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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
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| fonte: pt.io.gov.mo |
Pois desta vez a notícia surge do
Economato das Seringas (antigamente era República mas com os cortes no
orçamento agora não passa dum serviço de economato dum país credor da União das
Hortaliças). E é uma ruptura fulgurante com o passado e a forma de pensar sobre
a utilidade dos hospitais. É que embora não tenha ainda sido aprovado em
decreto, a necessidade de apresentar contas bem magrinhas aos credores levou as
chefes das seringas a injectar nos hospitais uma dose reforçada de cortes nos
gastos, pelo que se tornou muito pouco rentável cuidar de doentes cujas doenças
só podem piorar no futuro. Porque, como têm de à força reconhecer, tudo neste
mundo é negócio e por acaso a prestação de cuidados de saúde (ou doença) é um
dos melhores mercados que pode haver para desenvolver negócios. E portanto se a
coisa não dá lucros, abandona-se. Se porventura os doentes deixarem de poder
ser curados ah, lamentamos mas são apenas baixas colaterais nesta terrível
guerra contra as dívidas soberanas. Mas filosofias àparte, os hospitais do
Economato das Seringas têm manado embora doentes que os procuram e têm doenças
crónicas como cancro, hepatites, sidas, e afins porque… se gasta muito dinheiro
e os tipos, são os teimosos, não se curam, explicou o director ao nosso
repórter. Ora como se tem de reportar à União das Hortaliças as taxas de
produtividade de tudo, incluindo as fraldas para bebés, um hospital que receba
muitos doentes que não se curam, é pouco produtivo e portanto tem de ser
encerrado. Por este motivo os hospitais estão agora activamente a tentar
diversificar os seus serviços, oferecendo a quem tem dinheiro e gosto para isso
serviços de restaurante em ambiente de bloco operatório e aulas práticas de
anatomia, instalações para treino de corridas de obstáculos em que as pistas
são os corredores e salas de espera e os obstáculos os doentes e as macas com
ou sem ocupação (recebem-se mais pontos se o atleta passar por cima de maca com
doente a dar as últimas ou cercado por um batalhão de estagiários a substituir
em serviço de turno os médicos que não foram contratados, cursos de arranjos
florais para funerais e visitantes a mamãs acabadas de o ser, tabacarias e
papelarias lux nas antigas salas de triagem, lojas de modas e trajes académicos
nas antigas dispensários farmacêuticos e salas de enfermaria com vista para os
átrios cheios de doentes com teias de aranha por mor das listas de espera,
entre outras futuras oportunidades de diversificação de receitas. Por este
motivo, também não se pode perder espaço com doentes crónicos ou terminais,
pelo que estes estão a ser enxotados para a rua por impacientes e musculados
seguranças que têm ordens expressas para não os deixar entrar. As enfermarias
onde dantes poderiam ser acomodados durante os períodos mais críticos da
doenças são necessárias para estas outras actividades acima referidas. Mas como
a produtividade também se mede pelo número de clientes, perdão, doentes que se
atendem, mesmo aqueles que são enxotados p’ra rua, os hospitais começaram a
distribuir senhas de espera para a morgue a estes teimosos doentes crónicos que
insistem em depauperar as finanças da república/ economato com as suas doenças.
Assim, aos lucros obtidos por todo o outro mechandising
e actividades económicas no espaço hospitalar, poderão acrescer-se também as
taxas de mortos atendidos na morgue. Enquanto não morrem, lavam e limpam as
instalações, colocam etiquetas nos que mais patrioticamente os precederam,
confortam as famílias enlutadas, arquivam e registam os objectos pessoais dos
mortos para devolução futura, fazem coroas para os caixões e tratam de toda a
burocracia com as funerárias. Evidentemente, até no Economato das Seringas há
sempre os malfadados descontentes e revolucionários que estão do contra. Sem
surpresa, os supositórios, que são uns penetras de todo o tamanho, já vieram
contestar as novas práticas pois perderão muitas oportunidades para penetrar e
andam já, subversivos!, a congeminar pelos becos esconsos, formas de boicotar
esta nova e tão louvável política das suas colegas seringas.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Queremos
Dar Um Ano de Férias (sem salário) Aos Nossos Esforçados e Dedicados
Funcionários Públicos
Na República dos Hambúrgueres,
governo e senadores, num gesto de reconhecimento pela dedicação e mérito dos
seus funcionários, decidiram dar um ano de férias sem vencimento a todos os
servidores do Estado, para tanto cortando os cordões à bolsa e deste modo
levando ao obrigatório de todos os serviços desnecessários como os de
imigração, educação, saúde pública, turismo e protecção aos monumentos
nacionais, vigilância e protecção dos tesouros nacionais e serviços de
policiamento. Em contrapartida mantiveram no activo os serviços de cobrança de
impostos, espionagem (secreta mas entretanto descoberta) das vidas privadas dos
cidadãos, fabrico de armas e outros serviços essenciais. A razão desta súbita
paralisia, que pode parar o mundo pois se os Hambúrgueres não continuarem a
endividar-se não há dinheiro para pagar os juros aos outros países, e a
República dos Hambúrgueres é só a nação mais caloteira de todas, deveu-se a uma
pequena birra entre senadores e governo. A birra nasceu do facto do presidente (um
doido colorido com terríveis ideias humanistas, e no mundo actual o humanismo,
essa perigosa doutrina política, está PROIBIDA para bem dos mercados e dos
desvios de capitais) ter a peregrina ideia de que agora toda a gente deve ter
direito a cuidados de saúde básicos em vez de deixar que as seguradoras
decidam, em função dos seus lucros, quem está doente ou não, ou quem tem ou não
perfil para ser tratado. Também teima que aqueles que porventura percam os
empregos porque os gestores decidem deslocalizar fábricas para outro lado ou
entraram em experiências financeiras com elevados retornos para o conselho de
administração mas sem investimentos na melhoria da mercadoria produzida, também
devem ter o mesmo direito, ao contrário do que agora sucede. Pois se um madraço
perde o emprego porque o conselho de gestão da empresa decidiu aumentar os
lucros e ir enfiar a unha a papalvos para outro lado, tem lá agora direito a
ser apoiado na doença? Um desempregado não deve ter direito a nada pois é uma
mancha sorvedora do PIB, ora essa! Mas o presidente recusa dar ouvidos ao bom
senso, amuou com os senadores e estes (que felizmente nunca correm perigo de
ficar desempregados) amuaram também e disseram: “não aprovamos o orçamento do
serviço de saúde para desempregados, não aprovamos, não aprovamos, e prontos!”
