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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Escolas de Condução Mudam Equipamentos para Alforges, Cabrestos, Ceirões e Palha

Para fazer face à crise crescente – embora os optimistas da Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas, nome dependente de se se fala valão ou flamengo, anunciarem que já acabou – as escolas de condução da República dos Nabos vão mudar o seu equipamento de ensino, abandonando os batidos automóveis por viaturas mais interactivas e com personalidade, a saber: cavalos (para os alunos VIP), mulas (para a classe média apeada) e burros (para a demais clientela). Resulta esta mudança de paradigma da necessidade de acomodar as limitações financeiras em termos de combustível e, sobretudo, das limitações de logística dos inspectores destas escolas e não, como andam a dizer as más-línguas, das exortações do líder religiosos do Califado das Areias que declarou há uns meses não deverem as mulheres conduzir para bem da saúde, embora não explicasse de quem atendendo à violência com que os machos locais – os únicos com direito a volante – conduzem por aquelas amplas vias. A medida foi já saudada com palmas e assobios de incentivo aos animais-viatura a beberem a água que lhes enfiam no balde, tanto à esquerda como à direita da estrada. O Ministro da Agricultura nabense, que pensa que os ovos nascem assim mesmo em caixinhas, disse que esta ideia revolucionária irá colocar o Nabal na senda do crescimento económico pois poderá passar a exportar muita poia para a agricultura ecológica dos demais países da União das Hortaliças (que é em estufas e com pesticidas). Por seu turno os criadores do Burro das Mirandas respiraram de alívio pois finalmente os seus mulos já não estarão em extinção e poderão obter mais algum rendimento dado que o subsídio da União nem chega para pagar ao ferrador quando este vem aparar os cascos às alimárias. Por seu turno o Ministros dos Negócios Estrangeiros Machadada, famoso por resolver conflitos diplomáticos com a elegância dum elefante com cio numa loja de porcelanas, está eufórico e mostrou até aos jornalistas a capa do mais recente New York Times onde o Nabal é comparado a um burro… em cima dum vai-vem espacial. Para o excelso ministro, o facto do vai-vem espacial estar estacionado num canto do aeródromo, já prontinho para a sucata dada a descontinuação, isto é, extinção, do programa espacial com estes veículos, é apenas uma pequenina nota de rodapé. O porquê desta mudança de motores turbo para alimárias turbulentas tem a sua origem no facto de que, estando integrada na União das Hortaliças, a República Democrática dos Nabos tem de realizar normas e inspecções periódicas a tudo, incluindo as casas de banho (tópico que trataremos noutra notícia) e reportar à Cidade do Tacho nos prazos estipulados. E como a crise fez com que os inspectores das escolas de condução não dispusessem de viaturas nem de combustível para realizarem as inspecções como normalmente, tentaram realizá-las a pé; só que mesmo azelhas e a tentar acertar com a embraiagem e a caixa de velocidades no tempo correcto, os formandos conseguiam andar muito mais depressa que os respectivos inspectores apeados e a coisa terminava sempre com um inspector no meio da avenida, sem fôlego e a gesticular, pedindo boleia (que nunca recebia pois sabe-se lá quem é o maluco que vai a correr atrás do carro da frente), e anotando no caderno a única coisa que conseguira inspecionar: a matrícula. Os relatórios da inspecção, apesar de justificadas as limitações nos dados, eram sempre chumbados na Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas e as escolas de condução corriam já o risco de fechar por incumprimento das normas comunitárias. Foi assim que as escolas decidiram mudar o estilo de viatura e de condução no Nabal. Agora anda tudo de cavalo p’ra burro e ao inspector basta apenas acenar com uma cenoura ou um suculento molho de folhas de couve para as alimárias pararem e ele poder inspeccionar o aperto das cilhas, a justeza dos alforges, o tamanho do cabresto e do cabeção, a largura dos estribos, o estado de desgaste das ferraduras (uma ferradura “careca” dá direto a multa e apreensão da carta de condução de quadrúpedes no novo Código da Estrada) e o aparamento dos cascos. As melhorias para o turismo serão imediatas dado que o pitoresco do novo quadro rodoviário trará ao Nabal multidões de turistas que achavam que os burros eram coisa lá do 4º Mundo. Os ecologistas esses, estão divididos: é verdade que as emissões dos gases de efeito de estufa vindos da combustão do petróleo diminuirão de forma radical mas infelizmente quando os quadrúpedes libertam gases, num processo de combustão pré-turbo e que pode dar coice, não só os arredores são inebriados dum pungente fedor como infelizmente um monte de metano se liberta para a atmosfera. Irão os burros salvar-nos das alterações climáticas... ou não?

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Amor Fraternal Versão Moderna: Leve a Sua Irmã a Rebentar-se com Bomba Suicida

fontepalmiraguimaraes.blogspot.com 
No Califado das Tribos à Pancada existe agora uma nova forma de amor fraternal, que consiste em enviar as irmãs para o Paraíso antes de chegarem à tentadora e pecaminosa puberdade, fazendo-as rebentar-se com bombas e no processo rebentarem com muita outra gente, mesmo se desconhecida, pois são perigosos infiéis dado que interpretam os textos sagrados locais de forma diferente da destes carinhosos irmãos. E o amor filial é tão grande que estes irmãos nunca pretendem alcançar o Paraíso, rebentando-se eles próprios no meio de mercados, ruas, autocarros, gares, assembleias, centros comerciais e, pontos especialmente populares para estas explosões, as entradas dos templos; em especial quando os fiéis estão a sair das orações em dias santos, pois assim melhor se garante a subida ao Éden do rebentador/rebentado. Não, estes doces irmãos declinam o privilégio de se rebentarem e rebentarem os próximos e atingirem assim o Jardim das Delícias, preferindo entregar a ascensão à felicidade às suas amadas e nunca por demais vigiadas e obedientes maninhas. A acção de mandar as irmãs explodirem-se tem vários benefícios tanto celestiais como terrenos. Em termos celestes os irmãos acumulam bons méritos e também um lugar cativo no Éden sem que tenham de passar pelo incómodo de se rebentarem eles próprios, pois terão criado uma mártir infantil e esta, no seu estatuto de mártir poderá, uma vez no céu, incluir o nome do irmão entre os cerca de 70 parentes que pode nomear para também entrarem no Paraíso e todos sabem que o sistema de cunhas funciona até mesmo com o Divino (resta saber se a criança também terá muitos infantis virgens masculinos para se entreter ou sequer se isso lhe fará algum proveito na nova vida angelical). Terrenamente as vantagens são óbvias: ninguém se irá meter com um líder que faz rebentar as próprias irmãs e, ainda melhor se as convencer a todas, quando chegar a hora de partilhar a herança de família não terá chatos cunhados a regatearem o que houver para regatear pois as crianças terão ido pelos ares antes mesmo de se casarem, apesar de neste país as noivas com 8 anos ou menos de idade serem um costume ancestral e muito respeitado. Para resolver este problema, basta convencer a maninha a ir rebentar-se no meio dos filhos de Satã quando ainda não se fez o casório. Garantindo um anjo no céu e bens materiais na terra, o bom irmão pode viver em paz para guerrear, com a confiança serena no futuro de que não importa o que faça, terá sempre um lugar cativo junto do Divino pois a(s) maninha(s) lá estará(ão) para meterem uma cunha e fazê-lo entrar nas delícias eternas. Poderá contudo haver um pequeníssimo problema quanto a resultados neste novo tipo de amor filial: o Éden pode não ser bem como se imagina e o Divino pode não ser permeável a cunhas ou decidiu mudar as regras de admissão e considera agora apenas os méritos próprios do candidato e não dos restantes membros da família. Assim, o fraternal irmão pode ver-se não perante um palácio de frescos jardins, leite e bolos de mel, assessorado por numerosas virgens mas perante um juiz que recusa subornos e o fará pagar amargamente por ter levado as irmãs a acabarem com a sua vida e a de outros quando ainda eram crianças, quiçá por medo não tanto das penas do Inferno mas das represálias do querido irmão, seus amigos e conhecidos, pois estas seriam sem dúvida muito piores do que as piores invenções de Satã em dia de dor de dentes.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Quer Suicidar-se e Ficar na História? Torne-se Jornalista!

