A evolução demográfica dos vários
estados constituintes da União das Hortaliças tem-se tornado numa preocupação
crescente por parte dos seus líderes políticos e outros, preocupados com uma
composição populacional que poderá levar a perdas futuras da produtividade e
competitividade nos mercados internacionais que como se sabe são actualmente
mais selvagens do que uma selva pois na selva os animais têm tempo de repouso e
para se envolverem em actividades familiares, ocasionalmente até darem-se à
bizarria de actos altruístas, ao passo que nos mercados nada disso existe. A
preocupação maior é a de que as camadas mais jovens da população estão em
declínio e isto tem sido usado para assustar os futuros reformados (ou talvez
prepará-los para que nessa altura não tenham por reforma senão o que
encontrarem nos caixotes do lixo) e os utilizadores dos Serviços Nacionais de
Saúde/Doença – designação dependente de se os estados em causa estão a norte ou
a sul da fronteira da República Federal das Batatas – e outras mordomias que
tais. É claro que perante as taxas de desemprego em cavalgante subida por toda
a parte, os ignorantes cidadãos perguntam-se para que serão necessários mais
jovens dado que, quando chegarem a altura de ganharem o seu, não terão onde.
Mas enfim, os cidadãos são isso mesmo, ignorantes, e não podem compreender
estas subtilezas da demografia económica. Subtilezas aparte, podem agora os
decisores políticos e económicos respirar um poucochinho de alívio perante os
resultados do novo censo da União das Hortaliças. O censo demonstrou que os
países intervencionados pela Tripeça tiveram uma quebra acentuada da sua
população total, tanto pelo aumento a taxa de mortalidade, e em especial a
infantil, como pelo aumento do número de cidadãos que fogem para qualquer lado
porque a sobrevivência nos países deles é impossível. Assim, a República dos
Ursos Brancos viu a sua população desaparecer para metade, a República dos Nabos
perdeu 1/10 dos habitantes e a do Goulash pelo menos 30%. Já quanto à
Democracia da Moussaka, e como é hábito, não se conhecem resultados, até porque
os seus dirigentes não sabem quantos habitantes tinha o país antes da crise,
quantos morreram desde então ou quantos deram e dão às de vila-diogo. Com a
excepção da anárquica Moussaka, os planos de ajustamento da Tripeça têm sido
considerados um êxito nestes países intervencionados. Pelo que fica a natural
confusão na mente do público sobre o sucesso dos planos de austeridade e
ajustamento e as questões demográficas. Será que os programas de ajustamento
são considerados bem-sucedidos porque estão a esvaziar os países das suas
populações, promovendo deste modo a redução dos gastos públicos pois não haverá
necessidade de tantas escolas, hospitais, professores, pensões de reforma,
invalidez e subsídio de desemprego? Será que o objectivo é fazer entrar em
sobrelotação as preguiçosas barrigas femininas que restarem, para combater o
temido envelhecimento populacional? Ou será que os sábios estão prestes a
lançar um novo índice da vitalidade económica dos países baseado na taxa de emigrantes
per capita?Número total de visualizações de páginas
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
A evolução demográfica dos vários
estados constituintes da União das Hortaliças tem-se tornado numa preocupação
crescente por parte dos seus líderes políticos e outros, preocupados com uma
composição populacional que poderá levar a perdas futuras da produtividade e
competitividade nos mercados internacionais que como se sabe são actualmente
mais selvagens do que uma selva pois na selva os animais têm tempo de repouso e
para se envolverem em actividades familiares, ocasionalmente até darem-se à
bizarria de actos altruístas, ao passo que nos mercados nada disso existe. A
preocupação maior é a de que as camadas mais jovens da população estão em
declínio e isto tem sido usado para assustar os futuros reformados (ou talvez
prepará-los para que nessa altura não tenham por reforma senão o que
encontrarem nos caixotes do lixo) e os utilizadores dos Serviços Nacionais de
Saúde/Doença – designação dependente de se os estados em causa estão a norte ou
a sul da fronteira da República Federal das Batatas – e outras mordomias que
tais. É claro que perante as taxas de desemprego em cavalgante subida por toda
a parte, os ignorantes cidadãos perguntam-se para que serão necessários mais
jovens dado que, quando chegarem a altura de ganharem o seu, não terão onde.
Mas enfim, os cidadãos são isso mesmo, ignorantes, e não podem compreender
estas subtilezas da demografia económica. Subtilezas aparte, podem agora os
decisores políticos e económicos respirar um poucochinho de alívio perante os
resultados do novo censo da União das Hortaliças. O censo demonstrou que os
países intervencionados pela Tripeça tiveram uma quebra acentuada da sua
população total, tanto pelo aumento a taxa de mortalidade, e em especial a
infantil, como pelo aumento do número de cidadãos que fogem para qualquer lado
porque a sobrevivência nos países deles é impossível. Assim, a República dos
Ursos Brancos viu a sua população desaparecer para metade, a República dos Nabos
perdeu 1/10 dos habitantes e a do Goulash pelo menos 30%. Já quanto à
Democracia da Moussaka, e como é hábito, não se conhecem resultados, até porque
os seus dirigentes não sabem quantos habitantes tinha o país antes da crise,
quantos morreram desde então ou quantos deram e dão às de vila-diogo. Com a
excepção da anárquica Moussaka, os planos de ajustamento da Tripeça têm sido
considerados um êxito nestes países intervencionados. Pelo que fica a natural
confusão na mente do público sobre o sucesso dos planos de austeridade e
ajustamento e as questões demográficas. Será que os programas de ajustamento
são considerados bem-sucedidos porque estão a esvaziar os países das suas
populações, promovendo deste modo a redução dos gastos públicos pois não haverá
necessidade de tantas escolas, hospitais, professores, pensões de reforma,
invalidez e subsídio de desemprego? Será que o objectivo é fazer entrar em
sobrelotação as preguiçosas barrigas femininas que restarem, para combater o
temido envelhecimento populacional? Ou será que os sábios estão prestes a
lançar um novo índice da vitalidade económica dos países baseado na taxa de emigrantes
per capita?quarta-feira, 30 de outubro de 2013
No mercado de presentes houve
hoje grande confusão porque um dos maiores accionistas se perdeu nas contas às
empresas que possui em carteira, o que provocou uma derrocada nas acções de
todas as empresas cotadas em bolsa dado que não se sabendo o que se possui é
muito difícil saber-se com o que é se pode jogar na roleta das acções e
produtos financeiros esotéricos. Ao que parece, o senhor Abençoado que é dono
de numerosas empresas, holdings e bancos, vendo que um dos negócios em que se
meteu ia dar para o torto – porque os seus parceiros no crime… perdão na venda
estavam a ser indiciados por corrupção da República Federal das Batatas –
decidiu vender a sua holding antes que a bomba rebentasse. Embora no caso o que
poderia vir a rebentar seria algum submarino defeituoso e não as granadas que
se acrescentaram como brinde à compra dos referidos. Foi o negócio realizado
com os reis da República dos Cocos, que são uma interessante família com dinheiro
em toda a parte, no que são imitados pelos seus súbditos que não têm dinheiro
mas parentes em toda a parte pois a opção destes é ou morrerem de fome debaixo
dos Cocos ou emigrarem. A mediadora do negócio foi uma conceituada empresa de
consultoria do Cantão dos Queijos que tem por especialidade envolver-se em
escândalos financeiros, desde o ouro roubado pelo Batata Podre há mais de 70
anos até ao recentíssimo Monte Fuligento onde, em oposição ao nome da operação,
as notas sujas são impecavelmente limpas para poderem entrar na nos bancos pela
porta grande. O senhor Abençoado vendeu a sua holding ABC por 800 milhões de
conquilhas à princesa dos Cocos, segundo alguns documentos que não se sabe bem
de onde vêm ou quem os assinou (assinaturas ilegíveis), mas apenas declarou 20
à República das Bananas, sendo que mais 200 entraram num cofre secreto do
Cantão dos Queijos em nome não se sabe bem de quem. Pelas contas de toda a
gente faltam pelo menos 580 milhões. Mas o mistério adensa-se. Após regressar a
casa, a princesa dos Cocos ordenou ao porta-voz da casa real que declarasse estar
a empresa sobre-avaliada, que na realidade não vale esses 800 milhões mas
apenas 200, ou seja, o senhor Abençoado terá de lhe devolver os 20 declarados
às Bananas. Ora se as leis da compra e venda ainda não foram alteradas, e se no
contrato de venda está escrito 800 e só se recebeu 220, então o senhor
Abençoado será ainda o dono da holding ABC. Mas a princesa dos Cocos diz que
não senhor, pois já deu pela holding o preço que ela vale. Os dois litigantes
tentaram resolver o caso contactando a empresa de consultoria, que respondeu com
o seguinte email: “por motivos de evasão fiscal encerrámos os nossos
escritórios. Por favor dirija-se a outro branqueador, procure contactos na
lista telefónica da máfia local” Os telefones, esses nem respondem. O senhor
Abençoado está agora muito confuso sobre as holdings que efectivamente possui e
os accionistas também não o estão menos. Os colegas já sugeriram que fosse à
bruxa para esclarecer o mistério e enviar uma praga à princesa dos Cocos mas o
senhor Abençoado recusa esses métodos arcaicos, pois os de manipulação dos
mercados são mais eficientes. Espera-se agora um novo confronto tecnológico: hedge funds e CDS, vulgarmente
conhecidos por sapos, contra chifres de bode e baba de salamandra.terça-feira, 29 de outubro de 2013
Como se sabe a crise e o colapso
económico está por toda a parte e não apenas nalguns estados perdulários da União
das Hortaliças. Ou pelo menos não chega a outros estados da União que durante
anos andaram a emprestar-lhes dinheiro a crédito zero e, quando a barraca
rebentou, desataram a exigir a devolução dos empréstimos, a juros de arrepiar
as folhas da couve mais frisada. Exigência compreensível pois é o dinheiro
deles e porque também os seus bancos, nada perdulários, se tinham envolvido em
negócios cabeludos (pelo menos cheios de processionárias dos pinheiros), estando
à beira da bancarrota, e um dinheiro caído nos cofres assim sem mais nem ontem,
até sabe a pouco. Ora a mais recente vítima da espiral da crise na União é o
Principado das Couves-de-Bruxelas, que andou a investir dinheiro das Hortaliças
em estradas que não levam a lado nenhum e em actividades agrícolas muito
produtivas não em cebolas e alhos mas em carrões, 4x4 e outros bólides de
grande potência que não servem para lavrar campos mas para levar os seus donos às
estâncias turísticas do Potentado da Paelha. A Comissão de Caça aos Gastos da
União das Hortaliças zangou-se com isto, e mais ainda com o endividamento
excessivo das Couves-de-Bruxelas e zás, enviou a Tripeça para tomar conta dos
calotes do Principado. A qual aplicou o roteiro que como já noticiámos, é
auto-plágio do roteiro de intervenção económica realizado em 1980 e troca o
passo na então mais do que de tanga Federação do Cacau e que, sendo até noutro
continente, tinha enquadramentos económicos totalmente diferentes dos da União
das Hortaliças. Mas não há problema pois o dito roteiro de reestruturação
económica dá sempre os mesmos espectaculares resultados, seja em que situação
ou país for aplicado: o extermínio da economia local. E uma vez esta
exterminada (e parte da população também à conta da resultante fome ou vagas de
emigração) pode-se criar uma economia nova, já não baseada na redistribuição da
riqueza produzida mas no trabalho escravo – muito mais barato e gerador de
muito maiores lucros – nas chamadas sweat-shops,
ou seja fábricas movidas a suor e sangue, que é um combustível que nem precisa
de ser pago nem nada. Assim, mal a Tripeça entrou no Principado, os índices
económicos vieram por aí abaixo, como se previa no roteiro de intervenção, as
couves-de-bruxelas perderam todos os direitos laborais e civis, passaram a
trabalhar de borla e a cultivarem os seus almoços que deverão trazer para os
gestores das firmas (sedeados algures fora do reino), ou seja, deixou de haver
salários, o que de imediato se reflectiu nos cofres-fortes secretos do Cantão
dos Queijos. Não é assim de estranhar que os mercados ficassem muito confusos
quando se soube que os parlamentares e outros líderes de grande
respeitabilidade aprovaram em sessão plenária a manutenção dos seus salários e
pensões – perdão, subvenções eternas, com transferência automática para
descendentes e afilhados por morte do titular – enquanto para os restantes
cidadãos se decretou que agora tinham eles de pagar pelo privilégio de poderem trabalhar.