E fecharam a cadeado as portas do senado, antes de marcharem dali para fora em
cortejo de limousines, imitando os buzinões pelintras das revoltas de
automobilistas aqui do nosso nabal. O seu último acto legislativo foi o de
aprovarem um ano de férias sem vencimento para todos os funcionários públicos,
que assim também perdem o direito ao apoio na doença, o que é excelente para
reduzir a despesa do país. Infelizmente o amor à pátria já não é o que era
entre os hambúrgueres, pois estes, ao fim de dois ou três dias, começaram a
vociferar contra os amáveis senadores que até lhes haviam dado férias não pagas
e tudo. Pode haver lá maior ingratidão e falta de patriotismo?! Mas felizmente
nem tudo está perdido para os hambúrgueres. E às vezes as boas surpresas surgem
de onde menos se espera. Neste caso, e após duas semanas de férias à força dos
polícias, o Sindicato Federal dos Ladrões, Mafiosos, Gangues de Droga, Limpeza
de Capitais, Crimes de Colarinho Branco e Profissões Similares deu a conhecer
em comunicado na TV, o único meio de comunicação de peso para os hambúrgueres,
o seu total apoio à bondade do governo em dar férias aos polícias, prometendo
aproveitar a oportunidade para expandir as áreas, mercadorias e volume de
negócios para manterem o elevado PIB (e também a dívida pública) da nação. Os
senadores, sensibilizados pelo patriotismo desta classe laboral tão
vilipendiada vieram já agradecer o apoio dos FLMGDLICCBPS e instar os
funcionários públicos, esses madraços, a manterem-se nos postos de trabalho,
trabalhando (os locais de trabalho não são casas de abrigo, para isso têm os
vãos das pontes) sem salário durante todo o período em que durar o shutdown, perdão, as férias não pagas
dos serviços públicos. Quem disse que os criminosos são perniciosos à
sociedade? terça-feira, 24 de dezembro de 2013
A União das Hortaliças continua a
ser um grande exemplo na defesa do meio ambiente para a comunidade mundial, o
que nos dá esperança de que se a União fizer sozinha o trabalho todo, podemos
estar descansados quanto às alterações climáticas e deste modo nada mudar em
termos da economia e sociedades mundiais, podendo o resto do plante continuar a
poluir, criar gigantescos campos de monoculturas pertença não dos antigos
habitantes dessas regiões mas de internacionais agro-combustível-alimentares,
sendo os seus habitantes levados a migrar para bonitos ambientes citadinos de
bairros de barracas, de onde são desalojados sem aviso às 4 da manhã por buldozzers e forças da ordem, e
auxiliares inidentificáveis, todos devidamente bem armados pois os andrajosos
são fauna perigosa mesmo que esteja a dormir e de arma apenas possua os restos
dum pão velho e bolorento apanhado após grande luta, num dos caixotes do lixo
do Hotel Luxury na baixa da cidade. Ou seja, se a União continuar a defender
assim meio ambiente, o resto do mundo poderá abraçar o cenário business-as-usual e o planeta continuará
a ser destruído mas… imediatamente antes do fim deste haverá espectaculares
possibilidades de negócio, incluindo a venda de bilhetes para as Arcas de Noé
da altura, as quais poderão ser barcaças (para os pobres) ou luxuosas viagens
para as estações orbitais que estejam já em funcionamento na altura (para
turistas ricos). Pois sucede que a União das Hortaliças, para estreitar ainda
mais os laços entre os seus países constituintes (e também o baraço de forca
para alguns destes) decidiu criar um Espaço Aéreo Único onde todas as aeronaves
se sintam irmãs e viajem à vontade, como se sobre um único e vasto território,
sem as habituais atrapalhações de transição entre países vizinhos com horários
e idiossincrasias próprias. O que interessa criar na União é uma uniformidade
tal que as diferenças culturais e regionais desapareçam, incluindo até as que
as incorrigíveis maçãs, alhos e pepinos têm o hábito de apresentar. Apenas, e
porque na Capital do Tacho há sempre imenso trabalho a fazer e não se pode
pensar em tudo, os relatores fizeram lindos relatórios a louvar as vantagens da
medida, com provas de como o mundo se tornará num lugar ainda mais radioso pela
sua implementação mas… esqueceram-se por completo de escrever o manual
instruções para fusão dos diferentes serviços nacionais de controlo aéreo,
ainda mais bagunçados do que o usual pois também estes estão a ser privatizados
e cada empresa tem os seus métodos próprios para alcançar lucros, sendo os
únicos comuns: despedir controladores aéreos e abater radares doppler e dos
outros pois poupa-se nos salários e no uso e manutenção destes equipamentos,
que se podem vender para as forças armadas (mais lucro); se ocorrerem uns
acidentes aéreos de vez em quando, isso até é bom pois promove as indústrias
aero-espaciais, as de caixões e flores e fornece tema de abertura de
telejornais durante vários dias, mantendo a população entretida com as
tragédias. Como os controladores aéreos que anda não foram despedidos ficassem
sem saber como a partir de agora tinham de fazer o trabalho, e porque são uns
subversivos de todo o tamanho, entraram em greve desculpando-se com a conversa
de que caso desatem a cair aviões de empreitada as culpas lhes serão todas
atribuídas (afinal se são pagos é para arcarem com as culpas mesmo se os aviões
estiverem a cair de podres por falta de manutenção, ora essa!). Assim, o dia da
inauguração do Céu Único das Hortaliças amanheceu com… todos os aviões em
terra. O sindicato das aves ficou extremamente feliz com esta novidade, pois não
precisaram de fugir das aeronaves nem temer serem sugadas pelas suas turbinas ou
desfeitas pelas suas hélices e todas levantaram voo para celebrar o evento. E
escreveram já uma carta à presidência da União das Hortaliças a declararem o
seu entusiástico apoio a esta medida e a sugerir que todos os dias se faça a
inauguração deste Espaço Único. Enquanto os dirigentes da União se debruçam sobre
a carta, ilegível porque as aves só escrevem com os pés, os serviços de
meteorologia de todo o continente registaram uma invulgar ocorrência de queda
de poias sobre casacos, chapéus, carecas e cabelos.segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Saldos de Fim de Estação Para um T4 no Sol com Brinde de Mar em Propriedade Horizontal a 100 Milhas da Ilha dos Cagarros: Aproveite as Últimas Oportunidades!