Um estudo sociológico alargado e de abrangência internacional revelou que a profissão de jornalista possui a maior taxa de acidentes mortais em trabalho em todo o mundo. Só no ano findo findaram-se 108 jornalistas, o que dá a bonita média de 1 despachado para o Outro Mundo a cada 3 dias, ou mais exactamente 1 a cada 81 horas. Intrigados com o facto de alguém querer abraçar uma profissão com tais taxas de mortalidade profissional, os sociólogos decidiram estudar de perto os repórteres e outros afins para lhe traçarem o perfil (também contrataram a recibos verdes vários alunos de Belas-Artes para fazerem os tais perfis) e concluíram que apenas um grupo muito especial de pessoas abraça esta carreira de alto risco: são pessoas com um grande desejo de aventura, incapazes de perceber que a verdade é por via de regra muito inconveniente e que aliás nem existe, com uma necessidade compulsiva de dizerem ao mundo aquilo que sabem/descobriram (o que convenhamos, é um grande erro), e acima de tudo com uma tendência inconfessa e mal reconhecida de suicídio. Concluindo: um perigo social à solta. Em face dos resultados destes estudos, e cientes do seu dever em satisfazerem os anseios dos seus cidadãos, os governos de vários países estão já a trocar entre si, à laia de informal Interpol, listas de jornalistas abelhudos que por serem tão abelhudos estão mesmo a pedi-las. Por seu turno, os grupos de terroristas, insurgentes e guerrilheiros já há muito tempo trocam bases de dados sobre os jornalistas incómodos – não apenas os nomes e fotografias actualizadas mas também os actuais paradeiros de pernoita e roteiros de movimentação nos locais de reportagem – de modo a estoirá-los à melhor oportunidade para que estes não revelem o que não convém nada ser revelado. Assim, se está desgostoso da vida, tem credores, empresas de cobranças difíceis à perna ou as contas em atraso no fisco e não sabe como regularizá-las, se pensa que ir desta para outra é o seu melhor remédio, inscreva-se numa escola de jornalismo (das que dão cursos ultra-rápidos, como certas universidades que selam diplomas aos domingos, para assim fugir mais depressa a quem lhe anda no encalço) e parta de imediato para o país em guerra mais acesa, com maior taxa de atentados bombistas ou um desses exóticos locais onde o dinheiro circula não se sabe muito bem de onde para onde mas só 0,1% da população enriquece enquanto os restantes 99,9% mergulham na miséria mais completa, e ponha-se a seguir o rasto do pilim. Verá que conseguirá o seu objectivo em 2 tempos (os que um sniper demora a premir o gatilho e a bala o/a atingir).



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Parlamento da União das Hortaliças Recorda Evento Fundador da União
 O Parlamento da União das Hortaliças decidiu esta semana recordar um dos eventos fundadores do Continente: o cerco e capitulação da Cidade das Bizantinices, ás mãos do Império dos Turbantes Voadores, por vezes chamados de Otomanas. Essa invasão e consequente fim brutal do Império das Bizantinices, o qual resistira antes a tudo por mais de mil anos, teve pelo menos o bom condão de trazer a arte e os sábios do oriente para o atrasado ocidente e iniciar o Renascimento, a partir do qual se gerou praticamente tudo o que agora é a “identidade” do Continente e mais ainda, da União das Hortaliças. Deste modo, e tentando ser o mais fiéis ao rigor histórico, e após numerosas comissões, estudos encomendados a especialistas e contratação de académicos para fazerem a correcta direcção de actores no Parlamento da União, foi decidido encenar o debate de suprema importância que agitava a Cidade das Bizantinices na altura do cerco das Otomanas, e que foi o concílio convocado na altura não para discutir estratégias de defesa do cerco nem de negociação dos termos de um eventual tratado de tréguas e/ou armistício que salvasse as vidas, bens e cultura, incluindo a religiosa, da população mas o visceralmente mais importante tema do… Sexo dos Anjos. Porque está bem de ver que com um inimigo às portas e prontinho para nos fazer a todos às postas, era de suprema importância saber se no céu os anjos que nos acolhiam podiam fazer ou não triqui-triqui. Para não termos surpresas quando lá chegássemos. Pois bem, tendo actualmente o sexo dos anjos perdido toda a sua actualidade pois já ninguém se interessa por quem é que faz de papá ou de mamã desde que a criança chegue ao fim dos nove meses para benefício do fisco que atribui logo um número fiscal ao puto ainda antes deste ser capaz de balbuciar “imposto” se os pais querem ter apoio para as fraldas, tiveram os deputados do parlamento da União de escolher um outro tema nestes tempos também de cerco e guerra mas agora o inimigo está cá dentro, e a pancadaria já ferve em cidades da República Federal das Batatas e do Potentado da Paelha por os respectivos burgomestres locais terem planos para varrer os pobres que lá vivem para muito longe, para as periferias mais periferias da cidade, para a sua visão não incomodar a sensibilidade delicada dos novos moradores que virão para esses locais após as devidas renovações do tecido urbano. Assim, e porque nestes tempos de frio o que é preciso é aquecer a malta para os confrontos e traulitada à maneira, decidiram estes decidir sobe onde, quem e quando iria produzir adocicadas bebidas com frutas chamadas “sangria”, entre outras coisas porque sangram os bolsos de quem paga por um jarrinho da dita “com elas” e descobre que o “elas” não são as frutas mas uma montanha de cubos de gelo para diluir o mau sabor do vinho. Esta resolução bizantina, uma de várias encenadas esta semana com o rigor histórico que a queda da Cidade das Bizantinices merece e que pelo seu esplendor, e inutilidade, se assemelha em muito à actual Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas. De facto, segundo analistas políticos e economistas que obtiveram canudos aos fins-de-semana e por isso mesmo percebem imenso “da coisa”, esta bizantina legislação irá resolver o problema da moeda única e da fome que grassa de mãos dadas e aliança no dedo com a crise austeritária dos países do sul (para aprenderem a não ser uns desregrados gastadores), mal seja publicada nas 30 línguas oficiais da União e rectificada pelos parlamentos de cada um dos 30 países da dita, o0 que significa que não será nos tempos mais próximos que a crise da moeda única das hortaliças será resolvida nem tão-pouco abrandará o aperto de cintos apesar de todos os anúncios de sucesso e fim da dita cuja crise emitidos da Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas e respectivos órgãos filiados de incomunicação social. Mas sabe bem ao patriotismo, e às empresas de refrigerantes, saber que a “sangria” pode agora ser apenas produzida com selo de qualidade e autenticação de origem por apenas 2 países, devendo os restantes colocar nos rótulos das garrafas da animada bebida: “de imitação”. Continuem com bizantinices dessas que também um dia cairemos… de Maduros.