De facto, num país com 90% de desempregados, trabalhar é mesmo um privilégio.
Os mercados temem que o Principado das Couves-de-Bruxelas esteja de novo a
enveredar por uma via despesista em vez de fazer as sempre adiadas reformas
(que de tão adiadas já ninguém se lembra o que deveriam reformar) mas os chefes
governativos do Principado já vieram esclarecer que os pagamentos dos
trabalhadores para terem o privilégio de trabalhar mais do que cobre os gastos
com a manutenção dos salários e pensões, perdão, subvenções, dos políticos e
até geram um encaixe nos cofres públicos de alguns milhões de conquilhas, muito
necessários para pagar os juros a 300% dos empréstimos da Tripeça. Acalmados os
mercados, houve grande surpresa quando logo a seguir o índice de desemprego
subiu para os 98%, o que levou o governo do Principado a acusar os seus
cidadãos remanescentes (após a promulgação do decreto “pagar pelo direito de
trabalhar”, multidões rumaram à fronteira para emigrarem o mais depressa
possível, esborrachado os alfandegários que tentaram pôr cobro à debandada) de
serem uns calinas e piegas, não quererem trabalhar mas apenas receber subsídios
sem dobrar a mola O enviado deste jornal ao Principado das Couves-de-Bruxelas
foi sondar a opinião pública e, com minúsculas variações, poderia sintetizar-se
a voz do povo em: “até gostaríamos de pagar para trabalhar mas está a ver, há
muito tempo que os salários se extinguiram, não temos mais conquilhas, se
queremos alguma coisa trocamos o que há em casa com os vizinhos, como podemos
agora dar conquilhas ao patrão se não vemos nenhuma há quase 1 ano?” Se isto é
verdade, não foi possível apurar mas o nosso repórter constatou que de facto
nos mercados já não se vê sequer minúscula conquilha bebé furada, nem tão-pouco
uma meia casca, os negócios fazem-se todos troca por troca Podem assim ficar
descansados os investidores, os mercados do Principado das Couves-de-Bruxelas
ainda mexem.segunda-feira, 28 de outubro de 2013
A República Militar dos Papiros,
que recentemente tem andado nos holofotes da imprensa internacional por mor da
guerra civil que ainda não tem esse nome, acaba de dar à Humanidade mais um
contributo da sua civilização multimilenar. Desta vez no capítulo da literatura.
Como se sabe, a República Militar dos Papiros contribuiu já com a adição
semântica “guerra-civil-disfarçada”, que é a situação actualmente vigente no país.
Com efeito, pelas leis internacionais, na Península das Areias apenas um país por
ano pode entrar em traulitada caseira e tal estatuto tem sido já há dois anos
açambarcado com especial sucesso pelo País dos Turbantes. A República dos
Papiros vê-se assim no original estado de guerra civil que o não é, paradoxo
que teria deliciado os seus reis de há 5000 anos, famosos por mandarem erigir
pirâmides para se lançarem na aventura espacial, embora na ausência de
foguetões viajassem apenas as almas dos defuntos até às estrelas do Cão Maior. Relaciona-se
este contributo com a redefinição do conceito de liberdade, o qual tem até
agora sofrido imensas divergências de interpretação, que vão do “podes fazer,
dizer e pensar tudo o que te apetece” ao “tens a liberdade de pensar que sou
Deus e de te vestires como te mando” e originado numerosos conflitos em nome da
defesa da dita. A República Militar dos Papiros clarificou definitivamente este
conceito, encerrando o negro período de guerras libertárias, dado que aí a
liberdade passou a ser “podes fazer tudo o que quiseres desde que o faças como
eu quero”. Como o nosso repórter especial antes noticiou, o novo líder Perdeu a
Tola, zangou-se com “Os Irmãos Unidos”, grupo coral e político especializado em
cânticos religiosos, cujo rei eleito era o Nã ‘Tás Bom da Tola. Em
consequência, Perdeu a Tola prendeu-o e substituiu-o pelo Onde É Que Tenho a
Tola. Este último goza de grande respeito mundial pois ganhou o Prémio das
Pombas por ter paziguado vários conflitos com o Potentado dos Véus o qual teima
em vender milho radioactivo aos pombos. Como os adeptos do orfeão “Irmãos
Unidos” e seu líder Nã ‘Tás Bom da Tola discordaram da substituição e desataram
à pedrada, o Perdeu a Tola não esteve com meias medidas e proibiu o orfeão de
cantar ou de distribuir as suas músicas pelas portas e cafés, prendeu todos os
seus primeiros solistas e anda agora a caçar os restantes membros dos sete
naipes vocais. A coisa foi de tal modo sangrenta que o bom Onde É Que Tenho a
Tola a deve ter mesmo perdido pois demitiu-se de chefe da banda. O Perdeu a
Tola não gostou da deserção e mandou prender o auto-demitido. Contudo, parece
que não saber onde se tem a tola apresenta as suas vantagens nesta curiosa
república pois ao mesmo tempo que não sabe onde a meteu o demissionário deve
também ter-se perdido ele próprio, dado que os homens do Perdeu a Tola não o encontram.
Seja como for, o distraído, se for achado, já tem ordem do juiz para se
apresentar a julgado, como réu. Talvez não se recordem mas toda esta barafunda
começou porque o velho Marado da Tola dera de mandar prender e fazer
desaparecer os súbditos que se manifestavam contra ele numa praça interessantemente
chamada Liberdade. Como o Perdeu a Tola anda muito ocupado a prender toda a
gente que discorda dele e a enviar os seus homens para testarem ao vivo a
virgindade das súbditas desavergonhadas que metem o pé na rua, acabou por
concluir (num intervalo um tanto ou quanto mal-cheiroso) que não tinha tempo
para governar o país. Ora governar um país não é exactamente cargo para
estagiários. Até porque numa república tão perigosa não haverá candidatos,
ainda para mais a receberem metade do salário mínimo local. Era urgente
encontrar um com experiência, provas dadas, enfim… perfil. Consultados os seus
gestores de pessoal, foi descoberto um candidato à medida: o velho Marado da
Tola. Havia apenas um pequenino problema: o Marado da Tola estava em
julgamento, o que dificultava o exercício do cargo, já que é um bocadinho
difícil gerir um país a partir da prisão, embora com as novas tecnologias se
encare a possibilidade de se gerir uma autarquia (vide caso Camaleão da Naifa,
República dos Nabos). Muito bem, se o busílis era esse, então cortava-se o
julgamento e devolvia-se a liberdade ao Marado da Tola. E ao juiz que tentou
levantar uma, mínima, objecção “quem paga as custas do processo arquivado”,
Perdeu a Tola só respondeu: Onde É Que Eu Tenho a Tola?, esclarecendo deste
modo todas as dúvidas. O regresso de Marado da Tola ao trono está agendado para
a semana e decorrem já os preparativos para a solene ocasião. Para a celebrar,
a Praça Liberdade, que continua a ser ponto de encontro dos descontentes,
passará a chamar-se Praça do Glorioso Líder Perdeu a Tola, ou abreviadamente na
língua local: ‘Tás Aqui ‘Tás a Perder a Tola. Foi entretanto promulgada a lei
das liberdades civis que ordena o seguinte: art. 1º - no final de cada uma das
cinco orações diárias deverá o fiel clamar “saúde e vida a ti, Perdeu a Tola”;
art. 2º - todos os cidadãos terão inteira liberdade de opinar e escrever desde
que opinem de acordo com o líder e escrevam aquilo que ele mandar escrever. As
cidadãs não estão contempladas na lei pois não se espera que, e a curto prazo,
saibam ainda ler e escrever, dado a nova legislação proibir a sua admissão nas
escolas, esses antros de perdição feminina, seja como alunas, professoras ou
mesmo empregadas da limpeza. Nas escolas religiosas do país estão já a
reescrever-se todos os poemas, romances e outras manifestações da arte escrita
sancionadas pelos eclesiásticos – as outras são interditas, sob pena de morte
aos abelhudos que as lerem – para mudar a palavra liberdade para “anseio do
amado Perdeu a Tola”. Será um dia inesquecível para a literatura mundial quando
tal revisão estiver concluída.domingo, 27 de outubro de 2013
A República dos Nabos acaba de
receber outra boa notícia, que estamos certos muito dinamizará a sua futura
actividade turística e consequente recuperação económica, o que já não era sem
tempo. Aturados estudos de cientistas, daqueles a que ninguém quer dar verbas
porque “não têm nenhuns resultados práticos para o agora, logo não vale a pena
financiar” e que por isso mesmo foram pagos pelos próprios interessados (para
tanto empenhando tudo, incluindo as orelhas, cabelos e bigodes) acabam de
demonstrar quer esta República é um buraco negro, dos com portais para outras
dimensões. Após várias experiências animadoras, em que se enviaram ratinhos,
anéis de casamento, papéis de divórcio, uma sonda espacial, um computador
portátil, acções cotadas em bolsa que têm andando com comportamentos duvidosos
e malas cheias de documentos que é melhor ninguém descobrir, procedeu-se ontem
à última, mais conclusiva experiência, dado as anteriores terem comprovado a
segurança do procedimento, não se tendo registado a devoração do planeta por
parte do referido buraco negro (lá o facto do planeta estar a ser devorado por
agro-industrias e outras que tais, isso não é do âmbito deste estudo). Assim, foi
escolhido um voluntário, que por acaso é amigo dum dos cientistas da equipa e é especialista em falcatruas de vários
feitios e afundanços de bancos, o qual desejava muito desaparecer para parte
incerta, onde o fisco e a polícia o não pudesse caçar. Às 10 da manhã do dia de
ontem pois o horário do referido gestor não se inicia antes das 10 da matina,
os amigos puseram-no no módulo de transporte e accionaram as engrenagens da geringonça.
