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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Charco do Milho continua a oferecer ideias para a resolução da crise mundial (infelizmente, queixa-se o Querido Líder ‘Tás Mêmo Maduro, os imperialistas não nos ouvem nem deixam os povos oprimidos saber das nossas inovações). Desta vez é na área do combate à inflacção. Decidiu o Grande Líder T’ás Maduro, alcunha popular ‘Tá-lhe a Dar o Bicho, que agora as pessoas iriam às lojas exigindo saldos. Sim, estão a ouvir bem: não são as lojas que colocam nas montras as coloridas fitinhas com “Saldos” em formato 90, ou no caso do Charco do Milho “Rebajas” ou algum outro termo ainda mais castiço, e sim os clientes que, armados da tabela diária de preços publicada no Diário do Governo (com edições actualizadas das tabelas a cada 12 horas, pois para as outras notícias a mesma publicação serve para um mês inteiro), vão às lojas definir o valor do saldo para aquelas 12 horas. Se o preço de saldo for inferior ao preço de venda ao comerciante, este está obrigado a dar a diferença de dinheiro ou, caso não exista dinheiro em caixa, cupões de desconto para o próximo período de 12 horas de preços tabelados. Isto tem dado uma grande confusão nas contas e balanços de caixa das lojas e dos fornecedores mas a questão tem-se resolvido com o sistema de cupões de desconto. Infelizmente os cupões de desconto são já tantos e estão tão espalhados entre lojistas e clientes que neste momento já ninguém sabe muito bem quem é cliente e quem é dono da loja. Para apimentar o cenário, os exportadores internacionais estão a exigir o seu de volta e já esclareceram que não aceitam cupões, querem cash puro e duro, amarelo, em barra e de 24 quilates. Também os lojistas do Milho não teriam com que pagar em metal amarelo de 24 quilates porque a compra e venda de divisas no país está congelada (as transacções de divisas fazem-se em contentores-frigoríficos), pelo que os importadores do Charco do Milho apanharam valentes gripes e neste momento estão todos de cama, não podendo importar nem pagar coisa nenhuma. Deste modo, e perante a ameaça de ocupação das lojas por parte do Exército, que obedece às revolucionárias ideias do presidente ‘Tá c’o Bicho, perdão, T’as Mêmo Maduro, pois no Charco não há putschs, os lojistas decidiram entregar as lojas aos clientes e foram dedicar-se à pesca à linha para os esgotos da cidade, que é “onde eles mordem mais e são mais gordos”. Foi assim resolvido o problema da inflacção: não há comércio… mas há peixe(irada).

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013


fonte: pt.io.gov.mo
Pois desta vez a notícia surge do Economato das Seringas (antigamente era República mas com os cortes no orçamento agora não passa dum serviço de economato dum país credor da União das Hortaliças). E é uma ruptura fulgurante com o passado e a forma de pensar sobre a utilidade dos hospitais. É que embora não tenha ainda sido aprovado em decreto, a necessidade de apresentar contas bem magrinhas aos credores levou as chefes das seringas a injectar nos hospitais uma dose reforçada de cortes nos gastos, pelo que se tornou muito pouco rentável cuidar de doentes cujas doenças só podem piorar no futuro. Porque, como têm de à força reconhecer, tudo neste mundo é negócio e por acaso a prestação de cuidados de saúde (ou doença) é um dos melhores mercados que pode haver para desenvolver negócios. E portanto se a coisa não dá lucros, abandona-se. Se porventura os doentes deixarem de poder ser curados ah, lamentamos mas são apenas baixas colaterais nesta terrível guerra contra as dívidas soberanas. Mas filosofias àparte, os hospitais do Economato das Seringas têm manado embora doentes que os procuram e têm doenças crónicas como cancro, hepatites, sidas, e afins porque… se gasta muito dinheiro e os tipos, são os teimosos, não se curam, explicou o director ao nosso repórter. Ora como se tem de reportar à União das Hortaliças as taxas de produtividade de tudo, incluindo as fraldas para bebés, um hospital que receba muitos doentes que não se curam, é pouco produtivo e portanto tem de ser encerrado. Por este motivo os hospitais estão agora activamente a tentar diversificar os seus serviços, oferecendo a quem tem dinheiro e gosto para isso serviços de restaurante em ambiente de bloco operatório e aulas práticas de anatomia, instalações para treino de corridas de obstáculos em que as pistas são os corredores e salas de espera e os obstáculos os doentes e as macas com ou sem ocupação (recebem-se mais pontos se o atleta passar por cima de maca com doente a dar as últimas ou cercado por um batalhão de estagiários a substituir em serviço de turno os médicos que não foram contratados, cursos de arranjos florais para funerais e visitantes a mamãs acabadas de o ser, tabacarias e papelarias lux nas antigas salas de triagem, lojas de modas e trajes académicos nas antigas dispensários farmacêuticos e salas de enfermaria com vista para os átrios cheios de doentes com teias de aranha por mor das listas de espera, entre outras futuras oportunidades de diversificação de receitas. Por este motivo, também não se pode perder espaço com doentes crónicos ou terminais, pelo que estes estão a ser enxotados para a rua por impacientes e musculados seguranças que têm ordens expressas para não os deixar entrar. As enfermarias onde dantes poderiam ser acomodados durante os períodos mais críticos da doenças são necessárias para estas outras actividades acima referidas. Mas como a produtividade também se mede pelo número de clientes, perdão, doentes que se atendem, mesmo aqueles que são enxotados p’ra rua, os hospitais começaram a distribuir senhas de espera para a morgue a estes teimosos doentes crónicos que insistem em depauperar as finanças da república/ economato com as suas doenças. Assim, aos lucros obtidos por todo o outro mechandising e actividades económicas no espaço hospitalar, poderão acrescer-se também as taxas de mortos atendidos na morgue. Enquanto não morrem, lavam e limpam as instalações, colocam etiquetas nos que mais patrioticamente os precederam, confortam as famílias enlutadas, arquivam e registam os objectos pessoais dos mortos para devolução futura, fazem coroas para os caixões e tratam de toda a burocracia com as funerárias. Evidentemente, até no Economato das Seringas há sempre os malfadados descontentes e revolucionários que estão do contra. Sem surpresa, os supositórios, que são uns penetras de todo o tamanho, já vieram contestar as novas práticas pois perderão muitas oportunidades para penetrar e andam já, subversivos!, a congeminar pelos becos esconsos, formas de boicotar esta nova e tão louvável política das suas colegas seringas.