Universidades do Nabal Serão Aldeamentos Turísticos Para Estrangeiros Com Árvore Genealógica de Ouro de 24 Quilates e Folhas de Diamante
O Nabal, alcunha carinhosa da República Democrática dos Nabos, está a bater todos os records de inovação nas áreas pedagógicas da economia e do ensino, já sem contar na saúde, com a recém-promulgada licenciatura em Medicinas Tradicionais, leccionada pela Congregação de Bruxas, Adivinhos e Profissões Similares (CBAPS) e que tem tido uma tremenda aderência dado que não cobra propinas mas apenas exige que os alunos vivam paredes meias com o seu orientador nas misteriosas artes de curar com banha da cobra, baba de sapo, pele de salamandra, pêlos de bichos vários e pílulas de bocadinhos inconfessáveis de feras selvagens protegidas pela convenção CITES (mas quem quer saber de convenções, quando o mercado das partes de tigre e rinoceronte movimenta o carcanhol que movimenta?); além disso este curso permitirá aos licenciados exercerem a sua profissão em regime liberal a fugir aos impostos pois ninguém quer conjurar a ira da bruxa ou do bruxo da vizinhança por exigir recibo para entrar na tômbola semanal do sorteio do fisco. A nova inovação do Nabal acaba de ser atirada – porque foi de facto um tiro aos patos que acreditaram que podiam ter bolsas para estudar – pelo Buraco para a Investigação Científica (BCI) e consistiu em recusar os apoios financeiros a todos os projectos de investigação para doutoramento e pós-doutoramento, sendo que também já não aceita candidaturas para financiamento a projectos científicos desde o ano passado, pelo que a grande pergunta do momento é: para que é afinal precisa a BCI? Em resposta, e atento às dificuldades orçamentais, o governo decidiu extinguir a BCI e extinguir também os seus funcionários para que estes não viessem a dar com a língua nos dentes sobre a insólita decisão de chumbar todos os projectos de candidatura a estudos pós-graduação. Ao contrário do que se possa pensar esta não é uma estratégia suicida que impedirá o Nabal de se tornar competitivo nos anos futuros. De facto não há competição possível num mercado de trabalho que funcione segundo a lei do regime escravo mas onde os trabalhadores sejam em aparência livres… para trabalhar 20 horas por dia e nem terem tempo para se irem suicidar a casa (suicidando-se por isso no local de trabalho, como está a tornar-se tradição no Império do Arroz). Por esta razão se tem incentivado de todas as formas possíveis os nabos que contraíram a doença dos estudos e possuem agora licenciaturas, mestrados, doutoramentos e post-docs a emigrarem para outras paragens pois a sua doença é perigosa num Nabal que se quer escorreito e livre da funesta mania de pensar como dizia um célebre intelectual de antanho cujo nome o mundo fez o favor de esquecer. Os nabos com esta doença que teimem não ir arejar as ramas para outro lado, são increpados pelos nabos-governantes a buscarem emprego e financiamento nas indústrias e grandes grupos económicos dado que até agora nunca souberam “acrescentar valor”, de acordo com o Ministro da Deseducação que veio a público exigir um aumento da inovação, após saírem os resultados da Não Atribuição de bolsas da BCI. Inovação, entenda-se nos métodos de fugir do Nabal. Inovação, entenda-se em sobreviver sem comer, sem livros para estudar nem equipamentos para investigar e inovar, sem casa, roupa ou calçado pois as empresas do Nabal detestam gente com a doença dos estudos dado que, nas sábias palavras dum dos líderes da indústria local, “para apertar porcas numa linha de montagem não é preciso saber ler e escrever” logo só fornecem dinheiro para investigação se no momento estiverem apertados com os impostos e precisarem de se socorrer da Lei do Mecenato (embora ninguém saiba que é esse senhor Mecenato, é seguramente alguém que aprecia muito futebol e concertos pimba em festas de aldeia). Também, é claro, para plantar batatas não é preciso saber ler e escrever (o facto dos agricultores com sucesso e capacidade para exportar serem no geral aqueles com estudos não conta para esta história), razão pela qual a seguir serão fechadas as escolas que restarem. Esta estratégia é assim não um extermínio do futuro do país mas sim um revolucionário avanço em termos de sustentabilidade da Regra de Ouro da União das Hortaliças e que consiste no mirífico “défice 0”. Com efeito, em vez de inutilmente se gastar dinheiro com as Universidades e investigação – o que todos sabemos não serve para nada – estas irão ser agora transformadas em aldeamentos turísticos com vista a captar as tão necessárias divisas para o Nabal pagar o que deve e os juros do que não deve mas faz de conta (afinal são precisas pequenas “lembranças” a oferecer aos futuros empregadores dos nabos-políticos quando estes deixarem funções). O governo do Nabal pretende internacionalizar as universidades de forma a darem dinheiro, e não no tipo de internacionalização que estas já fazem com fartura, como terem alunos estrangeiros ao abrigo de diversos programas de intercâmbio internacional, professores convidados e projectos de investigação com países de todos os continentes, mas sim aproveitando as naturais apetências do país e todos sabem que o Nabal é cada vez mais um destino turístico de eleição, dada a passividade e mansidão dos nabos e o bonito sol que ilumina a horta. Assim, as universidades e escolas serão a partir já deste Verão transformadas em aldeamentos turísticos de luxo, recebendo somente turistas que demonstrem de forma concreta possuírem árvore genealógica de ouro de 24 quilates e folhas de diamante de 10 carats e flawless. Tanto as folhas de diamante como o ouro serão testados em contraste e análise microscópica no momento em que os hóspedes fizerem o chek-in na Universidade/Aldeamento. Os candidatos a turistas que apresentem diamante ou ouro abaixo das classes acima indicadas ou tentem aldrabar a gerência com diamantes artificiais, zircões ou prata banhada de ouro serão corridos a pontapé até à fronteira pois só podem fazer pouco e/ou aldrabar os nabos os estrangeiros que tenham pedigree. Quanto aos filhos da gente fina do Nabal que queiram estudar p’ra doutor pois dá sempre jeito ter um bonito diploma pregado na parede do salão onde se recebem os outros magnatas e/ou onde se joga mini-golfe para manter em alta o ego do boss mesmo se as suas acções estiverem em baixa, o problema foi já resolvido com um acordo bilateral que promove a inscrição dos bebés nas Universidades da Ivy League, de modo a assegurar as futuras vagas, desde que os papás contribuam generosamente todos os anos para estas conceituadas Universidades da estranja pois os pedigrees hoje flutuam à conta dos negócios e num estalar de dedos um candidato com todas as referências pode ter de ser deitado borda fora porque deixou de cumprir os critérios de conta bancária.