Em 30 segundos o corajoso voluntário sumiu deste universo sem deixar sequer
pozinho de testemunho. De facto o módulo estava tão limpo que até o painel de
comandos desaparecera, levado pelo viajante. A confirmação do sucesso ocorreu hoje
de manhã quando o fugitivo, isto é, o nauta espaço-temporal, enviou um email a
partir do computador já antes transportado através do portal, com vídeo duma
linda paisagem tropical, onde descansava
em cadeira extraplanetária, bebendo uns muito terrenos shots, rodeado por sensuais
extraterrestres surpreendentemente parecidas com as lânguidas beldades da Ilha
dos Côcos que apaparicam os turistas durante as suas melancólicas e solitárias estadias.
A esposa do heróico viajante espacial é que não ficou agradada com a
experiência e informou-o por Skipe que se ele não regressasse imediatamente,
ela iria ao fisco e às televisões apresentar documentos que provariam sem margem
para dúvidas todas as suas falcatruas, pois não estava para ficar ali no nabal
a pagar-lhe os calotes e a perder a sua fortuna pessoal à conta dos pagamentos.
Os cientistas estão neste momento a trabalhar para inverter o fluxo do portal e
trazer de volta o trapaceiro, por solicitação deste, que pretende vir baralhar
tudo outra vez perante o fisco, após o que regressará ao paraíso espacial logo a seguir. Coroando-se
de sucesso as experiência de idas e vindas, o governo dos nabos não terá dúvidas
em promover a descoberta como uma mais-valia turística do nabal, a qual interessará
decerto a todos os ricaços desejosos de fugir ao fisco e/ou à polícia nos
respectivos países (Gerard Depardieu volta! Já não precisas de te tornar cidadão
honorário dessa terreola de que ninguém antes ouviu falar). Os candidatos
apenas precisam de comprar casas no
nabal a meio milhão de dólares, tarifa mínima, para serem agraciados com o visto
gold que lhes permitirá manter
residência e usufruir desta descoberta revolucionária, sempre que necessário.
Naturalmente, e dada a importância estratégica desta descoberta, os royalties serão transferidos para o
governo, não recebendo os cientistas sequer o reembolso das despesas para comprar
e montar os equipamentos e cobaias usados nas experiências de teletransporte.
Em contrapartida, e porque estes equipamentos exigem sólida robustez
financeira, logo são sinais exteriores de riqueza, os cientistas serão taxados
a 105% do montante patrimonial acumulado e punidos com multas cavalares por
terem durante tanto tempo andado a enganar o fisco. Não se aceitam desculpas
para não pagar, portanto podem deitar fora os comprovativos dos empréstimos
contraídos.sábado, 26 de outubro de 2013
Foi hoje apresentado ao público a
nova constituição e figurinos do rancho folclórico Austeridade, ex-libris da
República Democrática (às vezes) dos Nabos e que aos ditos tantas alegrias tem
dado. Não é que o rancho acerte uma mas não é à falta de mandador e sim por ter
mandadores a mais. São pelo menos dois e mandam sempre ao contrário um do
outro: um diz “aperta a cintura à rapariga”, ou outro “vai de largo, vai de largo”;
um: “bate fininho e à voz do mandador”, o outro: “bate pé com força e eriça a
moça”, um: “roda p’rá direita, bate o passo, tudo certo”, e o logo outro:
“salta c’a moça ao centro, roda na viração”, um: “aperta o cinto, aperta o
cinto, aperta o cinto” e o outro nã se fica atrás e: “agora não, agora não,
agora não”. Os dançadores não se entendem, pisam os calos uns dos outros e está
o baile armado, para delírio dos espectadores que já não sabem a quantas andam.
A última sarrafusca ocorreu no S. Bento Folclore Festival Internacional
(perdoem o inglês dos organizadores mas foi assim mesmo o baptismo), por causa
das farpelas do rancho. O mandador com a mania de mandar sempre marcar ao
centro disse às moças que as saias mantinham o tradicional tamanho abaixo das
canelas e não seriam cortadas, isso de cortes era boato da reacção. As
raparigas ficaram muito aliviadas, em especial as que têm namorados ciumentos e
não são poucas. Só que logo a seguir apareceu o outro mandador, com a modista a
reboque, mandou as moças alinharem trajadas e disse que as saias tinham de ser
deitadas abaixo a partir da quarta barra de chita garrida. Ora o primeiro
mandador ainda estava lá e para gáudio de todos, os dois desataram à lambada.
Mas embora não se saíssem mal na dança nem na conta dos olhos negros, a Austeridade
estava quase a entrar em palco e era preciso resolver o problema das saias. A
modista sugeriu cortar aí uns 600 milímetros e nova carga de lambada se deu
entre os dois lambões. Por fim o mandador do centro mandou cortar as saias mas
apenas 2 palmos acima do saiote. O grande problema foi que nenhuma moça usa
saiote porque com o orçamento da Austeridade não dá para comprar os acessórios
interiores. As saias foram cortadas e as moças entraram em palco com
esplêndidas minis tamanho cueca, o que gerou calorosa recepção por parte da
plateia que irrompeu em palmas, assobios e bis, ao mais castiço concerto rock
hibridado de kuduro. Alguns até acenderam isqueiros para verem melhor o que a
Austeridade no seu novo figurino mal tapava. Os mandadores entraram, como é
hábito, atrasados, e contribuíram para o brilho da exibição com o maior caos
alguma vez registado no longo historial da Austeridade no nabal, pois nuca como
neste festival se contradisseram, negaram e renegaram o que tinham dito. No
final, já com os olhos à belenenses e uns dentes a menos, oferta dos tais
namorados ciumentos que não gostaram de ver as moças com as suas coisinhas ao
léu, os dois lambadores decidiram experimentar um aumento no orçamento da
Austeridade. E deram a conhecer aos patrocinadores que as rendas de 50% nos
lucros, que lhes são pagas pelos patrocínios, serão cortadas em 10%, 10% esses
que entrarão nos cofres do rancho para as moças poderem comprar saias novas. Ignoram-se
ainda as respostas dos patrocinadores, com a excepção do magnata do Império do
Arroz que já fez saber que se lhe cortarem os 10% nos lucros retira os apoios e
vai patrocinar para outra freguesia. Em face disto, os dois mandadores estão
agora a considerar a hipótese de contratarem um batalhão de polícias de choque,
em equipamento completo, para lhes servirem de guarda-costas. Infelizmente, com
o actual orçamento da Austeridade, tal medida exigirá algumas alterações aos
figurinos do rancho, pelo que os rapazes deixarão de usar camisa e colete,
passando a dançar em calções de banho e tronco nu.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Surgem casos algo extraordinários
na República dos Nabos, que acordam memórias dos fenómenos do Entroncamento.