Estamos em condições de noticiar aos senhores investidores novos nichos de mercado no universo das privatizações que irão com toda a certeza inaugurar uma nova era de abundante prosperidade mundial (só para alguns). Esta nova era foi iniciada por um visionário fundo de investimentos que acabou de contratualizar com a construtora Malucos & Cia a comercialização de uma cidade inteira de apartamentos a serem construídos no Sol e que serão postos à venda no mercado por um Gogol de conquilhas (não, não é Google, é gogol: se quiserem saber quanto é um gogol sempre podem ir ao Google). São espectaculares apartamentos, com vista para a fornalha solar, com garantia de periódicas explosões e ejecções de núvens de plasma e radiação que dá para fritar várias Hiroshimas por segundo. Serão revestidos a titânio e marfim e a sua principal atracção, além de não ser necessário consumir energia no Inverno pois os apartamentos estão naturalmente aquecidos dada a sua localização, é a de se poderem fazer apostas sobe quantos minutos os ditos aguentam sem se transformar eles próprios em plasma ou rebentarem como os cometas que não regulam bem das órbitras e decidem fazer voos razantes à nossa doce estrela. São apartamentos dirigidos para o segmento de mercado “gente selecta e com dinheiro a mais que não sabe onde o derreter” e naturalmente terão como privilégio exclusivo o de privatizarem a luz do Sol que passe pelo seu apartamento. Dada a distribuição dos condomínios em questão, o Sol ficará com um lindo padrão reticulado, sendo a luz que chegar à terra a que conseguir passar pelos espaços vazios. Além disso, apra atrair investidores, garante-se que os habitantes pindérico que vivem na Terra não poderão usufrui da luz do Sol na área equivalente de eclipse solar que esses condomínios deverão projectar na superfície. Considerando a distância, amplas áreas da terra ficarão assim sujeitas a imposto de uso do Sol, a ser pago ao dono de cada condomínio associado, o qual não precisará de deduzir nada para o respectivo estado. Assim, um agricultor que queira fazer crescer as suas culturas deverá pagar o Imposto de Clorofila, os veraneantes o Imposto de Bronzeamento e Pele de Lagosta, os doentes em recuperação o Imposto de Vitamina D, as árvores o Imposto de Folha, os bichos o Imposto de Aquecimento das Baterias e as algas e fitoplâncton o Imposto de Fotossíntese e Alimentação. Por seu turno o vento deverá pagar imposto a todos os condóminos solares, o qual será à taxa de 25% e se designará Imposto de Baixa Pressão ou Imposto Anticiclone, dependendo do vento. As Auroras boreais pagarão o Imposto Especial de Fogo-de-Artifício. Como se compreende, dado que todos estes impostos serão pagos à iniciativa privada, ou seja, dos condóminos que investiram em casas no Sol, estão estes apartamentos já todos vendidos ainda antes de se terem lançado os alicerces. Contudo estamos em condições de anunciar que ao largo da Ilha dos Cargarros se estão neste momento a vender propriedades horizontais (quando não há ondulação), onde os futuros proprietários construirão hotéis e resorts turísticos, assim como campos de golfe e SPAs. Serão direccionados a uma clientela de luxo, habituada a offshores e outros territórios marítimos de águas turvas. Sendo proriedade privada os habitantes locais da Ilha dos cagarros que costumava pescar nessas águas estarão agora sujeitos a imposto. Assim os cagarros e outras aves de arribação, pagarão o Imposto de mergulho e Asa Torcida, os tubarões, o Imposto de escama e os golfinhos, baleias e orcas o Imposto da Mama dado que são mamíferos. Os peixes só poderão permanecer nesses territórios quando não incomodarem os clientes ou estes peçam expressamente a sua comparência para tirar fotografias e serem assados, ou grelhados na brasa. Além disso, pelo privilégio de nadarem nas águas que no passado foram suas, apenas quando não incomodarem, deverão pagar o Imposto de Barbatana, o Imposto de Guelra, O Imposto de Escama, o Imposto de Olho Choxo, o Imposto de Tinta, o Imposto de Espinha, o Imposto de Desova e quaisquer outros impostos que os agora donos do mar decidam lançar à população aquática. Os impostos, de novo se frisa, são pagos aos donos do mar e não aos respectivos estados. Fontes fidedignas informam que estas novidades são do desagrado dos peixes, os quais são perigosíssima força revolucionária, que já se organizou para apresentar um abaixo-assinado à Organização da Nações Desunidas contra este monopólio do mar e a excessiva taxação de impostos que os deixará reduzidos à espinha. As cianobactérias, mais adeptas da acção radical, deram de se multiplicar desordenadamente, tendo criado marés de várias cores, o que está a perturbar o andamento dos negócios. Esperemos sinceramente, para bem do mundo dos carcanhóis, que esta petição não passe da entrada e os peixes proponentes sejam bem depressa apanhados e postos a assar na grelha, pois o tempo dos direitos, humanos ou animais, acabou. Quanto às bactérias, apoiamos a resolução de as bombardearem com tambores de petróleo a verter por todos os lados, a que se seguirá uma generosa chuva de naplam.domingo, 22 de dezembro de 2013
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| fonte: jequiereporter.br |
sábado, 21 de dezembro de 2013
Temos a anunciar mais um
estrondoso sucesso na campanha de ajustamento dos nabos à extrema do canteiro,
como quer o hortelão. Desta vez o negócio envolveu a venda de cartas e selos
decoradas artisticamente com ramas e grelos dos ditos, para aguçar o apetite
dos eventuais compradores. A venda foi um sucesso, com muitos compradores a
lançarem a sua oferta no leilão dos selos, e o governo do nabal veio logo
anunciar a boa nova aos seus cansados súbditos pois que as boas notícias são um
bom reforço de moral para a continuação do programa de
ajustamento/emagrecimento, cujo fim ainda não foi decidido, no caso por sorteio
de vermelhinha. Súbditos esses que não prestaram grande atenção à nova do
sucesso porque já se cansaram de jogar às apostas sobre os erros de previsão de
todos os especialistas, a começar nos nabos governantes e a acabar nos da
Tripeça e do Fundo Mundial da Agiotagem. Assim, enquanto os nabos continuavam a
lutar por umas gotinhas de água e os nabos governantes repetiam uma e outra vez
a fórmula do sucesso de vendas, para esconjurar o enguiço e mau olhado que
parece ter atingido o nabal, pois tudo ali teima em dar p’ró torto e engelhar
as ramas, o negócio dos selos e ia de vento em popa. Infelizmente o sucesso foi
de pouca dura porque logo no dia seguinte o preço dos selos e das cartas
decoradas baixou nos mercados – dando razão aos nabos que trabalhavam no serviço
postal e que não embarcaram em comprar grande coisa, talvez porque até nem
tinham com quê – e quem se julgava já a subir na classificação da Forbes teve
de despedir o mordomo com as torradas da manhã. Além disso correm rumores na
Rede-de-Pesca de que os nabos vendedores desta primeira leva de selos e cartas
decoradas com rama de nabo, terão muito provavelmente de voltar a comprá-las
(imagina-se que mais caras do que quando as vendeu) pois os compradores estão a
reclamar da cola de selos e sobrescritos. Mas mantenham a calma, não há razão
para alarmes: a venda do material de correio foi um sucesso!sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Reportagem especial do nosso correspondente
desportivo na Metrópole do Tacho:
No estádio e sede da União das
Hortaliças decorre hoje a segunda fase do Campeonato da Culpa. Na primeira fase,
subordinada ao tema: “vocês estão mal mas a culpa é toda vossa, calões que
vivem acima das vossas possibilidades”, foram apurados a República Democrática
dos Nabos, a Democracia da Moussaka, com um destacado 1º lugar, a Ilha das
Cabras, a República dos Trevos, o Potentado da Paelha e a Monarquia dos
Raviolis, com o quase apuramento da Confederação dos Veados e os já recordistas
da crise: o Império dos Cavalos e a Federação Socialista do Goulash. Como se
vê, um campeonato muito concorrido e com políticas de jogo variadas, em que por
exemplo a Federação do Goulash varre os seus cidadãos para fora das fronteiras
e no Império dos Cavalos se fazem culpados os Ovos Estrelados, o Povo das
Carroças e estrangeiros em geral mesmo que já os tetra-avós tenham nascido no
país. Os árbitros desta primeira volta foram, como habitualmente, os chefes da
União das Hortaliças e o Fundo Mundial de Agiotagem, até porque é este último
quem paga a electricidade do estádio. Porém, no início da segunda fase os
árbitros desentenderam-se por causa das regras do jogo e começaram a disputar
um campeonato só deles, deixando as equipas pasmadas a olhar para os novos e
inesperados adversários. O Fundo Mundial de Agiotagem abriu os festejos, indo
ao meio campo, de dedo em riste para os chefes da União das Hortaliças,
atirando para jogo “vocês são os culpados de tudo! Nós dissemos para pararem
com o aperto do cinto às equipas! Agora admiram-se delas não conseguirem
correr” ao que a União das Hortaliças respondeu: “os culpados são vocês! Usaram
a tabela do merceeiro Madoff e quando souberam que ele é um troca-tintas e que
as contas eram falsas continuaram a impôr as mesmas regras, apesar de saberem