Criado Cinto de Castidade Inviolável Para o Segredo de Justiça
Cansada das fugas de informação e violação do segredo de justiça, a Procuradoria-Geral do Principado da Casa dos Segredos, decidiu fazer uma autoria interna como está agora na moda, para descobrir de onde vinham as fugas na canalização e procurar resolver o problema sem necessidade de canalizadores, que isto o orçamento anda apertado, ou de adoptar o original método dum candidato às autárquicas locais que aparecia nos cartazes com um penso rápido a colar-lhe a boca. E esta auditoria surgiu com a solução mais eficaz: não tentar conter o segredo na fonte mas impedir os malvados jornalistas de a publicarem, apesar de, pelo menos em teoria, serem pagos precisamente para… noticiarem. Mas lá está, há notícias e notícias e as notícias que o príncipe e senhor do reino não gosta ou não quer que se saibam, não são notícia e os jornalistas deveriam ser ensinados sobre essa pequenina e subtil diferença entre o que é notícia e o que não é. Não é notícia revelar que a princesa andou a fazer negócios especulativos com o dinheiro… dos impostos dos cidadãos e não com o dela que continua muito bem seguro no Cantão dos Queijos. Mas já é notícia mostrar os cueiros do principezinho e a loja de marca onde estes foram comprados, com extensas entrevistas ao gerente a dissertar sobe a cor da moda e os tecidos exclusivos para a casa real. Assim, o relatório da auditoria sugeriu que para combater o segredo de justiça, fosse a ele aplicado um… Cinto de Castidade. E como a arte de fabricação destes cintos ficou perdida nas trevas da Idade Média, constitui-se uma comissão de Preparação do Cinto de Castidade e Suas Normas de Uso, como é de tradição no Principado sempre que há casos bicudos ou/e que metam negócio. Ainda não se sabe como ou quem irá tomar as medidas às partes íntimas do Segredo de Justiça nem quem irá ter a seu cargo a tarefa de o forjar, brunir, polir, decorar e enfiar-lhe a chave mas as regras da sua utilização estão já estabelecidas e são as seguintes: 1) serão efectuadas escutas telefónicas aleatórias a todos os jornalistas recorrendo à mesma tecnologia da NSA (já está em preparação o acordo de prestação de serviços com esta grande multinacional), 2) serão recolhidas informações detalhadas incluindo as relativas aos usos e costumes mais íntimos dos jornalistas por parte dos espiões com carteira profissional e outros amadores, vulgo “bufos”, que queiram ajudar o príncipe a manter virgem o Segredo de Justiça, após a devida operação para lhe restaurar a virgindade, 3) também ao abrigo de cooperação com a NSA serão vigiados os computadores, gravadores, pens e blocos de notas dos jornalistas, mesmo os que não sejam usados nas suas actividades profissionais, de modo a detectar violações ao Segredo de Justiça e outras actividades insurgentes e subversivas, 4) serão realizadas buscas às casas dos jornalistas e chefes de redacção, aleatórias e escolhidas por aplicação dum algoritmo baseado no sorteio semanal do euromilhões (ou em alternativa do sorteio semanal do fisco), 5) serão também realizadas buscas aleatórias, definidas pelo mesmo procedimento do anterior, mas modificando o grau da variável no caso de jornais com a mania de publicarem notícias inconvenientes, 6) no caso do jornalista ter falado com alguém ao telefone, na paragem do autocarro, em mesas de café, nas bichas da Segurança social ou do Instituto dos Desempregados, por email em chats ou redes sociais da Rde-de-Pesca, será tanto ele como o falante multados com multas milionárias 8que se não forem pagas darão cadeia, esperando-se assim que toda a classe jornal esteja na prisa em apenas 3 meses após a entrada deste código em vigor, pois falar com um jornalista é a partir de agora crime equivalente a tráfico de droga e crime organizado (o tráfico de armas e de escravos humanos foi legalizado para evitar prejuízos aos mafiosos), 7) caso o jornalista vigiado seja um subversivo (é considerado subversivo tudo o que desminta ou contrarie a narrativa oficial do príncipe) será feito rebentar adequadamente com uma bomba no carro ou na casa, em conformidade com os requisitos internacionais, ou em alternativa levado para uma prisão secreta onde os serviços de segurança aniquilarão a ameaça, 8) serão apreendidos todos os materiais escritos, em papel ou suporte digital, fotográficos e vídeos na posse dos jornalistas segundo o sorteio semanal para confiscação de material de informação ou sempre que alguém diga que estes estiveram com a vizinha, 9) o material apreendido não se restringirá apenas aos materiais noticiosos mas a toda e qualquer possível forma de disseminação de notícias ou de informação, mesmo que sejam apenas os filmes do Bambi ou do Rei Leão que o jornalista calhou de alugar na Blockbuster (OK, na Rede-de-Pesca pois a Buster foi… busted) para o filho e os que alugou ali à sorrelfa na loja da esquina cheia de luzinhas vermelhas, 10) o jornalista que for apanhado a saltar a cancela será imediatamente despojado da sua carteira profissional e proibido de exercer toda e qualquer profissão, para que possa emigrar ou morrer de fome, isto se a bomba ou a prisão secreta não resolveu antes o problema, 11) o cinto só poderá ser aberto e o Segredo de Justiça violado sempre que tal for conveniente à consolidação do poder do Príncipe. Estas regras foram já enviadas à ditadura mais totalitária do planeta – a República Democrática da Fome – para avaliação, correcção e aposição do certificado “Regras do Estado Totalitário, Medalha de Ouro (pois as botas são para o outro)”.
  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Bilhete de Identidade e Registo do Acidente São Novo e Compulsivo Meio de Diagnóstico
No Califado dos Turbantes Voadores a medicina acaba de alcançar mais um avanço que permitirá melhorar a velocidade de diagnósticos e assim reduzir a pressão nas urgências dos hospitais de todo o mundo, com evidentes benefícios para os orçamentos e para os mercados (embora não necessariamente para os pacientes – porque é preciso muita paciência – desses serviços). O diagnóstico é feito agora exigindo ao doente o Bilhete de Identidade e o registo de Acidentes com a indicação de onde foi ganha a contusão, pois estes dois documentos serão os que decidirão do prognóstico e do tratamento a ser dispensado. Assim, se o acidentado tiver partido os ossos todos porque se estampou de carro ou motoreta contra uma parede ou outro veículo, será guiado para os serviços de Traumatismos para lhe consertarem as fracturas. Se é uma mulher e ficou toda partida porque levou um enxerto de porrada do marido ou outro homem da família, será varrida para casa e com ordem para se curar com a pele do mesmo dono. Se abriu um buraco no crânio porque teve de saltar às pressas de casa ou loja que assaltou, será tratado e condecorado com um crachá que o lhe dará direito a ser levado imediatamente à polícia para receber segundo britanço de ossos, mal o buraco na cabeça haja sito suturado. Para aqueles energúmenos que tenham sido amassados pelas forças de segurança nas manifs contra o primeiro-ministro e suas ideias descabeladas de construir centros comerciais em actuais jardins públicos, os seus BI serão confiscados e o tratamento será um chuto no traseiro e aviso imediato para o exército vir buscar o “insurgente”, não se perdendo tempo a tratar do perigoso rebelde. Assim as urgências dos hospitais passarão a estar disponíveis para atender motoristas desencabrestados e suas vítimas, ladrões e foras-da-lei vários que hajam sido feridos no exercício das suas funções, que são quem precisa de tratamento e mais ninguém. Esta medida trará diversos benefícios à sociedade em geral e aos doentes em particular: permitirá atender os traumatizados mais rapidamente, será poupada uma pipa de massa em medicamentos, electricidade e subsídios de doença pois será reduzido o número de clientes atendidos e, o mais importante, permitirá rastrear e identificar os rebeldes perigosos que pensam que vivem em democracia e têm o direito a decidirem mais que já fazem de 4 em 4 anos, quando botam os votos nas urnas e já é bem bom. Aliás, só lhes será concedido esse especial direito enquanto continuarem a votar no primeiro-ministro. No