Desta vez o fenómeno ocorreu com o chefe do nabal, sua excelência Nabo-Mor,
reputado professor de economia de carreira, e economista com grande sucesso
pessoal como atestam as suas contas bancárias, carteiras de acções e os exactos
momentos e condições em que as adquire e posteriormente vende. O nabal olha
para ele como a fonte da sabedoria quando deseja compreender o que se passa
pelos mercados, porque razão a nabiça baixa, o grelo sobe e não importa quais
sejam as subidas e descidas, a carteira dos nabos está sempre e cada vez mais
vazia. Até agora tudo tem sido explicado: os nabos são uns madraços, deram uma
de novos-ricos, era preciso fazer um ajustamento estrutural na água de regadio dos
canteiros, os mercados tiveram uma crise de acne… Mas eis que, em visita aos
países do Norte, o Nabo-Mor declarou estar muito confuso com os mercados, que
teimavam comprar os nabos a preço inferior ao custo de produção, dando grandes
prejuízos ao agricultor. Só podia ser coisa de masoquistas dado que a crise e o
bicho nos nabos eram já coisa do passado, a atitude dos especuladores era
absolutamente incompreensível, ele sentia-se muito ofendido com tal estado de
coisas. O rei do país anfitrião franziu o sobrolho e discretamente mandou
averiguar se as amêijoas, dado que o hóspede se empanturrara à grande com elas,
não estariam estragadas ou algum improvável agente estrangeiro não teria
injectado nas ditas um psicotrópico ou quiçá veneno, mas as análises deram
resultado negativo. Pôs-se a hipótese de, estando para breve o arrancar do
Nabo-Mor do seu doce canteiro, não andaria este a treinar para bobo, o que fará
mui menos mossa aos nabos embora possa revelar-se profissão difícil pois estes
ramalhudos súbditos há muito perderam a vontade de rir, e o candidato é um
notório nabo-cara-de-pau. Assim que os repórteres foram mandados para a cozinha
do palácio, quatro enfermeiros caíram em cima do chefe do nabal – o que
configurou um incidente diplomático em tudo semelhante ao que opõe o nabal à
República dos Cocos – levando-o numa camisa de forças para o hospício mais
próximo para procederem a extensa bateria de testes com vista a averiguar a
natureza e grau da psicose do chefe do nabal. Felizmente para os nabos, o
mistério adensou-se. Porque após todos os testes, e depois de sua repetição
pois ninguém acreditou nos primeiros resultados, ficou confirmado. O Nabo-Mor
não tinha psicose nenhuma nem estivera sob influência de drogas alucinogéneas.
O Nabo-Mor acreditava piamente no que dissera. O rei do Norte teve grande
dificuldade em acalmar o susceptível convidado que só por lhe lançarem piropos
tem o habito de mandar prender e pôr em tribunal o engraçadinho, o que não
deverá admirar ninguém se ele agora também diz que se sente muito sozinho e
incompreendido pelos súbditos. De facto só o acalmou após oferecer-lhe um bom
naco de acções de empresas de sucesso, o que este monarca nortenho conseguiu
após suar as estopinhas em muitos telefonemas para convencer accionistas
recalcitrantes, tendo de apelar aos seus brios patrióticos para livrarem o
reino dum desagradável desaguizado entre chancelarias. No nabal as declarações
do rei, desculpem, de sua excelência Nabo-Mor, também causaram perplexidade,
acabando por se concluir que talvez o douto nabo tenha perdido as acções de
formação sobre instrumentos financeiros que originaram a recente crise de acne
nos mercados. Desejando contribuir para o reforço financeiro, perdão, académico
da prestigiosa carreira do Nabo, a Casa da Presidência Nabal abriu já
inscrições para o posto de explicador privativo de economia. Dado o invejável
currículo do explicando na área económica, só se aceitam candidatos laureados
com o Prémio Nobel nessa nobre e não menos cabalística ciência. Entretanto, no
regresso a casa, o Nabo-Mor perdeu-se e encontra-se neste momento algures à
beira duma estrada, polegar para cima a pedir boleia, interpelando os
motoristas que param sobre qual o caminho para o mercado mais próximo.quinta-feira, 24 de outubro de 2013
O exclusivo Clube da
Solidariedade da União das Hortaliças, cujos membros têm de ter pedegree até à sétima geração e
contribuírem regularmente para missões solidárias, chás de caridade, e
peditórios para os lacinhos dos smokings
dos governantes que calhem de ir à ópera para mostrarem que são cultos, tem
neste momento um sério problema de infestação, que se lhe acumula aos portões,
com manifestações enormes de furiosos pedintes e, na porta das traseiras,
longas filas de limousines de
candidatos a membros, em particular dos seus órgão sociais e executivos pois é
algo muito bom para pôr nos currículos. A razão do bizarro fenómeno de duas
manifs. de humores opostos convergirem para o até agora muito discreto e
selecto clube reside no facto dos seus membros estarem a emprestar dinheiro
solidariamente aos países do sul, cujas dívidas já sobem à magnetosfera. A
manifestação da frente, contra a solidariedade, diz que a ajuda é como um
pelotão de fuzilamento: somos obrigados a marchar até à parede, dão-nos a
escolher se queremos venda ou não mas a escolha que queremos fazer
(pisgarmo-nos dali) não no-la deixam e só resta apanhar com o balázio todo e
rezar para que as primeiras acertem logo na mouche.
E avançam com exemplos: por exemplo o nabal, quando pediu ajuda, tinha uma
dívida de 90 e muitos % do PIB mas agora, após o empréstimo para pagar essa
dívida… tem-na em cerca de 127% do PIB, mais coisa menos coisa, e não apenas
porque o PIB evoluiu como um pára-quedista sem pára-quedas e com o mesmo
espectacular esmigalhanço contra a realidade, mas por causa dos juros; e
note-se, sublinham os ingratos gritadores e agitadores de cartazes, que nem foi
dado ainda todo o empréstimo… Por seu lado, os directores do clube contradizem
estas afirmações, no seu ver aleivosas. Em declarações prestadas à nossa
repórter Entra-Por-Um-Ouvido-Sai-Por-Outro, o CEO do clube rectificou que os
seus empréstimos são de solidariedade, evidentemente, mas têm de cobrar taxas
de agiota porque o dinheiro está caro e é também uma medida educativa para
ensinar os pobrezinhos a darem o devido valor à esmola, pois todos os tratados
o afirmam: os pobrezinhos não sabem poupar, mal têm dinheiro vão gastá-lo todo
em ninharias como sapatos e comida melhorada ou penduricalhos para falarem com
amigos e conhecidos horas a fio no caminho para o trabalho, em vez de irem a
pensar como irão poupar o salário e como irão cumprir com os seus deveres de
trabalhadores, que são os de vergar a mola sempre e em quaisquer condições que
lhes sejam impostas, agradecendo ao fim da jorna a bondade dos empregadores,
que lhes dão um lugar para trabalhar e um salário tão pequenino que merece ser
emoldurado para a colecção de miniaturas da família, ao lado do táxi de lata do
Zézinho. Os protestantes aos portões são apenas uns terroristas revolucionários
que serão em breve corridos por tropas de assalto, para as quais aliás já
telefonaram e lhes garantiram virem de imediato “limpar os pratos”. Na porta
dos fundos decorre entretanto a selecção dos candidatos a membros do clube. A
selecção é muito rigorosa, constando entre outros aspectos a probidade moral e
da robustez das contas bancárias, não sendo importante a forma como se obteve a
fortuna. É mais do que apenas querer parecer bem nos chás das tias ou apressar
o passo para receber uma comenda no dia da pátria, que são já de si razões
muito meritórias para fazer solidariedade. É que, como explicou a mui elegante
e, dizem as intrigas, venenosa Cobra-Malhada, uma das mais aristocráticas
candidatas, se eu der em solidariedade com os pobrezinhos 100 notas e os
pobrezinhos forem obrigados a devolver-me 1500 notas iguais… quem é que assim
não quer ser solidária, querida?
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
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| blog amaral marques |
Perante as dificuldades
crescentes do mercado de trabalho, e das fugas de alunos para outras paragens,
a escola de futebol “Pés Tortos” decidiu responder à crise promovendo cursos
para duplo emprego, caso os candidatos não dêem uma para a caixa e em vez de
acertarem na baliza atinjam o holofote do estádio (que está a mais das vezes
apagado por esse motivo embora as más-línguas digam que é das contas da
electricidade em atraso). Como as carreiras com mais saída são as de diplomata
– sai-se quase sempre para o estrangeiro – seguidas das de gestor, começou a
“Pés Tortos” por criar um projecto-piloto em Relações Internacionais/Futebol,
dado que o futebol, dizem, é o melhor embaixador dos nabos. Estão assim abertas
as inscrições para os cursos de Cônsul ponta de lança, Embaixador guarda-redes,
Adido cultural meio-campo e Oficial de liaison
fiscal-de-linha. Prevê-se assim garantir aos alunos um futuro milionário, em
especial se forem bem sucedidos no jogo da bola. Caso não o sejam sempre podem
viajar em classe executivo como representantes oficiais do país e conhecer
capitais de exóticos países ou apertar as mãos da realeza, tal e qual como um
craque a sério, com a desvantagem de terem menor salário e mais tempo de espera
pela reforma. Contudo, e para os mais empreendedores, as malas diplomáticas
sempre podem servir para iniciar start-ups,
como sociedades de importação/exportação de artigos de luxo sem passar pela
chatice das alfândegas e taxas de importação, serviços de estafeta de
dinheiros, jóias ou obras de arte que se desejem fazer sair discretamente para
cofres no cantão dos Queijos, ou prestar serviços de intermediação financeira,
em especial no envio de divisas limpas ou sujas para bancos da especialidade.
As propinas são elevadas mas a qualidade de ensino justifica-as: os alunos
poderão participar em eventos diplomáticos como regatas do jet-set, passagens de modelos, casamentos reais, reuniões de alto
nível na União das Hortaliças, treinos com as grandes equipas de futebol da
União das Hortaliças, frequência de cursos de arbitragem e de espionagem, entre
outra formação de grande importância (como por exemplo emborcar sem que ninguém
veja a comida dos cocktails em saquinhos levados para o efeito, ou como usar a
imunidade diplomática para iniciar certos negócios interessantes…). Os
primeiros doutorados pela escola “Pés Tortos” encontraram já todos colocação no
mercado de trabalho, sendo de realçar entre os casos de maior sucesso o Ronaldo
futebolista e o Nabo-Duro, que é já apelidado de “Ronaldo da diplomacia da
União das Hortaliças”, segundo a avalizada opinião de peritos internacionais, o
que aliás motivou um protesto do Ronaldo-futebolista porque o Nabo-Duro,
declarou ele aos repórteres, era um azelha tão grande que partiu todos os
vidros no quarteirão onde se situava a escola e foi o responsável por esta ter
de mudar de local e envergar agora o nome de “Pés Tortos”. Com ou sem pés
tortos, a verdade é que Nabo-Duro é posto em pé de igualdade com o Ronaldo
embora daí não venha grande felicidade à República dos Nabos, onde ambos
nasceram. Caso para dizer: de nabos como estes estamos nós bem aviados.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Na República dos Livros recomeçou
o folhetim das aulas. Nos últimos anos o início da época dos estudos tinha
aberto com relativa normalidade, sem grandes protestos de pais, alunos,
professores, seguranças, contínuos, senhor da electricidade e biscateiro
plenário (mesmo sem constar no contrato de trabalho) ou empregadas da limpeza.