que estavam erradas!”, momento em que os árbitros teriam começado à canelada e
aos bofetões não fossem os meninos bonitos da República dos Nabos meterem-se de
permeio e pedirem, muito de mansinho: “por favor, posso ir aos balneários
trincar qualquer coisinha? É que estou cheínho de fome!” Isto bstou para que os
árbitros arregaçassem as mangas e ordenassem “não, senhor, não vais nada,
começa mas é a jogar como te mandamos”, o que é um pouco difícil, dada a
tremenda fraqueza de gâmbias de que os nabos sofrem desde o início do
campeonato e que se tem vindo a agravar. Nesta altura a claque da Moussaka já
uivava, gritava “fora os árbitros”, atirava cocktails molotovs e bombas
incendiárias para o relvado e nas bancadas ia dando cabeçadas aos fãs do
Goulash e molhavam a sopa nos adeptos da República das Batatas, que é quem anda
a subsidiar os jogos e a escrever as regras mas ninguém sabe e por isso parece
ser apenas mera e imparcial fiscal de linha. Ora isto caiu muito mal aos nabos,
que se enervaram e começaram a protestar por causa das regras de jogo mas
ninguém lhes ligou nenhuma pois todos sabem que vozes de nabos não chegam ao
céu. Os nabos afirmavam que se não os deixassem petiscar qualquer coisinha morreriam
de fome e depois sempre queriam ver como continuaria o campeonato. Os do Fundo
afinaram: “de acordo com os números que nos deste da tua pesagem, tu já comeste
e até demais”. Nessa altura a República das Batatas acenava frenética um fora
de jogo e cartão encarnado aos avançados de todas as equipas, evento estranho
dado que as equipas estavam no meio do relvado, mudas e quedas, a tentar
perceber quando é que os árbitros voltavam a arbitrar, com a excepção dos nabos,
que juravam terem dado a pesagem toda, o Fundo é que estava a fazer as contas
pela pesagem do início do campeonato, não pelos números actualizados. A União
das Hortaliças enfureceu-se e disparou para o Fundo “isto já devia estar a correr
de acordo com as regras mas afinal as tuas regras não ajudam nada, se aqui os lingrinhas
dos nabos não correm, a culpa é vossa, que não os deixam ir comer para os
balneários!” O Fundo da Agiotagem respondeu, ignorando os apitos da fiscal de
linha batatense, que estava a ficar muito marefada por não lhe ligarem nenhuma,
que os das Hortaliças é que eram o problema pois não arbitravam nem deixavam
arbitrar, o jogo estava naquela confusão só por causa deles. Estes não gostaram
e perguntaram aos do Fundo que raio de regra era aquela de fosse o jogador
gordo ou magro, grande ou pequeno, tinham todos de emagrecer exactamente o mesmo
e pesar exactamente o mesmo antes de entrarem em campo? Estava-se mesmo a ver
que os jogadores mais pequenos ficavam em desvantagem pois teriam de emagrecer
até ao osso, quem fora a luminária que tivera tal ideia, porventura a mesma que
impusera as tabelas de cálculo do merceeiro-charlatão Madoff? Os do Fundo atiraram-se
aos pescoços das Hortaliças e a fiscal de linha batatense, farta de apitar para
o boneco, meteu-se ao barulho e exigiu que cada um começasse a fazer aquilo
para que fora contratado: os árbitros para arbitrar e as equipas para jogar. As
atenções de todos centraram-se por fim na fiscal, calorosamente odiada pelos
moussakenses que não são parvos e já toparam o jogo dela à légua, e enquanto as
bancadas se envolviam à pancada desde os bancos junto ao relvado até lá acima
ao camarote presidencial, e as equipas imitavam em campo os seus adeptos, o
Fundo da Agiotagem e a União das Hortaliças atiraram-se para cima da fiscal,
acusando-a de fazer regras muito difíceis de cumprir e demasiado exigentes para
o tipo de atletas em campo. Os atletas não gostaram disto e se já andavam ao
soco uns aos outros, decidiram alargar o seu campo de acção e vá de malhar na
União e no Fundo e já agora também na fiscal de linha. Esta, esquivando-se a
dois socos, uma placagem e uma rasteira apontada às virilhas, gritou como no
passado o Batata Podre fizera nos estádios para multidões delirantes: “Eu não
quero saber do que vocês dizem, eu vou mas é convocar eleições para os corpos
gerentes desta chafarica e serão os meus todos que lá ficam a mandar porque só
as batatas é que são competentes, trabalhadoras e honestas!” Tal afirmação caiu
muito mal em campo, nas bancadas e em particular entre os árbitros. Em uníssono
ameaçaram-na de morte e esta corre agora os quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O Ministério da Desiducação da
República dos Nabos acaba de lançar uma medida que muito ajudará a classe
docente a enfrentar os desafios do futuro. Trata-se nem mais nem menos do que a
Prova de Aferição de Competências para Preenchimento de Minutas dos Centros de
Desemprego, e que tão necessárias se têm revelado aos membros desta casta
laboral, pois vivemos num sistema de castas, embora embuçadas, e os professores
pertencem ao grupo das mais baixas. Inicialmente a prova iria avaliar as
competências pedagógicas dos professores mas na empresa responsável pela
realização de todos os testes que andam aí pelo mercado, incluindo os testes de
compatibilidade matrimonial, do pé chato e da personalidade do dedo mindinho,
ou fizeram confusão com o pedido ou trocaram o registo da encomenda e o que
saiu foi uma prova para avaliar… o estofo do candidato a descortinar preços de
supermercado, normalmente encriptados sob a forma de código de barras e que nem
o Langdon é capaz de descodificar. Os professores protestaram, o ministério
tapou as orelhas para não ouvir os protestos, houve visitas guiadas ao
Ministério, em que os guias faltaram ao trabalho e os guiandos, isto é, os
professores, tiveram de encontrar sozinhos o caminho através dos corredores
numa ofensiva táctica que ficou conhecida por “invasão” e que os adeptos do
Clube das Quinas já treinam com afinco para o próximo Mundial. As provas foram
devolvidas à procedência enquanto a Tripeça protestava pelo atraso no
despedimento dos profs. que deveria ser efectuado logo após a realização das
provas (não sendo necessário sequer conhecer os resultados, pois os
despedimentos serão efectuados por sorteio). Para não zangar mais os senhores
da Tripeça, que andam com os fígados desarranjados por causa da moussaka
picante que tiveram de engolir na última viagem turística ao país rebelde, a
empresa dos testes enviou nova remessa que, quando os lacres foram abertas já
nas salas de exame, demonstraram ser provas para… avaliação de competências de
organizadores de quermesses de aldeia. Novo sururú, os professores a saírem em
fúria das salas, a dizerem que não faziam as provas e retorno ao remetente dos
testes em questão. Por fim, podemos anunciar, os testes certos estão cá fora e
são os correctos, à terceira é de vez! Trata-se de provas de aferição das
competências para preenchimento dos formulários do Centro de (Desesp)Emprego
local, competência muito necessária para os actuais professores, pois o
desemprego é o seu futuro, dado que no nabal se considera agora que pôr os
nabos a estudar não é importante, ou eles ainda emigram todos e depois quem
fica para limpar os cinzeiros dos Srs. Nabos-ministros? As provas também não
terão de ser prestadas por todos os professores mas paenas por aqueles que o
sorteio dos resultados anteriormente à feitura da prova, determinou virem a
estar chumbados e portanto a serem varridos para os ditos Centros de
(Desesp)Emprego. A Tripeça veio já elogiar os esforços do Nabal para limitar o
ensino de qualidade apenas à casta de nabos superiores, e de reduzir o ensino
efectivo a toda a gente pois gasta-se muito pilim nessa actividade inútil e
nada rentável, a menos que esteja a ser gerida por consórcios de sociedade
anónima e limitada. Os professores excedentários poderão ser encaminhados para
lixeiras, para andarem aos papéis, seguindo os bons exemplos do País das Vacas
Sagradas, um dos BRICS, onde nove décimos da população (e garanto-vos que são
uma data de gente) vive abaixo do limiar da pobreza e nunca de lá sairá. O
facto de haver toda esta gente a viver das recolhas nas lixeiras não ter
qualquer impacto na carga poluente que se despeja por todo o lado e de qualquer
maneira naquele país, nem na redução do número e tamanho das lixeiras, ah, bem
é apenas mais um daqueles fenómenos económicos que nos é explicado como “uma
situação imprevista mas tranquilizem-se, isto é tudo muito racional”.quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Há um grande sobressalto na
Democracia dos Tigres, por causa das recentes declarações do chefe da banda da
União das Hortaliças, da qual os Tigres fazem parte, embora para grande receio
dos restantes membros que não confiam nem um bocadinho nos apetites do país
irmão, apesar dos seus representantes jurarem ser exclusivamente carnívoros
pois todos sabem como se devem ter em conta os juramentos dos diplomatas da
União. O sobressalto foi causado pelas recentes declarações dum respeitável
líder da União que disse para quem o quis ouvir – e os jornalistas estavam
tooodos lá – que no Parlamento dos Tigres há grupos de revolucionários, como se
estes copiassem ao pormenor a moda explosiva dos idos de 1900, quando os
revolucionários tinham, por estatuto e dever, cultivar paixões pirotécnicas.