dia em que por loucura influência do oeste ou de outros inimigos do Estado decidirem votar noutro que não o primeiro-ministro, então verão para que serve o exército e os votos. Os médicos que desobedecerem e recusarem utilizar este novo método de diagnóstico serão punidos com multas e confisco de todos os bens, incluindo a comida que tiverem no frigorífico, levarão um ensaio de porrada nos locais de trabalho à frente de doentes e acompanhantes para edificação da moral pública e bons costumes e serão de imediato conduzidos à prisão sem necessidade de julgamento por tribunal ou correlativo, sendo que, por passarem a fazer parte do número dos rebeldes também não receberão qualquer tratamento pelo enxerto de pancada. Será assim conseguido uma significativa poupança em honorários dos médicos e pessoal de enfermagem apresado, sendo também eficazmente abandonado o pagão e não menos arcaico Juramento de Hipócrates. Por seu turno o povão que assistir ao espancamento e detenção dos médicos passará a ter juízo e a não contestar o líder mesmo que este mande todos os habitantes do país vestirem-se como na Idade Média e regresse às mesmas medievas punições mesmo se todos estiverem contra pois democracia é todos concordarem com o líder até mesmo durante os sonhos. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Foi ontem aprovada no Principado dos Privilégios uma lei do silêncio obrigatório sobre salários, alcavalas, dividendos, subsídios, despesas várias e outras alcavalas da nobre classe dirigente que já actualmente ganha 10 vezes mais do que os seus governados. Os contribuintes passivos e os activamente fugintes ao fisco, suspiraram de alívio pois estavam cansados de se indignarem diariamente com a descoberta de novas prebendas gordalhuças dos governantes, que ninguém entende de onde caem pois o Principado também se vê a braços com uma bonita crise económica, social, política e mais umas quantas que andam por aí à solta. Assim, os ministros decidiram desde já aumentar de novo os seus salários, despesas de representação e ajudas de custo pois agora ninguém saberá de fonte oficial quais serão os aumentos atribuídos. Também decidiram aumentar uma série de impostos sobre os governados e criar muitos novos, tais como: Imposto de Andar a Pé, Imposto da Sombra, Imposto de Respiração, Imposto por Fazer Meninos, Imposto Por Não fazer Meninos, Imposto de Alimentação, Imposto Por Estar Um Ano Mais Velho (embora se preveja que os nascidos a 29 de Fevereiro fujam a este por períodos de 3 anos à vez). Este aumento de impostos é necessário não para pagar juros da dívida ao Fundo Mundial da Agiotagem mas para criar um fundo resiliente para os novos aumentos de salário e alcavalas que em breve farão a classe dirigente fará novamente a si própria. No entanto os governantes aumentados terão a vida muito mais dificultada, pois não é fácil gastar tanto dinheiro, até porque se o gastarem talvez ajudem a dinamizar a economia, o que não convém nada. Assim, diversas empresas de consultoria financeira sedeadas em vários offshores estão já a contactar os ministros do Principado, via Rede-de-Pesca onde tudo é muito mais anónimo e rápido, para os ajudar a transladar os seus fundos, salários, pensões, reformas e carteiras de acções para contas aí escondidas, como toda a gente de bem e que se preze também possui. O facto da lei do Principado dos Privilégios declarar crime de traição e lesa-majestade a transferência de quaisquer rendimentos, activos financeiros, bens mobiliários e outros para o exterior só se aplica, naturalmente, aos governados, pois a lei não é cega mas é bem pesada. Infelizmente para os ministros, além das dificuldades terríveis que irão passar para gastar o dinheiro, terão ainda de suportar o terrível tormento de esperar alguns dias até os seus bens patrimoniais serem adequada, secreta e seguramente transferidos para os offshores. Mas o mais terrível de tudo é que os pindéricos súbditos do Principado têm a incorrigível mania de espiarem toda a gente e coscuvilharem sobre tudo e mais alguma coisa. Para satisfazer este vil costume, os jornalistas estão já a instalar escutas ilegais nos ministérios, restaurantes exclusivos, clubes, casas de praia, de campo, de golfe, de caça, da cidade, quintas e resorts pessoais dos governantes, para saberem exactamente e ao pormenor os próximos aumentos de salários ministeriais e transferências offshore em primeira mão e espalhar as novidades pelos seus leitores. Não é terrível ter assim a privacidade devassada? Bem estão os pindéricos súbditos que, forçados a viver debaixo das pontes pois as rendas das barracas são demasiado caras, não sofrem com as escutas. Quem de seu juízo vai instalar escutas nos pardieiros e debaixo das pontes, dado que a viverem ao relento, a vida destes incómodos súbditos está à plena vista de quem queira coscuvilhar?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Se Tem Mais de 35 Anos E Não Se Pode Reformar… Aldrabe no BI
Se a crise o mandou para o olho da rua e se viu de repente sem emprego, sem casa, sem carro, sem roupa, sem comida e sem família, não desespere. Inscreva-se num centro de emprego e resista estoicamente cerca de 1 ano e verá que deixará de ser desempregado e passaráa ser “inactivo” deixando de contar para as estatísticas, o que permitirá aos líderes deste seu nabal que o desemprego se reduziu e estamos a sair da crise. Porém, se você não é um estóico nem tem jeito para arrombar portas, calar alarmes de carro, ou tem umas mãos mais desastradas que uma empregada doméstica furiosa com os patrões e a arte do palmar carteiras só o tem levado não aos museus mas a apreciar o sol aos quadradinhos, bem, resta-lhe sempre responder aos anúncios de emprego. Ignore o facto deles apenas pedirem ramos profissionais a que você não pertence. Um pouco de estudo da empresa e uma boa fachada na entrevista e pode ser que você apanhe o emprego mesmo que não faça a menor ideia do que vá fazer. Afinal de contas o contrato será muito provavelmente apenas de 2 horas por dia, salário 3 vezes abaixo do mínimo (o que levou já os matemáticos a reverem a sua definição de mínimo de uma função), e durará apenas 1 mês. Com tão pouco tempo de emprego só se você for um nabo acima da média poderá mostrar a sua total ignorância das tarefas para que foi contratado. Prepare-se para enviar 5 000 currículos, ir a 1 000 entrevistas e conseguir ser aprovado apenas na última e quando chegar a casa e verificar o salário que lhe irão pagar, decidir colocar um aviso na porta da barraca a dizer que o proprietário se encontra ausente em parte incerta e deste modo os cobradores do fisco e os oficiais de diligências que façam o favor de ir bater a outro lado, enquanto lá dentro planeia o seu próximo raide às prateleiras do supermercado ou, se for envergonhado, aos caixotes do lixo do mesmo supermercado. Isto, é claro, se você não for um aventureiro e decida dar o salto para a estranja onde será explorado como um infra-humano mas pelo menos é possível que arranje algum para comer, vestir, calçar r pagar a renda da casa 8se a compartilhar com mais 7 famílias de conterrâneos aventureiros como você). Mas se o seu receio de coisas novas, aventura, estrangeiros, outros mundos e sociedades, ou o seu zeloso patriotismo o impedirem de partir – como tantas vezes tem sido aconselhado a fazer por parte dos seus líderes – ou se porventura ainda haja família agarrada a si tipo lapa que o impeça de bater a asa, cravar o computador do vizinho para procurar emprego será a sua única opção neste tempo de exclusivos incluindo esse exótico Mercado Único. Existe porém um pequeno óbice: se você tiver mais de 35 anos, esqueça o computador e os anúncios e agarre-se às cunhas pois de outro modo nem vale a pena enviar currículo. Será à partida desclassificado por causa da idade, porque nestas coisas de emprego não interessa a experiência, o conhecimento acumulado e a capacidade; o que importa é que você seja um tapadinho sem noção do mundo laboral, pronto a trabalhar 14 horas e só receber 2 e que aceite trabalhar pelo preço mais baixo do tal mercado. A sua única solução para o obstáculo da idade será a instituição sagrada da cunha. Mas se você é um pacóvio sem amigos e