E todos andavam já saudosos dos anos em que iniciar as aulas era um verdadeiro
jogo de apostas pois apostavam os pais e livrarias em quais seriam os livros
aprovados ou sequer se os teriam em armazém, apostavam os alunos contra toda a
gente que “não, mãe, as aulas ainda não começaram, não há professores” até ao
momento em que as mães descobriam que o professor estava a leccionar há pelo
menos 1 mês, apostavam os professores se chegavam a ter alunos para ensinar ou
tinham de ficar na secretaria a tratar de burocracias várias porque não tinham
sido contemplados no sorteio das turmas, e apostava toda a gente se as aulas
começavam no dia em que eram para começar ou porventura o fariam lá mais para o
Verão. Era um período cheio de emoções fortes, que ficava indelevelmente
marcado nas memórias dos petizes que, quando chegassem a velhos bem podiam
contar “no meu tempo” e seguia-se um relato de aventuras que fazia inveja às
dos avós dos petizes no tempo da guerra. Infelizmente a normalidade dos últimos
anos estava a privar as novas gerações destas experiências e recordações, pelo
que o sempre atento Ministério, que coloca acima de tudo o desenvolvimento dos
cidadãos do amanhã, preparando-os para tudo, incluindo um futuro onde as
escolas tenham ratos e telhados de zinco com buracos, decidiu restaurar estes
eventos memoráveis e fê-lo com especial antecedência e cuidado planeamento.
Primeiro exigiu tarde e a más horas e em plena época de férias que os
professores saíssem do seu por fim descanso e fizessem uma série de trabalhos
burocráticos, com um prazo “para ontem”, sendo que pouco tempo depois lhes
mandou fazer o mesmo mas com novas regras. No meio deste jogo da berlinda foram
enviadas para as escolas novas tarefas sempre com regras e objectivos
diferentes de modo a causar o máximo de confusão na preparação do novo ano
lectivo. Entretanto contrataram-se e foram colocados muito menos professores do
que o número de turmas exigia para se garantir que várias turmas não os
tivessem. Por seu lado, e feitas as listas de pessoal auxiliar de cada escola,
deixou-se a marinar em Ministério, de modo a assegurar que as escolas não soubessem
quantos auxiliares teriam ao longo do ano. De seguida aumentou-se a dimensão
das turmas e mesmo à boca de cena mudaram-se as regras de avaliação, com a
criação de novos exames entre outros pormenores técnicos. Finalmente deixou-se
aos professores tempo mínimo para que só pudessem delinear os horários a menos
de uma semana do início das aulas. Quando por fim foi garantido que as escolas
não sabiam de facto quanto pessoal auxiliar teriam, que muitas turmas não tinham
professores e que muitos professores tivessem de correr as maiores distâncias
possíveis entre escolas (sendo a distância mínima de 60 km ) foi dada ordem para o
início das aulas. Estas puderam assim iniciar-se no meio da maior barafunda, assegurando
mais um acervo de histórias para contar às gerações futuras, à luz da lareira
porque nessa altura o cidadão comum não terá dinheiro nem para o petróleo
quanto mais para electricidade. Para o Ministério a bagunça aconteceu conforme
o pretendido e exigido pelo Acordo da Tripeça, pelo que a Ministra veio já
declarar que o ano lectivo se iniciou na maior normalidade. É bom saber, neste
mundo toldado pela mudança, que certas e queridas tradições ainda se mantêm.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
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| geocaching-pt.net |
A agitação continua na República
Militar dos Papiros, na ponta ocidental da Península das Areias. Após quase um
ano de ajuntamentos públicos e pancada de criar bicho, para alegria dos
crocodilos em extinção que ainda passeiam pelo velho e largo rio do país, e que
vinham para as margens assistir às caroladas, esperando que algum incauto de
cabeça partida lhes caísse no prato (nunca aconteceu, declarou um crocodilo
choramingas ao nosso repórter), o pessoal conseguiu tirar da cadeira real o
senhor general Marado da Tola e até, espectáculo único e jamais visto na
arenosa Planície, levá-lo a tribunal. Entretanto, vários presos tinham
conseguido escapar, pensa-se que com a ajuda de guerrilheiros do Território
Independente Só no Papel e cujos naturais se especializaram em atentados,
sequestros e raides, tendo por alvos favoritos Ovos Estrelados e cidadãos da
República dos Hamburgers. Porque, argumentam os naturais, com o bloqueio
contínuo dos Ovos Estrelados só dá para contrabandear armas e ensinar os putos
a usá-las, no intervalo dos deveres da escola, qualquer outra actividade não dá
p’rá conquilha. Porque razão os guerrilheiros do Território Independente Só no
Papel decidiram meter narizes na República dos Papiros é um mistério mas
meteram e algum tempo depois os protestantes papirenses foram a votos e
elegeram um dos prisioneiros como novo rei. Este novo rei tinha ideias muito
próprias sobre como devia ser o país e decidiu armar-se monarca absoluto mas
esse tempo a modos que já era e o povo, cujo principal desporto nos últimos
tempos é o de protestar, saiu em massa para a rua, fazendo alegres
acampamentos, com garraiadas e concursos de pancada com a polícia, tendo-se iniciado
um novo desporto a céu aberto: o de rapto e violação colectiva de papiras,
“descaradas” o bastante para virem para a rua protestar em vez de estarem em
casa a fazer a comida e a cozer as meias e cafetãs dos maridos, que “o lugar
duma mulher é no gineceu, não na mesa dos homens da casa e muito menos na rua,
olh’ás desavergonhadas!”, conforme nos declarou o campeão nacional de
violações, ‘Tás Mesmo a Pedi-las. Ao fim de muitas semanas de protestos,
acampamentos, violações em massa e casas incendiadas – está a aproximar-se o
Inverno e o pessoal precisa de se aquecer, declarou um dos pirómanos que na
altura fugia com um computador fanado da casa em chamas – o prisioneiro-rei Nã
‘Tás Bom da Tola, foi arrancado da cadeira de rei por amigos do ex-rei, o tal Marado
da Tola, que entretanto estava ainda em julgamento. A comunidade internacional
aplaudiu o feito, tendo contudo o cuidado de nunca referir o golpe de estado
como golpe de estado, para não ofender susceptibilidades mais legalistas, que
isto há gente que se ofende com coisinhas de nada. É claro que os adeptos do
clube do Nã ‘Tás Bom da Tola, agora prisioneiro-rei-prisioneiro-em-parte-incerta,
não gostaram da festa, até porque nem foram convidados nem nada. Os outros
festejantes tentaram convidá-los à posteriori
mas os melindrados adeptos disseram que não senhor, não recebiam
convite-esmola, se os queriam no arraial tivessem-nos convidado antes. Amuados,
decidiram dedicar-se ao desporto nacional e vir para a rua acampar e cantar
protestos contra o novo rei e gritar “fora ao árbitro!”, que é como se sabe um
grito que irmana todos os protestantes neste nosso mundo descontente. Enquanto
se colectam apostas por todo o país (jogar é proibido pela lei religiosa local
mas quem é que se preocupa com isso em momentos como este?) sobre se o antigo
rei Marado da Tola é condenado, absolvido ou reposto na cadeira, as claques do
novo rei Perdeu a Tola, decidiram começar a varrer as praças e ruas dos adeptos
protestantes e foi um arraial tão bom que nem vos conto. Dum lado as santas pedras,
fisgas, fundas, molotovs e kalashnikovs e do outro, automáticas de miras laser,
tanques, helicópteros, granadas e bombas de fragmentação, que era para ganharem
a partida logo na 1ª parte. Só que o pessoal das pedras não se deixou bater e,
como esperam carregamentos secretos de armas a sério, vindas em
caravana-expresso do Potentado dos Véus, sito no extremo oriental da Península
das Areias, barricaram-se e vá de darem luta. As coisas têm estado acesas na
capital, onde há fogos por todo o lado nas ruas e até dentro das casas, que
ardem até ao tecto e passam para as dos vizinhos, e o rei Perdeu a Tola anda a
declarar a toda a gente que os tipos das pedras, que estavam apenas acampados
nas ruas a cantar slogans contra o rei – tão afinadinhos que, se concorressem,
limpavam o Festival das Cantigas da União das Hortaliças – são terríveis
terroristas e que os seus, que entraram a matar, são anjinhos celestiais. E
para acabar com as manifestações terroristas o nosso decidido Perdeu a Tola
mandou espalhar franco-atiradores com automáticas de longo alcance e miras
telescópicas, para causarem confusão na multidão que se possa juntar nas ruas,
mesmo que seja só para os mercados de peixe. Ninguém sabe onde estão os
franco-atiradores, donde agora nova vaga de apostas corre o reino, subordinadas
ao tema “quantas vezes podes sair à rua sem levares um tiro na tola?” Uma vez
gerado o caos com o tiroteio, como se ensina no mais clássico manual
terrorista, que se pode consultar aliás na Rede-de-Pesca, versão não censurada,
abate-se uma boa leva de terroristas, mesmo que sejam apenas mulheres com bebés
a fugirem do lar em chamas. Afinal quem manda as mulheres virem para as ruas se
não forem umas sediciosas? Esposa e mãe de família que se preze morre dentro de
casa, nas chamas, para não pôr na lama a honra dos homens do clã, ora essa!