 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Queremos Dar Um Ano de Férias (sem salário) Aos Nossos Esforçados e Dedicados Funcionários Públicos
Na República dos Hambúrgueres, governo e senadores, num gesto de reconhecimento pela dedicação e mérito dos seus funcionários, decidiram dar um ano de férias sem vencimento a todos os servidores do Estado, para tanto cortando os cordões à bolsa e deste modo levando ao obrigatório de todos os serviços desnecessários como os de imigração, educação, saúde pública, turismo e protecção aos monumentos nacionais, vigilância e protecção dos tesouros nacionais e serviços de policiamento. Em contrapartida mantiveram no activo os serviços de cobrança de impostos, espionagem (secreta mas entretanto descoberta) das vidas privadas dos cidadãos, fabrico de armas e outros serviços essenciais. A razão desta súbita paralisia, que pode parar o mundo pois se os Hambúrgueres não continuarem a endividar-se não há dinheiro para pagar os juros aos outros países, e a República dos Hambúrgueres é só a nação mais caloteira de todas, deveu-se a uma pequena birra entre senadores e governo. A birra nasceu do facto do presidente (um doido colorido com terríveis ideias humanistas, e no mundo actual o humanismo, essa perigosa doutrina política, está PROIBIDA para bem dos mercados e dos desvios de capitais) ter a peregrina ideia de que agora toda a gente deve ter direito a cuidados de saúde básicos em vez de deixar que as seguradoras decidam, em função dos seus lucros, quem está doente ou não, ou quem tem ou não perfil para ser tratado. Também teima que aqueles que porventura percam os empregos porque os gestores decidem deslocalizar fábricas para outro lado ou entraram em experiências financeiras com elevados retornos para o conselho de administração mas sem investimentos na melhoria da mercadoria produzida, também devem ter o mesmo direito, ao contrário do que agora sucede. Pois se um madraço perde o emprego porque o conselho de gestão da empresa decidiu aumentar os lucros e ir enfiar a unha a papalvos para outro lado, tem lá agora direito a ser apoiado na doença? Um desempregado não deve ter direito a nada pois é uma mancha sorvedora do PIB, ora essa! Mas o presidente recusa dar ouvidos ao bom senso, amuou com os senadores e estes (que felizmente nunca correm perigo de ficar desempregados) amuaram também e disseram: “não aprovamos o orçamento do serviço de saúde para desempregados, não aprovamos, não aprovamos, e prontos!” E fecharam a cadeado as portas do senado, antes de marcharem dali para fora em cortejo de limousines, imitando os buzinões pelintras das revoltas de automobilistas aqui do nosso nabal. O seu último acto legislativo foi o de aprovarem um ano de férias sem vencimento para todos os funcionários públicos, que assim também perdem o direito ao apoio na doença, o que é excelente para reduzir a despesa do país. Infelizmente o amor à pátria já não é o que era entre os hambúrgueres, pois estes, ao fim de dois ou três dias, começaram a vociferar contra os amáveis senadores que até lhes haviam dado férias não pagas e tudo. Pode haver lá maior ingratidão e falta de patriotismo?! Mas felizmente nem tudo está perdido para os hambúrgueres. E às vezes as boas surpresas surgem de onde menos se espera. Neste caso, e após duas semanas de férias à força dos polícias, o Sindicato Federal dos Ladrões, Mafiosos, Gangues de Droga, Limpeza de Capitais, Crimes de Colarinho Branco e Profissões Similares deu a conhecer em comunicado na TV, o único meio de comunicação de peso para os hambúrgueres, o seu total apoio à bondade do governo em dar férias aos polícias, prometendo aproveitar a oportunidade para expandir as áreas, mercadorias e volume de negócios para manterem o elevado PIB (e também a dívida pública) da nação. Os senadores, sensibilizados pelo patriotismo desta classe laboral tão vilipendiada vieram já agradecer o apoio dos FLMGDLICCBPS e instar os funcionários públicos, esses madraços, a manterem-se nos postos de trabalho, trabalhando (os locais de trabalho não são casas de abrigo, para isso têm os vãos das pontes) sem salário durante todo o período em que durar o shutdown, perdão, as férias não pagas dos serviços públicos. Quem disse que os criminosos são perniciosos à sociedade?

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A União das Hortaliças continua a ser um grande exemplo na defesa do meio ambiente para a comunidade mundial, o que nos dá esperança de que se a União fizer sozinha o trabalho todo, podemos estar descansados quanto às alterações climáticas e deste modo nada mudar em termos da economia e sociedades mundiais, podendo o resto do plante continuar a poluir, criar gigantescos campos de monoculturas pertença não dos antigos habitantes dessas regiões mas de internacionais agro-combustível-alimentares, sendo os seus habitantes levados a migrar para bonitos ambientes citadinos de bairros de barracas, de onde são desalojados sem aviso às 4 da manhã por buldozzers e forças da ordem, e auxiliares inidentificáveis, todos devidamente bem armados pois os andrajosos são fauna perigosa mesmo que esteja a dormir e de arma apenas possua os restos dum pão velho e bolorento apanhado após grande luta, num dos caixotes do lixo do Hotel Luxury na baixa da cidade. Ou seja, se a União continuar a defender assim meio ambiente, o resto do mundo poderá abraçar o cenário business-as-usual e o planeta continuará a ser destruído mas… imediatamente antes do fim deste haverá espectaculares possibilidades de negócio, incluindo a venda de bilhetes para as Arcas de Noé da altura, as quais poderão ser barcaças (para os pobres) ou luxuosas viagens para as estações orbitais que estejam já em funcionamento na altura (para turistas ricos). Pois sucede que a União das Hortaliças, para estreitar ainda mais os laços entre os seus países constituintes (e também o baraço de forca para alguns destes) decidiu criar um Espaço Aéreo Único onde todas as aeronaves se sintam irmãs e viajem à vontade, como se sobre um único e vasto território, sem as habituais atrapalhações de transição entre países vizinhos com horários e idiossincrasias próprias. O que interessa criar na União é uma uniformidade tal que as diferenças culturais e regionais desapareçam, incluindo até as que as incorrigíveis maçãs, alhos e pepinos têm o hábito de apresentar. Apenas, e porque na Capital do Tacho há sempre imenso trabalho a fazer e não se pode pensar em tudo, os relatores fizeram lindos relatórios a louvar as vantagens da medida, com provas de como o mundo se tornará num lugar ainda mais radioso pela sua implementação mas… esqueceram-se por completo de escrever o manual instruções para fusão dos diferentes serviços nacionais de controlo aéreo, ainda mais bagunçados do que o usual pois também estes estão a ser privatizados e cada empresa tem os seus métodos próprios para alcançar lucros, sendo os únicos comuns: despedir controladores aéreos e abater radares doppler e dos outros pois poupa-se nos salários e no uso e manutenção destes equipamentos, que se podem vender para as forças armadas (mais lucro); se ocorrerem uns acidentes aéreos de vez em quando, isso até é bom pois promove as indústrias aero-espaciais, as de caixões e flores e fornece tema de abertura de telejornais durante vários dias, mantendo a população entretida com as tragédias. Como os controladores aéreos que anda não foram despedidos ficassem sem saber como a partir de agora tinham de fazer o trabalho, e porque são uns subversivos de todo o tamanho, entraram em greve desculpando-se com a conversa de que caso desatem a cair aviões de empreitada as culpas lhes serão todas atribuídas (afinal se são pagos é para arcarem com as culpas mesmo se os aviões estiverem a cair de podres por falta de manutenção, ora essa!). Assim, o dia da inauguração do Céu Único das Hortaliças amanheceu com… todos os aviões em terra. O sindicato das aves ficou extremamente feliz com esta novidade, pois não precisaram de fugir das aeronaves nem temer serem sugadas pelas suas turbinas ou desfeitas pelas suas hélices e todas levantaram voo para celebrar o evento. E escreveram já uma carta à presidência da União das Hortaliças a declararem o seu entusiástico apoio a esta medida e a sugerir que todos os dias se faça a inauguração deste Espaço Único. Enquanto os dirigentes da União se debruçam sobre a carta, ilegível porque as aves só escrevem com os pés, os serviços de meteorologia de todo o continente registaram uma invulgar ocorrência de queda de poias sobre casacos, chapéus, carecas e cabelos.
 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Saldos de Fim de Estação Para um T4 no Sol com Brinde de Mar em Propriedade Horizontal a 100 Milhas da Ilha dos Cagarros: Aproveite as Últimas Oportunidades!