Tais afirmações causaram naturalmente grã preocupação entre os tigres porque
quem de bom senso quer revolucionários nos órgãos de decisão, se neste nosso
admirável mundo novo ser revolucionário é uma doença muito pior do que a peste?
Até porque se desconhece se não será maleita contagiosa e depois… Ora o que são
necessárias são leis estimulantes, contra-revolucionárias, que façam a
felicidade dos mercados, quem quer que eles sejam e quem não aproveitar a onda
é um tolo e não se deve queixar se depois ficar esfolado. Logo a seguir, e
mostrando ter as preocupações em sintonia com o chefe, vários deputados do
parlamento da União vieram sublinhar que não havia apenas revolucionários no
hemiciclo dos tigres mas também no Tribunal dos Malucos Local e que os tigres
malucos tinham de ser presos e encerrados numa catacumba no mais fundo do mais
fundo castelo e deixá-los lá a cantar para as pulgas a ver se estas os
alimentavam (alimento de fora não se lhes deveria dar) para perderem a teima de
dar tiros nas resoluções governativas. Porque era das tais coisas, pode haver
uma Constituição dos Tigres mas o que é isso perante o que desejam os mercados,
hum? Os mercados é que mandam e se as leis se opõem a estes matam-se as leis,
ora essa! São as leis que são ilegais, não os mercados! E se as resoluções
governativas fazem os tigres passar fome e perder anos na esperança média de
vida, então emigrem! Aliás, se o Tribunal dos Malucos dos Tigres continua a
chumbar as ideias do governo local, então é que se entra por ali dentro com
novo saco de dinheiro e obriga-se a apertar mais os bigodes, a cintura e os
rabos dos tigres e não há cá ginjas. Comprovando a justa visão destas sumidades
de gabinetes de estilo, os mercados, na forma dos chefes de grupo locais dos
tigres, e que andam a fazer tudo para se aumentarem os horários de caçada
individual para o chefe sem aumentar as partes a repartir com os caçadores,
vieram também dizer que sim senhora, o Tribunal dos Tigres Malucos estava na
hora de ser encerrado, porque enfim essa coisa da constituição é um livros
muito bonito para ter na estante e mostrar às visitas mas não serve para nada,
e se os estrangeiros embirram com o que lá vem escrito, o melhor é mudá-la ou
melhor ainda, para evitar despesas com a edição dos novos textos, acabar de vez
com essa coisa da constituição e passar a legislar conforme der na bolha aos lobbys de momento. E se alguém disser
que isso será a lei da selva, ah, bom, eles eram tigres, porventura não estavam
habituados à selva? Era importante acabar com a Constituição já e usar os
actuais textos como casa de banho sem cheiro (como se sabe o papel absorve os
cheiros do que lhes façam em cima, como provam as casas de banho dos gatos,
esses felinos infiéis de trazer por casa). Mas alguns tigres patriotas deram em
protestar (há sempre destes desmancha-prazeres). E talvez com receio que os
tigres pudessem de repente tornar aos seus hábitos e desatar a mascar todos os
deputados da União, o chefe da banda. Que primeiramente dissera que se o
Tribunal vetasse as novas ideias do governo estava o caldo entornado, acaba de declarar
que não senhora, compreenderam-no mal, a ele e aos camaradas do seu parlamento,
não há pressão alguma sobre o Tribunal dos Tigres Malucos, na União o respeito
pelas leis e soberania nacional dos seus estados é sagrado, mesmo que depois à
porta fechada os estados sejam forçados a deitá-las para o lixo. Houve surpresa
perante tais declarações e os jornalistas de investigação perguntam-se em que
universo alternativo andará a viajar o líder da banda da União das Hortaliças.
A ser verdade, tal facto inaugurará um novo mercado de turismo, sito nas
amplidões cósmicas, assim que ficarmos assegurados que a viagem através do
portal dos delírios é segura para clientes sem preparação prévia de
astronáutica.
fonte: NASA
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Estamos finalmente em condições
de revelar o contrato de casamento do casal real da República Federal das
Batatas. Foi difícil e exigiu numerosas e complexas operações undercover, porque roubar os jornais da
Banca da Ti Chica na Cidade da Cerveja é tudo menos tarefa para espiões no
frio. É um contrato que fará as alegrias dos súbditos, dadas as numerosas
disposições legais que possui e que foram longamente negociadas entre as duas
famílias imperiais. Espera-se aliás que o anúncio das medidas que a partir do
feliz himeneu passem a vigorar no país levem os súbditos a fundarem uma segunda
tradição que certamente será chamada de Festa de Cerveja do Inverno,
concorrendo seguramente com as famosas e animadas Feiras de Natal locais, que
tantos turistas atraem ao país nesta fria altura do ano. Pois reza o contrato
as seguintes disposições: 1º A partir do momento do “Enfim Sós…” todos os
súbditos terão direito a uma jorna mínima, seja qual for a profissão e local de
trabalho no reino. 2º A idade para finalmente deixarem o trabalho das corveias
e irem para o quentinho do fogo repousar baixa 5 anos face à actual, sem
redução das tenças por aposentação que actualmente se atribuem aos duros
súbditos que lá chegam. 3º O pão e a cerveja passam a ser gratuitos. 4º A ida
às meninas passa a ser taxava com o IVA da tabela para os produtos alimentares
pois isto nem só de pão vive um home.