Tomem nota, ocidentais decrépitos: para combater os terroristas a nova táctica
é… fazer atentados terroristas.Revisores de dicionários precisam-se.
domingo, 20 de outubro de 2013
O amado líder do País dos
Turbantes está muito deprimido. Foi-lhe feita uma terrível injustiça! Não é que
a guerra civil no país lhe esteja a correr mal. Em termos de guerra ele e os
amigos que se distraem a dar tiros do outro lado das trincheiras, barricadas e
casas alagadas, já conseguiram destruir todas as cidades do país (agora
existem, para alegria de futuros turistas e construtores, pitorescos destroços).
Também deitaram borda fora milhões de súbditos que estavam lá a mais, o que
ficará muito bem na redução da taxa de desemprego e despesa do Estado. Ao mesmo
tempo, e porque o grande líder tem sempre o povo no seu coração, obrigaram-se
os teimosos que não querem partir a tirar férias à força, proporcionando
magníficas deslocações através do país para osa levarem a conhecer as
maravilhas dos meditativos desertos locais, embora os ingratos sortudos digam
que passeiam mas é para fugir às balas e às bombinhas de mau cheiro que matam
que se fartam. Não, apesar das bombas de mau cheiro, que quase iam pondo ursos
e hambúrgueres ao estalo precisamente no território dos turbantes (e todos
sabem como é complicado duas guerras decorrerem no mesmo espaço pois às duas
por três já ninguém sabe quem é o inimigo e atira-se a tudo o que mexe) a
guerra corre-lhe muito bem. A grande tristeza do Grande Líder é que os injustos
do comité do Nobel para o Ditador de Sucesso, não lhe deram o prémio. Quando
soube que o dito cujo fora para o querido Pupu, o Grande Líder desfez-se em
lágrimas e nem o facto do Pupu ser um seu grande amigo o consolou da derrota.
Então, pode lá ser-se um ditador melhor-sucedido do que alguém que após dois
anos contínuos de traulitada se mantém mais agarrado ao poder do que mexilhão à
rocha em dia de calmaria? Alguém que conseguiu destruir todas as cidades e
aldeias do país e expulsar o indesejável povinho ingrato para o estrangeiro?
Alguém que bombardeia alegremente hospitais – competindo com os adversários
neste campeonato, devidamente assinalado nas paredes dos quartéis-generais com
pauzinhos traçados a preto por cada um que é deitado abaixo – e tira de lá
doentes para os matar no meio da rua? Ou que mata e tortura médicos para que
estes não sejam parvos mas bazem p’ra
casa descansar em vez de teimarem cumprir o “dever profissional”? Que
injustiça! O querido e amado Grande Líder não aguentou e desabou por cima duma
bela otomana bem estofada a brocado e veludo, chorando como na primária, quando
a professora lhe pusera umas orelhas de burro. As criancinhas ficaram tão
impressionadas com a tristeza do Grande Líder que vieram para a rua com
bandeirinhas pintadas na cara e abanos com a amada fronha do Grande Líder
estampada às cores, escoltadas por soldados que timidamente não ficaram nas
fotografias, os quais as animavam dizendo que se não agitassem bem os abanos
nem gritassem protestos que se ouvissem ao fundo da avenida, os pais e os
irmãos iriam aprender a dançar ao ritmo das kalashnikov e AK-57. E as crianças
gritaram expontaneamente “viva o nosso amado Grande Líder, o anjo salvador da
pátria” e “discriminação, discriminação, não queremos cá Nóbeis, não”. Porque
só pode ser discriminação, não o terem eleito. Como se o Pupu fosse melhor que
ele! E o prémio vinha mesmo a calhar para endireitar as contas da guerra e
comprar ao Império do Chá, ou quiçá à República Federal das Batatas, assim uns
mísseizitos, mais umas bombinhas de mau cheiro última geração com capacidade
para matar tudo o que respira num raio de 20 kms… Que grande maldade!....
sábado, 19 de outubro de 2013
Para combater a crise a União das
Hortaliças fez uma exaustiva pesquisa de mercado – realizada a custo zero pelos pesquisadores que se quiseram trabalhar tiveram de assinar um contrato onde o
seu salário estabelecido era = 0 – com vista a identificar novos produtos, de
exclusiva produção na União, e que tenham especial apetência para serem
exportados para os mercados emergentes. Foram identificados numerosos produtos,
o que confirma que em tempos de crise a produtividade rompe todas as previsões,
e os respectivos mercados de maior potencial. Todos eles entram na categoria
“léxico”, já que os políticos e gestores do mundo inteiro, que são quem pode
pagar alguma coisa seja pelo que for, precisam de ter sempre expressões exactas
para lidar com os muitos problemas que lhes levantam os seus súbditos e os
levar a acatar leis absurdas. Assim, a palavra “irrevogável” foi vendida em
leilão ao Fundo Mundial da Agiotagem, para ser usada sempre que este Fundo vier
declarar ser necessário aliviar a austeridade mas, é claro, mantiver todas as
metas rigorosamente na mesma senão até pondo-lhe em cima mais uma dosezinha de
aperto de cinto. A expressão “inexactidão factual” será cedida em leasing ao Califado dos Ai-aTola!,
sempre que estes declararem que não estão a produzir urânio para bombas
atómicas mas se descobrir depois que construíram mais uma milhena de
centrifugadoras para enriquecimento da coisa. A metáfora “faltou à verdade” foi
contratualizada pelos bancos que dominam as agências de rating e por todos os analistas políticos e económicos que prevêem
crescimento económico positivo para 4 meses depois os resultados o comprovarem
negativo, tendo sido dos produtos de mais elevada cotação em bolsa até ao
momento. O “lapso de memória” está em leilão, tendo até ao momento manifestado
o seu interesse em adquiri-lo vários CEOs de bancos falidos que têm vários offshores e fugiram ao fisco com vários
milhões e por isso têm as suas declarações de rendimentos algo desviadas da
realidade. Por seu lado o “omitiu factos que considerou irrelevantes” será
vendido em hasta pública perante um público constituído por membros de governos
que estejam com os calos apertados por via de investigações em curso e às quais
sonegaram factos. Já a expressão “inverdade” foi vendida a
políticos-gestores-políticos (podendo acumular as duas carreiras ao mesmo
tempo) que andem às aranhas com os mercados de CDS (sapos tóxicos). As
“afirmações menos felizes” e “afirmações sem gravidade” vendem-se nas lojas de
trajes académicos para doutores honoris
causa e doutorandos da carreira diplomática, com fitinha colorida a
condizer com a embaixada a que pertençam. A “campanha de perseguição” está em
pré-apreciação por um painel de interessados ditadores que vêm no estrangeiro
terríveis inimigos. A acusação “assassinato político” mereceu já muitas
propostas de aquisição por parte de ministros incompreendidos pelo povo que
representam e/ou que se sentem diminuídos no exercício das suas funções. Por
seu turno os “não é um novo pagote de austeridade” e “não haverá mais
austeridade” está a receber licitações de governos que após esfolarem os
súbditos até ao osso estejam a inda a pensar em apertar-lhes mais o esqueleto.
O “pequeno ajustamento” vai a leilão para um público conhecedor: ministros prestes
a espremer os súbditos e ao mesmo tempo aumentar os gastos nos seus gabinetes
privados. A subtil “fui apenas depositante” foi activamente regateada por
numerosos banqueiros, traficantes de variadas mercadorias, clientes de offshores e accionistas com activos
embrulhados que precisem de assegurar a sua inocência, em caso de escândalo. Finalmente
o “iremos perseguir e neutralizar todos os extremistas pertencentes a este
grupo” teve uma OPV por parte de governos que decidem, para povinho ver,
ilegalizar associações especializadas em linchamentos, atentados bombistas e facadas
a incautos imigrantes ou minorias étnicas locais, para libertar todos os
linchadores e industriá-los para continuarem a prestar o “bom serviço” mal os
repórteres estejam a olhar p’ra outro lado. sexta-feira, 18 de outubro de 2013
A mudança de cabeças na Tripeça,
que regressa ao nabal para avaliar da qualidade da safra de nabos, verificar se
estes apararam as ramas e se deixaram de mamar na água da rega, tem causado
algumas interessantes surpresas nos últimos dias, que baralharam os observadores.
O Fundo Mundial da Agiotagem, uma das pernas da Tripeça disse, logo antes de
poisar no nabal, que aperto de cinto a mais era mau para o negócio. Ao mesmo
tempo a outra perna exigia que se mantivesse o aperto nas ramas e a espremedura
dos nabos, até estes largarem o caroço, porque eles são uns mafiosos, estão
sempre a fugir à seringa. Logo a seguir a terceira perna, o Fundo da Agiotagem
em Acção, declarou que os antecessores não lhes haviam explicado nada, nem
sequer deixado um post-it colado na
porta do frigorífico ou, já agora, a lista das tascas com melhores petiscos e
mais em conta, portanto não faziam ideia daquilo que iriam encontrar pela
frente já que os guias turísticos são famosos por nunca informarem dos
pormenores sórdidos do país. Isto causou grande consternação entre os nabos
pois é suposto os técnicos do Fundo da Agiotagem serem especialistas de
altíssimo gabarito a pôr avanços económicos e sociais em marcha-atrás e como
tal esperava-se destes competentíssimos profissionais que realizassem ao menos
aquilo que até o mais lerdo chefe de faxina sabe que tem de fazer: reunir com
os novos colegas para lhes explicar onde ficam as vassouras e os baldes isto é,
um “briefing”, nem que seja no vão de escada. Mas não, as luminárias cessantes
tinham-se esquecido disso, o que até nem será de todo de estranhar pois são
profissionais demasiado atarefados e sofrendo de considerável jet-lag com a realidade. Como se isto já
não fosse suficientemente perturbador, a líder do Fundo Mundial da Agiotagem
veio mais uma vez, em contramão das políticas que os seus súbditos mandam
implementar nos países alinhados para a forca, dizer que afinal o aperto de
cinto, no caso dos nabos o aperto do molho nas ramas, não era bom para a saúde,
havia limites para as dietas de penúria. Na sequência destas declarações houve
um aumento explosivo nas compras do romance vitoriano Dr. Jekill e Mister Hyde,
que passou a ser leitura de cabeceira para todo o psiquiatra encartado. Com
efeito, a Associação Mundial dos Psiquiatras e Malucos Equiparados lançou um
programa de análise exaustiva de todas as declarações, memorandos, relatórios,
avaliações e outras publicações que o Fundo tem dado generosamente ao prelo
nestes muitos anos já de existência. Os resultados preliminares foram muito
preocupantes pelo que os Psiquiatras contrataram malucos com notória capacidade
para se apoderarem do alheio e realizarem espectaculares fugas dos quartos para
interceptarem os memorandos, relatórios e apontamentos secretos dos
funcionários do Fundo, razão porque a referida associação passou a ser dos
Psiquiatras e Malucos Equiparados. Estes documentos secretos estão ainda em
análise e, em justa coerência, os resultados da sua avaliação permanecerão
secretos mas alguns dos nossos informadores – um dos quais jura a pés juntos
ser a Cleópatra – revelaram-nos que as apreensões dos colegas psiquiatras estão
a avolumar-se podendo um destes dias rebentar como uma borrasca das antigas. De
modos que, e dado o comportamento sui
generis dos membros do Fundo Mundial da Agiotagem nos últimos tempos, se
isto acabar tudo no manicómio não se admirem.quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Tripeça ao abrigo do
convénio de prestação de serviços com a agência de espionagem da República dos
Hambúrgueres “Espia Tudo” acabaram de descobrir que o líder supremo da Tripeça
– joint-venture que inclui a União das Hortaliças, O Banco dessa União e o
Fundo de Agiotagem Mundial – afinal tem como presidente secreto… a Divina Providência.