Estamos em condições de noticiar aos senhores investidores novos nichos de mercado no universo das privatizações que irão com toda a certeza inaugurar uma nova era de abundante prosperidade mundial (só para alguns). Esta nova era foi iniciada por um visionário fundo de investimentos que acabou de contratualizar com a construtora Malucos & Cia a comercialização de uma cidade inteira de apartamentos a serem construídos no Sol e que serão postos à venda no mercado por um Gogol de conquilhas (não, não é Google, é gogol: se quiserem saber quanto é um gogol sempre podem ir ao Google). São espectaculares apartamentos, com vista para a fornalha solar, com garantia de periódicas explosões e ejecções de núvens de plasma e radiação que dá para fritar várias Hiroshimas por segundo. Serão revestidos a titânio e marfim e a sua principal atracção, além de não ser necessário consumir energia no Inverno pois os apartamentos estão naturalmente aquecidos dada a sua localização, é a de se poderem fazer apostas sobe quantos minutos os ditos aguentam sem se transformar eles próprios em plasma ou rebentarem como os cometas que não regulam bem das órbitras e decidem fazer voos razantes à nossa doce estrela. São apartamentos dirigidos para o segmento de mercado “gente selecta e com dinheiro a mais que não sabe onde o derreter” e naturalmente terão como privilégio exclusivo o de privatizarem a luz do Sol que passe pelo seu apartamento. Dada a distribuição dos condomínios em questão, o Sol ficará com um lindo padrão reticulado, sendo a luz que chegar à terra a que conseguir passar pelos espaços vazios. Além disso, apra atrair investidores, garante-se que os habitantes pindérico que vivem na Terra não poderão usufrui da luz do Sol na área equivalente de eclipse solar que esses condomínios deverão projectar na superfície. Considerando a distância, amplas áreas da terra ficarão assim sujeitas a imposto de uso do Sol, a ser pago ao dono de cada condomínio associado, o qual não precisará de deduzir nada para o respectivo estado. Assim, um agricultor que queira fazer crescer as suas culturas deverá pagar o Imposto de Clorofila, os veraneantes o Imposto de Bronzeamento e Pele de Lagosta, os doentes em recuperação o Imposto de Vitamina D, as árvores o Imposto de Folha, os bichos o Imposto de Aquecimento das Baterias e as algas e fitoplâncton o Imposto de Fotossíntese e Alimentação. Por seu turno o vento deverá pagar imposto a todos os condóminos solares, o qual será à taxa de 25% e se designará Imposto de Baixa Pressão ou Imposto Anticiclone, dependendo do vento. As Auroras boreais pagarão o Imposto Especial de Fogo-de-Artifício. Como se compreende, dado que todos estes impostos serão pagos à iniciativa privada, ou seja, dos condóminos que investiram em casas no Sol, estão estes apartamentos já todos vendidos ainda antes de se terem lançado os alicerces. Contudo estamos em condições de anunciar que ao largo da Ilha dos Cargarros se estão neste momento a vender propriedades horizontais (quando não há ondulação), onde os futuros proprietários construirão hotéis e resorts turísticos, assim como campos de golfe e SPAs. Serão direccionados a uma clientela de luxo, habituada a offshores e outros territórios marítimos de águas turvas. Sendo proriedade privada os habitantes locais da Ilha dos cagarros que costumava pescar nessas águas estarão agora sujeitos a imposto. Assim os cagarros e outras aves de arribação, pagarão o Imposto de mergulho e Asa Torcida, os tubarões, o Imposto de escama e os golfinhos, baleias e orcas o Imposto da Mama dado que são mamíferos. Os peixes só poderão permanecer nesses territórios quando não incomodarem os clientes ou estes peçam expressamente a sua comparência para tirar fotografias e serem assados, ou grelhados na brasa. Além disso, pelo privilégio de nadarem nas águas que no passado foram suas, apenas quando não incomodarem, deverão pagar o Imposto de Barbatana, o Imposto de Guelra, O Imposto de Escama, o Imposto de Olho Choxo, o Imposto de Tinta, o Imposto de Espinha, o Imposto de Desova e quaisquer outros impostos que os agora donos do mar decidam lançar à população aquática. Os impostos, de novo se frisa, são pagos aos donos do mar e não aos respectivos estados. Fontes fidedignas informam que estas novidades são do desagrado dos peixes, os quais são perigosíssima força revolucionária, que já se organizou para apresentar um abaixo-assinado à Organização da Nações Desunidas contra este monopólio do mar e a excessiva taxação de impostos que os deixará reduzidos à espinha. As cianobactérias, mais adeptas da acção radical, deram de se multiplicar desordenadamente, tendo criado marés de várias cores, o que está a perturbar o andamento dos negócios. Esperemos sinceramente, para bem do mundo dos carcanhóis, que esta petição não passe da entrada e os peixes proponentes sejam bem depressa apanhados e postos a assar na grelha, pois o tempo dos direitos, humanos ou animais, acabou. Quanto às bactérias, apoiamos a resolução de as bombardearem com tambores de petróleo a verter por todos os lados, a que se seguirá uma generosa chuva de naplam.

domingo, 22 de dezembro de 2013

fonte: jequiereporter.br
Na República Democrática (às vezes) dos Papiros o cargo presidencial tem agora atributos ao total arrepio da tradição. Agora para se ser Presidente é necessário ter passado pela prisão e sido presente a Tribunal por crime de traição à pátria. Pode-se estranhar mas esta República pretende emular os exemplos que lhe chegam da União das Hortaliças, em que os dirigentes dos respectivos países, com a excepção de para aí uns 2 ou 3, tudo fazem para atraiçoar quem os elegeu e de passagem também os que os não elegeram e até aqueles que se recusam a participar em eleições seja porque o dia esteve frio, choveu, deu o futebol com o Ronaldo na TV ou estão numa de boicote ao Carnaval. Neste momento são dois os antigos presidentes deste país em julgamento por traição à pátria, embora o segundo seja um veterano, dado que estava na prisão antes de ter sido eleito presidente. Para comparação, vejam o que aconteceu ao nosso enjeitado camaleão da Naifa que, pretendendo concorrer a presidente de canteiro do Nabal mesmo estando preso, foi impedido de concorrer por… estar preso. Aliás o caro Camaleão da Naifa deu já uma longa entrevista ao jornal da esquina da sua prisão, onde disserta sobre a muito mais evoluída Democracia dos Papiros, onde até os presidiários são respeitados nos seus direitos cívicos, incluindo o de estarem à frente dos destinos dum país mesmo que supostamente sejam uns vigaristas de primeira ou uns traidores de segunda. Neste momento esta exótica Democracia (às vezes) tem nem mais nem menos do que dois presidentes no tribunal: o que já era e quase olvidado Marado da Tola e o Nã ‘T’ás Bom da Tola, que insiste ser ainda o presidente e por esse motivo não tem nada de responder em tribunal por um cabaz de acusações totalmente fabricadas. Diz ele. Diz ele e dizem os seus apoiantes, que continuam a vir para a rua levar traulitada e a mostrar que sabem pelo menos contar até 4. Por esta razão, e talvez para salvaguardar o futuro, o novo homem forte do regime, o Perdeu a Tola, decidiu introduzir diversas alterações à lei constitucional do país e, já que estava com as mãos na massa, também sobre as leis de reunião e manifestação. Assim e no que se refere à lei sobre reunião, estão proibidos os ajuntamentos de mais de 3 pessoas. Isto irá causar sérios problemas à vida familiar dos papirenses, dado que são um povo adepto das grandes famílias, pelo que as casas serão acrescentadas de alguns pisos, para poderem obedecer à lei. Esta expansão da actividade construtora irá melhorar as contas falidas dos Papiros, prevendo-se contudo a extinção das amas, por falta de espaço nas reuniões familiares a três: filhos distribuídos pelos vários pisos da casa, pais e o catraio mais novo reunidos no andar de baixo. Para acudir às necessidades da família serão necessários ascensores de cozinha de modo a que as refeições possam ser servidas ao mesmo tempo nos diferentes pisos, para felicidade dos profissionais deste ramo. As crianças estão radiantes com estas novidades pois poderão brincar à vontade com a comida e interromper a ceia sempre que lhes apeteça sem terem os adultos a chatear. No entanto como a grande maioria dos papirenses é pobre como Job, será de prever que a maior parte das famílias, incapazes de acrescentar pisos novos às suas casas, acabem presas por violação da lei, o que muito beneficiará a ordem e economia do país, uma vez que insurgentes não poderão vir para as ruas protestar; ao mesmo tempo a taxa de desemprego baixará pois os presos não entram nas estatísticas. Haverá apenas um pequeno óbice a resolver. É que, de acordo com a nova Constituição, para aceder ao cargo de Presidente, é necessário ter estado e/ou estar no xadrez e o risco de um destes insurgentes ser eleito é significativo. Porém, não é necessário temer o futuro porque, após acesos debates por todas as prisões do país, decididos pelas armas criadas pela imaginação e capacidade de improviso dos debatentes, foram já conhecidos os candidatos vencedores, que irão agora concorrer às eleições. O vencedor por muitos mortos e feridos é o Meia-Tola, genial falsificador e agora homicida, que se apresenta com o mote de campanha: “Sou o Presidente de Todos os Papirenses, Por Isso Estou no Xilindró.” Como se vê, o futuro da República Democrática (às vezes) dos Papiros está nas prisões.