5º Subsídios para viagens ao estrangeiro, seja ou não para encontrar meninas
exóticas (não poderão trazê-las contudo para a República Federal pois isso
encorajaria a vinda de imigrantes). 6º Terão direito a Tença de Doença, cada
vez que estejam como o nome indica, tendo direito a hospedagem e tratamentos
gratuitos nas termas locais, herdadas das explorações medicinais romanas e outras
descobertas posteriormente (com direito a participarem gratuitamente ou a
preços reduzidos em eventos folclóricos, culturais e venatórios). Estas medidas
destinam-se naturalmente só aos súbditos nativos do reino, pelo que os
estrangeiros que lá residam e trabalhem não serão, também naturalmente,
agraciados. Em simultâneo, para os países que necessitam do ouro da República
Federal das Batatas para serem resgatados das caves de escravos dos navios
pirata, e que serão pagos a juros muito gordos para salvar os bancos quase
falidos da República (eh, isto é segredo!), é exigido precisamente o contrário
de todas estas medidas e ainda a suspensão de todos os direitos, liberdades e
assistência social e/ou de misericórdias. Isto está em total acordo com os
ensinamentos de frei Abóbora, capelão-mor da imperatriz. Aqui deixamos o nosso
voto de longa vida, prosperidade, saúde e muitos meninos, todos homens viris e
façanhudos, ao bom casal real. De joelhos solicitamos a autorização para entrar
no próspero reino apenas como turistas e aí deixar todo o nosso dinheirinho na
próxima Festa da Cerveja do Outono. segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Pois para evitar aos grandes e
famosos o incómodo de multidões de fãs a gritar, a empurrar e a apertarem-lhes
o cerco, agitando canetas e blocos e gritando o nome do seu ídolo, decidiu o
sábio governo do nabal criar um site de recolha de autógrafos para vender, com
IVA a 25%, aos craques e afins do mundo inteiro, operação que decerto tratará
as muito necessárias divisas cá pr’á horta, pr’ó hortelão comprar os adubos
para botar na raíz dos nabos importantes (os outros que se desenrasquem co’ as
sobras). Isto mesmo foi hoje divulgado quando se noticiou no Nabal que o Portal
da Denúncia da Corrupção/Desvio de Adubos não funcionava porque as denúncias
todas que lá caíam e que configuravam crimes de corrupção e similares de todos
os tamanhos e feitios, eram simplesmente catalogados em função do nome do
denunciante e do respectivo IP de envio da queixa, sendo o protesto enviado ao
corruptor e corrompido devidos para processarem o queixinhas (falha de carácter
que já é odiosa nos bancos da infantil, mais o devendo ser em idade adulta),
assim como ao craque futebolístico, ou actor/actriz de telenovela mais próximo
do local de residência do queixinhas pois o Portal, de acordo fonte da
administração do site, era para ter o título Portal de Recolha de Autógrafos
mas os responsáveis tiveram receio que os ídolos de todo o mundo intentassem
providências cautelares em tão grande número que o Portal ficasse inoperacional
antes mesmo do bite de inauguração, que é como quem diz, primeira dentada. Foi-nos
também revelado que este procedimento deu já origem a numerosos processos de
difamação, que correm actualmente nos tribunais e diversas ordens de restrição
que impedem o queixinhas de se aproximar do craque, actor e/ou actriz a menos
de domingo, 15 de dezembro de 2013
Os Vizinhos do Sul, as Ilhas do
Nascer do Sol e o Império do Arroz têm andado aos arrufos por causa dos
direitos de ocupação do Mar do Arroz, o que tem levado a República dos
Hambúrgures a voos charter frequentes
na zona para os turistas poderem apanhar as primeiras fotos do eventual início
da zaragata, porque até ontem era de crer que mais cedo ou mais tarde o
desaguisado entre as três potências em causa iria dar molho pela certa. No
entanto, para não perder passageiros, nem irritar o Império do Arroz que é dono
de colossal fatia da dívida pública da República dos Hambúrgueres (julgavam que
os caloteiros eram só os países do sul da União das Hortaliças?), esta belicosa
República decidiu passar a informar o Império sempre que os seus aviões e
cidadãos vão ao Mar do Arroz tirar fotografias das hostilidades, de modo a que
os fiéis súbditos do Império possam preparar-se atempadamente para ficarem bem
na fotografia. Naturalmente serão pagos royalties
ao Império do Arroz – embora não aos seus cidadãos pois o contributo de cada um
para a economia não é do contribuinte mas do imperador do grande Império – e
espera-se que estas circulem abundantemente no canal Dois Tubos da
Rede-de-Pesca, mesmo que sejam em formato pirata. Entretanto, e como os três
países em questão estavam já a contar armas e um outsider – a Dinastia Democrática da Fome – anda a fazer das suas
aos Vizinhos do Sul, ameaçando partir para a lambada cada vez que o pequeno
imperador local tem dor de barriga, o presidente da República dos Hambúrgueres
começou a ver as coisas muito pretas e ainda mais escuras no que tocava aos
negócios, apesar do lobby das
espingardas, bazucas e outras armas de maior potência (a AAPPPum, na língua
local) tentar por tudo apaziguá-lo de que uma guerra entre aqueles países seria
óptimo para os negócios, decidiu o mesmo enviar o seu camareiro-mor para ver se
acalmava os rapazes e cessavam as hostilidades. Após numerosos voos entre os
países às turras, bonitos banquetes com ampla exibição das criativas
gastronomias locais – que levaram a um substancial aumento do consumo de comprimidos
de alívio da digestão – o camareiro-mor dos Hambúrgueres conseguiu estabelecer
um acordo entre as três partes que foi alegremente celebrado com fogo de
artifício e disparos de baterias de mísseis terra-ar com pequenas ogivas
nucleares para causar mais efeito ao atingirem os navios das marinhas
adversárias. A celebração instituiu um novo marco na resolução diplomática de
conflitos e veio incrementar as economias locais, já de si e por tradição muito
propenas ao jogo, tendo os súbditos das três nações corrido de imediato às
bancas dos apostadores e às casas de penhores para poderem continuar a jogar no
novo jogo. É que a partir de agora as disputas em torno da posse do Mar do
Arroz passam a ser resolvidas por meio de rifas, em que o primeiro sorteado tem
o direito de possuir o mar às 2ª e 3ª feiras, o segundo classificado às 4ª e 5ª
e o terceiro às sextas e sábados, ficando o domingo para a Dinastia Democrática
da Fome, a qual fez já saber que recusa a oferta pois não se irá corromper com
as práticas decadentes do mundo capitalista. Deste modo o domingo passa a ser
reservado para os peixes e para os chatos dos barcos Arco-Íris que passam a
vida a protestar por coisinhas de nada como plataformas petrolíferas à beirinha
do desastre total. Deve este jornal acrescentar que o acordo sofre já de
generalizada contestação por parte do lobby
dos AAPPPum e das companhias aéreas que, desde que se realizou o primeiro
sorteio, deixaram de ter passageiros para ir fotografar a guerra.sábado, 14 de dezembro de 2013
Dr. Jekill & Mr.
Hyde Voltam à Ribalta
Na Tripeça voltou a instalar-se o
desconforto porque o Fundo Mundial da Agiotagem trocou mais uma vez de
personalidade e regressou ao seu alter-ego de Dr. Jekill. São notícias
perturbadoras para o Banco da União das Hortaliças, o segundo membro da Tripeça,pois
se o Fundo Mundial da Agiotagem em vez de fazer agiotagem como consta dos seus
estatutos, desatar a fazer caridade e a distribuir bodo e pão aos pobres, como
é que os pobres bancos podem fazer os seus negócios com as margens de lucro habituais?