Como sempre, os nabos foram os primeiros a suspeitar, e o Nabo-Maior até fez
referências a milagres quando da última visita da Tripeça, esta dissera que
estava tudo bem, os meninos tinham sido aprovados, mas precisavam de se
esforçar um pouco mais para acabar de matar a economia local, pois os
investidores estrangeiros estão ansiosos por meterem as mãos nas bonitas praias
e ainda melhor mão-de-obra escrava e qualificada, ao contrário do que sucede nos
países dos 2º, 3º, 4º e etc. mundos. O facto de logo a seguir ter surgido o
Chilique Ministerial já aqui relatado em numerosos episódios foi, descobriu-se
agora, um castigo do Divino aos infiéis que na altura tinham rido do
Nabo-Maior, o qual muito ofendido, fora para a Ilha dos Cagarros, deixando por
cá o pessoal a desembrulhar-se com a crise. As suspeitas confirmaram-se agora,
com a publicação dos novos resultados estatísticos da economia na União das
Hortaliças e em particular da República dos Nabos, verificando-se o milagre de
que a economia está a recuperar espectacularmente, apesar dos indicies dizerem
que está tudo pior do que no ano passado. Aliás, a porta-voz divinal sedeada na
República dos Nabos, veio já dizer aos pastorinhos seus porta-vozes, que o
milagre se deve à extrema boa-vontade do Divino, não referindo contudo os
receios da última reunião em que se temeu que os crentes pudessem abandonar de
vez o clube porque, se existe um Poder Supremo e bondoso, porque razão está o
mundo da maneira como está? O Divino, disse a doce Senhora, quer demonstrar aos
vacilantes e aos incrédulos que os milagres são possíveis e não apenas esses plágios
dos “milagres da ciência” pois quem tem a patente dos milagres é o Divino. O
qual mandou também dizer que mandará processar quem quer que apareça por aí a
prodigalizar novos milagres. Esta descoberta encheu os nabos de alegria pois
todos andavam já aterrorizados com o 8º e 9º exame da Tripeça que serão, como
se sabe, os mais difíceis. Resta agora que a Tripeça aceda aos rogos dos fiéis
para aliviar a taxa de convergência do défice, razão pela qual a sua sucursal romana
já pediu a todas as famílias da República dos Nabos para pelo menos uma noite
por semana desligarem as televisões e rezarem em família pela boa vontade da
tripeça. Esperemos que as orações façam o milagre pois os nabos-políticos, está
visto que não o conseguem.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
A Luz ao Fundo do Túnel Apagou-se Há Muito (ou o sucesso
económico do Continente Apagado)
Por causa das alterações
climáticas e dos terríveis gases de efeito de estufa pede-se agora à parte do
mundo que quase nunca provou os benefícios da civilização ocidental que se
deixe de lérias e tentem é viver com menos e sem os luxos do 1º mundo porque,
afinal, estão já a isso habituados. E se é preciso poupar, nada mais natural,
portanto, que as poupanças comecem entre o pessoal que nunca se habituou a
luxos, e devam aí ser impostas com maior afinco. Afinal, quem nunca teve
electricidade em casa nem sabe o que são as delícias dum fogão a gás ou dum
micro-ondas, pode continuar alegremente a viver sem essas comodidades; não é
tão divertido o jogo de sufocar a cozinheira a dona de casa e família com
fogueiras na cozinha alimentadas a lenha? Ou que há de melhor para a saúde do
que o mulherio transportar bidões de água à cabeça durante 60 kms (30 de ida e
30 à volta) e a corta-mato, correndo para se safar a violadores, guerrilheiros,
polícias ou vizinhos bêbados, todos apostados em enfiarem-lhes o “bico”? Como
se pode dizer que ninguém se preocupa com a saúde feminina se se lhes oferece
este exercício em troca da escola sedentarizadora e criadora dos pecaminosos
hábitos de usar a cabeça para pensar? Afinal é para carregar água, homens e ter
meninos que o mulherio serve. Pedir a um honesto cidadão da República das
Batatas que passe sem o seu micro-ondas ou o seu televisor de plasma de 1000 e
tal milímetros de ecrã… é sem dúvida exigir um sacrifício muito mais doloroso
do que pedir aos pobres que se mantenham na pobreza, pois esses não estranharão
tal “evolução na continuidade”. Por isso serão a partir de hoje apagadas todas
as luzes de todos nos túneis, aldeias, jardins e bairros de barracas no 2º, 3º,
4º e 5º mundo e mais alguns outros que porventura por aí haja e não tenhamos
ainda descoberto. Naturalmente, os terroristas que habitam nos bairros da lata
desses mundos irão dizer que a luz ao fundo do túnel nunca se chegou a acender
mas não acreditem. Pois que há demais romântico do que uma tenda de plástico
com bonitos dísticos das misericórdias internacionais, dividida com cinco
outras famílias num campo de refugiados? Campismo o ano inteiro e com refeições
servidas e tudo! Ou o tipismo único dum bairro de lata onde os homens se
colocam em linha para defecar ao ar livre pois como são só meios cidadãos, não
precisam de latrinas. Sem contar que estas condições são excelentes para as
economias desses países, que podem poupar em luxos como saúde e educação dos
seus habitantes e ver crescer fábricas e plantações de óleo de palma e biofúel,
onde os nativos têm o privilégio de trabalhar em regime escravo, tal e qual
como os seus antepassados e pioneiros da globalização. Das suas mãos saem para
o 1º mundo todas as delícias das pessoas civilizadas, como calças, sapatos,
cintos, ouro, telemóveis, bluetoots, metais raros, prata, diamantes, petróleo, Ipods,
acessórios e tantas outras maravilhas tecnológicas que, é claro, só são tocadas
pelos nativos se porventura trabalharem nas fábricas que as produzem. Não pode
haver assim maior ordem no mundo: uns produzem e vivem pobrezinhos e
maneirinhos para não terem maus hábitos, e outros enriquecem e generosamente
colocam as suas fábricas poluidoras nos bairros dos operários, pois para quem é
bacalhau basta. O imenso sucesso económico deste modelo é atestado pelos
índices macroeconómicos, embora para a maioria da população local esses índices
talvez sejam os dum universo paralelo pois as suas condições de vida estão cada
vez mais na mesma, em especial se calharem de terem um campo petrolífero nas
proximidades que lhes suja os rios onde por milhares de anos puderam pescar e
agora também podem mas morrem a seguir, de cancro e essas coisitas, por o peixe
estar contaminado. Em alternativa podem sempre receber os misericordiosos tiros
à queima-roupa dos seguranças se se armam em parvos e se lembram de protestar
pela poluição. Talvez o melhor exemplo deste bem fazer seja ilustrado pelo
Continente dos Elefantes, onde o Fundo Mundial da Agiotagem tem ajudado os
países a entrar no mercado global, impondo as suas regras económicas
fundamentadas nas folhas de cálculo falsificadas do merceeiro-burlão Madoff e
que leva as economias locais à morgue. Com desempregos nos píncaros, serviços
públicos proibidos porque tem de ser tudo privado, incluindo ar, sol e água,
normas alimentares tão assépticas que mesmo hortaliça criada em laboratório não
pode ser vendida, os nativos, muito dançarinos, muito alegres, muito
folclóricos e garridos, viraram-se à tarefa de se matarem uns aos outros, pois
é a única actividade que tem subsídios e ferramentas de trabalho amavelmente
cedidas por almas beneméritas em troca de pequenas contribuições em géneros:
diamantes, ouro, super-petroleiros cheios, etc. Estas guerras são obviamente um
bom investimento pois são os mais fortes, ou seja, os melhor armados e com
maior espírito de iniciativa que ficam a controlar estes bens comerciáveis e
deste modo o comércio mundial ganha mais dinamismo, enquanto ficam garantidos
os subsídios defensivos dos conquistadores. Do mesmo modo quantos mais
morrerem, menos são os competidores na hora da distribuição de alimentos doados
por outras, às vezes as mesmas, almas beneméritas. Além disso, respondendo ao
apelo da espécie os sobreviventes desatam a fazer muitos meninos, o que é
excelente pois garante mão-de-obra sempre renovada nas fábricas que as empresas
do 1º mundo decidiam aí instalar por os gastos de produção serem tão baixos. Os
cidadãos apanhados no meio do tiroteio, apenas podem recorrer ao Divino e este
faz-lhes a vontade, enviando mais outra horda de guerrilheiros: os “combatentes
por Deus”. Estes combatentes, cujo objectivo primeiro e único é converter as
populações, a bem ou a mal e exterminar os teimosos que se recusam à conversão
é uma grande mais-valia para a economia mundial por ser um eficiente meio de
escoar o material de guerra e alguns outros apetrechos do 1º mundo, estimulando
assim o comércio internacional. Mas ultimamente têm-se registado uma
perturbadora evolução neste combate teológico. É que os “guerreiros de Deus”
deixaram de matar nas terras deles, onde o seu mister faz muita falta, e
decidiram “deslocalizar-se” para o 1º mundo. Isto está mal. Só o 1º mundo
deveria ter o direito de se deslocalizar para outros lados, o que está já a ser
corrigido em sede própria. É que estes “guerreiros de Deus”, quando se
deslocalizam não é para pacatamente viverem dos rendimentos da sua guerra mas,
apaixonados pela profissão, continuam a matar. Agora nas nossas belas e