 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Temos a anunciar mais um estrondoso sucesso na campanha de ajustamento dos nabos à extrema do canteiro, como quer o hortelão. Desta vez o negócio envolveu a venda de cartas e selos decoradas artisticamente com ramas e grelos dos ditos, para aguçar o apetite dos eventuais compradores. A venda foi um sucesso, com muitos compradores a lançarem a sua oferta no leilão dos selos, e o governo do nabal veio logo anunciar a boa nova aos seus cansados súbditos pois que as boas notícias são um bom reforço de moral para a continuação do programa de ajustamento/emagrecimento, cujo fim ainda não foi decidido, no caso por sorteio de vermelhinha. Súbditos esses que não prestaram grande atenção à nova do sucesso porque já se cansaram de jogar às apostas sobre os erros de previsão de todos os especialistas, a começar nos nabos governantes e a acabar nos da Tripeça e do Fundo Mundial da Agiotagem. Assim, enquanto os nabos continuavam a lutar por umas gotinhas de água e os nabos governantes repetiam uma e outra vez a fórmula do sucesso de vendas, para esconjurar o enguiço e mau olhado que parece ter atingido o nabal, pois tudo ali teima em dar p’ró torto e engelhar as ramas, o negócio dos selos e ia de vento em popa. Infelizmente o sucesso foi de pouca dura porque logo no dia seguinte o preço dos selos e das cartas decoradas baixou nos mercados – dando razão aos nabos que trabalhavam no serviço postal e que não embarcaram em comprar grande coisa, talvez porque até nem tinham com quê – e quem se julgava já a subir na classificação da Forbes teve de despedir o mordomo com as torradas da manhã. Além disso correm rumores na Rede-de-Pesca de que os nabos vendedores desta primeira leva de selos e cartas decoradas com rama de nabo, terão muito provavelmente de voltar a comprá-las (imagina-se que mais caras do que quando as vendeu) pois os compradores estão a reclamar da cola de selos e sobrescritos. Mas mantenham a calma, não há razão para alarmes: a venda do material de correio foi um sucesso!
 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Reportagem especial do nosso correspondente desportivo na Metrópole do Tacho:
No estádio e sede da União das Hortaliças decorre hoje a segunda fase do Campeonato da Culpa. Na primeira fase, subordinada ao tema: “vocês estão mal mas a culpa é toda vossa, calões que vivem acima das vossas possibilidades”, foram apurados a República Democrática dos Nabos, a Democracia da Moussaka, com um destacado 1º lugar, a Ilha das Cabras, a República dos Trevos, o Potentado da Paelha e a Monarquia dos Raviolis, com o quase apuramento da Confederação dos Veados e os já recordistas da crise: o Império dos Cavalos e a Federação Socialista do Goulash. Como se vê, um campeonato muito concorrido e com políticas de jogo variadas, em que por exemplo a Federação do Goulash varre os seus cidadãos para fora das fronteiras e no Império dos Cavalos se fazem culpados os Ovos Estrelados, o Povo das Carroças e estrangeiros em geral mesmo que já os tetra-avós tenham nascido no país. Os árbitros desta primeira volta foram, como habitualmente, os chefes da União das Hortaliças e o Fundo Mundial de Agiotagem, até porque é este último quem paga a electricidade do estádio. Porém, no início da segunda fase os árbitros desentenderam-se por causa das regras do jogo e começaram a disputar um campeonato só deles, deixando as equipas pasmadas a olhar para os novos e inesperados adversários. O Fundo Mundial de Agiotagem abriu os festejos, indo ao meio campo, de dedo em riste para os chefes da União das Hortaliças, atirando para jogo “vocês são os culpados de tudo! Nós dissemos para pararem com o aperto do cinto às equipas! Agora admiram-se delas não conseguirem correr” ao que a União das Hortaliças respondeu: “os culpados são vocês! Usaram a tabela do merceeiro Madoff e quando souberam que ele é um troca-tintas e que as contas eram falsas continuaram a impôr as mesmas regras, apesar de saberem que estavam erradas!”, momento em que os árbitros teriam começado à canelada e aos bofetões não fossem os meninos bonitos da República dos Nabos meterem-se de permeio e pedirem, muito de mansinho: “por favor, posso ir aos balneários trincar qualquer coisinha? É que estou cheínho de fome!” Isto bstou para que os árbitros arregaçassem as mangas e ordenassem “não, senhor, não vais nada, começa mas é a jogar como te mandamos”, o que é um pouco difícil, dada a tremenda fraqueza de gâmbias de que os nabos sofrem desde o início do campeonato e que se tem vindo a agravar. Nesta altura a claque da Moussaka já uivava, gritava “fora os árbitros”, atirava cocktails molotovs e bombas incendiárias para o relvado e nas bancadas ia dando cabeçadas aos fãs do Goulash e molhavam a sopa nos adeptos da República das Batatas, que é quem anda a subsidiar os jogos e a escrever as regras mas ninguém sabe e por isso parece ser apenas mera e imparcial fiscal de linha. Ora isto caiu muito mal aos nabos, que se enervaram e começaram a protestar por causa das regras de jogo mas ninguém lhes ligou nenhuma pois todos sabem que vozes de nabos não chegam ao céu. Os nabos afirmavam que se não os deixassem petiscar qualquer coisinha morreriam de fome e depois sempre queriam ver como continuaria o campeonato. Os do Fundo afinaram: “de acordo com os números que nos deste da tua pesagem, tu já comeste e até demais”. Nessa altura a República das Batatas acenava frenética um fora de jogo e cartão encarnado aos avançados de todas as equipas, evento estranho dado que as equipas estavam no meio do relvado, mudas e quedas, a tentar perceber quando é que os árbitros voltavam a arbitrar, com a excepção dos nabos, que juravam terem dado a pesagem toda, o Fundo é que estava a fazer as contas pela pesagem do início do campeonato, não pelos números actualizados. A União das Hortaliças enfureceu-se e disparou para o Fundo “isto já devia estar a correr de acordo com as regras mas afinal as tuas regras não ajudam nada, se aqui os lingrinhas dos nabos não correm, a culpa é vossa, que não os deixam ir comer para os balneários!” O Fundo da Agiotagem respondeu, ignorando os apitos da fiscal de linha batatense, que estava a ficar muito marefada por não lhe ligarem nenhuma, que os das Hortaliças é que eram o problema pois não arbitravam nem deixavam arbitrar, o jogo estava naquela confusão só por causa deles. Estes não gostaram e perguntaram aos do Fundo que raio de regra era aquela de fosse o jogador gordo ou magro, grande ou pequeno, tinham todos de emagrecer exactamente o mesmo e pesar exactamente o mesmo antes de entrarem em campo? Estava-se mesmo a ver que os jogadores mais pequenos ficavam em desvantagem pois teriam de emagrecer até ao osso, quem fora a luminária que tivera tal ideia, porventura a mesma que impusera as tabelas de cálculo do merceeiro-charlatão Madoff? Os do Fundo atiraram-se aos pescoços das Hortaliças e a fiscal de linha batatense, farta de apitar para o boneco, meteu-se ao barulho e exigiu que cada um começasse a fazer aquilo para que fora contratado: os árbitros para arbitrar e as equipas para jogar. As atenções de todos centraram-se por fim na fiscal, calorosamente odiada pelos moussakenses que não são parvos e já toparam o jogo dela à légua, e enquanto as bancadas se envolviam à pancada desde os bancos junto ao relvado até lá acima ao camarote presidencial, e as equipas imitavam em campo os seus adeptos, o Fundo da Agiotagem e a União das Hortaliças atiraram-se para cima da fiscal, acusando-a de fazer regras muito difíceis de cumprir e demasiado exigentes para o tipo de atletas em campo. Os atletas não gostaram disto e se já andavam ao soco uns aos outros, decidiram alargar o seu campo de acção e vá de malhar na União e no Fundo e já agora também na fiscal de linha. Esta, esquivando-se a dois socos, uma placagem e uma rasteira apontada às virilhas, gritou como no passado o Batata Podre fizera nos estádios para multidões delirantes: “Eu não quero saber do que vocês dizem, eu vou mas é convocar eleições para os corpos gerentes desta chafarica e serão os meus todos que lá ficam a mandar porque só as batatas é que são competentes, trabalhadoras e honestas!” Tal afirmação caiu muito mal em campo, nas bancadas e em particular entre os árbitros. Em uníssono ameaçaram-na de morte e esta corre agora os 10 000 metros barreiras para as eleições da República Federal, que se espera venha a vencer e com novo record mundial. Se for eleita, já ameaçou que dará meia volta e cairá em cima de todos com um daqueles chicotes especiais do tempo do Batata Podre pois “está na hora de enfiar estas hortaliças na linha!” declarou em corrida para os órgãos de informação da sua República. Estas declarações não serão veiculadas para o exterior, por receio da imagem das batatas ficar outra vez tão de rastos como no tempo do Batata Podre mas serão para fazer escola no mercado de futuros. Entretanto, dentro e fora do estádio, o Campeonato da Culpa foi temporariamente substituído pelo Campeonato das Fuças Partidas. Aconselhamos os próximos loucos que queiram inscrever-se nesta Liga a apresentarem-se em campo com equipamento completo da Polícia Anti-Motim.