conhecidos que possam meter a tal cunha por si… ainda tem várias soluções para arranjar emprego apesar de ter mais de 35 anos: 1ª – descubra um profissional em documentos falsos e encomende-lhe um BI com data de nascimento alterada; também aconselhamos a que convença o filho do seu vizinho a entrar nos sites oficiais onde se guarda toda a informação sobre os nativos e estrangeiros e pirateie os documentos relativos a si para que a falsificação do BI coincida com as bases de dados; 2ª – mande um filho seu à entrevista e depois apresente-se você no local de trabalho e se lhe fizerem perguntas sobre a sua mudança de aspecto diga que está a ressacar duma gripe; 3ª – torne-se jornalista, que o seu problema ficará resolvido rapidamente com um tiro ou uma explosão (de que você será, evidentemente, o alvo); 4ª – poupe o trabalho aos outros e dê você mesmo um tiro em si próprio e deixe de atravancar a vizinhança. Se você é um reguila que acha que tem de meter em tribunal os anunciantes por esta etária discriminação que põe de parte o grosso da população apta para trabalhar, ah, bom, esqueça. É ilegal a discriminação mas a lei só é feita para se cumprir se você tem dinheiro para isso. Se você está desempregado, onde raio foi arranjar o dinheiro? Se os tribunais não tratarem, gastando-lhe todo o dinheiro e depois mandando-o ir pastar caracóis, garantimos que o fisco tratará de si por via de ganhos ilícitos.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Exportações Imbatíveis do Nabal: Analfabetos. É a Grande Hype dos Mercados
Os jovens nabos da variedade amarela estão a lançar uma revolução na República Democrática dos ditos (Nabos), pelo menos no que ao ensino concerne e que, como a outra, promete fazer rolar cabeças. No caso as dos professores que calhem de ficar sem emprego se as revolucionárias ideias destes jovens génios forem por diante. Estes jovens idealistas propõem, com um sentido de visão de estado heróica e iluminada o fim da escolaridade obrigatória, ou ao menos a redução desta em pelo menos 3 anos pois no seu entender o excesso de escolaridade inibe os patrões de contratar tamanhos pré-doutores e especialistas dos livros (ou do cabulanço, tudo depende do candidato e da perspectiva). Aliás, embora ainda não tenha sido sugerido, seria também aconselhável exterminar, perdão, dar uma Solução Final a toda a população acima dos 35 anos, dado que nos anúncios de emprego se declara com frequência que acima dos 35 anos não vale a pena concorrer e naqueles onde o limite de idade não é apresentado, ele existe de facto quando o prospectivo candidato a trabalhador se apresenta e no BI se constata que ultrapassou essa irrevogável fasquia etária. Vê-se deste modo que para os nabos-patrões o trabalhador ideal é um novato inexperiente e analfabeto (pelo menos dos funcionais) pois não dá jeito nenhum um magarefe que até seja capaz de ler e perceber leis ou as minudências dos contratos de trabalho e dos recibos verdes; também não é nada útil que o jovem obreiro seja capaz de contar as notas do salário porque quando for necessário fazer descontos extraordinários e únicos à firma em que trabalha não irá dar por nada e não se meterá em pavorosas greves e outras actividades de insurgentes. Além disso a redução dos estudos tem a inda a vantagem adicional de melhorar a moral e bons costumes do país; sendo que os nabos de maiores estudos não acreditam na justiça pois puderam aprender a pensar e descobriram que esta é só para alguns e também não acreditam na solidariedade pois o mesmo mau hábito pensante lhes mostrou que a solidariedade tapará buracos mas não resolve os problemas que os originam, se o nabal se tornar analfabeto, irá acreditar na justiça porque as injustiças serão explicadas como sendo justiça “e o sô. dôtor é que sabe”; e acreditarão na solidariedade pois calharam de ter a sorte de nessa manhã conseguirem entrar na sopa dos pobres após 7 horas na bicha. Os últimos estudos também mostram que se o Nabal encetar esta revolução pedagógica e reduzir ou eliminar a escolaridade obrigatória, poderá a muito curto prazo exportar para o estrangeiro os seus jovens nabos-analfabetos, bem apertadinhos em contentores para que o máximo de mercadoria lá caiba. Após o sucesso na exportação de médicos, enfermeiros, informáticos e outros quadros superiores poderão as próximas gerações analfabetas continuar a contribuir para tapar o buraco da crise (cada vez maior). Neste momento estão já a lançar-se no mercado de futuros contratos de exportação de jovens nabas para lavar escritórios e casas de família na estranja, para servirem em bares de alterne ou nas interessantes casinhas recém-construídas na Terra dos Moinhos e dos Canais para acomodarem os clientes do mercado mais antigo do mundo. Por seu turno os nabos-jovens a serem beneficiados por esta redução da escolaridade obrigatória estão já a ser vendidos no mesmo mercado de futuros para limparem ruas, desentupirem esgotos, serem serventes, carregadores na estiva e nas mudanças de móveis ou como giggolos de baixa tarifa para as casas de alegria desses países. Também se estão a vender os futuros nabos para coveiros, remexedores de estrumes, apanhadores de ferro-velho e outros jobs similares. Esta visionária iniciativa contra-iluminação dos catraios tornou-se já viral e está a contagiar os restantes países da União das Hortaliças que ponderam copiar a revolução anti-escolaridade alargada. Além disso, sendo uma iniciativa anti-iluminação, ajudará com toda a certeza a reduzir a conta da electricidade do Nabal.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Por Favor Não nos Dêem Desse Perfume!
No Condado dos Perfumes a juventude politizada que costuma dançar a quadrilha e a mazurca a virar sempre para a direita, entontecendo as noivas e namoradas nos bailes semanais da realeza local, anunciou ao rei que pretende uma revisão constitucional que obedeça a um mínimo de parâmetros aromáticos em consonância apenas com as suas sensibilidades perfumistas, devendo ignorar as dos incultos súbditos e em especial as dos adversários que nos bailes reais dos sábados têm o costume de os provocar dançando as mesmas quadrilha e mazurcas mas virando para a esquerda ou batendo ao centro, entontecendo de igual modo as namoradas e noivas mas causando a confusão geral no bailarico, o que muito diverte o rei e a família real – que tem de se rir do mesmo que o rei ou ele mete cara de pau (alias é a sua alcunha por passar todo o santo dia com essa cara) – e por vezes deitando abaixo o estado dos músicos com músicos e tudo. Os jovens das direitas pedem encarecidamente ao monarca e à comissão que ele nomear para a revisão da constituição, ou Carta Constitucional (vulgo Cartola porque é tão pouco respeitada que já só serve para tapar a cabeça dos ministros) para eliminarem todo e qualquer perfume a Abril pois são alérgicos às flores rosadas de cerejeira, às brancas de macieira, às coloridas e redilhadas dos jardins e aos pólens e fenos em geral, pelo que costumam passar todo o mês de Abril de lágrimas nos olhos, a lamentar-se pelos outros tempos, quando eram meninos e as criadas os protegiam das horríveis flores e fenos enfiando-lhes os queridos narizes em cantos só delas sabidos. Claro que antes dos Abris os jovens em questão obedeciam ao professor (que temiam por causa da menina-de-nove-olhos) ao confessor (que os aterrava com o fogo do Inferno por terem jogado à bola no recreio) e aos perceptores pois estes tinham meios de os enfiarem na linha. Mas depois vieram as Primaveras e os Verões Quentes, cheios de praia, passeatas e pinturas rabinas nas paredes e os rapazinhos emanciparam-se. E agora, esquecidas as pinturas rabinas nas paredes, as palavras de ordem das passeatas e outras quenturas, os jovens sofrem com os aromas de Abril, pedindo todos os anos, entre crises alérgicas de ranho e choro, que se cortem as flores e os fenos. Por fim comovido com o sofrimento destes seus leais súbditos o conde e senhor feudal do país pôs já os seus perfumistas a trabalhar numa nova fórmula para impregnar as páginas da futura Constituição/Cartola, a qual deverá ter cheio a cera, incenso não indiano, água benta e charutos, no que deverá constituir um delicado perfume a funeral.
