têm sistematicamente dado a vitória aos partidos religiosos
enquanto no outro lado se tem apelado ao voto eleitoral, a noites em família
sem TV e com oração e até, no caso dalguns candidatos mais zelosos, na
distribuição de terços a todos os paroquianos e passeios ao santuário mariano
mais próximo, que isto estamos nas encolhas e não dá para peregrinar até ao
estrangeiro nem mesmo a pé e de mochila às costas. O facto dos candidatos
estarem a oferecer estes mimos devocionais com dinheiros públicos em vez de
porem o deles à frente não deverá constituir pecado, visto que é por uma boa
causa. Outros mais empreendedores decidiram criar linhas de merchandising onde as imagens dos santos
e do candidato terreno surgem em parelha, sendo distribuídas em posters para o
quarto, toalhetes para mesas, tabuleiros, T-shirts, crachás, braceletes de
pano, porta-chaves, protectores solares para carros, imans para frigorífico,
auto-colantes e marcadores para livros, prevendo até ao final da campanha,
entre vendas e ofertas aos eleitores, arranjarem uma maquiazinha para irem de férias
até às ilhas dos cocos e curaçau, bastiões do socialismo mas apetecíveis refúgios
de férias para capitalistas. Os eleitores agradecem, pois poderão vender esta tralha
aos coleccionadores, nas estações de comboios e do Metro, à laia dos negociantes
de CDs marados e ervinhas aromáticas, pois todos os trocos fazem agora muita
falta. Espera-se que, apesar do equívoco na transmissão da celestial mensagem,
o Divino fique agradado com o entusiasmo dos candidatos e decida intervir neste
arraial porque no estado em que as coisas andam nem a Senhora nos salva.
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