 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Ministério da Desiducação da República dos Nabos acaba de lançar uma medida que muito ajudará a classe docente a enfrentar os desafios do futuro. Trata-se nem mais nem menos do que a Prova de Aferição de Competências para Preenchimento de Minutas dos Centros de Desemprego, e que tão necessárias se têm revelado aos membros desta casta laboral, pois vivemos num sistema de castas, embora embuçadas, e os professores pertencem ao grupo das mais baixas. Inicialmente a prova iria avaliar as competências pedagógicas dos professores mas na empresa responsável pela realização de todos os testes que andam aí pelo mercado, incluindo os testes de compatibilidade matrimonial, do pé chato e da personalidade do dedo mindinho, ou fizeram confusão com o pedido ou trocaram o registo da encomenda e o que saiu foi uma prova para avaliar… o estofo do candidato a descortinar preços de supermercado, normalmente encriptados sob a forma de código de barras e que nem o Langdon é capaz de descodificar. Os professores protestaram, o ministério tapou as orelhas para não ouvir os protestos, houve visitas guiadas ao Ministério, em que os guias faltaram ao trabalho e os guiandos, isto é, os professores, tiveram de encontrar sozinhos o caminho através dos corredores numa ofensiva táctica que ficou conhecida por “invasão” e que os adeptos do Clube das Quinas já treinam com afinco para o próximo Mundial. As provas foram devolvidas à procedência enquanto a Tripeça protestava pelo atraso no despedimento dos profs. que deveria ser efectuado logo após a realização das provas (não sendo necessário sequer conhecer os resultados, pois os despedimentos serão efectuados por sorteio). Para não zangar mais os senhores da Tripeça, que andam com os fígados desarranjados por causa da moussaka picante que tiveram de engolir na última viagem turística ao país rebelde, a empresa dos testes enviou nova remessa que, quando os lacres foram abertas já nas salas de exame, demonstraram ser provas para… avaliação de competências de organizadores de quermesses de aldeia. Novo sururú, os professores a saírem em fúria das salas, a dizerem que não faziam as provas e retorno ao remetente dos testes em questão. Por fim, podemos anunciar, os testes certos estão cá fora e são os correctos, à terceira é de vez! Trata-se de provas de aferição das competências para preenchimento dos formulários do Centro de (Desesp)Emprego local, competência muito necessária para os actuais professores, pois o desemprego é o seu futuro, dado que no nabal se considera agora que pôr os nabos a estudar não é importante, ou eles ainda emigram todos e depois quem fica para limpar os cinzeiros dos Srs. Nabos-ministros? As provas também não terão de ser prestadas por todos os professores mas paenas por aqueles que o sorteio dos resultados anteriormente à feitura da prova, determinou virem a estar chumbados e portanto a serem varridos para os ditos Centros de (Desesp)Emprego. A Tripeça veio já elogiar os esforços do Nabal para limitar o ensino de qualidade apenas à casta de nabos superiores, e de reduzir o ensino efectivo a toda a gente pois gasta-se muito pilim nessa actividade inútil e nada rentável, a menos que esteja a ser gerida por consórcios de sociedade anónima e limitada. Os professores excedentários poderão ser encaminhados para lixeiras, para andarem aos papéis, seguindo os bons exemplos do País das Vacas Sagradas, um dos BRICS, onde nove décimos da população (e garanto-vos que são uma data de gente) vive abaixo do limiar da pobreza e nunca de lá sairá. O facto de haver toda esta gente a viver das recolhas nas lixeiras não ter qualquer impacto na carga poluente que se despeja por todo o lado e de qualquer maneira naquele país, nem na redução do número e tamanho das lixeiras, ah, bem é apenas mais um daqueles fenómenos económicos que nos é explicado como “uma situação imprevista mas tranquilizem-se, isto é tudo muito racional”.
 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Há um grande sobressalto na Democracia dos Tigres, por causa das recentes declarações do chefe da banda da União das Hortaliças, da qual os Tigres fazem parte, embora para grande receio dos restantes membros que não confiam nem um bocadinho nos apetites do país irmão, apesar dos seus representantes jurarem ser exclusivamente carnívoros pois todos sabem como se devem ter em conta os juramentos dos diplomatas da União. O sobressalto foi causado pelas recentes declarações dum respeitável líder da União que disse para quem o quis ouvir – e os jornalistas estavam tooodos lá – que no Parlamento dos Tigres há grupos de revolucionários, como se estes copiassem ao pormenor a moda explosiva dos idos de 1900, quando os revolucionários tinham, por estatuto e dever, cultivar paixões pirotécnicas. Tais afirmações causaram naturalmente grã preocupação entre os tigres porque quem de bom senso quer revolucionários nos órgãos de decisão, se neste nosso admirável mundo novo ser revolucionário é uma doença muito pior do que a peste? Até porque se desconhece se não será maleita contagiosa e depois… Ora o que são necessárias são leis estimulantes, contra-revolucionárias, que façam a felicidade dos mercados, quem quer que eles sejam e quem não aproveitar a onda é um tolo e não se deve queixar se depois ficar esfolado. Logo a seguir, e mostrando ter as preocupações em sintonia com o chefe, vários deputados do parlamento da União vieram sublinhar que não havia apenas revolucionários no hemiciclo dos tigres mas também no Tribunal dos Malucos Local e que os tigres malucos tinham de ser presos e encerrados numa catacumba no mais fundo do mais fundo castelo e deixá-los lá a cantar para as pulgas a ver se estas os alimentavam (alimento de fora não se lhes deveria dar) para perderem a teima de dar tiros nas resoluções governativas. Porque era das tais coisas, pode haver uma Constituição dos Tigres mas o que é isso perante o que desejam os mercados, hum? Os mercados é que mandam e se as leis se opõem a estes matam-se as leis, ora essa! São as leis que são ilegais, não os mercados! E se as resoluções governativas fazem os tigres passar fome e perder anos na esperança média de vida, então emigrem! Aliás, se o Tribunal dos Malucos dos Tigres continua a chumbar as ideias do governo local, então é que se entra por ali dentro com novo saco de dinheiro e obriga-se a apertar mais os bigodes, a cintura e os rabos dos tigres e não há cá ginjas. Comprovando a justa visão destas sumidades de gabinetes de estilo, os mercados, na forma dos chefes de grupo locais dos tigres, e que andam a fazer tudo para se aumentarem os horários de caçada individual para o chefe sem aumentar as partes a repartir com os caçadores, vieram também dizer que sim senhora, o Tribunal dos Tigres Malucos estava na hora de ser encerrado, porque enfim essa coisa da constituição é um livros muito bonito para ter na estante e mostrar às visitas mas não serve para nada, e se os estrangeiros embirram com o que lá vem escrito, o melhor é mudá-la ou melhor ainda, para evitar despesas com a edição dos novos textos, acabar de vez com essa coisa da constituição e passar a legislar conforme der na bolha aos lobbys de momento. E se alguém disser que isso será a lei da selva, ah, bom, eles eram tigres, porventura não estavam habituados à selva? Era importante acabar com a Constituição já e usar os actuais textos como casa de banho sem cheiro (como se sabe o papel absorve os cheiros do que lhes façam em cima, como provam as casas de banho dos gatos, esses felinos infiéis de trazer por casa). Mas alguns tigres patriotas deram em protestar (há sempre destes desmancha-prazeres). E talvez com receio que os tigres pudessem de repente tornar aos seus hábitos e desatar a mascar todos os deputados da União, o chefe da banda. Que primeiramente dissera que se o Tribunal vetasse as novas ideias do governo estava o caldo entornado, acaba de declarar que não senhora, compreenderam-no mal, a ele e aos camaradas do seu parlamento, não há pressão alguma sobre o Tribunal dos Tigres Malucos, na União o respeito pelas leis e soberania nacional dos seus estados é sagrado, mesmo que depois à porta fechada os estados sejam forçados a deitá-las para o lixo. Houve surpresa perante tais declarações e os jornalistas de investigação perguntam-se em que universo alternativo andará a viajar o líder da banda da União das Hortaliças. A ser verdade, tal facto inaugurará um novo mercado de turismo, sito nas amplidões cósmicas, assim que ficarmos assegurados que a viagem através do portal dos delírios é segura para clientes sem preparação prévia de astronáutica.