Novas Regras Eleitorais: Não Vote Num Partido Político, Vote na Nossa Companhia (garantimos que  poluiremos o seu quintal um bocadinho mais do que o costume)

O mundo acaba de assistir a mais um tratado histórico que irá fazer avançar o mundo em direcção à radiosa civilização do futuro. Que está aí mesmo à esquina, prontinha a abraçar-nos e a aliviar-nos do peso dos nossos direitos, liberdades e moedas que bem sabemos são lastro pesado que impede o progresso e o avanço da economia. Pelo menos é o que dizem os CEO de importantes companhias e eles devem de certeza saber o que dizem, mesmo que a nós nos pareça o contrário, pois os salários e bónus que recebem sem que se perceba muito bem porquê, mesmo quando afundam os empórios que dirigem, dão-lhe autoridade do assunto. Trata-se de uma promoção 2-em-1 de tratados de comércio internacional, entre os países do Mar da Paz e entre a República dos Hambúrgueres e a União das Hortaliças e que, sabiamente, dão às grandes empresas o poder de processar os governos de países livres e independentes, caso tenham a demente ideia de criar leis para proteger o meio ambiente, consumidores e tantas outras perigosas protecções quando todos sabemos que as pessoas não contam neste mercado, as pessoas são números e alvos de marketing para lhes vender à força os produtos dessas empresas criaram e não se percebe muito bem para que servem. Também muito sabiamente, os processos contra os governos de países com veleidades a subtraírem-se às exigências destas empresas poderão ser perfeitamente conduzidos em tribunais secretos pois é de todo inconveniente que o ignorante público-rebanho possa saber do que o seu governo está a ser processado e se lembre de armar um sarrabulho tipo debandada em pânico de manada que dê cabo dos negócios. As coisas importantes como negócios, lucros e destruições associadas são para ser tratados por pessoas iluminadas, acima do vulgar cidadão e por isso não devem ser expostas na praça pública. O direito à informação, é evidente, deve ser respeitado… desde que a informação verse sobre a vida dos famosos como estrelas de futebol ou de reality show, para os cidadãos andarem entretidos e convencidos de que estão informados e não desatem a puxar pelos miolos para tentar saber porque a água do rio da sua cidade tem agora umas estranhas cores fosforescentes ou porque razão de repente passaram a registar-se numerosos casos de leucemia. Ora como são um pacote promocional de acordos de comércio é perfeitamente natural que as grandes companhias que dominam o mundo dos negócios, e em estilo hobby, do comércio, estejam a ajudar a escrever os tratados pois os governos por vezes têm uns ataques de fraqueza e tentam introduzir limites sobre comércio de produtos tóxicos, poluição do território devido a actividades extractivas, etc. Também é natural que o ignorante público e também alguns governos de países de segunda não possam ver o texto dos tratados ou as negociações que se fazem entre quem de direito. O povão não compreende estas delicadezas diplomáticas e só deitaria tudo a perder. Os Tratados foram já assinados e no espírito promocional 2-em-1 que os caracteriza, ofereceram-se aos assinantes canetas bic das mais rascas enroupadas em caneta de marca topo de gama fabricadas ali no Delta das Inundações, que é de onde chegam todas as imitações rascas de artigos de luxo. A partir de agora os governos assinantes terão direito a fotografia tipo passe colada a cuspo na parede da direcção do órgão de gestão destes tratados, não podendo criar leis para proteger os direitos e a saúde dos cidadãos e o meio ambiente dos respectivos territórios, sempre que tais protecções colidam com os lucros das grandes companhias. Se o fizerem, as companhias terão o livre direito de processar os países nos tribunais secretos de comércio agora criados. Para dar completo e eficiente funcionamento a estes tribunais, estão já a realizar-se testes-piloto, em que a Bye-Bye está a pôr em tribunal a União das Hortaliças por causa da lei de defesa de abelhas e proibição de venda de certos pesticidas, a Nukes R’Us processou já a poderosa República Federal das Batatas porque esta se lembrou de fechar as centrais nucleares, a Fume Que Se Mata Mas Não se Importa já entrou com processo em tribunal contra o País dos Cangurus por este ter tomado medidas para diminuir o tabagismo juvenil, a Comprimidos de Luxo fez o mesmo para o Pais dos Plátanos e a Petrolífera Suja-Suja, a Terra das Florestas Verdes porque esta não a deixa ir para lá extrair petróleo e deixar-lhe como recordação não os lucros da sua venda mas apenas a sujeira habitual. Assim, e em resposta a este grande avanço civilizacional, as próximas eleições para o Parlamento da União das Hortaliças não serão disputadas por partidos mas pelas grandes empresas mundiais e as mais activas entraram já em pré-campanha. O slogan da Nukes R’Us, por exemplo, é: “Vote em nós! Connosco não precisará de electricidade, a terra da sua horta será radioactiva q.b. para iluminar todas as suas actividades nocturnas (mesmo aquelas que não deseja)”.

Estatísticas P’ró Menino e P’rá Menina
Na República Democrática dos Nabos a fúria austeritária, alcunhada de “a crise”, acaba de chegar às estatísticas. O que já não era sem tempo pois quando a crise ataca é suposto ser para todos (embora seja para alguns mais do que para outros pois já lá dizia o outro: “todos são iguais mas há uns mais iguais do que outros”). Como os nabo-governantes não conseguem descobrir qual a utilidade das estatísticas, que ainda por cima teimam e com frequência furar a pompa dos discursos tão esforçadamente escritos e ensaiados e é preciso cortar-se em mais alguma coisa e já pouco resta para cortar (é claro que não se pode cortar nos carros nem nos dez motoristas por cabeça coroada, perdão, gabinetável, pois a sua necessidade é óbvia), calhou agora a vez do pessoal das estatísticas levar com a machadada no orçamento. Os funcionários dos números argumentaram e apresentaram números aos tecnocráticos nabos-governantes, pois estes adoram tabelas, gráficos e números mas nada feito, do outro lado a incompreensão foi geral. Confundidos com a obtusa resposta da sua audiência os homens dos números explicaram que com tais cortes seria impossível manter os serviços e enviar os dados e análises exigidas para a sede dos estatísticos da União, na Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas. Os nabos do governo da República do Nabal perguntaram aos estatísticos o que precisavam eles para desempenhar as suas funções e estes, espantados pela pergunta após todo o seu esforço na apresentação e explicação dos gráficos e números em powerpoints muito coloridos para serem claros para não especialistas, responderam: “dinheiro”. E os governantes responderam que em tempo de crise tem de se ser criativo e empreendedor e antever e criar novas oportunidades, portanto fossem para casa ser criativos e criadores de novas oportunidades e novos mercados, para poderem pagar impostos pois era só para isso que os nabos serviam desde que o Nabal se tornara independente, na sequência duma briga de família por causa de heranças. Que olhassem para a História do nabal e buscassem inspiração para resolver os problemas de caixa e não usassem isso como desculpa para se esquivarem aos seus compromissos com a União pois os nabos pagam sempre as suas contas à estranja e ponto final. Os estatísticos foram para casa puxar pela criatividade e os resultados estão à vista. Desde ontem que o site dos estatísticos nabos na Rede-de-Pesca oferece originais serviços a todos os internautas por cobrança duma modesta fee, que é como quem diz, pagamento à cabeça e sem pantominices de cartões de crédito falsos, caducados ou sem saldo. Estes serviços incluem: estatísticas para adivinhar o brinquedo favorito do puto de 3 anos, em função do tamanho da cabeça dele, da papa preferida e do orçamento dos pais, estatísticas com base no tamanho da cuequinha da sua namorada sober as incompatibilidades e compatibilidades matrimoniais (mais exacto que os prognósticos dos astros e do Mestre Davos Que Lê nos Búzios e noMolho dos caracóis), avaliação do carácter do seu namorado em função da distribuição dos salpicos na parede, definição das multas que tem por pagar em função do diâmetro e grau de carequice cós pneus do seu carro, e quais as noites mais favoráveis para umas facadinhas no matrimónio em função do tamanho da sua casa, carro e medidas de alfaiate. Também se realizam estatísticas mais especializadas para chefes de holdings internacionais que não estão registadas em lado nenhum e quem têm por uso chamar-se tríades e afins. O site está a ter grande aderência e a carteira de clientes só no primeiro dia promete já fazer entrar com o pastel que o governo do Nabal cortou neste orçamento para este Instituto do Estado. Em face deste sucesso outros serviços estatais consideram usar a mesma estratégia, e pelo menos o SNS abriu já no seu Facebook um inquérito de preferências dos clientes quanto a camas e lençóis que pretende tratar estatisticamente para saber se deve colocar lençóis com ursinhos ou às riscas tipo fato de presidiário, a serem comprados na feira das tangas e bolsa de valores de contrabandistas, trapaceiros e outros caloteiros.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Quer que Lhe Perdoem as Dívidas? Cometa Um Pequeno (ou vários) Genocídiozinho(s) Caseiro(s)