É um perigoso risco de retrocesso da economia! Porque bem sabemos, dar bodo aos
pobres incentiva-os a não trabalhar, e se isto se passa com as pessoas ainda
mais é com os países, donde não se pode ser brando, é preciso reestruturar e cortar
as gordurinhas, que isso é bom p’ró
colistról e p’r´coraçãe. Por tais profundas razões a Tripeça decidiu tomar
medidas e chamou um psiquiatra dos à antiga, que não se importa de usar coletes
de força e jactos de agulheta hiper-fria para modificar os comportamentos dos
malucos de serviço, embora haja lamechas que digam que estas práticas são
tortura, mas não vale a pena preocuparmo-nos com isso, na Tripeça são todos
pessoas de bem. Após apurada análise aos seus honorários e um lauto almoço com
o seu paciente, o douto psiquiatra pôde tranquilizar as hostes da Tripeça. Não
se tratava de problema psiquiátrico nenhum por parte do Fundo Mundial da
Agiotagem mas uma simples questão de gestão de imagem. Tudo o que fora mandado
fazer aos países em dieta de emagrecimento super-sónico da Top-Model na berra
era para continuar a fazer; na verdade é até para fazer muito mais, cortando em
tudo o que seja tecido e músculo social, sendo o objectivo a alcançar – sem
negociações para baixar os índices – o de se verem livres de metade da
população, quer por emigração para países ricos que procurem mão de obra ao
preço da uva mijona, quer por alegres campanhas de extermínio chamadas com
muito mau gosto de “guerras civis” pois o mercado do armamento tem também
andado em crise, embora aos distraídos não pareça nada, e é de premente
necessidade e urgência revitalizá-lo. Assim, é tudo para cortar (menos os juros
muito baixinhos aos bancos e o seu resgate por parte dos contribuintes) e com
ainda maior vigor do que antes para ver se o burro se habitua a viver sem
comer, o que a ser alcançado resolverá o problema que já se avista ao longe e
que será a falta global de alimentos. O emérito clínico assegurou aos meios de
comunicação que o paciente está bem, como provou a fotografia em tamanho poster
que mostrou às câmaras, e a sua loucura deve ser incentivada, sendo muito
importante deixá-lo falar sobre erros de cálculo e de previsão sempre que lhe
apetecer, pois de contrário a loucura pode tornar-se furiosa. Quanto às
questões de imagem, aconselha-se apenas à Tripeça que mude de equipa pois os
consultores Dr. Jekill & Mr. Hyde estão ultrapassados desde os tempos da
Rainha Vitória.
fonte: pt.wikipedia.com
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Os Queixinhas Chegaram à Bolsa (à sua e à
minha)
Os mercados foram recentemente
invadidos por bandos de queixinhas, para grande desconforto das vendedeiras do
peixe e dos legumes, que já começaram a arrear a giga e estão a arregaçar as
mangas para uma valente peixeirada. O tumulto deve-se não apenas ao facto da
Micas da Faneca andar numas relações extra-conjugais com o home da Maria da Sardinha e o Tó dos Pêssegos andar a roubar nas
facturas do Zé das Costeletas mas, e acima de tudo, pela promessa que o Chefe
Paulo fizera de ir baixar o IVA nas vassouras e na água para lavar as bancadas.
Só que o IVA não baixou e até há ameaços de que vá aumentar, taxando estes
vitais produtos de limpeza do mercado como artigos ainda mais luxuosos que os
de luxo. Já se sabia que a comida é um bem de luxo, e como tal assim taxado –
pois só consegue arranjá-la quem ainda tem o luxo de possuir muitos carcanhóis
no bolso, os outros ficam a vê-las nas montras, tal como aos relógios, roupas e
outros acessórios – mas que os produtos de limpeza fossem considerados de luxo
precisamente num mercado, que tem de cumprir as esterilizantes recomendações da
ASAE… O Manel do Tinto, comerciante de carrascão e aguardente a martelo, tentou
acalmar os ânimos lembrando que o Chefe Paulo sempre se atrapalhou com palavras
grandes, lembrassem-se só da barafunda que fora a questão do irrevogável fecho
do mercado, mas ninguém o ouviu. O Chefe Paulo teve de se trancar à pressa no
gabinete da Direcção e neste momento encontram-se cá fora todos os comerciantes
com banca no mercado, agitadíssimos, a proferir apupos, assobios e ameaças e
também a dar manguitos às janelas sempre que os cabelinhos do Chefe Paulo
aparecem no vidro. O Manel do Tinto, muito seguro de si e das suas convicções
pacifistas, anda a fazer um negocião a vender penalties e copos de três, que
isto duma pessoa ir p’ra uma manif faz sede. Para tentar proteger o chefe,
alguns membros da Direcção vieram dar o corpo ao manifesto e queixar-se que a
culpa não era do Chefe mas dos senhores estrangeiros que agora são donos do
mercado, eles é que não deixaram baixar o IVA das vassouras e da água das
limpezas. Também se queixaram de muitas outras coisas, como os senhores em questão
teimarem no corte das rendas da electricidade e dos cutelos eléctricos do talho
e que se não houver cortes, cortam eles a dita cuja e fica tudo às escuras, de
que os vendedores e os fregueses do mercado não compreendem esta nova gestão e
tentam sempre arrear na Direcção, que coitada não tem culpa nenhuma, que os
fregueses não querem ver que estas novas medidas são para seu bem, para não
desatarem a comprar à bruta e viverem acima das suas possibilidades, e depois
começaram a queixar-se das canalhices que os outros faziam para ficarem com o
cargo mais bem pago na Direcção do mercado e por aí fora, tal e qual como
queixinhas do infantário. A coisa pegou com a Micas Faneca, que lhes vendeu o
peixe todo a metade do preço (não faz mal porque ela recupera o lucro roubando
no peso e aumentando o preço para os outros clientes) mas a Maria das
Sardinhas, para contrariar a amásia do marido, voltou-se para o queixinhas que
lhe pedia peixe sem IVA e fez-lhe um Bordalo: “Queres fiado, toma!”. Já a Lecas
Florista, fina com’ó oiro, fez-se de surda e respondeu à pedinchice com “oh,
meu filho, nã te oiço. Disseste qu’as eleições eram quando?” O Chefe Paulo,
pelo sim, pelo não, continua trancado na casa de banho, aproveitando para
desenvolver a sua cultura geral e linguística com os dísticos que tão
castiçamente costumam decorar estes locais de recolhimento.quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Realizaram-se hoje eleições
autárquicas no Charco do Milho e o Camarada Presidente/ espírita em part-time,
que fala com o Querido Líder encarnado em manchas de tinta, aves e mesa pé-de-galo,
sofreu triste surpresa quando lhe anunciaram os resultados. Tão grande na
verdade que pensou usar os seus novos poderes presidenciais para anular o
sufrágio e decretar que nunca mais durante o seu tempo de vida se tornaria a ir
às urnas no Charco. Foi porém impedido por duas razões de peso: a primeira, que
apesar do país ser grande produtor de petróleo, não havia pitróilo para fazer funcionar as rádios nem já agora as rotativas –
sim, leram bem, no Charco ainda se desconhecem as impressoras laser – ou o papel
para imprimir o Diário do Governo com o dito decreto; a segunda foi a de que tantas
visões deram tamanha fome ao Camarada Presidente que a sua cintura grácil passou
à forma barril e quando conseguiu ser enfiado no carro, o assento afundou,
abrindo um buraco na carroçaria, evento que de imediato explicou às televisões
reunidas para filmarem o rombo como sendo mais um infame boicote dos inimigos