fonte: NASA
 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Estamos finalmente em condições de revelar o contrato de casamento do casal real da República Federal das Batatas. Foi difícil e exigiu numerosas e complexas operações undercover, porque roubar os jornais da Banca da Ti Chica na Cidade da Cerveja é tudo menos tarefa para espiões no frio. É um contrato que fará as alegrias dos súbditos, dadas as numerosas disposições legais que possui e que foram longamente negociadas entre as duas famílias imperiais. Espera-se aliás que o anúncio das medidas que a partir do feliz himeneu passem a vigorar no país levem os súbditos a fundarem uma segunda tradição que certamente será chamada de Festa de Cerveja do Inverno, concorrendo seguramente com as famosas e animadas Feiras de Natal locais, que tantos turistas atraem ao país nesta fria altura do ano. Pois reza o contrato as seguintes disposições: 1º A partir do momento do “Enfim Sós…” todos os súbditos terão direito a uma jorna mínima, seja qual for a profissão e local de trabalho no reino. 2º A idade para finalmente deixarem o trabalho das corveias e irem para o quentinho do fogo repousar baixa 5 anos face à actual, sem redução das tenças por aposentação que actualmente se atribuem aos duros súbditos que lá chegam. 3º O pão e a cerveja passam a ser gratuitos. 4º A ida às meninas passa a ser taxava com o IVA da tabela para os produtos alimentares pois isto nem só de pão vive um home. 5º Subsídios para viagens ao estrangeiro, seja ou não para encontrar meninas exóticas (não poderão trazê-las contudo para a República Federal pois isso encorajaria a vinda de imigrantes). 6º Terão direito a Tença de Doença, cada vez que estejam como o nome indica, tendo direito a hospedagem e tratamentos gratuitos nas termas locais, herdadas das explorações medicinais romanas e outras descobertas posteriormente (com direito a participarem gratuitamente ou a preços reduzidos em eventos folclóricos, culturais e venatórios). Estas medidas destinam-se naturalmente só aos súbditos nativos do reino, pelo que os estrangeiros que lá residam e trabalhem não serão, também naturalmente, agraciados. Em simultâneo, para os países que necessitam do ouro da República Federal das Batatas para serem resgatados das caves de escravos dos navios pirata, e que serão pagos a juros muito gordos para salvar os bancos quase falidos da República (eh, isto é segredo!), é exigido precisamente o contrário de todas estas medidas e ainda a suspensão de todos os direitos, liberdades e assistência social e/ou de misericórdias. Isto está em total acordo com os ensinamentos de frei Abóbora, capelão-mor da imperatriz. Aqui deixamos o nosso voto de longa vida, prosperidade, saúde e muitos meninos, todos homens viris e façanhudos, ao bom casal real. De joelhos solicitamos a autorização para entrar no próspero reino apenas como turistas e aí deixar todo o nosso dinheirinho na próxima Festa da Cerveja do Outono.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Pois para evitar aos grandes e famosos o incómodo de multidões de fãs a gritar, a empurrar e a apertarem-lhes o cerco, agitando canetas e blocos e gritando o nome do seu ídolo, decidiu o sábio governo do nabal criar um site de recolha de autógrafos para vender, com IVA a 25%, aos craques e afins do mundo inteiro, operação que decerto tratará as muito necessárias divisas cá pr’á horta, pr’ó hortelão comprar os adubos para botar na raíz dos nabos importantes (os outros que se desenrasquem co’ as sobras). Isto mesmo foi hoje divulgado quando se noticiou no Nabal que o Portal da Denúncia da Corrupção/Desvio de Adubos não funcionava porque as denúncias todas que lá caíam e que configuravam crimes de corrupção e similares de todos os tamanhos e feitios, eram simplesmente catalogados em função do nome do denunciante e do respectivo IP de envio da queixa, sendo o protesto enviado ao corruptor e corrompido devidos para processarem o queixinhas (falha de carácter que já é odiosa nos bancos da infantil, mais o devendo ser em idade adulta), assim como ao craque futebolístico, ou actor/actriz de telenovela mais próximo do local de residência do queixinhas pois o Portal, de acordo fonte da administração do site, era para ter o título Portal de Recolha de Autógrafos mas os responsáveis tiveram receio que os ídolos de todo o mundo intentassem providências cautelares em tão grande número que o Portal ficasse inoperacional antes mesmo do bite de inauguração, que é como quem diz, primeira dentada. Foi-nos também revelado que este procedimento deu já origem a numerosos processos de difamação, que correm actualmente nos tribunais e diversas ordens de restrição que impedem o queixinhas de se aproximar do craque, actor e/ou actriz a menos de 300 m, para grande benefício da produtividade dos nossos tribunais e em particular dos peixinhos-de-prata que passam a ter imenso papel para roer, o que esperamos façam em tempo record, dado que o papel está a ser fornecido com suplementos vitamínicos. Contudo os queixosos estão a retaliar com processos de queixa-crime contra o portal pois segundo eles, quando entraram no portal e olharam para o lintel, viram escrito “Escolha o seu ídolo e deixe a dedicatória. Será enviado autógrafo mais tarde, em correio expresso. Portes a pagar no destinatário”. Porém alguns dos denunciados admiraram tanto o espírito observador dos denunciantes que entraram em contacto directo com estes para se conhecerem em almoços e jantares discretos, onde os queixinhas têm recebido propostas de vários tipos, que se encontram ainda em segredo de negócio e como tal não podem ser divulgadas. De igual forma, alguns dos ídolos também responderam positivamente, tendo convidado os lamechas para uma conversa nos balneários do estádio ou nas roulotes de rodagem de exteriores da mais recente telenovela e podemos informar que tais encontros têm gerado grandes alterações nas vidas de ídolos e fãs, vários deles encontrando trabalho junto dos seus deuses da tela e do relvado para lhes passearem os cãezinhos, escovarem os gatinhos, limparem e consertarem os sapatos, correrem a comprar desodorizante ou brilhos dos olhos, esgotados em todas as lojas de centro comercial, ou são contratados como criados para todo o serviço e quando dizemos “todo” é mesmo todo, incluindo esse que o leitor está a pensar. O caso de maior sucesso foi o do Zé Gosma com a Titas Beiçuda, actriz especializada em papéis de sonsa (o Zé Gosma é especialista em sonsamente palmar carteiras) que terminará em casamento já para a semana. Dada a enorme aderência ao Portal de Denúncias e as histórias de sucesso que dele emanam, sugerimos que o Portal se passe a chamar: Portal de Denúncias de Corrupção e Encontre Aqui o Seu Mais-Que-Tudo (não nos responsabilizamos por processos de divórcio futuros).