É presidente de um país em dificuldades financeiras e descobre que a sua dívida externa é talvez impossível de pagar? O seu país tem importantes recursos naturais e uma vasta diversidade étnica?A sua quinta, perdão, o seu país está fora da União das Hortaliças (ou dentro mas lá p’rósulou oriente)? Se a sua resposta foi sim a estas três perguntas fale connosco, pois poderemos ajudá-lo a rescalonar a sua dívida soberana e quiçá a dissolvê-la no éter. Este foi o teor do anúncio publicado na Rede-de-Pesca no site oficial da Terra dos Moinhos e Canais, distinto e respeitável membro da União das Hortaliças, ou não fosse um país do norte, tão respeitado que acolhe nas suas principais cidades todos os empresários e empresas que desejem escapar aos impostos nos seus próprios países da União (e de fora também, que o dinheiro não tem raça) e não se importem de suportar o inconveniente de pagar algum aos moleiros. Chama-se a isto deslocalização e não pensem que é falcatrua. É absolutamente legal pois na União das Hortaliças impera a livre circulação de pessoas e bens desde que você não pertença ao Povo das Carroças nem a certos povos do Leste, os quais ainda estão para ter estatuto de pessoas. Porque a liberdade, como é bem de ver, é só para quem a pode pagar. A Terra dos Moinhos e Canais abraçou este interessante ramo de negócios de perdão de dívidas porque também entrou na moda dos emagrecimentos e precisa diversificar entradas de dinheiros, que o mesmo é dizer, criar novos negócios e carteira de clientes. O anúncio teve grande sucesso, arrecadando em 3 dias mais de 10 000 likes e registou uma sobrecargapelo elevado número de ditadores de todos os quadrantes que submeteram o seu port-folio no site. O primeiro seleccionado foi o Sultanato do Genocídio, familiarmente conhecido por Suadoiro, embora o seu maior oiro seja o preto e os minerais das novas tecnologias. O Sultanato tem-se distinguido na arena internacional pela multiplicidade de genocídios que tem cometido contra os diversos grupos étnicos espalhados pelas várias regiões do país, provando não ser necessárioinvadir territórios estrangeiros para matar em barda. De norte a sul e este a oeste, pois no que toca a matar o líder do Suadoiro é democrático, quem quer que não tenha a cor de pele certa e/ou teime em não aderir à religião do líder é de imediato posto na lista de abate. Também são inscritos nesta popular lista todos os súbditos suficientemente tolos para terem as suas aldeias e hortas em território a ser cedido às grandes companhias agro-industriais e mineiras, nacionais ou da estranja, pois neste caso nem sempre o que é nacional (os bancos locais e os nativos) é bom. A dívida soberana do Suadoiro à Terra dos Moinhos e Canais foi integralmente perdoada –países sem recursos naturais e/ou genocídios em actividade, não pensem que terão a mesma sorte – e há a esperança de que os assessores que esfumaram esta dívidaajudem a fazer desaparecer as outras à comunidade internacional. Este perdão irá manter a eficácia das campanhas militares e genocídio contra os súbditos infra-humanos e infiéis, pois como se sabe tanto a guerra como os genocídios são empreendimentos muito caros, mesmo se não se gastar em cercas de arame farpado e suaelectrificação, guardas, forcas, pelotões casamatas, câmaras de tortura e de gás e respectivo gás pois no Suadoiro o genocídio faz-se ao domicílio, por via aérea e terrestre. O perdão da dívida permitirá igualmente apoiar não a agricultura ou as importações de pão (actividades desnecessárias quando o objectivo é alcançar 100% de eficiência na matança) mas a conta bancária do chefe local, El-Basket (O Cesto, na língua local), que muito dela precisa para os assassinos… perdão, os seus soldados e conselheiros militares. Com efeito cerca de 20% da dívida soberana do Sultanato está segura e guardada nas contas do Cesto nos locais do costume assim como noutros destinos mais exóticos mas não menos sedutores, o que é sensato quando se tem de ter dinheiro em caixa para pagar a todos os conselheiros e oficiais de genocídio em campo, já que ficar com o dinheiro, as terras e as casas dos assassinados ou dos que ainda o não foram mas hão-de ser, não dá p’rás despesas quando se tem de genocidarumpaís como o Suadoiro. O facto de por acaso o Cesto ser réu no Tribunal Internacional dos Crimes é apenas infeliz coincidência que em nada afecta os negócios, ou os genocídios, como aliás foi considerado pelos sábios da Terra dos Moinhos e dos Canais. Assim, caros chefes de estado, se pretendem enriquecer depressa e o vosso país exibe uma linda dívida externa, tão alta como sequóia e tão antiga como teixo milenar, escolham entre os vossos súbditos um grupo que sirva de bode expiatório – por exemplo funcionários públicos – iniciem o seu genocídio eficiente e caso a vossa quinta, perdão, pátria, não possua recursos naturais, invadam ao mesmo tempo um país vizinho que os tenha e descansem em paz pois na Terra dos Moinhos e dos Canais todas as vossas dívidas serão perdoadas.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014


O Império do Arroz, que tanto tem dado que falar nos últimos tempos, voltou a ser o centro da atençãointernacional, agora a dos meios científicos pois acabou de revelar em directo e na TV estatal que o smog – isto é a poluição atmosférica, tipo nevoeiro malcheiroso dos idos novecentistas de Londres, ou seja, em que não se vê um palmo à frente do nariz – é um grande benefício para a saúde. Sim senhor, leram bem, bom para a saúde! É científico, oficial e indesmentível pois assim o disse a autoridade partidária máxima do Império e as autoridades máximas estão acima de qualquer contestação, mesmo que digam que o céu é castanho às riscas (o que, quando há smog, até talvez seja). Com efeito disse a eminência científico-partidária perante as câmaras, que, primeiro, o smog mostra às pessoas o custo do desenvolvimento. O nosso corpo redactorial especializado em assuntos de ciência subscreve esta afirmação: as pessoas claro que vêm, e apalpam (dado que durante um smog não conseguem ver nada) os custos do desenvolvimento; quem parece não ver são os donos das fábricas, que por acaso são na sua vasta maioria governamentais, ou seja, os decisores políticos mas isso também não é novidade pois os decisores políticos do mundo inteiro são selecionados entre os mais ceguinhos que saem dos bancos das escolas. Também disse a mesma autoridade que outro dos benefícios do smog é o de unir as pessoas. Sem dúvida! Primeiro une-as pois têm de dar as mãos umas às outras para a da ponta da fila descobrir o passeio ou a parede mais próxima e deste modo guiar em fila indiana todos os outros perdidos no nevoeiro. Também as une quando chocam umas com as outras pois não são capazes de ver o que têm à frente, o que por vezes faz com que se unam a comboios ou camiões em andamento, juntando-as ainda mais aos passageiros que dentro lá vão… e na sequência da(s) morte(s) os familiares e amigos unem-se todos para o funeral. Finalmente e, porque por vezes as pessoas são mandadas ficar em casa devido à elevada toxicidade do smog, se não ficam unidinhas nos locais de trabalho (caso lá estejam quando os avisos são lançados) ficam unidinhas em casa; há lá coisa mais bonita do que a união e convívio familiar, de janelas fechadas e portas calafetadas com jornais para não deixar entrar o ar nem os maus espíritos do fumo? Todas juntinhas no mesmo sofá a verem a TV, que nesses dias apresenta imutável ecrã cinzento pois o smog uniformiza todas as vistas? Então a união que se dá quando se faz o velório do velhote ou miúdo que bateu a asa por ter inalado tão interessante atmosfera? Até os parentes longínquos vêm visitar a enlutada família! O smog pode matar que se farta - contribuindo para o controlo da população - mas que é isso comparado com a união das pessoas e a felicidade das mesmas? Sim, felicidade! Podemos garantir, como foi afirmado pela autoridade do Império do Arroz, que este fenómeno de poluição atmosférica torna as pessoas mais alegres. Primeiro, com a família toda no lar, há mais oportunidades para os casais se divertirem, aparecendo os resultados ao fim de nove meses e para dar ainda mais alegria aos produtivos súbditos o governo vai abrandar a regra de “um casal, um filho” que até agora tem vigorado no Império. Finalmente, e podemos garanti-lo em primeira mão, o governo do Império do Arroz aumentou já a quota de importação de cocaína e gás hilariante, de modo a não haver quebras no fornecimento às chaminés das fábricas durante o próximo smog e deste modo manter aas quotas de felicidade dos súbditos. Ganzados e melancólicos do mundo, mantenham-se ligados à página oficial do Império do Arroz e participem no próximo evento.