da revolução. Assim, sem eleições anuladas para sempre por poder presidencial,
os eleitores puderam seguir a evolução do escrutínio na TV e descobriram que,
pelo menos nas zonas mais populosas, o Camarada Presidente levara uma abada das
antigas. E isto apesar de ter deixado que a escolha do dia de Natal se fizesse
pela popular “raspadinha” e introduzido curiosas inovações económicas como a dos
lojistas pagarem aos clientes pelos produtos que estes levem e, em dias de
saldos, até ofereçam mais três unidades além das levadas pelos fregueses. O
Camarada Presidente, incapaz de deter o curso dos acontecimentos, começou a
telefonar para as mesas de voto, querendo muito saber do destino dos votos que
tinham sido introduzidos nas urnas à razão de 2 por eleitor, previamente à
abertura das secções de voto, mas a resposta era sempre a mesma: “Camarada
Presidente, o seu homem de mão deve ter-se enganado no saco dos votos – ou está
do lado da oposição – porque não há nenhum desses por cá”. Desesperado, o
Camarada Presidente, já a cair de maduro, mandou a polícia política atrás dos
homens de mão faltosos mas estes juraram, mesmo após prolongada sessão de
tortura, que eram fidelíssimos ao maduro e tinham colocado os votos todos tal
como vinham nos sacos selados do Palácio Presidencial. Aqui havia um problema
porque fora o próprio Camarada Presidente quem enchera os sacos. E foi então
que uma voz conhecida lhe arrepiou a espinha. Virou-se e viu na TV o camarada
pássaro-presidente a responder em directo, não apenas aos jornalistas mas
também aos telespectadores, os quais nem precisavam de fazer a chamada
telefónica de valor acrescentado que passava no rodapé das imagens pois sendo
agora espírito, podia ligar-se telepaticamente a todos os seus súbditos. E
antes que o Camarada Presidente a cair de maduro agarrasse no telefone – desta
não ia pôr-se com avarias espíritas – o camarada pássaro-presidente respondeu,
piscando-lhe o olho e erguendo a colorida popa da cabeça: Sei bem o que estás a
pensar, meu grande maduro, mas aldrabar as eleições não é democrático. Se
querias ganhar, não fosses um forreta com a alpista! E dito isto, levantou voo
em direcção à floresta tropical, antes que ela desaparecesse de vez.quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Também na União das Hortaliças os
dicionários estão a ser revistos, ou mais exactamente, as directivas que
definem o que é um dicionário e quais as palavras que deve conter para cada uma
das 27 línguas oficiais (e mais algumas oficiosas, sem contar as dos escritos
das casas de banho). E isto por causa da inovação que a república Federal das
Batatas e real soberana dos 27 da União está a introduzir no princípio da livre
circulação de pessoas e bens, que é suposto ser um dos pilares da União. Ou
pelo menos assim foi apresentado aos seus distraídos cidadãos, quando foi
preciso levá-los a aprovar mais ou menos à força certos tratados. Assim, em
resultado do feliz casamento entre os dois maiores partidos desta República,
que pode agora atirar foguetes pois já tem governo, os não-batanteses vão
passar a pagar imposto por circularem nas auto-estradas desta República que,
como se sabe são verdadeiramente livres pois não se paga por lá andar e pode-se
acelerar até Mac 5 que não há problema, excepto para os outros automobilistas
que podem ser amassados pelo acelera sem sequer perceberem o que os atingiu.
Assim, à entrada das auto-estradas da República Federal das Batatas vão estar
além dos habituais separadores e faixas de aceleração, cabines tipo bilheteira
onde os automobilistas terão de parar para mostrarem os documentos, como em
qualquer normal e já quase esquecida fronteira dos velhos tempos da (des)União.
Os cidadãos da União que pertençam ao clube de 1ª (vizinhos ideológicos e
raciais dos batatenses) pagarão taxa reduzida de 2%, os cidadãos de 2ª da União
taxa moderada de 10%, os cidadãos de 3ª (países do Sul ainda não afundados pela
Tripeça) taxa de 40%, os de 4ª (filhos dos países do Sul para sempre
endividados à tripeça) taxa de 70% e proibição de circular nas faixas de alta
velocidade, os de 5ª categoria (países do Leste pobre) taxa de 90% e só poderão
circular na berma; finalmente quaisquer infra-humanos exteriores à União
pagarão taxa de 120% e serão terminantemente proibidos de entrar na
auto-estrada, sendo varridos para as estradas secundárias para não conspurcarem
o digno asfalto batatense, com excepção para os cidadãos do Império do Arroz,
da República dos Hambúrgueres e do Império dos ursos, mas estes últimos apenas
e só após prova de sólida fortuna pessoal e empresarial (aceitam-se empresas de
todo o tipo incluindo a de tráfico de pessoas e assassínio a soldo, desde que a
conta bancária tenha pelo menos 6 zeros à frente da unidade e um 5 na 7ª casa).
Esta medida, que teria feito as alegrias do Batata Podre se dela se houvesse
lembrado, foi já saudada com grandes manifestações de júbilo dos batatenses que
agitavam bandeirinhas laranja com os nomes de Angie e entoavam não o wenn alle untreu werden mas um simpático
estrangeiros vão circular para as vossas
estradas cantando em ritmada barcarola. Houve naturalmente protestos das
várias comunidades de emigrantes no país, calados à pedrada pelos bons rapazes
da cruz de pernas partidas, pois agora para irem para os empregos têm de perder tempo nas
filas dos controlos de passaportes e pagar as taxas tal e qual como se fossem
apenas turistas, mesmo os emigrantes que já nasceram nesta República visto que pela
lei local só é batatense quem nasceu de pais batatenses. Irritados com este “atentado
aos direitos dos seus turistas” o Império do Chá, casmurra ilha da União com a
mania das independências e que nunca foi muito bem com as batatas, decidiu
também no mesmo espírito ecuménico que alimenta o novo governo batatense,
promulgar leis no sentido de impedir a entrada de estrangeiros na ilha, tendo
para tal destacado patrulhas de Defesa Territorial e Anti-Aérea, para abater a
tiro todo e qualquer estrangeiro sem passaporte que apareça pela costa mesmo
que seja também membro da União. Foram aliás já distribuídos aos voluntários
civis destas patrulhas folhetos com descrições dos vários tipos de cidadãos da
União, surgindo em grande destaque as imagens representativas de membros do
Povo das Carroças (com lenços, castanholas, carroças coloridas e homens
barbudos de chapéus pretos), do Condado dos Morcegos (com os seus habitantes
agarrados a estacas e a pregar outros habitantes semi-transfigurados em
morcegos) e da Democracia do Canto Coral (em que os seus habitantes aparecem em
trajes muito garridos e abraçados uns aos outros a cantar em coro). A República
Federal das Batatas apresentou já um protesto ao Conselho dos Direitos Humanos
da União, não só porque o Império do Chá teve a ideia de colocar os batatenses
entre os estrangeiros a abater como, ainda pior, os apresentou segurando
grandes canecas de meio litro a transbordar de cerveja. Os outros países da
União não apresentaram queixa porque nem têm direito a isso. Deste modo os
dicionários da União estabelecem a partir de hoje que “livre circulação de
pessoas e bens” significa “livre circulação de mercadorias” porque as pessoas
há muito que não contam neste totobola.
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