 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Os Vizinhos do Sul, as Ilhas do Nascer do Sol e o Império do Arroz têm andado aos arrufos por causa dos direitos de ocupação do Mar do Arroz, o que tem levado a República dos Hambúrgures a voos charter frequentes na zona para os turistas poderem apanhar as primeiras fotos do eventual início da zaragata, porque até ontem era de crer que mais cedo ou mais tarde o desaguisado entre as três potências em causa iria dar molho pela certa. No entanto, para não perder passageiros, nem irritar o Império do Arroz que é dono de colossal fatia da dívida pública da República dos Hambúrgueres (julgavam que os caloteiros eram só os países do sul da União das Hortaliças?), esta belicosa República decidiu passar a informar o Império sempre que os seus aviões e cidadãos vão ao Mar do Arroz tirar fotografias das hostilidades, de modo a que os fiéis súbditos do Império possam preparar-se atempadamente para ficarem bem na fotografia. Naturalmente serão pagos royalties ao Império do Arroz – embora não aos seus cidadãos pois o contributo de cada um para a economia não é do contribuinte mas do imperador do grande Império – e espera-se que estas circulem abundantemente no canal Dois Tubos da Rede-de-Pesca, mesmo que sejam em formato pirata. Entretanto, e como os três países em questão estavam já a contar armas e um outsider – a Dinastia Democrática da Fome – anda a fazer das suas aos Vizinhos do Sul, ameaçando partir para a lambada cada vez que o pequeno imperador local tem dor de barriga, o presidente da República dos Hambúrgueres começou a ver as coisas muito pretas e ainda mais escuras no que tocava aos negócios, apesar do lobby das espingardas, bazucas e outras armas de maior potência (a AAPPPum, na língua local) tentar por tudo apaziguá-lo de que uma guerra entre aqueles países seria óptimo para os negócios, decidiu o mesmo enviar o seu camareiro-mor para ver se acalmava os rapazes e cessavam as hostilidades. Após numerosos voos entre os países às turras, bonitos banquetes com ampla exibição das criativas gastronomias locais – que levaram a um substancial aumento do consumo de comprimidos de alívio da digestão – o camareiro-mor dos Hambúrgueres conseguiu estabelecer um acordo entre as três partes que foi alegremente celebrado com fogo de artifício e disparos de baterias de mísseis terra-ar com pequenas ogivas nucleares para causar mais efeito ao atingirem os navios das marinhas adversárias. A celebração instituiu um novo marco na resolução diplomática de conflitos e veio incrementar as economias locais, já de si e por tradição muito propenas ao jogo, tendo os súbditos das três nações corrido de imediato às bancas dos apostadores e às casas de penhores para poderem continuar a jogar no novo jogo. É que a partir de agora as disputas em torno da posse do Mar do Arroz passam a ser resolvidas por meio de rifas, em que o primeiro sorteado tem o direito de possuir o mar às 2ª e 3ª feiras, o segundo classificado às 4ª e 5ª e o terceiro às sextas e sábados, ficando o domingo para a Dinastia Democrática da Fome, a qual fez já saber que recusa a oferta pois não se irá corromper com as práticas decadentes do mundo capitalista. Deste modo o domingo passa a ser reservado para os peixes e para os chatos dos barcos Arco-Íris que passam a vida a protestar por coisinhas de nada como plataformas petrolíferas à beirinha do desastre total. Deve este jornal acrescentar que o acordo sofre já de generalizada contestação por parte do lobby dos AAPPPum e das companhias aéreas que, desde que se realizou o primeiro sorteio, deixaram de ter passageiros para ir fotografar a guerra.
 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Dr. Jekill & Mr. Hyde Voltam à Ribalta
Na Tripeça voltou a instalar-se o desconforto porque o Fundo Mundial da Agiotagem trocou mais uma vez de personalidade e regressou ao seu alter-ego de Dr. Jekill. São notícias perturbadoras para o Banco da União das Hortaliças, o segundo membro da Tripeça,pois se o Fundo Mundial da Agiotagem em vez de fazer agiotagem como consta dos seus estatutos, desatar a fazer caridade e a distribuir bodo e pão aos pobres, como é que os pobres bancos podem fazer os seus negócios com as margens de lucro habituais? É um perigoso risco de retrocesso da economia! Porque bem sabemos, dar bodo aos pobres incentiva-os a não trabalhar, e se isto se passa com as pessoas ainda mais é com os países, donde não se pode ser brando, é preciso reestruturar e cortar as gordurinhas, que isso é bom p’ró colistról e p’r´coraçãe. Por tais profundas razões a Tripeça decidiu tomar medidas e chamou um psiquiatra dos à antiga, que não se importa de usar coletes de força e jactos de agulheta hiper-fria para modificar os comportamentos dos malucos de serviço, embora haja lamechas que digam que estas práticas são tortura, mas não vale a pena preocuparmo-nos com isso, na Tripeça são todos pessoas de bem. Após apurada análise aos seus honorários e um lauto almoço com o seu paciente, o douto psiquiatra pôde tranquilizar as hostes da Tripeça. Não se tratava de problema psiquiátrico nenhum por parte do Fundo Mundial da Agiotagem mas uma simples questão de gestão de imagem. Tudo o que fora mandado fazer aos países em dieta de emagrecimento super-sónico da Top-Model na berra era para continuar a fazer; na verdade é até para fazer muito mais, cortando em tudo o que seja tecido e músculo social, sendo o objectivo a alcançar – sem negociações para baixar os índices – o de se verem livres de metade da população, quer por emigração para países ricos que procurem mão de obra ao preço da uva mijona, quer por alegres campanhas de extermínio chamadas com muito mau gosto de “guerras civis” pois o mercado do armamento tem também andado em crise, embora aos distraídos não pareça nada, e é de premente necessidade e urgência revitalizá-lo. Assim, é tudo para cortar (menos os juros muito baixinhos aos bancos e o seu resgate por parte dos contribuintes) e com ainda maior vigor do que antes para ver se o burro se habitua a viver sem comer, o que a ser alcançado resolverá o problema que já se avista ao longe e que será a falta global de alimentos. O emérito clínico assegurou aos meios de comunicação que o paciente está bem, como provou a fotografia em tamanho poster que mostrou às câmaras, e a sua loucura deve ser incentivada, sendo muito importante deixá-lo falar sobre erros de cálculo e de previsão sempre que lhe apetecer, pois de contrário a loucura pode tornar-se furiosa. Quanto às questões de imagem, aconselha-se apenas à Tripeça que mude de equipa pois os consultores Dr. Jekill & Mr. Hyde estão ultrapassados desde os tempos da Rainha Vitória.
fonte: pt.wikipedia.com
 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Os mercados foram recentemente invadidos por bandos de queixinhas, para grande desconforto das vendedeiras do peixe e dos legumes, que já começaram a arrear a giga e estão a arregaçar as mangas para uma valente peixeirada. O tumulto deve-se não apenas ao facto da Micas da Faneca andar numas relações extra-conjugais com o home da Maria da Sardinha e o Tó dos Pêssegos andar a roubar nas facturas do Zé das Costeletas mas, e acima de tudo, pela promessa que o Chefe Paulo fizera de ir baixar o IVA nas vassouras e na água para lavar as bancadas. Só que o IVA não baixou e até há ameaços de que vá aumentar, taxando estes vitais produtos de limpeza do mercado como artigos ainda mais luxuosos que os de luxo. Já se sabia que a comida é um bem de luxo, e como tal assim taxado – pois só consegue arranjá-la quem ainda tem o luxo de possuir muitos carcanhóis no bolso, os outros ficam a vê-las nas montras, tal como aos relógios, roupas e outros acessórios – mas que os produtos de limpeza fossem considerados de luxo precisamente num mercado, que tem de cumprir as esterilizantes recomendações da ASAE… O Manel do Tinto, comerciante de carrascão e aguardente a martelo, tentou acalmar os ânimos lembrando que o Chefe Paulo sempre se atrapalhou com palavras grandes, lembrassem-se só da barafunda que fora a questão do irrevogável fecho do mercado, mas ninguém o ouviu. O Chefe Paulo teve de se trancar à pressa no gabinete da Direcção e neste momento encontram-se cá fora todos os comerciantes com banca no mercado, agitadíssimos, a proferir apupos, assobios e ameaças e também a dar manguitos às janelas sempre que os cabelinhos do Chefe Paulo aparecem no vidro. O Manel do Tinto, muito seguro de si e das suas convicções pacifistas, anda a fazer um negocião a vender penalties e copos de três, que isto duma pessoa ir p’ra uma manif faz sede. Para tentar proteger o chefe, alguns membros da Direcção vieram dar o corpo ao manifesto e queixar-se que a culpa não era do Chefe mas dos senhores estrangeiros que agora são donos do mercado, eles é que não deixaram baixar o IVA das vassouras e da água das limpezas. Também se queixaram de muitas outras coisas, como os senhores em questão teimarem no corte das rendas da electricidade e dos cutelos eléctricos do talho e que se não houver cortes, cortam eles a dita cuja e fica tudo às escuras, de que os vendedores e os fregueses do mercado não compreendem esta nova gestão e tentam sempre arrear na Direcção, que coitada não tem culpa nenhuma, que os fregueses não querem ver que estas novas medidas são para seu bem, para não desatarem a comprar à bruta e viverem acima das suas possibilidades, e depois começaram a queixar-se das canalhices que os outros faziam para ficarem com o cargo mais bem pago na Direcção do mercado e por aí fora, tal e qual como queixinhas do infantário. A coisa pegou com a Micas Faneca, que lhes vendeu o peixe todo a metade do preço (não faz mal porque ela recupera o lucro roubando no peso e aumentando o preço para os outros clientes) mas a Maria das Sardinhas, para contrariar a amásia do marido, voltou-se para o queixinhas que lhe pedia peixe sem IVA e fez-lhe um Bordalo: “Queres fiado, toma!”. Já a Lecas Florista, fina com’ó oiro, fez-se de surda e respondeu à pedinchice com “oh, meu filho, nã te oiço. Disseste qu’as eleições eram quando?” O Chefe Paulo, pelo sim, pelo não, continua trancado na casa de banho, aproveitando para desenvolver a sua cultura geral e linguística com os dísticos que tão castiçamente costumam decorar estes locais de recolhimento.