civilizadas cidades. Até quando se permitirá tão grande atentado à
civilização?!segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Informações de última hora dão
conta que no nabal dos… Reino dos Agriões a situação é pouco
menos que
explosiva. Como se sabe, o reino dos Agriões é outro dos estados membro da
União das Hortaliças que está intervencionado pela Tripeça pois desfalques
vários, falências consecutivas e obras megalómanas nos diques-fronteira do
Reino atiraram com este para um endividamento excessivo. Não é que os Agriões
estivessem em situação pior que os outros da União das Hortaliças mas, sendo os
agriões uns tipos de segunda, com uma economia de terceira, as agências de
atribuição de notas (e de recebimento de notas em troca das que dão) decidiram
alarmar os mercados, dando chumbos atrás de chumbos à economia dos agriões. Os
investidores fugiram todos, os especuladores caíram em bando sobre as folhas
ainda verdes do reino, e foi o que se sabe. A seguir à confusão nas finanças
sucedeu-se um sarilho de meia-noite na área política – e de meia-noite pois foi
a horas tardias que as piores rabaldarias aconteceram – e um jovem todo
desempoeirado entretanto chamado ao governo concluiu que o grande problema do
país não era o fecho sucessivo de lojas e empresas, os despedimentos
(educadamente chamados de layoff, até porque é palavra estrangeira e os agriões
não sabem línguas), os cortes nos salários, a emigração em massa e o colapso do
consumo interno ainda mais maciço, o que tem dado graves problemas ambientais
nos países vizinhos (e possa talvez explicar a invasão maciça de mosquitos no
Califado das sardinhas) pois os agriões, sem poder de compra, não recebem agora
o adubo que lhes põe, na água e vai tudo borda fora, com as descargas. É claro
que a União das Hortaliças já multou o Reino dos Agriões por não cumprir as
normas ambientais, mas não se preocupem os dinheiros da Tripeça, a serem pagos
com juros de palmo, também irão servir para pagar as multas. Mas voltando ao
“furo” principal: o jovem ministro concluiu que o verdadeiro problema do país
era… falta de comunicação entre o governo e os agriões revoltados. Com uma boa
comunicação, cheia de mensagens de esperança e explicações dos actos
governativos simplificadas ao nível de compreensão dos agriões ainda na
semente, tudo ficaria resolvido, os agriões que morressem de fome ou se
enforcassem por não saberem já como sobreviver demonstrariam uma execrável
falta de patriotismo. Estas declarações levaram ao suicídio em massa dos
agriões do bordo poente do canteiro e iniciaram aquilo a que se designou de
briefings, outra palavra estrangeira que quer dizer “conversas da treta” mas
como é em estrangeiro os agriões pensaram que quisesse dizer “importantes
sessões de esclarecimento”. E de facto, têm sido. Logo à primeira o Ministro
dos Carcanhóis locais demitiu-se, a seguir foi o vice-ministro Agrião
Ramalhudo, que disse que se demitia mas depois não se demitiu. De seguida
também neste reino rebentaram as posturas de sapos e a sala do parlapatéu ficou
inundada de sapos coachantes e a baterem espuma para os ovos, sendo que na
semana seguinte já não se podia lá andar com tantos girinos e os briefings
foram transferidos para outro lado. Como não se avisassem os jornalistas que
têm a mania de fazer as perguntas mais enervantes, estes só descobriram o local
correcto duas sessões depois, o que levou a oposição a acusar o governo de
falta de espírito democrático. Por fim um dos vendedores de sapos e que fazia
parte do governo decidiu dizer que não vendia sapos mas depois já não se
lembrava e depois… estão a ver a coisa. Resultado: de cada vez que havia um
briefing, o governo sabia que vinha aí sarrabulho. Foi por mero acaso, quando o
Ministro da Água Estagnada teve de ir àquele sítio onde se vai quando se está
aflito, que se descobriu que afinal o inventor dos briefings era um agente
infiltrado da República das Beterrabas, que está há anos em guerra com os
agriões por causa das quotas de água para os respectivos canteiros. O excelso
ministro descobriu-o ao contemplar os numerosos escritos e graffitis na porta
do referido sítio dos aflitos, e como também já fora agente das Beterrabas,
compreendeu perfeitamente o código de uma das mensagens, por acaso a única que
não referia hábitos íntimos de terceiros nem dissertava sobre a genealogia dos
leitores. Rebentou a bomba no canteiro, de repente compreende-se porque os
briefings em vez de melhorarem a imagem do governo só a deitavam ainda mais
abaixo do que se todos estivessem calados (e garanto-vos que mesmo calados, o
governo está com a imagem a alguns 3 kms debaixo da terra). Os agriões andam
agora à caça do jovem ministro e inventor dos briefings mas não o encontram em
parte alguma, apesar da secretária garantir que ele foi apenas de férias. Entre
suspeitas de que o traidor se haja passado para o campo das beterrabas veio a
descobrir-se uma outra verdade chocante que deitou por terra o patriotismo dos
agriões. Os briefings não eram afinal uma invenção sua mas uma tradição com
mais de 100 anos na República dos Hambúrgueres. Depois da economia e da
política, foi agora a vez do patriotismo dos agriões entrar em crise…
domingo, 13 de outubro de 2013
Abriram vagas para explicadores
de Direito Constitucional e Direito Internacional no Ministério das Trapalhadas
Estrangeiras, para darem aulas de reforço curricular ao Ministro, o qual veio
publicamente confessar que, embora tendo-se formado em Direito com a melhor classificação
do seu curso, não só a nota foi obtida graças a métodos inovadores de cabulanço
(na altura, hoje esses métodos são usados nos exames do Primeiro Ciclo) como no
seu tempo não havia a figura jurídica da separação de poderes entre o legislativo,
o judicial e o político. Com efeito, embora esta separação de poderes tenham já
300 anos de existência, como a República Democrática dos Nabos anda sempre um
bocadinho atrasada nestas coisas, tal matéria não fazia parte dos currículos há
cerca de 30 anos. O Ministro opõe-se a esta contratação porque criará despesa
no seu ministério que precisa de todos os trocos para instalar um jacuzzi com
massagens direccionadas na casa de banho-suíte ministrial, remodelar os soalhos
com mármore montanha embutido a lazúli, revestir as paredes com madeira de teca
embutida a paubrasile pau preto com lambrins de turquesa e ouro, substituir as
tapeçarias do chão por tapetes de seda tecidos à mão por mãos infantis
paquistanesas pagos na origem a meia conquilha o metro e a 3000 conquilhas o
metro no mercado da União das Hortaliças, substituir todos os quadros e
aguarelas actuais pela colecção integral das obras de Caravaggio, Turner,
rembrant, Vermeer, Renoir e Matisse, mudar os puxadores das portas para aplicações
em marfim legítimo e substituir os telefones de plástico por aparelhos em ouro
24 quilates. Infelizmente os nabos seus assessores recusaram as explicações do
chefe e foram por diante com o concurso para evitar novo desaguisado com a república
dos Cocos, que como se sabe anda de trombas por causa dos nabos se darem ao
desplante de investigarem alguns altos dirigentes couquenses por tráfico de
influências e outros pecadilhos menores. O bem-intencionado ministro das
Trapalhadas pediu desculpa ao Coco-chefe, quando o foi visitar pelo aniversário
da filhinha Zazá, por esta incómoda investigação e prometeu que mal regressasse
ao nabal iria dar 40 chicotadas, como manda a lei religiosa, a cada um dos
investigadores e magistrados que andam a incomodar os dignos couquenses. Até porque
nabal a corrupção e tráfico de influências, embora criticada na lei, é um modo
de vida e adorno cultural dos nabos com rama suficiente para serem mecenas de
tais artes. Sem a corrupção o nabal nem é o nabal, que tinham agora os
coca-bichinhos nabos de meterem o bedelho na vida dos outros? Tinha de, após
aplicar as chicotadas, mandar chamar um catequista para ensinar aos malandretes
a parábola da trave de madeira e do grão de sésamo. Tendo jurado e garantido
que estas seriam as primeiras medidas que tomaria mal regressasse ao nabal,
entregou o cheque à afilhada Zazá, recebeu umas caixinhas de diamantes e vários
barris de crude e regressou a casa, onde encontrou os nabos em polvorosa, por
causa dessa estranha figura jurídica de “separação de poderes”. Os candidatos
deverão ter dado provas durante mais de 20 anos, com livros e teses publicadas
em revistas internacionais da especialidade com peer review e impact factornunca inferior a 10, e apresentar provas insufismáveis de que leccionaram durante 15 anos nas melhores faculdades da Ivy League. Os professores serão pagos à hora, sem contrato de trabalho nem desconto para a Segurança Social, sem direito a horário de almoço nem aposentação, sendo o salário função do grau de aproveitamento do aluno. Quando o douto ministro tiver concluído a sua formação, os professores serão despedidos em conformidade com a nova legislação laboral em vigor, devendo pagar integralmente todas as custas do seu processo de despedimento e indemnização à entidade patronal.
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