 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Realizaram-se hoje eleições autárquicas no Charco do Milho e o Camarada Presidente/ espírita em part-time, que fala com o Querido Líder encarnado em manchas de tinta, aves e mesa pé-de-galo, sofreu triste surpresa quando lhe anunciaram os resultados. Tão grande na verdade que pensou usar os seus novos poderes presidenciais para anular o sufrágio e decretar que nunca mais durante o seu tempo de vida se tornaria a ir às urnas no Charco. Foi porém impedido por duas razões de peso: a primeira, que apesar do país ser grande produtor de petróleo, não havia pitróilo para fazer funcionar as rádios nem já agora as rotativas – sim, leram bem, no Charco ainda se desconhecem as impressoras laser – ou o papel para imprimir o Diário do Governo com o dito decreto; a segunda foi a de que tantas visões deram tamanha fome ao Camarada Presidente que a sua cintura grácil passou à forma barril e quando conseguiu ser enfiado no carro, o assento afundou, abrindo um buraco na carroçaria, evento que de imediato explicou às televisões reunidas para filmarem o rombo como sendo mais um infame boicote dos inimigos da revolução. Assim, sem eleições anuladas para sempre por poder presidencial, os eleitores puderam seguir a evolução do escrutínio na TV e descobriram que, pelo menos nas zonas mais populosas, o Camarada Presidente levara uma abada das antigas. E isto apesar de ter deixado que a escolha do dia de Natal se fizesse pela popular “raspadinha” e introduzido curiosas inovações económicas como a dos lojistas pagarem aos clientes pelos produtos que estes levem e, em dias de saldos, até ofereçam mais três unidades além das levadas pelos fregueses. O Camarada Presidente, incapaz de deter o curso dos acontecimentos, começou a telefonar para as mesas de voto, querendo muito saber do destino dos votos que tinham sido introduzidos nas urnas à razão de 2 por eleitor, previamente à abertura das secções de voto, mas a resposta era sempre a mesma: “Camarada Presidente, o seu homem de mão deve ter-se enganado no saco dos votos – ou está do lado da oposição – porque não há nenhum desses por cá”. Desesperado, o Camarada Presidente, já a cair de maduro, mandou a polícia política atrás dos homens de mão faltosos mas estes juraram, mesmo após prolongada sessão de tortura, que eram fidelíssimos ao maduro e tinham colocado os votos todos tal como vinham nos sacos selados do Palácio Presidencial. Aqui havia um problema porque fora o próprio Camarada Presidente quem enchera os sacos. E foi então que uma voz conhecida lhe arrepiou a espinha. Virou-se e viu na TV o camarada pássaro-presidente a responder em directo, não apenas aos jornalistas mas também aos telespectadores, os quais nem precisavam de fazer a chamada telefónica de valor acrescentado que passava no rodapé das imagens pois sendo agora espírito, podia ligar-se telepaticamente a todos os seus súbditos. E antes que o Camarada Presidente a cair de maduro agarrasse no telefone – desta não ia pôr-se com avarias espíritas – o camarada pássaro-presidente respondeu, piscando-lhe o olho e erguendo a colorida popa da cabeça: Sei bem o que estás a pensar, meu grande maduro, mas aldrabar as eleições não é democrático. Se querias ganhar, não fosses um forreta com a alpista! E dito isto, levantou voo em direcção à floresta tropical, antes que ela desaparecesse de vez.
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Também na União das Hortaliças os dicionários estão a ser revistos, ou mais exactamente, as directivas que definem o que é um dicionário e quais as palavras que deve conter para cada uma das 27 línguas oficiais (e mais algumas oficiosas, sem contar as dos escritos das casas de banho). E isto por causa da inovação que a república Federal das Batatas e real soberana dos 27 da União está a introduzir no princípio da livre circulação de pessoas e bens, que é suposto ser um dos pilares da União. Ou pelo menos assim foi apresentado aos seus distraídos cidadãos, quando foi preciso levá-los a aprovar mais ou menos à força certos tratados. Assim, em resultado do feliz casamento entre os dois maiores partidos desta República, que pode agora atirar foguetes pois já tem governo, os não-batanteses vão passar a pagar imposto por circularem nas auto-estradas desta República que, como se sabe são verdadeiramente livres pois não se paga por lá andar e pode-se acelerar até Mac 5 que não há problema, excepto para os outros automobilistas que podem ser amassados pelo acelera sem sequer perceberem o que os atingiu. Assim, à entrada das auto-estradas da República Federal das Batatas vão estar além dos habituais separadores e faixas de aceleração, cabines tipo bilheteira onde os automobilistas terão de parar para mostrarem os documentos, como em qualquer normal e já quase esquecida fronteira dos velhos tempos da (des)União. Os cidadãos da União que pertençam ao clube de 1ª (vizinhos ideológicos e raciais dos batatenses) pagarão taxa reduzida de 2%, os cidadãos de 2ª da União taxa moderada de 10%, os cidadãos de 3ª (países do Sul ainda não afundados pela Tripeça) taxa de 40%, os de 4ª (filhos dos países do Sul para sempre endividados à tripeça) taxa de 70% e proibição de circular nas faixas de alta velocidade, os de 5ª categoria (países do Leste pobre) taxa de 90% e só poderão circular na berma; finalmente quaisquer infra-humanos exteriores à União pagarão taxa de 120% e serão terminantemente proibidos de entrar na auto-estrada, sendo varridos para as estradas secundárias para não conspurcarem o digno asfalto batatense, com excepção para os cidadãos do Império do Arroz, da República dos Hambúrgueres e do Império dos ursos, mas estes últimos apenas e só após prova de sólida fortuna pessoal e empresarial (aceitam-se empresas de todo o tipo incluindo a de tráfico de pessoas e assassínio a soldo, desde que a conta bancária tenha pelo menos 6 zeros à frente da unidade e um 5 na 7ª casa). Esta medida, que teria feito as alegrias do Batata Podre se dela se houvesse lembrado, foi já saudada com grandes manifestações de júbilo dos batatenses que agitavam bandeirinhas laranja com os nomes de Angie e entoavam não o wenn alle untreu werden mas um simpático estrangeiros vão circular para as vossas estradas cantando em ritmada barcarola. Houve naturalmente protestos das várias comunidades de emigrantes no país, calados à pedrada pelos bons rapazes da cruz de pernas partidas, pois agora para irem para os empregos têm de perder tempo nas filas dos controlos de passaportes e pagar as taxas tal e qual como se fossem apenas turistas, mesmo os emigrantes que já nasceram nesta República visto que pela lei local só é batatense quem nasceu de pais batatenses. Irritados com este “atentado aos direitos dos seus turistas” o Império do Chá, casmurra ilha da União com a mania das independências e que nunca foi muito bem com as batatas, decidiu também no mesmo espírito ecuménico que alimenta o novo governo batatense, promulgar leis no sentido de impedir a entrada de estrangeiros na ilha, tendo para tal destacado patrulhas de Defesa Territorial e Anti-Aérea, para abater a tiro todo e qualquer estrangeiro sem passaporte que apareça pela costa mesmo que seja também membro da União. Foram aliás já distribuídos aos voluntários civis destas patrulhas folhetos com descrições dos vários tipos de cidadãos da União, surgindo em grande destaque as imagens representativas de membros do Povo das Carroças (com lenços, castanholas, carroças coloridas e homens barbudos de chapéus pretos), do Condado dos Morcegos (com os seus habitantes agarrados a estacas e a pregar outros habitantes semi-transfigurados em morcegos) e da Democracia do Canto Coral (em que os seus habitantes aparecem em trajes muito garridos e abraçados uns aos outros a cantar em coro). A República Federal das Batatas apresentou já um protesto ao Conselho dos Direitos Humanos da União, não só porque o Império do Chá teve a ideia de colocar os batatenses entre os estrangeiros a abater como, ainda pior, os apresentou segurando grandes canecas de meio litro a transbordar de cerveja. Os outros países da União não apresentaram queixa porque nem têm direito a isso. Deste modo os dicionários da União estabelecem a partir de hoje que “livre circulação de pessoas e bens” significa “livre circulação de mercadorias” porque as pessoas há muito que não contam neste totobola.